Amigos do jazz + bossa

sexta-feira, 20 de novembro de 2009

UM BRASILEIRO DO MUNDO (OU DE COMO A BARCA SAIU DE NITERÓI, ATRAVESSOU A BAÍA DA GUANABARA, ATRACOU NA TERRA DE TIO SAM E POR LÁ FICOU ATÉ HOJE)


Um álbum que conta com os talentos de Art Farmer, Phil Woods e Hubert Laws é, indiscutivelmente, um disco de jazz, correto? E um álbum que conta com a exuberância de Antônio Carlos Jobim, Tião Neto e Chico Batera é, certamente, um disco de bossa nova, não é verdade? E quando o disco conta com essas seis feras, capitaneadas por um certo Sérgio Santos Mendes, o que é que pode sair daí?

Essa discussão pode durar anos, mas a resposta é de uma simplicidade absurda: daí só pode sair música de excelente qualidade e ponto final. Afinal de contas, seria absolutamente impossível que craques desse nível pudessem produzir um mísero acorde ruim em sua alvissareira reunião. Como diria um querido amigo, “errinho à toa bom só aquela bossa do Roberto Menescal e do Ronaldo Bôscoli”. Mas esse disco, chamado apropriadamente de “Bossa Nova York”, não tem erro.

Antes de falar sobre o álbum, porém, conheçamos um pouco da vida e da trajetória de Sérgio Mendes. Ele nasceu em Niterói, no dia 11 de fevereiro de 1941, em uma família de classse média – o pai era de uma severidade monástica. Durante muito tempo foi obrigado a usar um pesado colete ortopédico. As aulas de piano clássico vieram ainda na infância e na adolescência, a paixão que iria durar por toda a vida: o jazz. As primeiras influências, dentro deste estilo, foram Stan Kenton e, mais tarde, Horace Silver.

Estudou com o maestro Moacir Santos, integrou-se à primeira leva de músicos da bossa nova (era uma espécie de mascote da turma) e aos vinte anos já estava tocando profissionalmente, integrando conjuntos como o Sexteto Bossa Rio e o Brazilian Jazz Sextet, nos quais pontuaram alguns dos maiores músicos do país, como Paulo Moura, Dom Um Romão e Djalma Ferreira.

O amor pelo jazz se cristalizou nas incontáveis noitadas no célebre Beco das Garrafas. Ali, tocando, ouvindo e fazendo jams, conviveu com instituições do calibre de Edson Machado, Luiz Eça, Milton Banana, Paulo Moura, Raul de Souza, Antônio Adolfo, J. T. Meireles, Djalma Ferreira, Bebeto Castilho, Tião Neto, Dom Um Romão, entre outros. Naquele ambiente enfumaçado e boêmio nasceu o mais perfeito amálgama entre as linguagens do samba e do jazz – não por outro motivo chamado, exatamente, de “samba jazz” ou, denominação menos usada, de “hard bossa nova”.

A ligação entre o samba (e, por conseguinte, a bossa nova) e o jazz é óbvia. Recorro ao querido mestre José Domingos Raffaelli, que em um artigo denominado “História do Samba Jazz” desnuda a ponte entre esses dois estilos, cujas origens comuns remontam ao continente africano:

“As relações entre o jazz e a música brasileira são muito mais íntimas do que possam aparentar. É uma intimidade que surpreende após a sua constatação. Suas origens são exatamente as mesmas, provenientes da cultura negra trazida pelos escravos africanos originários das mesmas regiões da costa ocidental do continente africano. Entregues à própria sorte, os escravos trabalhavam exaustivamente de sol a sol sem qualquer descanso e, freqüentemente, sob a chibata implacável dos feitores. O único lenitivo que lhes amenizava o sofrimento era o canto que entoavam durante o trabalho, os lamentos à noite, os cânticos religiosos e a música de ninar das mães escravas. O destino separou os irmãos africanos pelos hemisférios das duas Américas, porém suas raízes foram as mesmas.”

Pois dentre os grandes pianistas que circulavam pelas noites de Copacabana, como os já citados Luiz Eça e Antônio Adolfo (e ainda Dom Salvador, Tenório Júnior, Luís Carlos Vinhas e muitos mais), a reputação de Sérgio Mendes só crescia – ele, embora muito novo, já pertencia ao primeiro time dos pianistas cariocas. Tanto é que em 1961 gravou o seu primeiro disco como líder, chamado “Dance Moderno” (Phillips) e em 1962 lançou o seminal “Você Ainda Não Ouviu Nada!”, trazendo arranjos de Tom Jobim e Moacir Santos.

Ainda em 1962, participou do célebre Festival da Bossa Nova, realizado no Carnegie Hall, em Nova Iorque. O show, apesar do alto grau de amadorismo e de uma certa precariedade, rendeu bons frutos e funcionou como porta de entrada da música brasileira (especialmente da bossa nova) nos Estados Unidos. A participação de Sérgio rendeu-lhe um convite de Cannonball Adderley, para participar do seu bem sucedido “Cannonball’s Bossa Nova”, lançado no mesmo ano pela Capitol.

Entre idas e vindas aos Estados Unidos, Sérgio foi se tornando figurinha fácil nos circuitos jazzísticos daquele país, além de ter feito amizade com muitos músicos norte-americanos que tocaram no Brasil no início dos anos 60, como Paul Winter, Stan Getz, Herbbie Mann e Dizzy Gillespie. Também fez excursões à Europa e ao Japão, em 1963, ao lado de Nara Leão, em uma turnê patrocinada pela Rhodia.

Em 1964, já residindo nos Estados Unidos, gravou o espetacular “Bossa Nova York”, para a Elenco, que é considerado um marco na sua carreira. O álbum foi gravado nos estúdios da Atlantic Records, em Nova Iorque, sob a batuta do aclamado Tom Dowd (um dos mais importantes engenheiros de som do mundo, que trabalhou com grandes nomes do jazz, do R&B e da música pop).

Basicamente, é um disco do Sérgio Mendes Trio (Tião Neto no contrabaixo e Chico Batera na bateria), com as excelsas participações de Tom Jobim (violão), Art Farmer (flugelhorn), Phil Woods (sax alto) e Hubert Laws (flauta). Poucas vezes o jazz e a bossa nova caminharam juntos de maneira tão harmônica – parece que foram feitos um pro outro (e sujeitos como Stan Getz, Laurindo de Almeida, Charlie Byrd, Luís Bonfá acabara provando que foram mesmo).

O disco abre com uma versão fabulosa de “Maria Moita”, clássico bossanovístico de Carlos Lyra e Vinícius de Moraes. E é maravilhoso ouvir a influência de jazz na obra de Lyra, certamente um dos maiores melodistas da bossa nova. A atuação de Woods é primorosa, cheia de modulações e frases absurdamente belas. Sérgio se revela um improvisador extremamente competente e seu solo tem uma ginga tipicamente brasileira, mas é jazzístico até medula. “Só tinha que ser com você” ganha um arranjo delicado, doce como o flugelhorn de Farmer, que extrai dele uma sonoridade de canção de ninar anjos.

O Beco das Garrafas se faz presente em “Batida diferente”, talvez a composição mais conhecida de Durval Ferreira e Maurício Einhorn. Chico Batera detona todas, percutindo com uma energia contagiante e Mendes inventa mil e uma estripulias a bordo de suas teclas. Um Hubert Laws extremamente à vontade injeta, com seu fraseado malemolente, o delicioso molho jazzístico a essa refinada iguaria.

Woods volta a brilhar em “Só danço samba”, na qual Tião Neto elabora um senhor solo, e “Vivo sonhando”. “Pau Brasil”, com seu clima meio oriental, encanta pelo charme hipnótico da flauta Laws, que volta à cena para adicionar lirismo à consagrada “Garota de Ipanema”. Em “Inútil paisagem” Art Farmer, incomparável baladeiro, dialoga sensacionalmente com o nosso maestro soberano Antônio Carlos Jobim (autor da música, ao lado de Aloysio de Oliveira), construindo aí uma atmosfera intimista e acolhedora – só falta a janela para o Redentor, que lindo!

Em “Consolação” e “O morro não tem vez” atua apenas o Sérgio Mendes Trio e a atmosfera do Beco das Garrafas permanece. “Primavera” completa o set, com a graciosidade que seus autores (Lyra e Vinícius) tinham em mente quando a compuseram – a flauta de Law e o piano de Mendes, mais uma vez, esbanjam elegância e fluência. Um disco para se levar para uma ilha deserta e que tem cadeira cativa no coração dos amantes do jazz e da bossa nova.

A partir desse disco, a carreira de Sérgio deslanchou nos States. Gravando para selos prestigiados, como Capitol e Atlantic, fundou o Sérgio Mendes & Brasil 66, um fenômeno de vendas da época, graças a uma versão demolidora de “Mas que nada”, de Jorge Ben. Lançado em 1966 pela A&M Records, o álbum recebeu o nome de “Herb Albert Presents Sergio Mendes & Brasil 66” e fez sucesso no mundo inteiro – nos Estados Unidos chegou à casa de 1 milhão de cópias.

Durante os anos 60 ele foi, de longe, o artista brasileiro mais bem-sucedido no exterior. Em 1967, teve a honra de se apresentar na Casa Branca e os discos seguintes, com cover de Jorge Ben (“Chove chuva”), além de versões de músicas dos Beatles (“Fool On The Hill”), Simon & Garfunkel (“Scarborough Fair”) e Otis Redding (“Sittin' On The Dock of the Bay”), continuaram a fazer de Sérgio Mendes um dos nomes mais quentes do cenário pop internacional.

Nos anos 70, a fórmula usada por Mendes pareceu sofrer um desgaste. Seus discos vendiam pouco, não havia hits nas rádios e mesmo a mudança de gravadora (foi para a Elektra) pareceu surtir pouco efeito na revitalização de sua carreira. Somente em 1983, de volta à A&M, o pianista fez as pazes com sucesso, graças ao mega-hit “Never Gonna Let You Go”, que chegou ao quarto lugar na lista da Billboard.

Em 1992, outro retorno às paradas de sucesso, devido ao álbum “Brasileiro”, que lhe valeu um Grammy no ano seguinte, na categoria World Music. Seu disco mais recente, chamado “Timeless” e lançado pela Concord em 2006, conta com um elenco de grandes nomes da música pop, como Stevie Wonder, Justin Timberlake, Erycah Badu e Black Eyed Peas e também vendeu horrores. O garoto de Niterói que conquistou o mundo ainda continua a aprontar das suas – e a barca continua a singrar os mares.

32 comentários:

Edinho disse...

Caro Érico ,
Como sempre + um ótimo disco !
Me fez lembrar um passado não tão distante quando ainda di menor, conheci o Sergio com o Luizinho Eça a quatro mãos ,dando uma canja na boite do Hotel Plaza em Copacabana .
Abraços,

Bidu disse...

Aí, Seu Mr. Edinho,
Testemunha ocular e auditiva de grandes momentos da nossa música!
Valeu!!!!!
Abração!

pituco disse...

signore érico,

resenha piramidal...curto pacas esse álbum, assim como 'você ainda não ouviu nada'...que pra muitos músicos é o disco de cabeceira...rs

mr.sérgio mendes é de uma capacidade musical inesgotável...sou fã total e ad infinitum do homi...sempre sonhei em ter um produtor desse quilate.

já o assisti algumas vezes no blue note por aqui...piramidal, só isso.

outro fera da raça e com personalidade é mr.eumir deodato, não é mesmo?

abraçsons pacíficos

Salsa disse...

Gosto dos primeiros discos do Sérgio. Tenho uma boa discografia que ouço vez ou outra. O seu balanço é inconfundível.
Abraços,

Érico Cordeiro disse...

Grandes Salsa e Pituco (o Bidu acima era eu, usando o nick do Davi),
Valeu pelas presenças bacanudas (e que inveja, poder ver o Sérgio ao vivo, de pertinho).
Gosto bastante do cara nessa fase hard bossa, som típico do beco das garrafas.
Da fase mais pop já não gosto tanto, mas que o cara fez um sucesso tremendo, isso ninguém pode negar!!!
Abração!

Sergio disse...

Só digo uma coisa: Sérgio não é nome é benção.

Como não poderia ficar completo e digo mais: o álbum em que me identifico como fanático por música chama-se Look Around – o da banda na capa com os guarda-chuvinhas coloridos. Deste tenho lembrança de aos 8 anos!... Deitado no chão da sala, diante daqueles indefctíveis toca-discos portáteis phillips, monos, cujo auto-falante fica na tampa de plástico, azul, quem tem mais de 40 já teve um. E eram 2 álbuns que me lembro ficar ouvindo direto, Look Around e a trilha do filme Um homem e uma mulher...

Não tenho tudo do meu chara, mas tenho bastante coisa a se somar à dica de pituco san agora.

Abraços finalistas de Sulamericana make... digamos, tensos.

Érico Cordeiro disse...

É, Seu San,
A minha vitrolinha era vermelha. Naquela fatídica Batalha do Sarriá (Itália 3 x 2 Brasil), eu fiquei ouvindo Queen (aquelas baladonas tipo Save Me, Spread Your Wings, e outras) até tirar o travo da garganta.
Inesquecíveis vitrolinhas - você foi longe.
E parabéns pela vitória heróica. Tomara que no brasileirão o Flu escape da degola.
Abração!!!

iendiS disse...

Este título é o mesmo que sairia pela Atlantic como "The Swinger from Rio", disco, aliás, que se encontra em catálogo em CD da Warner. Vale muito a pena.

HotBeatJazz disse...

Concordo com o Érico, a fase hard-bossa é genial, já a fase pop.....
nem meu saudoso amigo Tião Neto conseguiu salvar, em minha opinião.

abraços

Érico Cordeiro disse...

Grandes IendiS e Mauro,
Obrigado pelas presenças ilustres.
E a carreira do Sérgio tem momentos sublimes, mas essa fase pop não me agrada muito (e acho que não sou o único). E o Tião Neto - grande lembrança!!!!
E no I-tunes, o disco Bossa Nova York aparece como The Swinger from Rio.
Abração aos dois!!!

Paul Brasil (Paul Constantinides) disse...

grande erico...sou fan do sergio mendes..cada vez q me debruzo sobre sua carreira, mais me encanto com sua musicalidade..tive o prazer de fotografar um show dele aqui em Miami no ano passado num festival de Jazz....o Lp Raizes/Roots de 72 q postei no Muza eh um dos meus preferidos...aqui fez muito sucesso o q ele gravou com o Will.I do Black Eye Peas...nos 2005 eu creio..

agora Niterohi tem um celerio interessante de musicos...
agora, temos aqui, um baixista..
Diogo Brown/Diogo Oliveira
maravilhoso..tem um trabalho solo puro jazz/um misturado com samba...DiogoBrownSambaGroove/ e outro com salsa/merengue o LanzaLlamas..o cara tem 25 anos de idade e uma super luz..

ah sobre os cds do Dan Jordan, um eu descolei e vou pegar lah na escola do AA..qdo o tiver em maos te aviso...uma provavel viagem minha ao Brasil ente dezembro/janeiro pode facilitar a entrega.
abs
paul

figbatera disse...

Eu tb já tive uma vitrolinha daquelas; era "o máximo"!
Vi/ouvi o Sérgio Mendes pela 1ª vez aqui em Ktá, tocando acordeon, com L.C.Vinhas ao piano, num memorável baile num clube local.
Depois, quase "furamos" o famoso "Vc ainda não ouviu nada", um verdadeiro marco na carreira do grande pianista.

Érico Cordeiro disse...

Grandes Paul (maravilha de notícia) e Fig,
Ambos já puderam ver e ouvir de perto essa fera. Legal é uma história que o Mestre Lulla, do CJUB, conta e que envolve o Sérgio - tá lá no post do Horace Silver.
Valeu mesmo - grande abraço aos dois!!!

Don Oleari disse...

Doutor Érico

...um tratado.Venho que veizincando pra reviver e continuar aprendendo com Vossa Excelência.
Esse disco aí da radiola, como diz Mr. Salsa, é o disco. O Bossa Nova Iorqui,também. Fico com o Mendes dessa fase aí pratrás.
Depois do esquema uorldi miusiqui - bom para a música do Brasil em geral - continuei com os desse aí pratrás.
Parabéns pela volta do Vasco à primeirona. Abraço do Oleari, seu admirador de cardineta.

Érico Cordeiro disse...

Mestre Seu Mr. Don Oleari,
Que prazer recebê-lo pelas bandas de cá.
Saiba que sou assíduo leitor do seu blog (mas não sei porque cargas d'água não consigo comentar?!?!) e também sempre dou uma passada por lá.
As Certinhas, ah as certinhas...
Bem, voltando à dura realidade: concordo em GNG.
Por favor, volte sempre e sempre, ok?
Grande abraço e saudações Cruzmaltinas!!!!

Valéria Martins disse...

Sim, acho que ele soube se reinventar ao longo do tempo, se manteve moderno e atual, e por isso faz sucesso até hoje.

Há cerca de dois meses fui assistir aqui no Rio à Flora Purim e Airto Moreira e, infelizmente, náo posso dizer o mesmo deles. O trabalho envelheceu, achei tudo desconectado e esquisito. Mas os respeito por tudo o que fizeram até hoje.

Beijos, querido Erico!

HotBeatJazz disse...

Ô¬Ô
"Voce ainda nao ouviu nada" e "Embalo" do Tenório Jr, estão no pódio dos melhores discos de samba-jazz, o terceiro deixo vago pros amigos escolherem. Meu primeiro toca discos foi uma daquelas enormes rádio-vitrolas, mas tinha um porém, o amplificador estava queimado. Meu pai havia me presenteado já defeituosa (sic), eu tinha uns 4 anos de idade, mas devido a meu interesse em ouvir música mesmo que somente pelo chiado da agulha no disco, ele me deu uma dessas vitrolinhas mono da Philips. A minha era azul, como a do Seu Sérgio.
Abraços
Ô¬Ô

HotBeatJazz disse...

Ô¬Ô
Sem querer ser chato, mas já sendo, me lembrei de um episódio que aconteceu em 1977. Eu estudava no Colégio São Vicente de Paulo, estava no 1° científico, e um belo dia fomos informados de que haveria uma apresentação no auditório do colégio. Qdo lá cheguei tive o prazer de saber que ouviria uma apresentação de Sérgio Mendes. Dois filhos dele estudavam lá e ele presenteou o colégio com uma apresentação em trio, ele, Tião Neto e Chico Batera. Foi nesse dia que pela primeira vez, apertei a mão e conversei com o Tião. Anos mais tarde, por intermédio do Lulla, o reencontrei, e ele passou a ser uma eventual presença em minha casa. Tião sempre desejou comprar um lp do Zoot Sims tocando bossa nova, um dos raros ítens que ele não possuía em sua coleção. Até hj me arrependo de não ter-lhe presenteado.
É isso, o blog do Érico, através dele e dos amigos frequentadores, nos faz viajar em nossa própria memória!
Abraços!
Ô¬Ô

Érico Cordeiro disse...

Prezados Mauro e Valéria,
Obrigado pelas presenças. Acho que o Sérgio tem mesmo essa capacidade de se reinventar ao longo do tempo, sem perder o elo com a bossa nova.
Esse último disco é uma prova disso (e o Brasileiro, lançado há alguns anos).
Pô e assim vocês me deixam morrendo de inveja - ver Sérgio Mendes, Tião Neto e Chico Batera assim de pertinho, na escola, deve ter sido marcante. E ver a Flora e o Airto, mesmo em um momento não muito feliz, ainda vale muito a pena.
Abraços!

André Henrique disse...

Escrevi um texto sobre esquerda e direita, gostaria de ouvir uma reflexão do amigo.

Érico Cordeiro disse...

Caro Henrique,
Valeu pela presença - será uma honra!!!
Abraços!

APÓSTOLO disse...

Prezados HotBeatJazz e Érico;

Tião Neto, que infelizmente já nos deixou, era presença bastante assídua no programa do LULA, "O Assunto é Jazz" (todas as terças, na "maldita", a Fluminense-FM).
Foi convivência permanente de bons papos sobre JAZZ.
Sempre que retornava dos "states" (compromissos profissionais como acompanhante do inigualável TOM JOBIM, nosso maestro maior), trazia gravações em fita que colhia em uma rádio especializada em JAZZ (KKDO); LULA habitualmente "rodava" as novidades que TIÃO trazia.
Em função disso e como eu costumava deixar o AKAI 4000-DB gravando "O Assunto é Jazz" (e, claro, ia até a emissora para "viver" o programa ao vivo), possuo em K7 muitos programas com a presença do TIÃO NETO.
E como gostava dos centro-americanos ! ! !
Saudades.....

Salsa disse...

Rapaz, eu também tive uma radiola - cinza. Jesus, como eu curtia aquilo... Passava horas ouvindo os poucos discos da discoteca.

Érico Cordeiro disse...

Caros Apóstolo e Salsa,
Devemos muito ao Mestre Lula e ao seu O Assunto é Jazz (infelizmente, não pertenci à célebre audiência nota dez).
Imagino como era o clima do programa, com grandes figuras da música e do jornalismo interagindo com o apresentador - essas fitas são um documento raro!!!!
E as radiolinhas Philips são insuperáveis - gerações e gerações de audiófilos começaram ali, plugando os fios daquelas caixinhas portáteis!
Abração aos dois!!!

John Lester disse...

Mr. Cordeiro, é como eu sempre digo: samba também é jazz.

Grande abraço, JL.

Andre Tandeta disse...

Erico,
muita saudade do grande Tião Neto. Conheci ele no inicio dos anos 80 ele trabalhando para uma produtora de jingles,em sociedade com Chico Batera, e as vezes me chamava pra gravar,naquele tempo publicidade ainda usava musicos. Tião sempre corretissimo,muito educado e com um super astral Uma grande figura. Lembro de encontra-lo,alguns anos mais tarde, na casa de meus pais pois ele namorava uma amiga de minha irmã,nessa epoca ele ja estava tocando com Tom Jobim. Um baixista que na definição de um outro grande musico"tocava gostoso",o que é uma qualidade superlativa.
Chico Batera é um amigo de muitos anos e muitos gigs,eu de bateria ele de percussão. Um grande conhecedor da musica afro-cubana e do Latin Jazz. Gosto muito dele ,é um excelente contador de historias, conhece milhares delas, da bossa nova ,do jazz e de musicos em geral,algumas,infelizmente,impublicaveis.
Sobre Sergio Mendes tudo que escreveram aqui eu assino em baixo.
Fico muito feliz de ver Tião Neto ser lembrado num blog tão bacana como o seu. Muita saudade .
Abraço

José Domingos Raffaelli disse...

Érico & correligionários,

Tenho uma edição da série "Collectables" que reúne o material do CDs "Bossa Nova York" e "Sexteto Bossa Rio - Você Não ouviu Nada, ainda!").

Keep swinging,
Raffaelli

P.S, A primeira vez que ouvi Sérgio Mendes foi em 1959, numa festa no apartamento de cobertura do arqui-milionário jazzófilo Marcelo Machado, em Copacabana, Naquela festa, Sérgio acompanhou Booker Pittman e mais tarde, Dorival Caymmy, que deu uma canja. Mesmo tocando o estilo tradicional do Pittman, percebi que Sérgio era um talento em embrião. Depois dele tocar trocamos algumas palavras e então soube que ele tinha 18 anos e morava em Niterói. O resto todos sabem.
Keep swinging,
Raffaelli

Érico Cordeiro disse...

Um triunvirato de peso: Mestres Lester (concordo em gênero, número e grau), Tandeta e Raffaelli,
É coisa de louco: uma jam com Booker Pittman e Dorival Caymmy, acompanhados de Sérgio Mendes!!!! Prá ficar na memória para sempre. E Seu Tandeta, o Tião Neto merece mesmo uma resenha - qualquer hora dessas pinta algo sobre ele aqui.
Abração!!!

Érico Peixoto disse...

Excelente texto, nobre xará (como sempre, claro). Obrigado por mais uma dose de ótimas palavras sobre ótimas indicações musicais. Bela homenagem ao grande Sérgio Mendes. Vou procurar o citado disco para mim! Um grande abraço e até a próxima!

Érico Cordeiro disse...

Valeu, Xará,
Tenho lido, com avidez, os poemas e textos publicados no AlternArte. Creio que o recesso lhe fez muito bem - voltou inspirado, elegante e oportuno, como de hábito.
Abração e obrigado pelas palavras gentis!

edú disse...

Existe o Sérgio Mendes, líder de um dos maiores discos da música brasileira “Você Ainda Não Ouviu Nada” - junto do Bossa Rio - é um dos mais promissores pianistas e chefes de conjunto do Beco das Garrafas no Rio de Janeiro entre o final dos anos 50 e inicio dos sessenta.O mesmo Sérgio Mendes que se hospeda nos hotéis cinco estrelas do eixo Rio- SP - quando transita por aqui - pedindo a administração que os funcionários se dirijam a ele apenas em inglês e identificando-se publicamente aos outros hospedes que indagam se ele realmente é o Sérgio Mendes como cidadão panamenho, com sotaque conjunto.O Sérgio Mendes que conheci foi pupilo do Moacyr Peixoto é autor da irresistível bossa Nôa-Nôa em homenagem ao venerável mestre das 88 teclas.Como existe o Sérgio Mendes que esbofeteou Vinicius de Moraes no rosto.Convive o Sérgio Mendes que teve como melhor empregador o carpinteiro Harrison Ford em Malibu.Antes da passagem do artesão das madeiras nobres para Indiana Jones.O mesmo que imigrou profissionalmente Dory Caymmi nos EUA e nas palavras do soberbo arranjador e filho do mais inspirado baiano que se dedicou a música “acreditava que a escravatura ainda vigia fora das fronteiras brasileiras”.Ainda resiste o Sérgio Mendes que ao ser indagado pelo luminar do blog Cjub, Beto Kessel, no elevador do Copacabana Palace sobre a razão de ele não fazer mais bossa responde surpreso que nunca a deixou de lado.Ele é parceiro do Sérgio Mendes que se reproduzir o que Elis Regina pensava sobre ele afugentaria as educadas senhoritas que freqüentam esse fino blog.Dessas duas personalidades – até certo ponto duelantes – não fiz , ainda , a minha escolha.

Érico Cordeiro disse...

Seu Mr. Edú,
Tava com saudades de você - será que os ares de Campos do Jordão o fizeram esquecer dos amigos? Ainda bem que não!!!!!
Pois é, ninguém pode acusar Sérgio Mendes de ser uma personalidade unidimensional - ele está mais prá Dr. Jeckyll e Mr. Hide, não é mesmo?
E como aprontava esse ilustre filho de Niterói (mas acho que nem mesmo ele teria coragem de sar um tapa em Vinícius).
Mas, todo mundo tem seu lado bacanudo, como diria Pituco - veja que o Mauro (do blog HotBeatJazz) relata que o Sérgio fez um show no Colégio São Vicente de Paulo (presume-se, cassetaeplanetamente falando, que tenha sido di grátis).
Anyway, se Miles podia fazer o que fez e continuar sendo genial (pelo menos até a segunda metade dos anos 60, porque o nosso glorioso SM não poderia ter feito das suas, não é mesmo?).
Importante é que ele legou, pelo menos, dois discos espetaculares: o Bossa Nova York e o Você Ainda Não Ouviu Nada.
E queria ser uma mosquinha prá ver/ouvir o sotaque panamenho do Serjón Mendez!
Abração, meu caro (e não vou mexer com seus brios alviverdes - pelo menos por enquanto, pois esse campeonato anda muito maluco!!!! - li em no blog Samurai no outono o seguinte:

"O Botafogo ganhou do São Paulo, pondo em risco a liderança deste na antepenúltima rodada. O Tottenham aplicou uma goleada de nove a um.

Essa campanha publicitária do filme 2012 está exagerando…" ).

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