Amigos do jazz + bossa

domingo, 29 de novembro de 2009

O GUITARRISTA MAIS RÁPIDO DO MUNDO


Nome estranho deram ao garotinho nascido em 07 de junho de 1921, na cidade de Greensboro, Carolina do Norte: Talmadge Holt Farlow. Filho de um guitarrista amador, o pequeno Talmadge, ao tempo em que recebia do pai as primeiras lições do instrumento que o consagraria, resolveu abrir mão de boa parte do seu quase impronunciável nome e adotar um apelido bem simples: Tal Farlow.

Até o início da década de 40, tocar guitarra era, para Farlow, apenas um divertimento corriqueiro. Aos dezenove anos, ele parecia conformado com a modesta carreira de ilustrador de cartazes, quando ouviu, pela primeira vez, a magia de Charlie Christian e sua guitarra eletrificada.

A paixão foi imediata e o jovem Farlow não apenas passou a ouvir com habitualidade os discos de Benny Goodman, como também passou a estudar os solos de Charlie Christian naquelas gravações. Raspou as suas economias (exatos vinte dólares) e encomendou um amplificador nas Lojas Sears.

Nessa época, também descobriu a orquestra de Count Basie (graças, sobretudo, ao lirismo do sax de Lester Young, cujos solos ele reproduzir na guitarra) e, em seguida, os boppers, sobretudo Charlie Parker e Al Haig, duas influências confessas. Em 1943, associou-se ao pianista Jimmy Lyons, ao lado de quem fez inúmeros espetáculos para os militares sediados na Base Aérea de Greensboro.

Em 1944, o guitarrista passou a integrar o trio da pianista Dardanelle Breckenbridge, tendo se apresentado em várias cidades, como Baltimore, Filadélfia e, finalmente, Nova Iorque. Ao mesmo tempo em que o trio se tornava atração fixa do Copa Lounge, Farlow aproveitava para assistir, na famosa Rua 52, aos espetáculos dos ídolos Charlie Parker, Bud Powell, Thelonius Monk e Dizzy Gillespie.

Entre 1945 e 1948 a carreira do guitarrista desenvolveu-se sem grande repercussão. Após algum tempo tocando com nomes pouco conhecidos como Freddie Thompson, Lenny DeFranco (irmão de Buddy DeFranco, com quem tocaria no final daquela década) e Margie Hyams (onde substituiu ninguém menos que Mundell Lowe), Farlow, que nunca havia deixado de trabalhar como desenhista e ilustrador, finalmente teve a oportunidade que precisava.

Em 1949, foi convidado por Buddy DeFranco para integrar o seu grupo e, no final do mesmo ano, uniu-se ao trio do vibrafonista Red Norvo, que incluía o baixista Red Kelly (substituído, posteriormente, por Charles Mingus). Baseado em Los Angeles, o trio permaneceu em atividade até 1953 e adquiriu a reputação de um dos combos mais originais e inovadores dos anos 50. Nesse período, Farlow desenvolveu e refinou a sua técnica, passando a ser reconhecido como “o guitarrista mais rápido do mundo”.

Após deixar o trio de Red Norvo, Farlow tocou com Artie Shaw, Gil Melle e Howard McGhee. Em 1955, convidado por Cy Baron (proprietário do clube novaiorquino Composer), montou um trio com o pianista Eddie Costa e o baixista Vinne Burke (essa formação pode ser ouvida no fenomenal “The Swinging Guitar Of Tal Farlow”, gravado em 1956, para a Verve), que se tornou atração fixa do clube até 1958, quando aquela casa noturna encerrou suas atividades.

Farlow se casou no mesmo ano e, partir daí, o envolvimento com a música foi relegado ao segundo plano. Priorizou sua atividade como desenhista e ilustrador, restringindo seu contato com o jazz aos discos e programas radiofônicos. Ocasionalmente, participava de jams com músicos locais ou com os muitos amigos que costumavam visitá-lo em sua mansão em Sea Bright (Nova Jérsei), como Jim Hall, Jimmy Raney, Gene Bertoncini e Attila Zoler.

Em 1967, ensaiou um retorno à música, tocando por alguns meses no The Frammis Club, em Nova Iorque, e participou das gravações do álbum “Up, Up And Away”, sob a liderança do saxofonista Sonny Criss. Em 1968, foi um dos destaques do Festival de Newport e, no ano seguinte, uniu-se aos “George Wein’s All Stars”, onde também tocava o velho amigo Red Norvo.

Ainda em 1969, lançou pela Prestige o aclamado “The Return Of Tal Farlow”, que marca a sua volta aos estúdios, como líder. Nos anos 70, ele voltou a ser uma presença constante em clubes e casas noturnas, além de participar com maior assiduidade de festivais, como o de Newport e o Concord Summer Festival. Também nessa época, lançou seu próprio método de ensino de guitarra, chamado de “Tal Farlow Method”.

Em 1976, gravou o primeiro disco para a Concord, chamado “A Sign Of The Times”. Ao seu lado, duas lendas do jazz: o baixista Ray Brown e o pianista Hank Jones. O encontro desses três titãs não poderia ser mais encantador. São três mestres incontestáveis nos respectivos instrumentos, interagindo como velhos amigos e partilhando com o ouvinte a cumplicidade íntima de quem ajudou a construir, graças ao próprio talento e nada mais, a própria história do jazz.

Abrindo o disco, o swing elegante de “Fascinating Rhythm”, pérola dos Irmãos Gershwin, ganha uma roupagem à altura de sua nobre linhagem. Em um arranjo que ressalta a sua célebre velocidade, o guitarrista põe seus dedos agílimos a serviço da música, sem qualquer espécie de exibicionismo. Jones é o contraponto lírico às estonteantes harmonias de Farlow, enquanto Brown faz a ponte entre a delicadeza do primeiro e o arrojo do segundo.

Na balada “You Don’t Know What Love Is”, é Jones quem dita o ritmo da execução, de maneira lânguida, realçando o drama – de forma docemente contida – do amor não correspondido. Há um quê de bolero no arranjo e discretas citações a “It Might As Well Be Spring”, além de uma atuação impecável de Brown.

“Put On A Happy Face” e “Stompin’ At The Savoy” retomam a atmosfera alegre dos bailes de swing. A criatividade de Farlow e seu apuradíssimo senso melódico se apresentam em toda a sua inteireza e os solos de Brown, em ambas as faixas, são verdadeiras antologias de bom gosto e técnica.

Apesar de autodidata, Farlow sempre foi um músico de extrema personalidade e conseguiu construir uma linguagem própria, reconhecível aos primeiros acordes. Mesmo em músicas gravadas milhares de vezes, como a onipresente “Georgia On My Mind”, de Hoagy Carmichael e Stewart Gorrell, ele sempre consegue imprimir a sua voz e extrair algo de novo, ainda mais quando conta com coadjuvantes da estirpe de Jones e Brown.

A dupla Rodgers e Hart contribui com “You Are Too Beautiful”, outra balada romântica e altamente emotiva. Merece maior atenção a técnica, típica de Farlow, de arranhar com suavidade as cordas da guitarra, dando a impressão de que há um baterista usando as escovinhas no acompanhamento.

Um dos pontos altos do disco é a primorosa versão de “In Your Own Sweet Way”, de Dave Brubeck, na qual o piano de Jones e a guitarra do líder conduzem a melodia pelos sinuosos caminhos do bebop – mas, a bem da verdade, é bom frisar que esse permanente diálogo deve muito de sua fluência à preciosa intervenção de Brown, sempre muito eficiente e seguro.

É de Brown, inclusive, a autoria da ótima “Bayside Blues”. Trata-se, por óbvio, de uma fabulosa incursão pelo blues, com Farlow extraindo de sua guitarra lamentos que conduzem o ouvinte às excruciantes condições de trabalho nas plantações de algodão do Deep South. Jones, que tem o blues na alma, é a sutileza e a plangência em pessoa. Um disco não menos que fabuloso, que pode servir como porta de entrada à maravilhosa arte de Tal Farlow.

Sobre o guitarrista e sua forma altamente pessoal de tocar, contumaz vencedor de prêmios em revistas como Down Beat e Metronome, escreveu o Mestre Pedro “Apóstolo” Cardoso, com a habitual propriedade:

“Tal Farlow mandou fabricar uma guitarra com diapasão curto, o que lhe permitia um fraseado extremamente veloz e uma sonoridade muito suave. Essa guitarra lhe permitia tocar e golpear as cordas com as pontas dos dedos, obtendo efeitos rítmicos muito bons (para, em conseqüência, dispensar o acompanhamento de bateristas)”.

Nos anos 80 e 90, Farlow continuou a gravar com certa regularidade e jamais deixou de se apresentar em clubes e festivais ao redor do mundo, incluindo Europa e Japão. Em 1997, recebeu o diagnóstico de um câncer no esôfago, que acabaria por levá-lo à morte, no dia 25 de julho de 1998.

57 comentários:

Katrina disse...

Não conhecia, vou baixar =]

HotBeatJazz disse...

Ô¬Ô

Érico,

está aqui na fila para ser postado no HBJ, talvez ainda esta semana, o mencionado “The Swinging Guitar Of Tal Farlow”.
Sintonia perfeita, e como sempre, um excelente texto.

Prabéns e ótimo domingo pra vc amigo

Ô¬Ô

HotBeatJazz disse...

Ô¬Ô

em tempo,

chegou a hora de torcer muito e secar mais ainda!

Ô¬Ô

Érico Cordeiro disse...

Prezados Katrina e Mauro,
Prazer em tê-los a bordo.
Pois dê uma busca na net, minha cara, pois esse disco do Tal Farlow é maravilhoso (e todos os outros que eu conheço desse fantástico guitarrista).
Aguardemos, pois, a guitarra swingante do mestre Farlow - e torçamos muito e sequemos ainda mais.
Abraços aos dois!!!

Salsa disse...

Camarada,
Meu sonho de infância era tocar guitarra. Acho um belo instrumento. Os guitarristas têm lugar especial na minha discoteca - Tal farlow entre eles.

APÓSTOLO disse...

Prezado ÉRICO:

Uma pérola de gravação (que omití na resenha que fiz), muitíssimo bem pinçada na discografia de TAL FARLOW.
Magnífica resenha, confirmando sua ampla capacidade de "retratar" o músico em foco.
Parabéns ! ! !

PREDADOR.- disse...

Bela resenha sôbre Tal Farlow, mr.Cordeiro, como também são ótimos os albúms mencionados. Procure ouvir também "A Recital by Tal Farlow", uma gravação de 1955, com músicos da "west coast"(Bill Perkins, Bob Enevoldsen, Bob Gordon, etc...)

Érico Cordeiro disse...

Mestres Salsa, Apóstolo (a quem devo 99% das informações constantes desta resenha) e Predador,
Sejam muito bem vindos e sintam-se em casa. Valeu pelas palavras generosas e pela dica, Mr. P (não conheço essa gravação, mas já está na listinha).
E agora, com os ares ludovicenses, Mr. Salsa vai ter o tempo e a inspiração prá se dedicar ao instrumento que povoa seus sonhos de infância!
Grande abraço aos três!!!

HotBeatJazz disse...

Ô¬Ô

Érico,

seu blog além de muito instrutivo é tb uma grande sala de estar, e nesta tenho o prazer de ficar sabendo que "Apóstolo" é o meu já conhecido Pedro Cardoso, colega de confraria do programa de Luis Carlos Antunes (Llulla), meu mentor em jazz. Eu sou o agraciado com o codinome "Angra II" na seleta AND (audiência nota dez), com direito a carteirinha emitida pelo amigo Llulla.

Pedro, bom te reler meu amigo, não nos vemos desde que fui para Angra dos Reis, produzir e apresentar o HotBeat, programa semanal de jazz na Rádio Costazul de Angra, em 92.

Érico, estou me sentindo mais em casa ainda! (tirando os sapatos e colocando os pés na mesinha de centro)rsss

Andre Tandeta, estarei postando o Andre Ceccarelli Trio - Avenue des Diables Blues, ainda esta semana, deixarei aviso aqui, para no caso de vc não ter o álbum, possa baixa-lo.

Abraços a todos os excelentes amigos da confraria

Ô¬Ô

Celijon Ramos disse...

mais que ágeis, o toque dos dedos de farlow nas cordas revelam leveza, suavidade e elegância lírica. mas gostaria mesmos de ressaltar é a felicidade do encontro dos músicos nas execuções que postastes aí ao lado para ouvirmos.
o som do conjunto dos músicos sobressai mais que a performance singular de quaiquer um dos que tocam.
comovente, diria.
Boa noite, meu irmão!

Érico Cordeiro disse...

Grande Mauro,
Pois é, o Mestre Lulla e o CJUB (onde o Mestre Apóstolo é dos mais ativos colaboradores) plantaram continuam a render frutos.
Quer dizer que você fazia parte da famosa audiência nota dez?
E quanto ao programa, ainda está no ar?
Bom, e o Mestre Tandeta é outro cejubiano de primeirríssima linha, com a vantagem de fazer ele mesmo aquilo que nós outros apaixonados pelo jazz, mas sem qualquer talento musical, só somos capazes de aplaudir!!
Aguardo prá conhecer o Andre Ceccarelli Trio - fique à vontade e um grande abraço (o próximo passo do barzinho vai ser inventar o chop virtual - rs, rs, rs).

Érico Cordeiro disse...

Valeu, compadre - postagens simultâneas (tava respondendo ao comentário do Mauro).
E essa interação, em que um não quer aparacer mais que o outro, sendo mais importante o combo que o solista, é típica de grandes e generosos músicos - como Farlow, Jones e Brown são, de fato.
Beijo grande, compadre!!

pituco disse...

érico san,

aqui em teu 'latifúndio virtual', estou entre os bons...por isso agradeço ao grande geraldo picanço que indicou-me o jazzeen e de lá, derivei-me por tanta informação musical, que até então era contida apenas em claustros maçônicos do ramo...domo arigatô.

tô curtindo o podcast e tentarei baixar o disco também...

amplexossonoros gerais em Bflat

Érico Cordeiro disse...

Valeu, meu embaixador!
Pô, e chama o amigo geraldo picanço prá conhecer o nosso barzinho virtual!
Grande abraço e uma semana altamente musical aí na Terra do Sol Nascente!!!

O Pescador disse...

Olá Érico.
Para além do exótico nome Talmadge, Farlow recebeu ainda 2 nicknames: Octopus, pelas suas enormes e ágeis mãos, e Mr. Wide Interval. Desconheço a razão deste último mas presumo que esteja relacionado com a sua forma de tocar.
Mais uma vez, os meus agradecimentos por mais uma deliciosa sugestão discográfica. Espero que em breve A sign of the times pouse nas minhas prateleiras.
Abraços lusitanos.

Paul Brasil (Paul Constantinides) disse...

apesar do titulo meio superlativo demais...risos, sou anti melhor e mais....esta ai mais um belo texto trazendo a musica e informazoes importantes deste belo guitarrista.
como siempre, esta ai o blogao do master Erico.
abs
paul

Érico Cordeiro disse...

Grandes e queridos Paul e Fisherman,
presenças ilustres, vindas de plagas distantes que a net tornou próximos!
Não conhecia esses nicks do Farlow - mas acho que caem bem nele.
E o superlativo foi só prá realçar - quando se fala em músicos de primeira linha, não dá prá dizer que fulano é o melhor, o maior, etc. (recurso meramente estilístico, meu caro Paul - rs, rs, rs).
Aproveite o disco, Mr. Fisherman, pois vale muito a pena.
Abraços fraternos aos dois!!!

Paul Brasil (Paul Constantinides) disse...

grande erico (ai, outro superlativo..kkkkk)
amigo estou de malas prontas pra Sampa..agora, o q fica mais proximo de onde vc esta (S.Luis/Maranhao?) Miami ou SP? estou meio ruim de geografia meu amigo...mas acho q Miami fica mais proximo
putz deixa pra lah..
abs
paul

Érico Peixoto disse...

Excelente, xará. Fiz rápida menção a esse tal de Farlow (ok, piada velha...) em um dos posts passados, quando coloquei uma versão de "September Song" com o Red Norvo Trio (já com Mingus). Farlow é um dos meus três guitarristas preferidos no campo jazzístico. Os outros são Joe Pass e Johnny Smith (Django não conta, pois é Deus...)

E você, hein? Uma verdadeira enciclopédia. Um grande abraço e uma ótima semana!

John Lester disse...

Prezado Mr. Cordeiro, tipo de músico que merece uma de suas sempre excelentes resenhas.

E a radiola está simplesmente fantástica. E pensar que o bebop já foi um tipo de música estranhíssima...

Grande abraço, JL.

Érico Cordeiro disse...

Mestres Lester, Érico e Paul,
Sejam bem-vindos - valeu pelas presenças.
Pois é Seu Mr. Lester, "primeiro, estranha-se, depois entranha-se". E agora ninguém mais se assusta com o bebop...
Mestre Paul, não sei dizer, mas acho que Sampa é mais perto (ou menos distante - rs, rs, rs).
E Xara, muito bom gosto você tem - o Johnny Smith é outro meio underrated - tenho alguns (poucos) discos dele e é fantástico. Mas e onde colocaríamos Kessel, Raney, Hall, Montgomery, Green?
Abraços fraternos aos três!

José Domingos Raffaelli disse...

Caro Érico,

Sea Bright é um dos mais belos lugares que conheci em minha vida. É uma faixa estreita de terra ladeada pelo Rio Hudson e o oceano Atlantico. Estive lá visitando uma tia-avó, irmã do meu avô, que tinha uma bela casa naquele aprazível recanto, inclusive tomei um ótimo banho no mar. Foi um dia muito agradável cujas fotos de vez em quando revejo com emoção e saudade.

Keep swinging,
Raffaelli

P.S. Isso ocorreu bem antes de Tal Farlow mudar-se para lá.

APÓSTOLO disse...

Prezado MAURO HotBeatJazz:

Por meio da sala de estar do estimado ÉRICO, encontram-se ouvintes de Mestre LULA ("O Assunto é Jazz", Rádio Fluminense-FM, 94.9Mhz, Niterói, líder de audiência em seu horário das terças-feiras das 22.00 às 24.00 horas, que chegou a alcançar a incrível marca de 2.457 edições contadas de 06 de dezembro de 1958 até 27 de setembro de 1994).
Nada de extraordinário, em função da alta qualidade de JAZZ e respectiva informação que LULA sempre soube, tão bem, manter no ar.
A AND = Audiência Nota Dez foi a confraria dos ouvintes que habitualmente frequentavam o programa e, após o término, iam "matar" uma bela pizza regada a um bom chopp (e seguir falando da Arte popular Maior).
Coisas que dão saudades......
Abraços bom MAURO !

HotBeatJazz disse...

Ô¬Ô
Mr. Érico e Apóstolo (Pedro Cardoso)

infelismente meu programa foi retirado do ar em 2000, virtude de um novo gerente da rádio, de oblíqua visão, que não via muito sentido em um programa cultural. O programa durou de julho de 89 a agôsto de 2000.

Mestre Apóstolo, muitas saudades de tudo isto que vc relembrou, saudades do Museu de Cera do Mario Jorge, do Beco das BigBands do inesquecível Mr. Max Johnstone, de toda a informação que forjou o meu background em cultura jazzística proveniente de Llulla e de todos vcs.
Ótimos tempos aqueles,

Um enorme abraço a todos vcs

Ô¬Ô

Sergio disse...

Quer dizer, mestre Érico, que o bebop é SÓ aquela coca-cola toda? "primeiro, estranha-se, depois entranha-se"? acho que acabas de encontrar a origem do slogan. O Pessoa ouvia Dizzy e tomava um Jack Daniels e como precisava de uns trocados, arriscou.

Em tempo: definitivamente o J+B+B.A. virou uma confraria de diderots...

Sergio disse...

Ops rs... pisei no freio antes! É verdade, é verdade, em 1927 dizyy acabara mal abandonara a chupeta. Fpoi maus. rs! Enciclopédias são vcs!

fabricio vieira disse...

Caro Érico,
confesso que não sou grande conhecedor do universo dos guitarristas: seguirei sua dica (que deve ser certeira!) e pescarei algum Tal Farlow por aí...
abraço!
Fabricio Vieira

HotBeatJazz disse...

Ô¬Ô

Seu Sérgio,

então para fazer jus ao adjetivo dideronesco, deixo aqui a sentença favorita:

"O homem só será livre quando o último déspota for estrangulado com as entranhas do último padre".

Ô¬Ô

Érico Cordeiro disse...

Caros Raffaelli, Apóstolo, Mauro, Fabrício e Sonic Boy,
Obrigado pelas presenças ilustres e sejam bem-vindos.
Lamento que o programa do Mauro tenha acabado - certamente foi substituído por mais algumas horas dedicadas ao maravilhoso funk carioca ou ao belíssimo forró universitário.
Talvez fosse melhor enforcar o último déspota for estrangulado com as entranhas do último executivo da indústria musical.
Mestre Raffaelli, Sea Bright vai prá listinha dos lugares prá conhecer antes de morrer (essa tá maior que a listinha de futuras aquisições - rs, rs, rs).
E se "O assunto é jazz", nada melhor que agradecer o Mestre Lula, por ter mantido (no rádio e agora na internet) a cham acesa por todos esses anos.
Fabrício, dê uma procurada (se possível, cheque os brasileiros Lupa Santiago e Michel Leme, ambos da nova geração e fabulosos).
San, tava com saudade - e a tal frase, diz-se, era parte da campanha publicitária da Coca-cola em Portugal, feita por ninguém menos que Fernando Reis Caeiro de Campos Pessoa. Bons tempos aqueles - hoje atá a nossa publicidade passa por um tenebroso processo de imbecilização absoluta.
Abraços aos queridos amigos!!!

José Domingos Raffaelli disse...

Prezados Érico e correligionários,

Realmente Tal Farlow tocava com uma velocidade vertiginosa, mas, ao menos a meu ver, nesse aspcto Bill DeArango, Chuck Wayne e Pat Martino não lhe ficavam atrás.
Em Belo Horizonte há um assombroso guitarrista chamado Magno Alexandre que é páreo para eles.

A única vez que vi/ouvi Tal Farlow foi em julho de 1998 num tributo a Barney Kessel (que narrei anteriormente neste blog) no JVC Jazz Festival, que reuniu no palco 17 guitarristas. Kessel, já muito doente, com vida vegetativa e alheio a tudo em sua volta, foi introduzido no palco numa cadeira de rodas empurrada por sua esposa.

Logo depois Tal Farlow faleceu, mas no palco ele não aparentava estar doente. Coisas da vida....

Keep swinging,
Raffaelli

Érico Cordeiro disse...

Mestre Raffaelli,
Conheço o Chuck Wayne (de quem tenho o excelente Morning Mist) e o Pat Martino (desse tenho bastante coisa, pela Prestige/OJC e pela Blue Note).
Já o Bill DeArango e o Magno Alexandre (fiquei curioso sobre o trabalho desse moço), confesso minha ignorância.
A homenagem dos guitarristas ao mestre Kessel, no mencionado JVC Jazz Festival, deve ter sido muito emocionante.
Grande abraço, Mestre!

APÓSTOLO disse...

Prezado ÉRICO:

William "Bill" DeArango foi um dos primeiros guitarristas a trafegar na cena do "bebop", na Rua 52(a que nunca dormia) e em 1945, apresentando-se alí durante 01 ano (Ben Webster, Terry Gibbs, Ike Quebec, Dizzy Gillespie, Red Norvo, Charlie Ventura etc).
Gravou com Charlie Parker em 25 de maio de 1945 (8'23" para 03 temas disponíveis no CD 19 da série "Bird's Eyes", capa amarela, do selo italiano Philology). Essa gravação, em New York, foi produzida por Leonard Feather e teve o comando da grande Sarah Vaughan ("Sarah Vaughan e seu Octeto").

José Domingos Raffaelli disse...

Érico,

Apenas para lembrar, eis o post que escrevi sobre o Tributo a Barney Kessel no JVC Jazz Festival, por ocasião de sua resenha sobre um CD de Jimmy Raney:

Em junho de 1998 fui a New York cobrir o JVC Jazz Festival pra o Globo. Uma das maiores atrações foi a noite do "Tributo a Barney Kessel", abrilhantada por 17guitarristas, entre eles Tal Farlow (que faleceu um mês depois), Doug Raney, o veteraníssimo Les Paul, Kenny Burrell, Pat Martino, Rodney Jones, Mark Whitfield, Peter Bernstein, Jim Hall, Joe Diorio, Kurt Rosenwinkel, Jimmy Bruno e outros que não lembro agora.
Antes do número final, a esposa de Barney Kessel adentrou ao palco empurrando a cadeira de rodas do marido, que, devido ao seu estado de vida vegetativa, não falava e estava inteiramente alheio ao que se passava. Dava pena vê-lo naquele estado. Sua esposa agradeceu a homenagem e, com Kessel ainda no palco, os 17 guitarristas, formando uma semi-círculo em volta da cadeira de Kessel, encerraram a noite em grande estilo tocando "Salute to Charlie Christian", composição de Barney kessel. Embora o homenageado estivesse alheio a tudo, sua esposa caiu em pranto convulsivo quando reconheceu o tema, tendo sido confortada e emparada por alguns guitarristas.
Foi uma noite emotiva e muitos espectadores também não se contiveram, deixando a sala com os olhos marejados de lágrimas.

Keep swinging,
Raffaelli

Sofia Urko disse...

Caríssimo Érico, antes de mais desculpe só agora dar notícias mas a minha vida tem andado muito desorganizada (muito stress profissional, mas agora, felizmente, as coisas melhoraram ligeiramente!) e acabo por n conseguir fazer o q mais gosto neadamente vir ao seu magnífico blog! Mais um excelente post, muita coisa p aprender e o prazer de ouvir sempre boa música..Obrigada!
Um abraço com amizade, Sofia:)

Sofia Urko disse...

Caríssimo Érico, antes de mais desculpe só agora dar notícias mas a minha vida tem andado muito desorganizada (muito stress profissional, mas agora, felizmente, as coisas melhoraram ligeiramente!) e acabo por n conseguir fazer o q mais gosto neadamente vir ao seu magnífico blog! Mais um excelente post, muita coisa p aprender e o prazer de ouvir sempre boa música..Obrigada!
Um abraço com amizade, Sofia:)

Érico Cordeiro disse...

Caros Raffaelli, Apóstolo e Sofia,
Prazer em tê-los a bordo e obrigado pelas presenças.
Fiquei bastante interessado em conhecer o trabalho do William "Bill" DeArango (falando em Ike Quebec, acho que ele merece uma postagem).
Mestre Raffaelli, testemunha ocular e auditiva da história do jazz (a nós outros resta a triste sina de sermos testemunhas oculares e auditivas do mensalão do DEM - vi a oração da propina e fiquei estarrecido com tamanha canalhice, fato que extrapola até a dimensão apolítica deste blog).
E Sofia, pois agora que os tempos parecem ser menos estressantes, fique à vontade para vir aqui e ouvir um pouco de jazz!!!
Abraços fraternos aos três!

Sergio disse...

Em 1º lugar q frase piramidal (vide Pituco san) é essa q o Mauro coletou do Diderot, hein? (Diderot é meu pastor e nada me faltará!

Falando na falta, nada lhes faltará tbm. E digo no plural pq esse link é pra quem quiser seguir a dica de mestre Raffaelli:

http://regalameestanoche.blogspot.com/2008/04/nen-suite-curral-del-rey.html

Aqui encontra-se um disco de 1996 cujo titular é o Nenê (texto da postagem):

"Um retrato de Belo Horizonte em seu centenário. Curral d'El Rey é o antigo nome do local onde se encontra a cidade.
Falar de Nenê é chover no molhado: um dos músicos brasileiros mais completos, com uma carreira de tirar o chapéu. Nascido em Porto Alegre, começou a tocar acordeom aos 12 anos e aos 14, autodidata, já tocava bateria profissionalmente. Tocou com o Quarteto Novo, gravou Falso brilhante com Elis Regina, Clube da Esquina n.° 2 com Milton Nascimento, vários discos com Hermeto Paschoal e com Egberto Gismonti, mais Edu Lobo, César Camargo Mariano e o grupo Pau Brasil, além de seus próprios discos. Morou 12 anos na Europa, onde firmou seu nome internacionalmente. (Leia mais nos encartes.)"

Pois é o disco vem completinho com todos os encartes, textos, tudo q temos direito. E é um discaço!

O outro q baixei em blog, mas esqueci onde (é só googlar com o apendice blogspot), é o Maracatuaba - 2004 solo de Magno. Mas aí... Bem, achei esse disco Horta demais pro meu gosto. Horta de Toninho, não das roça das Minas Gerais. E não q eu não curta o Horta, o problema é q o Magno poderia plantar coisas diferentes... Infim, tái, tá na mão é só colher os frutos.

Abraços!

Sergio disse...

Perdoe: o texto acima refere-se a Magno Alexandre o guitarrista mineiro sugerido por mestre Raffaelli.

Érico Cordeiro disse...

A conferir, Mr. Sonic boy,
E o talento garimpístico não diminuiu um milésimo!!!!
Valeu!

Sergio disse...

Garimpírico, mr. Érico. Graças a vossos enciclopééédicos saberes gerais.

Érico Cordeiro disse...

Entonces, tá céltico!!!
Abração!!!

pituco disse...

sérgio san,

apenas um reparo...se diderot é nosso pastor...vossos blogs o meu templo...ritual bacanudo esse por aqui...registro factual de que a conduta cultural está em mãos injustas, ou não?

abraçsons e obrigadão
ps.desculpe utilizar teu 'latifúndio virtual' pra troca de mensagens

HotBeatJazz disse...

Ô¬Ô

Mr. Érico
amigos leitores,
Grande André Tandeta,

como prometido, aviso que "Avenue des Diables Blues", do baterista André Ceccarelli, já está lá no HBJ. O álbum é fantástico, vale a pena conferir e colocar na batéia.
Quem gosta de trio guitarra-orgão-bateria não se arrependerá.

Abraços a todos!

Ô¬Ô

HotBeatJazz disse...

Ô¬Ô

Em tempo,
Mr. Érico, gostaria de seu consentimento para colocar teu podcast lá no HBJ, e claro, um link logo abaixo, construindo mais uma ponte entre nossos bloguinhos.

obs: hj é dia de tentar colocar 5 azeitonas nas redes equatorianas. Será????
Abraços,

Ô¬Ô

Érico Cordeiro disse...

Caros Pituco e Mauro,
Bem-vindos (será uma honra ter o podcast do jazz + bossa lá no HBJ).
Vou dar uma conferida no disco (não sei o que está acontecendo, mas não consegui baixar o disco do Casé - vou tentar mais tarde).
Abraços fraternos aos dois parceiros e co-irmãos de blogsfera (e que o Flu vença por 5 a 0 hoje).

HotBeatJazz disse...

Ô¬Ô

Mr. Érico,

conferi o link e está tudo certinho,veja se não é teu firewall que está bloqueando o download, no meu XP tenho que autorizar o download na barrinha que aparece no alto da página.

Ô¬Ô

Sergio disse...

Amigos, uma dúvida: O álbum "Terminal 1" do Golson já é a trilha do filme The Terminal, ou existe (ou não) uma trilha sonora oficial?

PREDADOR.- disse...

Como até agora ninguém atendeu o questionamento do sr.Sergio com relação ao album "Terminal 1", vou dar o meu "pitaco" tentando esclarecer (se é que ele já não ficou sabendo): o disco em questão não é a trilha sonora do filme de Spielberg, foi um desejo de Golson comemorar musicalmente o filme "O Terminal", que, no entender do músico, simboliza as indas e vindas das pessoas em aeroportos ao redor do mundo. É isso!

Sergio disse...

Caro Predador, não só não sabia como vinha aqui toda hora verificar se alguém já tinha respondido. Mas não se avexe, seu Érico, sempre solicito, sei q se não respondeu deve estar ocupado. Na verdade, embora não tivesse certeza, algo me dizia que o álbum tinha algo a ver com o filme. E a história (do álbum) é bem legal, sr. Predador.
Valeu o esclarecimento.

Saudações Tricolores! Continuamos orgulhosos!

Érico Cordeiro disse...

Caros Mauro, Predador e Sérgio,
Desculpem o longo período sem manifestação - compromissos profissionais me mantiveram totalmente ocupado esses últimos dia (na verdade, até amanhã meu tempo está completamente comprometico).
Mr. Sérgio San, também tinha a mesma impressão, mas não tinha certeza - agora o Mr. P, o destruidor de galáxias, esclareceu a controvérsia.
E, caro Mauro, consegui o disco do Casé (mas ainda não tive tempo de ouvir - rs, rs, rs).
Valeu pelas presenças e um grande abraço!!!

John Lester disse...

Vim aqui em busca de nova resenha. Como não tem, escrevo só para perturbar um pouco o atribulado Mr. Cordeiro.

Grande abraço, JL.

Érico Cordeiro disse...

Mr. John Lester,
Seja mais que bem vindo - semana atribuladíssima, mas ainda amanhã (05/12) espero voltar ao velho ritmo!
Obrigado pela ilustre presença!!!
Abração!!!!

edú disse...

A revista Guitar Player fez uma cronometragem da digitação mais rápida entre os guitarristas de qualquer estilo.O vencedor foi o americano Al Di Meola que de vez em quando cisma em trafegar pelo território do jazz.Quanto aos guitarristas mineiros desconheço alguém superior ao meu amigo Juarez Moreira.Minas, no entanto, é um pais abrigado nos limites geográficos de um estado.

Érico Cordeiro disse...

Mr. Seu Edú,
Folgo em lê-lo.
E mais um nome para a célebre listinha.
Não esqueça que naquele belo peís, temos como embaixador o grande Dom Fig I (conhecido nas rodas de choro, jazz, bossa nova e congêneres como Mr. Olney).
Abração!

edú disse...

Prezado Sr.Cordeiro,
não se ludibrie:o embaixador da Zonda da Mata é o refugiado Denny Zeitlin que trocou o cheese burger pelo tutu com toresmo.

edú disse...

leia-se Zona da Mata.

Érico Cordeiro disse...

Há controvérsias...
Só um bom exame de DNA prá comprovar!!!!

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