Amigos do jazz + bossa

segunda-feira, 9 de novembro de 2009

TODAS AS CORES DO CAMALEÃO


Lou Donaldson, não sei por que cargas d’água, me lembra aqueles sujeitos gaiatos, que estão sempre com uma piada na ponta da língua e um sorriso no rosto. Se fosse um sambista, tenho certeza, estaria mais para a malandragem bem humorada de um Bezerra da Silva que para a fidalguia discreta de um Paulinho da Viola. A razão de tal associação talvez seja porque Donaldson é o protagonista de uma das capas mais cafajestes da história do jazz: no álbum “Good Gracious”, o saxofonista olha, pra lá de indiscretamente, o avantajado “derriére” de uma opulenta senhora que passa por ele.

Contudo, é necessário reconhecer que não foi por essa pitoresca razão que ele inscreveu seu nome entre os maiores jazzistas de todos os tempos. Pelo contrário. Apesar do jeitão moleque e irreverente, esse aplicado discípulo de Charlie Parker e Johnny Hodges tem uma trajetória musical tão rica quanto a sua alentada discografia, que chega facilmente a algumas boas centenas – entre as gravações como líder e como sideman. E é por elas, e não pela capinha pra lá de safada, que ele merece ser lembrado.

Nascido no dia 1º de novembro de 1926, em Badin, Carolina do Norte, Donaldson começou a tocar aos 15 anos. Embora sua mãe fosse professora de piano, nunca se interessou por esse instrumento, dedicando-se primeiramente à clarineta, que logo foi trocada pelo sax alto (um acidente durante um jogo de baseball, que ocasionou uma lesão em um dos dedos da mão esquerda, acelerou essa permuta).

Entrou para a marinha em 1945 e teve a oportunidade de aperfeiçoar seu estilo na banda da armada, ao lado cobras criadas como Clark Terry e Willie Smith. Em 1952 mudou-se para Nova York, tendo tocado com estrelas do porte de Milt Jackson, Charles Mingus, Blue Mitchell, Thelonious Monk, Jimmy Smith e Horace Silver. Seu fraseado inventivo e cheio de groove chamou a atenção de Art Blakey, que o convidou para integrar os seus Jazz Messengers em 1954, tendo participado da gravação do soberbo “A Night At Birdland”, ao lado de ninguém menos que Clifford Brown.

No início da década de 50 assinou contrato com a Blue Note, selo para o qual gravou algumas dezenas de discos, nos mais diversos contextos, embora a ligação com a gravadora tenha sofrido um breve hiato entre 64 e 67. Dentre seus colaboradores mais habituais, destacam-se o pianista Horace Parlan, o organista John Patton, o guitarrista Grant Green, o percussionista Ray Barreto e o baterista Ben Dixon.

Além da influência confessa de Parker e Hodges, Donaldson também tem uma fortíssima ligação com o blues e foi um dos primeiros e mais bem-sucedidos criadores do chamado soul jazz. Também ajudou a descobrir diversos talentos, como o saxofonista Stanley Turrentine e o pianista Gene Harris. Entre seus álbuns mais badalados, estão os excelentes “Lou Takes Off”, ao lado do excepcional Sonny Clark, de 1957 e “Blues Walk”, de 1958.

Gravado no dia 27 de abril de 1961, “Gravy Train” é outro ponto alto na discografia de Donaldson. Neste álbum, ele divide o estúdio com o pianista Herman Foster (mais um regular colaborador), o baixista Ben Tucker, o baterista Dave Bailey e o percussionista Alec Dorsey, em uma sessão bastante relaxada, calcada em diversos standards e em duas composições do próprio líder. Trata-se de um disco de transição, fazendo a ponte entre o bebop que caracterizava os seus primeiros álbuns e o soul jazz que iria marcar a sua produção a partir do terço final da década de 60.

A música que dá nome ao disco paga tributo à tradição do blues, destacando-se o delicioso aproach percussivo e o solo irrepreensível do líder. “South Of The Border”, popular na voz de Frank Sinatra, merece um delicioso arranjo que acentua sua levada latina. Grande solo de Herman Foster, com o saxofonista demonstrando seu característico poder de adaptação a qualquer contexto rítmico.

Esse flerte com os ritmos latinos volta a se evidenciar, agora de maneira mais contida, na bela interpretação de “Candy”. Mais uma vez é digno de nota o piano impecável de Foster, que além de excelente acompanhante também é um solista de grande personalidade. “Avalon” recebe um belíssimo arranjo bopper, com Donaldson pagando tributo à sua influência maior – podem-se perceber ecos de Bird, sobretudo nos registros mais agudos. A percussão de Dorsey, cheia de swing, ajuda a fazer dessa canção uma das mais marcantes do disco.

“Twist Time” é um hard bop tocado em um andamento mais cadenciado, com uma discreta tonalidade de blues. O trabalho do baixo e da bateria dignificam a excepcional abordagem de Donaldson, que conta também com as preciosas intervenções do pianista para criar o clima bluesy. “The Glory Of Love”, um clássico eternizado pela orquestra de Benny Goodman, ganha uma leitura menos ortodoxa, quase soul, calcada no ótimo entrosamento da sessão rítmica e na sonoridade quente e viril do líder.

O destaque absoluto do álbum é a fabulosa versão de “Polka Dots And Moonbeans”, com Donaldson mostrando que poderia soar tão pungente e lírico quanto Ike Quebec e Stanley Turrentine, dois dos mais célebres baladeiros que pontuavam na Blue Note à época. Um arranjo insinuante, que privilegia as delicadas texturas sonoras da canção de Johnny Burke e Jimmy Van Heusen, com absoluto destaque para o sopro melífluo e cristalino do saxofonista. Ouvindo essa arrebatadora versão é que se percebe, de forma incontestável, que mesmo um standard tão gravado como esse pode adquirir novas nuances e ser reinventado, quando os músicos que fazem a sua releitura possuem os predicados dos envolvidos nesta gravação.

Com um domínio absoluto de todos os dialetos que compõem o idioma jazzístico, Lou Donaldson sempre foi um músico capaz de atuar, com habilidade incomum, em qualquer contexto, embora alguns críticos não o vejam com bons olhos, sobretudo a partir do final da década de 60, quando lançou vários discos com uma abordagem pop e de grande apelo comercial.

Para além dessa discussão, o mais importante é percebê-lo como um autêntico camaleão, capaz de transitar, sem maiores problemas, do swing ao soul jazz, do cool ao bebop, do blues ao hard bop, como se fosse um verdadeiro fundador de cada um desses estilos – o que é absolutamente verdadeiro no caso do soul jazz.

Para a felicidade dos amantes do jazz, esse bem humorado octogenário continua em intensa atividade, tocando regularmente em clubes e festivais mundo afora. Tanto é que “recentemente, aos 84 anos, ele foi requisitado para tocar nos principais clubes de Nova Iorque, numa maratona de shows em comemoração aos 70 anos da gravadora que o lançou, a Blue Note”, conforme nos faz saber o antenado Vagner Pitta (do blog Farofa Moderna). Que suas cores vivas continuem brilhando ao sol por incontáveis verões!

53 comentários:

José Domingos Raffaelli disse...

Salve Érico e companheiros jazzófilos,

Estive off do circuito por razões extra-jazzísticas.

Sobre Lou Donaldson há uma história deliciosa que ele contou-me há uns 20 anos ou mais - talvez por volta de 1981/82.

Seguinte: em certa ocasião, Lou ganhou uma bolada de mais de 30 milhões de dólares na Lotto de New York. Ao contrário do que ocorre aqui, a TV local divulga e apresenta o vencedor recebendo seu prêmio, pois ninguém se atreverá a seqüestrá-lo porque a pena por seqüestro é cadeira elétrica e ninguém mexe com o ganhador.

Então alguns músicos começaram a mordê-lo, ou seja, pedindo dinheiro emprestado. Lou deixara de tocar para administrar sua fortuna, mas as mordidas sucediam-se aos borbotões - houve músicos que no mesmo mês morderam-no em 5 mil, depois 10 mil dólares - e nunca pagaram.
Ele deixou de atender o telefone porque sua casa virou uma central de empréstimos - pior ainda, só um ou dois pagaram-lhe o que deviam.
Cansado de ser assediado e mordido, voltou a tocar. A partir daí, a todos que pediam dinheiro, ele, sorridente e feliz da vida, dizia: "Sinto muito, mas meu dinheiro acabou, por isso voltei a tocar"..... Esperto o Lou Donaldson, assim livrou-se definitivamente dos chatos inadimplentes de galocha.

Ri muito quando ele me contou, mas estava muito bem de vida e comprara um apartamento na Park Avenue, um dos locais mais caros do mundo.

Keep swinging,
Raffaelli

José Domingos Raffaelli disse...

Oi Érico,

Volto à carga para lembrar que Lou Donaldson participou da primeira gravação do clássico "Bags Groove", realizada em abril ou maio de 1952 no disco "Wizard of the Vibes", de Milt Jackson para a Blue Note. Lou toca com Milt Jackson, John Lewis, Percy Heath e Kenny Clarke, ou seja, a primeira formação do Modern Jazz Quartet, que a partir dali se consagraria como um dos melhores pequenos conjuntos de jazz de todos os tempos.

Keep swinging,
Raffaelli




























"Lou Donaldson and what would soon be called the Modern Jazz Quartet--John Lewis (piano) Milt Jackson (vibraharp), Kenny Clarke (drums), and Percy Heath (bass). So you get MJQ with Lou. And these are wonderful renditions of Bags' tunes and standards. The "Bags Groove" is a great take on a modern jazz standard

Salsa disse...

Segundão.
Donaldson, com milhões ou não, merece ser visitado. Ele sempre empresta-nos bons momentos.

Érico Cordeiro disse...

Mestres Salsa e Raffaelli,
Bem vindos a bordo!!!
Exatamente como imaginava, Donaldson é um cara "safo",um malandro à brasileira nas terras de Tio Sam (e ainda por cima sortudo).
Essa de dizer que o dinheiro acabou foi ótima - e Wizard of the Vibes é um discaço, fundamental!!!!
Valei pelas presenças ilustres e um grande abraço aos dois!!!!

Sergio disse...

Poizé, seu san, desse Zé Kéti americano eu tenho e ouço praticamente tudo. Essa associação dos mestres do Jazz com os nossos da velha guarda do Samba é para lá de pertinente. Parabéns por mais uma bola dentro.

Sobre a história do mestre, duas constatações. Uma óbvia: a prova de que no sistema brasileiro a coisa é mais funcional e coerente. Outra, digamos, filosófica naturalista: não é só na América do Sul que as piranhas se proliferam. O sangue se espalhando no seu habitat, natural no vermelho, ou o verdinho de bolso, o bicho vai pegar com igual voracidade.

A mãe natureza é pródiga nisso: nos dar exemplos da nossa indisfarçável animalidade...

Agora o melhor, né? Mr. Lou ali no ao vivo e a cores contando histórias ao mestre. Não tem preço!

Érico Cordeiro disse...

Grande Garimpeiro-San Sônico,
Valeu mesmo.
Acho que já tínhamos falado um pouco sobre essa associação entre os grandes mestre do jazz e do samba - não sei se aqui ou na Sonic House.
E neguinho não pode ver um amigo ganhar 30 milhões de dólares que cai logo matando (rs, rs, rs).
Abração!!!

pituco disse...

érico-san,

golaço de post e resenha descontraída...bem ao que pressupomos ser o perfil de mr.donaldson...

curioso que aqui os músicos brazucas referem-se ás sessions de funky e soul music,como sendo o pagode dos norte-americanos...rs

bags groove...piramidal...e as capas dos discos estão postadas lá no blog farofa moderna, do vagner pitta...vale conferir.

abraçsons pacíficos

APÓSTOLO disse...

Prezado ÉRICO:

Bela resenha, magnífica escolha de CD (Blue Note), sem dúvida um dos melhores de LOU DONALDSON, muito bem acompanhado, particularmente com HERMAN FOSTER nas 88 teclas mágicas.
Mesmo com todas as faixas em "alta", para meu gosto pessoal é em "Candy" (9'15") que LOU dá o recado. Constrói e reconstrói o tema, calcando cada retorno na frase principal do tema. HERMAN FOSTER soberbo.
Mais uma vez e como já é hábito, parabéns!!!
Beleza é fundamental.

Érico Cordeiro disse...

Mestres Apóstolo e Pituco,
Muito bom recebê-los aqui!!!
Legal que vocês gostaram do post (e do Lou "Bezerra da Silva" Donaldson).
Quer dizer que a galera considera o funky e a soul music como o pagode dos gringos - legal essa!
E eu também gosto muito de Candy, mas a música desse disco que mais me arrepia é mesmo Polka Dots And Moonbeans - acho lindíssima!!!
Abração!

Marcelo Mayer disse...

já percebi que vou me perder aqui... e isso é bom!

Érico Cordeiro disse...

Grande Marcelo,
Valeu pela presença. Também estou descobrindo o Cranberry Sauce aos poucos - tô acabando de virde lá.
Nos toparemos bastante pelas encruzilhadas virtuais - ao som de muito jazz e lendo/ouvindo/escrevendo todas as palavras que existem!!!
Abração e seja bem vindo!

PREDADOR.- disse...

Nem vou comentar Lou Donaldson. Todo mundo aí em cima já falou sobre ele. Quando ví o escudo do Vascão não resisti e resolvi participar. Sem saber dessa sua preferência futebolística, sempre comentei as suas postagens com respeito e em nenhum momento consegui "detoná-lo". Pressentia que tinhamos algo em comum e que agora foi revelado: além de gostar do bom jazz somos vascainos. Parabéns pela volta a "primeirona".

Érico Cordeiro disse...

Grande Predador,
Ainda por cima é torcedor do Gigante da Colina.
Estamos todos de parabéns e com o nosso capitão Roberto Dinamite no comando, novos mares de glória e conquista a nossa caravela haverá de percorrer.
Ei, mas nem uma detonadinha? Cê tá ficando bonzinho demais, meu caro predador - assim vai perder a velha forma!!!
Abração!!!!

Saulo Nunes disse...

Grande Érico!!!

realmente um grande disco eu só conheci d verdade qando postei q pude baixa! mas ñ manjo muito de jazz estou aprendendo junto com os poste e acompanhando os blog seu e o Borboletas jade!!!

aguardo sua resenha seu blog é grande tbm !

já o Drummond só axei 2 discos são os q estão la no blog sempre sempre bem vindo mesmo!!!

axei um do Fernando Pessoa logo postarei ele já ouvi e é muito bom rapaziada boa q fez

abraço!!!

de uma vista no meu outro blog 20 Anos blue tem jazz la vai gostar

Érico Cordeiro disse...

Caro Saulo,
Seja bem-vindo.
O Borboletas é um senhor blog - maneiríssimo mesmo.
Drummond já teve alguns poemas musicados (Canção Amiga, por Milton Nascimento é belíssima).
Tem um disco da Olívia Hime, chamado Estrela da Vida Inteira, em que ela canta poemas de Manuel Bandeira, musicados po Tom Jobim, Moraes Moreira, Milton Nascimento e outras feras. Dá uma procurada, ok?
Vou dar uma passada no 20 Anos blue

Érico Peixoto disse...

Meu nobre xará,

Eu que agradeço suas palavras e seus sempre ótimos textos. Um grande abraço e até a próxima!

P.S.: Vejo aqui do lado que és torcedor do Vascão. Mais uma ótima surpresa, meu amigo. E sim, de volta ao lugar de direito. =)

John Lester disse...

Prezado Mr. Cordeiro, bela homenagem a este que é um dos melhores sax alto do jazz, infelizmente colocado em segundo plano por ter se dedicado ao soul jazz.

Mestre Raffaelli só não nos contou se, em seu encontro, pediu algum a Lou. Então?

Grande abraço, JL.

Andre Tandeta disse...

Erico,
Lou Donaldson é do primeirissimo time do jazz,um dos melhores de todos os tempos. Sempre que ouço falar em Jackie Mclean(e como falam dele!) lembro dele que é infinitamente superior mas talvez não tenha o perfil,digamos assim,de personagem que os escribas tanto gostam:derrotados,viciados,cafetõese etc. Em materia de swing, vocabulario,malandragem e criatividade ele ja era um milionario muito antes do tal premio.
Sugestão para futura resenha:
Pepper Adams, um genio. No sax baritono ,ninguem,repito,ninguem, foi igual a ele.
Abraço

José Domingos Raffaelli disse...

John Lester,

Até que não seria má idéia pedir algum ao Lou Donaldson, mas depois dele contar-me como "enxotara" os mordedores, desisti da mordida.
A propósito, penso que todo o pessoal deste blog deve conhecer aquelas gravações dos Jazz Messengers em que Lou Donaldson toca ao lado de Clifford Brown.

Keep swinging,
Raffaelli

Érico Cordeiro disse...

Caros Amigos,
É uma visitação ou uma constelação? Sim, pois juntos e ao vivo, temos por aqui quatro dos mais proeminentes apaixonados pelo jazz, os mestres Érico Peixoto, John Lester, André Tandeta (porquê a birra com o querido McLean? - vou te Pandear o Jack's Bag e o 4, 5 and 6) e José Domingos Raffaelli.
Fosse um quarteto de jazz poderíamos estar diante de Tommy Flanagan, Clifford Brown, Roy Haynes e Paul Chambers.
E o Donaldson possui aquela malandragem, aquela ginga, típica das nossas noites da Lapa (a Lapa dos anos 30 e 40, clássica, por onde desfilavam artistas, intelectuais, jornalistas).
Sugestão anotada, Seu Mr. Tandeta (aliás, o Pepper tá no disco que postarei em seguida - mais detalhes só quinta ou sexta-feira).
Um fraterno abraço aos quatro!!!

Edinho disse...

Como sempre bela resenha, principalmente lendo acompanhado com som de Lou Donaldson na sua vitrola .Além de agradecer desde já pelo Pando(rs), dizer mais o que !?!

Érico Cordeiro disse...

Valeu, meu caro Edinho.
E as coisas andam movimentadas lá pros lados da Jazzona, não é mesmo?
Dei uma passada lá - o Scott LaFaro é fenomenal!!!
Abração!!!

Sergio disse...

Seu Érico, já q volta e meia (vamos lá) alguém dos nobres comentantes aparece sugerindo uma resenha, com licença eu vou à luta tomém: dos, no mínimo, 89% de seus resenhados - 100% merecedores -, lembro-me q lá no comecinho do J+B+BA te pedi, digamos, um reparo a um dos maiores injustiçados do gênero, o esquecido Bobby Timmons. O sr. me disse q ele estava a caminho numa fila dos primeiros 100 a serem postados. Estamos como agora, no 97º? Tou esperando, viste?

Já q K estou, valeu a visita lá no sônico. O Dakar é mesmo um discaço e foi um tremendo cochilo tê-lo conhecido só agora. Enfim, me redimi.

Abraços!

APÓSTOLO disse...

Prezado RAFFAELLI, dúvida: no que possuo de CLIFFORD BROWN e pelas minhas anotações, sómente em uma única sessão de gravação ocorreu o encontro dele com LOU DONALDSON (ART BLAKEY QUINTET, com Clifford Brown, Lou Donaldson, Horace Silver, Curly Russell e Art Blakey), 21/fevereiro/1954, Birdland/New York, Mestre de Cerimônias Pee Wee Marquette - diversos albuns da Blue Note com as faixas Wee Dot, Now's The Time, Confirmation, Once In A While, Mayreh, Split Kick, Lou's Blues, A Night In Tunisia, Quicksilver, Blues,The Way You Look Tonight, Wee Dot e Lullaby Of Birdland.
Por favor, caso existam outras gravações agradeço que complemente minhas anotações. Agradeço antecipadamente.

Érico Cordeiro disse...

Mestres Sérgio e Apóstolo,
Ao primeiro, repito uma frase que minha amada mãezinha dizia, quando eu era pequeno: a paciência é a mãe de todas as virtudes. Um Bobby Timmons saindo, antes da postagem nº 100, no capricho (mas prá breve, não prá jajazinho)!!!!!
Ao segundo, digo: caramba, os mestres Apóstolo e Raffaelli, trocando figurinhas, bem aqui, no meu modesto bloguinho - apaixonado por futebol que sou, é como se eu tivesse assistindo a uma tabelinha Pelé x Garrincha - não tenho palavras para agradecê-los!!!
Um grande e fraterno abraço aos dois!!!!

Andre Tandeta disse...

Erico,
apagão de meter medo,teria sido o aviso que o fim do mundo esta chegando? Então vamos aproveitar enquanto podemos(conselho sempre dado por HYJ,que esta em Boston).
Não tenho antipatia pelo Jackie Mclean,não gosto por razões bem simples e objetivas: fluencia e vocabularios que se não podemos dizer que são fracos estão bem abaixo,bem abaixo mesmo do nivel dos que consideramos grandes. Mas mande os discos,sempre podemos mudar de ideia. E Lou Donaldson arrebenta!!!!
Por favor não me coloque ao lado dessas feras,especialmente Raffaelli com seus trocentos anos de jazz,sou apenas um cara que ama o jazz, conheço um tiquinho de nada. Isso não é modestia nem humildade,caracteristicas que não possuo,mas não sou burro,graças a Deus.
Abraço

José Domingos Raffaelli disse...

Caríssimo Apóstolo aka Pedro Cardoso,

É precisamente essa sessão do Blakey no Birdland com Clifford, Lou, Silver e Curly Russell a que me referi.

Quanto ao Pee Wee Marquette, era uma figuraça. Quando algum músico não lhe dava uma boa gruja (que ele descaradamente pedia), na apresentação ao microfone errava propositalmente o seu nome. Parece que o Lester Young chegou a dar-lhe umas boas bolachas por causa disso.
Keep swinging,
Raffaelli

José Domingos Raffaelli disse...

Apóstolo aka Pedro Cardoso,

ADENDO: O solo de Clifford em Once in a While é uma obra-prima. Mais adiante, quando ele dobra o andamento e Horace Silver quadruplica o acompanhamento, como diria o Maurício Einhorn, é um desbunde total.

Keep swinging,
Raffaelli

Érico Cordeiro disse...

Grande Tandeta,
Estou em Pinheiro City e amanhã retorno a São Luís - então vou te mandar alguns discos do bom e velho Jackie.
E esse Pee Wee, Mestre Raffaelle, era mesmo um azougue - tenho alguns discos gravados no Birdland e a voz do sujeito era muito engraçada, parece de personagem de desenho animado!!!
Um discaço esse dos Messengers!
Abração aos dois - e ao HYJ também (o que será que esse maluco anda aprontando por Boston?)!!!

Valéria Martins disse...

Querido Erico, o curso do Muggiati começou na segunda-feira com 16 alunos, um sucesso! Tinha até a Debobra Bloch na platéia. Ele está muito contente.

Agradeço o apoio e o interesse em ajudar a divulgar. Um grande beijo!

Andre Tandeta disse...

Erico,
Manito ,nosso bom e velho HYJ,esta em Boston a convite da namorada, uma americana descendente de chineses que é pesquisadora na area de biotecnologia numa das muitas universidades existentes em Boston. Não me pergunte como se conheceram e nem o que fez ela se aproximar dele. Ja me mandou uns 20 emails contando as apresentações de jazz,alem de rock,classica etc, que tem visto.Diz que só retorna ano que vem. Nem reclamou do frio. Aos poucos vou passando pra voce as peripecias dele na terra de Tio Sam.
Abraço

Érico Cordeiro disse...

Querida Valéria,
Parabéns pelo sucesso da empreitada. Muito bacana a iniciativa e que várias outras dessa natureza possam se repetir.
E tomara que os alunos do Mugiatti dêem uma passadinha no Jazz + Bossa de vez em quando.
Mestre Tandeta,
Quer dizer que nosso amigo tá aprontando todas na terra de Tio Sam? Mantenha-me informado, ok?
Grande abraço aos dois!!!

figbatera disse...

É, nada mais a dizer sobre a bela resenha e a qualidade dos músicos.
Parabéns de novo!

ps.:só estou esperando uma folguinha sua aí, para mandar o meu presentinho antecipado de Natal.
(vc disse que estaria "anteciPANDO")
Desculpe, não estou cobrando; ou estou? rs....

Sergio disse...

Seu Érico san, será a 2ª dica q te peço hoje: conheces pra indicar, sem medo d'eu ser infeliz um álbum original de Chet Baker, não vale coletânea, onde ele cante mais ou tanto quanto toque - ou melhor, que não seja quase q totalmente instrumental? Informo-lhe q a coletânea CHET BAKER (THE BEST OF CHET BAKER SINGS) 1956, eu tenho. Mas... como tá escrito no título, coletânea. E aí?

Érico Cordeiro disse...

Mestres Fig e San-Sérgio,
Valeu pelas presenças ilustres.
Ao primeiro, embaixador do jazz + bossa nas terras d'El Rey, digo logo que amanhã ou depois o Papai Noel chegará em grande estilo, incluindo Lou Donaldson e Pieranunzi no repertório.
Ao segundo, um disco que gosto bastante é o Baker's Holliday, em homenagem a Lady Day e que tem algumas faixas instrumentais e outras cantadas - eu adoro, acho fabuloso.
Grande abraço aos dois.

Sergio disse...

Não conhecia a dica. Acabei de achá-lo no Borboletas de Jade. E estou muiro grato, seu san. Somos um timão, amigo! Mas o Flusão é impiedoso! Maldito reagente químico, físico e 007º! Com o meu time só resta ser feliz e saber.

Abraços!

Érico Cordeiro disse...

Valeu Seu-San Sérgio,
Tomara que você goste desse diaco - eu acho fantástico.
Abração!

PREDADOR.- disse...

Vou dar uma de intrometido e me meter nessa conversa entre os srs. Sergio e Érico, para sugerir um album de Chet Baker em que ele "canta/toca", que eu acho muito bom: "IT COULD HAPPEN TO YOU" c/ Baker, Kenny Drew (p), George Morrow ou Sam Jones (b), Philly Joe Jones ou Danny
Richmond(d). Gravado em studio pela Riverside, ano 1958. Se você já tiver este disco mr.Sergio, desculpe "o mau jeito mas o que valeu foi a intenção".
(Quanto ao Flusão de mr.Sergio acho que vai tomar o lugar do nosso Vascão na segunda divisão. Não é praga não, são dados matemáticos.)

MJ FALCÃO disse...

Sempre boa música. sabe bem vir ouvir...
o falcão

Érico Cordeiro disse...

Grandes Predador e Falcão,
Sejam muito bem vindos (ao segundo, faço uma saudação especial, por ser a primeira - espero que de muitas e muitas - visita a esta modesta casa virtual).
Grande Chet Baker, dono de uma sonoridade espetacular. Esse disco é muito bom mesmo e os acompanhantes são de primeiríssima linha.
Valeu pela presença e um fraterno abraço aos dois!!!!

Sergio disse...

Valeu, Predador. Já levei essa chamada pessimista-realista, realmente ficou meio tarde para reagir no brasileirão. E torcer contra o Curita até tudo bem, mas contra o Foguin, o farei, se precisar, só se for a última esperança, mesmo...

Mas e a Sulamericana, hein!, Hein, hein?!!! O Flusão não perde mais nem a pedrada, Predador!

Quanto ao álbum, sugestão sua, não conhecia. É uma pesquisa chata até mais pra quem não compra álbuns do Chet Baker. Ele é muito mais raro cantando do que sonhava a minha van (de transporte público ilegal mesmo) ignorância.

E, pô Predador, pedir desculpas por ajudar, não né? Valeu mesmo a força! Já estou a cata do genérico.


Érico, vc já contou? É uma média de 40 comentários por postagem, amigo. E esse nº só aumenta! Tira o projeto livro da tela e passa pro papel, meu camarada!

Abraços!

pituco disse...

signore érico,

enquanto ouço joyce'samba, com mr. cannonball e bossa rio sextet, acompanho os comentários e tenho de concordar com sérgio-san...tire o porjeto da tela e passe pro papel...

sinto falta de tuas ficções policiais...rs

abraçsons pacíficos

Érico Cordeiro disse...

Grandes Pituco e Sonic Boy,
Valeu pelas presenças e pela força.
O livro vai sair - tô esperando chegar às 100 postagens prá correr atrás com mais intensidade.
Vamos aguardar - e o Eddie Evans logo logo vai dar as caras por aqui.
Abração!!!!

Sergio disse...

Devolvendo agradecimentos:

Seu san, ouvi ontem tomando umas Boêmias q neste calor desceram quase tão bem quanto o Resonance Big Band Plays "Tribute to Oscar Peterson (2009)" Que beleza de álbum, seu moço!

Ouvi, dando meu rolé na Lagoa hoje o Baker's Holiday, excelente! Ambiente perfeito pra Baker é ou não? Só q não é totalmente cantado, está no meio a meio, certo? De qualquer maneira nem preciso me estender no quando achei bom o disco. Aliás precisa sim. O álbum ganhou até box com capinha original.

Agora, a dica do Predador, sem puxação de saco q ces sabem q não sou desses, mas este "It Could Happen To You" foi o mais mais do Chet até pq ele é todo cantado e tem uma faixa "The More I See You" q eu não ouvia há séculos! Tinha até me esquecido q era o Chet Baker que cantava essa música. Aliás quem imortalizou essa canção? O próprio? Cara, mais marcante, de época, vintage q essa só aquela Call Me com a Nancy Wilson!...

Sendo assim, assaz satisfeito agradeço a todos penhoradamente!.

Ah! Ouvindo Call Me, fala sério, amigos, tem musiquinha mais feliz da vida do q essa?!

APÓSTOLO disse...

Prezado SÉRGIO:

Já que citou NANCY WILSON,relembro que ela gravou "The More I See You" (Harry Warren e M.Gordon, 1945) em 05 de dezembro de 1959, com orquestra sob direção do grande Billy May, grande sucesso de vendagem.
CHET BAKER sempre gostou das composições de HARRY WARREN, tanto que adotou "There Will Never Be Another You", que gravou pela primeira vez em 15 de fevereiro de 1954, como seu "carro.chefe".
Nat "King" Cole, Tony Bennett, Dinah Shore, Dean Martin, Bobby Darin e tantos outros, também gravaram composições de HARRY WARREN, um dos grandes do populário americano.

Sergio disse...

Muito bom, Mr. Apóstolo! Informações preciosas. Eu cheguei a verificar o compositor da musica no allmusic, mas quando vi que havia mais de 800 versões de The More I See You deixei quieto. Então a música é de 1945? Imaginei q fosse de fim de 50 início dos 60... Vou até procurar por discos de intérpretes de Harry Warren. Deve haver um baú de boas canções escondido nesses discos. Valeu mesmo!

E eu q brincava com isso de enciclopédia viva... Vcs são a encarnação de Denis Diderot, o enciclopedista!

Abraços!

Érico Cordeiro disse...

Assino embaixo, Mr. Sonic-Boy!!!
É uma grande honra conviver com esses "Diderots" do jazz!!!!
E There Will Never Be Another You é uma assinatura do Chet Baker - do mesmo calibre de Let's Get Lost.
Abração aos dois!!!!!

Andre Tandeta disse...

Erico,
desculpe o mau jeito ,irmão,mas gostaria que voce me enviasse o Ressonance Big Band,por favor.
E o que mais voce achar que seja o caso.
E continuo revindicando resenhas com Pepper Adams e Frank Foster(ja mandei), só pra lembrar.
Abraço

Érico Cordeiro disse...

Tandeta,
Tô baixando o Foster.
Como minha conexão é ruim, amanhã (hoje 13/11) eu te mando, ok?
E eu descobri que tenho um disco do Foster - Soul alguma coisa, acho que é da década de 60 - achei mas já "perdi" de novo (mas agora já sei mais ou menos onde ele está - não curti muito quando comprei, mas vou escutar com outros ouvidos agora).
Abração!!!

APÓSTOLO disse...

Prezado ÉRICO:

Favor não atender ao TANDETA, que tem o péssimo hábito de escolher o melhor: é um sistemático garimpador e conhecedor de qualidade.

Érico Cordeiro disse...

É Mestre, disso eu sei - temos trocado algumas figurinhas musicais virtuais e o sujeito só manda coisa de primeiríssima - Cejubiano de estirpe, o nosso amigo Tandeta (quem sai aos seus não degenera, não émesmo?)
Abração!

José Domingos Raffaelli disse...

Caro Sergio,

The More I See You foi uma grande sucesso nos anos de Dick Haymes nos anos 40.

Nos anos 60 estourou nas paradas americana e brasileira com a gravação do cantor pop Chris Montez.

Um dos seus autores foi o célebre compositor Harry Warren, a quem tive o prazer de entrevistar por ocasião da sua vinda ao Festival Internacional da Canção de 1966.

Keep swinging,
Raffaelli

Anônimo disse...

Valéria Martins,

Uma pessoa que fez o curso do Muggiati ficou decepcionadíssimo porque o palestrante não respondeu perguntas dos presentes, não deu certas explicações necessárias para determinadas gravações e, finalmente, só reproduziu música extraída do U Tube, cujo som notoriamente deficiente e pior reprodução não satisfez aos presentes de forma alguma.

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