Amigos do jazz + bossa

terça-feira, 24 de novembro de 2009

CADAFALSO DE NEON




As trombetas do Apocalipse não soam mais.

Esquecidas em um canto,

Mofadas,

Manchadas de azeviche e ferrugem

Já não há sopro e nem fogo a dizê-las

Não há sequer Apocalipse,

Apenas cataclismos banais,

Holocaustos orgiásticos,

Contrafação do drama...

Vivi para ver soçobrarem os barcos

Vivi para ver as velas fustigadas pela tempestade outonal,

Mas há holofotes acesos,

Holofotes por demais

A morte anônima e silenciosa não basta,

À ceifadora permissiva,

Não mais servem o recato, o chamado contido,

A frugalidade...

À indesejada das gentes de antanho,

Cabe agora o papel de uma homilia sem verve

Há que ser outra a morte nos tempos de hoje

Há que ser uma morte berrada e sem sílaba

Folgazã, alheia ao irreprimível choro

Anunciada com cardo e alecrim, estribilho e proclamas

Uma morte parida na indignidade da multidão

Uma morte patética e sem recolhimento,

Uma morte estrepitosa e risível,

Uma morte sem verso,

Uma morte sem voz.

==========================================

René Urtreger é um pianista, compositor e arranjador francês, fortemente influenciado por Thelonious Monk e, sobretudo, por Bud Powell. O parisiense, nascido em 06 de julho de 1934, começou a ter aulas de piano com inacreditáveis quatro anos e é um dos mais representativos nomes do bebop europeu.

Na adolescência, freqüentou o Conservatório de Paris, mas as audições de Parker, Powell e Monk o encaminharam para o jazz. Começou a tocar profissionalmente em pequenos clubes da capital francesa, em especial no Blue Note e no Sully d’Auteil, onde conheceu o saxofonista Barney Wilen, o guitarrista Sacha Distel e o flautista Bobby Jaspar, que viriam a ser expoentes do jazz francês e se tornariam grandes amigos do pianista.

Embora não seja reconhecido como um pianista essencialmente original, Urtreger possui muita personalidade e é altamente técnico, sendo capaz de executar solos altamente complexos, com uma velocidade surpreendente. Ao longo de uma carreira de mais de 50 anos, tocou com jazzistas de primeira linha, como Don Byas, J. J. Johnson, Lionel Hampton, Lucky Thompson, Zoot Sims, Miles Davis, Lee Konitz, Stan Getz, Chet Baker, Dexter Gordon, Kenny Clarke, Sonny Rollins, Stéphane Grappelli e Ben Webster.

Desenvolveu uma profícua parceria com os compatriotas Daniel Humair e Pierre Michelot, denominada Trio HUM, que lançou alguns excelentes álbuns entre as décadas de 60 e 90. Apresentações em festivais importantes como o de Antibes e prêmios como o de Cavaleiro da Ordem das Artes e das Letras são uma constante em sua consagrada carreira.

Seu disco “René Urtreger joue Bud Powell”, lançado em 1954 pelo selo Gitanes, é um marco em sua carreira e uma dos melhores gravações de bebop realizada por músicos europeus. Muitos críticos desmerecem o trabalho de Urtreger por conta de sua excessiva reverência, que alguns maldosamente chamam de obsessão, para com o ídolo Powell. Sem querer adentrar no mérito, o presente trabalho, gravado quando René contava com apenas vinte anos, é uma excelente amostra de sua habilidade.

Seis composições de Powell, dentre as quais uma antológica versão de “Parisian Thoroughfare” e dois temas originais do líder, “À la Bud” e a encantadora “Mercedes”, fazem deste álbum uma experiência fascinente. A sessão rítmica é discreta e eficientíssima. A lamentar apenas a curta duração do disco, com seus pouco mais de vinte e quatro minutos de virtuosismo e elegância. Acompanham Urtreger o baixista Benoît Quersin e o baterista Jean-Louie Viale.

56 comentários:

Katrina disse...

*-*
Escreveu o poema baseado em René Urtreger? Eu geralmente faço me baseando em Coltrane, talvez pelo o que ele signifique prá mim, away.
Conheci Rene esses dias, fiquei encantada de vê-lo por esses lados

=*

Érico Cordeiro disse...

Prezada Katrina,
Seja bem-vinda e, por favor, junte-se à nossa confrarria.
Obrigado pelas palavrass gentis - o René é maravilhoso (eu também adoro Coltrane).
Abraços!

Salsa disse...

creio nada possuir do mancebo. Manda bem. O poema também.

HotBeatJazz disse...

Adoro o René, assim como todo o movimento jazzístico da Paris dos anos 50. Uma bela sacada, parabéns

Edinho disse...

Érico,
Não conhecia o moço René Urtreger.
Muito bom som e belo, o poema ...Valeu !!!

Érico Cordeiro disse...

Caríssimos Salsa, Mauro e Edinho (um Trio da Paz, certamente!!!),
Valeu pelas presenças.
O René é uma descoberta relativamente recente (acho que comprei esse disco ano passado, no Amazon) e me surpreendi com a qualidade do sujeito (e na gravação ele tava com 20 anos).
Fiquei ouvindo esse disco sem parar, dias a fio (essa série Jazz in Paris é fantástica, tenho alguns e todos são ótimos)!!!
Mestre Salsa, dê uma procurada porque vale a pena.
E o Mestre Raffaelli me deu a dica do Trio HUM, com o René, o Daniel Humair e o Pierre Michelot (infelizmente, ainda não achei nada na internet).
Um fraterno abraço aos três!!!

PREDADOR.- disse...

René Urtreger tal como Gérard Gustin, dois pianistas que dominavam a "cena francesa" do jazz, com enfase para Urtreger que trabalhou com vários músicos americanos de "peso". Além das ótimas participações como "side man" de Chet Baker, vale destacar René Urtreger Trio, Hum!, Jazzman nr.4 e Move, gravados respectivamente em 1957, 1960, 1985e 1995, como também o excelente René Ultreger joue Bud Powell resenhado por Mr.Cordeiro. O que mais posso dizer, depois do belo poema que abre os trabalhos desse blog e da "aula" sôbre o René??? Nada, tenho que recolher-me a minha insignificância e "botar a viola(detonador atômico) no saco".

Érico Cordeiro disse...

Mestre Predador,
Tava sentindo a sua falta - o trânsito no espaço sideral deve estar complicado!
E obrigado pela dica - Gérard Gustin, um nome a mais para a célebre listinha.
Saudações intergaláticas (e mantenha o detonador atômico bem guardadinho - no que depender de mim ele vai enferrujar).
Abração!

figbatera disse...

Esse predador é fake!...rs

Valeu, Érico, pelo poema e pelo som.

HotBeatJazz disse...

Ô¬Ô
Prezado Érico e amigos,

o René Urtreger começou a ficar conhecido do lado de cá do Atlântico após ter sido escolhido por Miles Davis para acompanha-lo em sua turnê europeia de 1956. Miles havia acabado de gravar as antológicas sessões para a Prestige que resultaram na série Relaxin', Workin' e Steamin', com o quinteto com Coltrane. Miles viajou só para a Europa e participou de concertos com o MJQ e Lester Young na França, Suiça e Alemanha. Fiz um pequeno podcast com 5 gravações desta turne, para os amigos apreciarem René com 22 anos acompanhando os gigantes citados.
http://www.divshare.com/playlist/639117-82a
São elas:
1- Tune Up
2- What's New
gravado na Alemanha com: Miles Davis (tp) Rene Urtreger (p) Pierre Michelot (b) Christian Garros (d)"Stadthalle", Sindelfingen, West Germany, November 12, 1956.
3- Four
4- Walkin'
5- Lady Be Good*
gravado na Suiça com: Miles Davis (tp) Lester Young (ts)* Rene Urtreger (p) Pierre Michelot (b) Christian Garros (d) "Kongresshaus", Zurich, Switzerland, November 19, 1956.
Notem q em Lady Be Good temos a presença do "Pres".
Miles voltaria a França no fim de 57 e gravaria a antológica trilha do filme "Ascenseur Pour L'echafaud" e "un passand" ainda aqueceria o leito de Juliette Grecco, este sim era um verdadeiro predador!!!!!

Abraços!
Ô¬Ô

Érico Cordeiro disse...

Mr. Fig, olha que essa história já deu pano prás mangas - de qualquer forma, ele pode recitar todas as formações dos Messengers, prá provar que é o verdadeiro.
Valeu pela presença e pelas palavras gentis!!!

Andre Tandeta disse...

Erico,
grande som, excepcional pianista. Essa "discreta eficiencia" a que voce se refere é uma arte em si e faz parte dessa linguagem de trio .
Miles Davis fez 4 discos pra Prestige em 1956 tirados de 2 sessões com seu quinteto. São os discos acima referidos e mais Cookin'. São totalmente indispensaveis para quem gosta de jazz e materia obrigatoria para quem quer tocar jazz,esses quatro discos são classicos.
Abraço

HotBeatJazz disse...

Ô¬Ô

Bem lembrado André, me esqueci do Cookin', logo eu que adoro cozinhar!

Ô¬Ô

Érico Cordeiro disse...

Grande Mauro,
Vou dar uma checada no podcast - e recomendo aos amigos do Jazz + Bossa que o façam também (mas só amanhã, pois estou em Pinheiro City, sem direito a caixas de som - rs, rs, rs).
Ascenseur Pour L'echafaud é um discaço - e, de quebra, ainda Miles ainda brincou de médico com a bela Juliette Grecco!!!!!
Valeu, meu caro (onde posso achar esse disco? - fiquei interessadíssimo).
Grande abraço!!

HotBeatJazz disse...

Ô¬Ô

Érico,
a qual disco vc se refere em teu interesse? o Ascenceur ou as gravações do Miles com o René?
Mas já pode ficar tranquilo q possuo todos, portanto vc tb é possuidor. Me avisa que eu upo e te passo o link.
Não repare meu escasso entendimento das coisas, mas hj é dia de decisao pro meu Flu e já estou meio q no espaço sideral como o Predador.
Por falar nisso, cadé o Sério? Temos que lotar a Van!

Abraço
Ô¬Ô

Érico Cordeiro disse...

Mestre Mauro,
Falo do disco com as gravações do Miles com o René.
Se você me passar o link, eu ficarei muito contente (mas um disco dessa magnitude merece ser adquirido no original, com linner notes e tudo - se ainda for possível encontrar nos Amazon da vida, eu gostaria de ter mais informações - título, gravadora, etc., prá poder dar uma procurada).
E Mr. Seu Tandeta, assino embaixo e concordo em GNG - todos esses discos - Walkin' (que é de uma outra sessão, mas também merece entrar na série gerúndios perfeitos), Cookin', Relaxin', Workin' e Steamin' são discografia obrigatória prá quem gosta de jazz.
Quanto ao Sonic Boy, ele anda sumido (acho que tá se preparando pro jogo de hoje).
Sem sacanagem, vou torcer pro Fluminense - é um time brasileiro, contra um estrangeiro (e também não quero vê-lo rebaixado, acho que esse gás na reta final foi emocionante e agora só depende dele).
O mesmo não aconteceria se a LDU fosse jogar contra o time de um certo pássaro que come lixo - aí eu ia secar mesmo (rs, rs, rs).
Abraços aos dois!!!

HotBeatJazz disse...

Ô¬Ô
Ok Mr. Érico
na verdade estas 5 faixas estão em 2 cds distintos.
as 2 primeiras estao aqui
http://www.amazon.com/Tune-Miles-Davis-Stan-Getz/dp/B000008AQA/ref=sr_1_1?ie=UTF8&s=music&qid=1259183631&sr=1-1
Miles Davis - Stan Getz: Tune Up

as 3 restantes estão aqui
http://shopping.yahoo.com/p:Miscellaneous%20Miles%20Davis%201955-1957:1921173479
Miles Davis - Miscellaneous Miles Davis 1955-1957

links p download terei q procurar com mais calma, pois já fiz o download a muito tempo

Muito agradecido pela torcida, vamos precisar mesmo de toda ajuda possivel, espiritual e, quem sabe, até do juiz!!! kkkkkkkkk

Abraço
Ô¬Ô

Sergio disse...

Ando calado pq ando... aliás me arrasto na preguiça. O francês é rodadão e eu q passo meus dias, praticamente exercitando o poder de não ser surpreendido por novidades q já não tenha dissecado, mas sempre aparece mais 1000. Isso é deveras frustrante, seu Érico e amigos. Mas vamos lá. Hoje tem espetáculo e só espero que o Flusão não se canse logo now de promover espetáculos...

Sergio disse...

Em tempo: gostei muito do poema inteiro mas esse verso me intrigou

"Há que ser uma morte berrada e sem sílaba"

Érico Cordeiro disse...

Valeu Mr. Edinho,
O do Miles + Getz tá dez verdinhas no Amazon (usado, porque novo tá dez vezes mais). Qualquer hora dessas eu peço.
Mr. Sonic Boy, que preguiça é essa - acho que você está precisando um pouco de Gide:

"De todas as paixões a que nos é mais desconhecida é a preguiça; ela é a mais ardente e a mais maligna de todas, embora sua violência seja insensível e os prejuísos que causa sejam ocultos. O repouso da preguiça é o encanto secreto da alma que suspende subitamente as mais ardentes buscas e as mais férreas resoluções. Para dar, enfim, a verdadeira idéia dessa paixão, é preciso dizer que a preguiça é como a beatitude da alma que a consola de todas as suas perdas e substitui todos os seus bens". E aí, lembrou? (rs, rs, rs)
Abração aos dois e boa sorte hoje à noite!!!!

HotBeatJazz disse...

Ô¬Ô

Érico,
Seu Sérgio agora está igual a entidade, tem que ser evocado para dara dar o ar da graça. rsss

E pra completar o coment de Mr. Predador completaria a santíssima trindade dos pianistas franceses dos anos 50 com Georges Arvanitas.

Agora vou mesmo pq tenho que começar a mentalização positiva pro Fluzão.

Abraços reiterados e repetidos várias vezes a todos.

Ô¬Ô

Sergio disse...

Eu sabia q esse pensamento gideano não passaria em brancas nuvens p'ruma alma antenada com ti, seu Érico! É um escritor que, lá pelos 20 e poucos, me tomou de assalto. Se não me engano, e é ruim d’eu me enganar, esse pensamento é d’Os Moedeiros falsos. Ô livro bão! Recomendo geral.

Momento literatura sem regurgitação de cultura:

Outro - só pra ficar na França, pra não fugir totalmente do assunto - q acredito q ninguém pode morrer sem deixar de ler chama-se Jean Christopher – de Romain Rolland. Seu Érico e interessados, dêem uma googlada (se é q não conhecem) nestes nomes combinados. Impossível não despertar interesse! É o livro mais humanista e ao mesmo tempo musical já escrito na face dessa terra. Eu li uma versão do meu avô, da Editora Globo dos anos 50 todo desbagaçado. Só se acha em sebos.

Mas, já pensou, seu Érico se no teu sebo predileto, Jean Christophe está pegando poeira ladeado por um Marimbondos de Fogo do Zé Sarney?! Salva o Romain, seu Érico! Salve um dos melhores livros do mundo!

Mauro, já saí demais do tema. Mas se o Flusão fiser outra exibição de gala, eu volto pra desencaminhar todo mundo.

Abraços!

Érico Cordeiro disse...

Grandes Sérgio e Mauro, valeu mesmo.
Ótimas dicas musicais (não conheço o Georges Arvanitas) e literárias (o Gide está na mira - está naqueles 50% de livros que, em uma biblioteca, se pretende ler - segundo Italo Calvino).
Quanto ao Jean Christopher (de Romain Rolland), confesso a minha ignorância. Vou tentar achar - os predicados do livro o recomendam!!!!
E já que estamos a sugerir leituras, um p* livro, que me marcou bastante, foi Diabo no corpo, de Raymond Radiguet (virou um filme meio borocoxô, nada a ver com a história original).
Abração!

Sergio disse...

phodeu.

APÓSTOLO disse...

Prezados amantes da ARTE POPULAR MAIOR:

Favor completar a lista dos pianistas franceses com o grande ANDRÉ PERSIANI (André Paul Stéphane Persiani).
A coleção "JAZZ IN PARIS" (GITANES) é um imenso colar de pérolas da melhor qualidade.
Possuo algumas dezenas de CD's, nenhum menos que muito bom.

pituco disse...

érico san,

ma che bacanudo é o post e o papo dos convivas...piramidal

preciso atualizar-me também...rs
já anotada a dica do sérgio...difícil será encontrar um sebo poracá...rs

curtindo o som do podcast enquanto almoço pra sair logo mais pro trampo...é isso aí

abraçsons

Érico Cordeiro disse...

Mestres Sérgio, Apóstolo e Pituco,
Ao primeiro (e ao Mauro Também), não desanimem - aquilo foi um jogo atípico. Pô com vinte minutos e o time do Fluminense tava morto, os caras todos com a língua de fora. Jogar naquela altitude é desumano. Mas não percam a esperança - acho que no Maracanã o jogo vai ser diferente (embora a terefa seja muito difícil).
Ao segundo, confesso minha ignorância quanto ao André Persiani (na verdade, acho que pianistas franceses só conhecia o René e o Martial Solal, que a rigor é argelino). Mais um prá listinha de "search and destroy" (no caso, o destroy é dirigido aos meus pobres cartõezinhos - rs, rs, rs).
E ao embaixador do jazz + bossa no oriente, um bom dia de trabalho, com muita bossa e muito jazz!!!!!
Abraços aos três!

José Domingos Raffaelli disse...

Érico,

Por incrível coincidência, ontem à noite ouvi a caixa com 3 CDs do trio HUM (Humair-Urtreger-Michelot) reunido os três CDs gravados em 1960 (excepcional!), 1979 (a qualidade da gravação é tão fabulosa que quase ofereci um drinque aos músicos!) e 1999.
Urtreger brilha intensamente com solos constrúídos com imaginação e rara continuidade. Michelot foi um baixista extraordinãrio, brilha em solos e acompanhamentos irretocáveis e sua sonoridade soa como uma fonte de água límpida imaculada aos nossos ouvidos; Humair completa o trio com a mesma espontaneidade, segurança e apoio incessante dos companheiros.

APÓSTOLO disse...

Prezado ÉRICO:

Se conseguir, ouça PERSIANI (Paris, 19/novembro/1927), um mestre maior dos acordes em bloco, também grande arranjador, que gravou com "tops" europeus e americanos (Roy Eldridge, Albert Nicholas, Charlie Shavers, Buck Clayton, Bud Freeman, Budd Johnson, Benny Carter, Arnett Cobb, Al Grey etc etc etc).
Ganhou o "Les Classiques du Jazz", grande prêmio do disco em 1957.
Chegou a tocar na Casa Branca.
Entre outras muitas e muitas gravações, a partir de 1970 foi exclusivo do selo francês "Black And Blue", gravando como titular e como "sideman".
Alguns albuns que recomendo:
- "Joue Count Basie" de 1958;
- "The Real Me" de 1970;
- "Out Of This World" de 1985.
Conseguí gravar há alguns anos um programa da TV-Cultura de São Paulo ("Homenagem a Django"), em que PERSIANI dá uma aula de "block chords" para "swingar" no clássico "I Remember April": coisas que alguem lá em cima inspira.

APÓSTOLO disse...

Prezado ÉRICO:

Em tempo, indiquei a data do nascimento, mas omití o fato de que PERSIANI deixou-nos recentemente, em 02 de janeiro de 2004.

Érico Cordeiro disse...

Caros Mestres Apóstolo e Raffaelli,
O Trio Hum é ponto de honra - tenho muita vontade de ouvi-los, mas não encontrei nada pela internet - vou continuar procurando.
E o Persiani, tão bem recomendado, também vai ser obeto de busca.
O Michelot é um baixista esptacular (engraçado como a Europa é pródiga em grandes baixistas, como o Michelot, o Quesin, o NHOP, o Ricardo Del Fra, o Vitous, o Dave Holland, o George Mraz e tantos outros).
Abraços fraternos.

PREDADOR.- disse...

Vou aproveitar o blog de mr.Cordeiro para sair do tema e mandar um recado para mr.Mauro e mr.Sergio: depois da "piaba" de 5x1o Flusão se "arrebentou" na Sul-Americana e ainda vai amargar a Segundona, vaga que o nosso Vasco da Gama está guardando, carinhosamente e com todo o respeito, para o Fluminense.

Érico Cordeiro disse...

Esse é o Predador Velho de Guerra!!!!
Impiedoso como o seu companheiro de detonação de mundos, o grande Ming.
Falando nisso, como andam os amigos Flash Gordon, Buck Rogers, Capitão Kirk e Sr. Spock?
Abração (e "piaba" é ótimo, fazia tempo que não via essa expressão).

Sergio disse...

Toda rima de meu singelo sonetinho ao "Pedra (90) da dor" vai em “ar”:

Nessa hora, aconselho a todo tricolor calar.
É natural que no final e na altitude nos falte fôlego, mas AQUI não nos faltará ar.
Sendo assim, calados e comportados fiquemos a esperar.
Os campeonatos ainda não acabaram e o nosso show tem que continuar!

Ainda há tempo e em tempo: se a gente a garra costumeira mostrar e reagir...

perdoe a saída do scripit - aí, amigos, VOCÊS VÃO TER QUE ME ENGOLIR!!!

Érico Cordeiro disse...

É isso aí, Seu San,
A esperança é a última que morre.
A enorme, imensa, gigantesca torcida do Flu (que lota quase duas vans!!!!) não pode desanimar.
Boa sorte no final de semana e na final de quarta-feira!

José Domingos Raffaelli disse...

Caríssimos correligionários jazzófilos,

Estou cada vez mais contente em participar desta confraria de aficionados da melhor música do mundo.
Falando sobre pianistas franceses, permitam-me citar Raymond Fol, irmão do grande e saudoso saxofonista-alto Hubert Fol.

Quem me contou uma história fantástica sobre Raymond Fol foi o baixista Percy Heath em 1982, quando os Heath Brothers tocaram na Sala Cecília Meirelles, no Rio.

Seguinte:
O saxofonista Barney Wilen gravou o LP (CD) "Jazz sur Seine" com temas dele, de Django Reinhardt e canções de Charles Trenet. Além de Wilen, participam Milt Jackson, Percy Heath, Kenny Clarke, acho que tem outro baixista que não lembro e um percussionista africano. Numa dessas sessões, Milt Jackson tocou piano e Raymond Fol ensinou-o algumas músicas de Trenet. Numa delas, um dos maiores sucessos de Trenet, "Que Reste-t-il de Nos Amours?", Milt Jackson toca uma longa abertura sem qualquer semelhança com a música de Trenet, cuja melodia só aparece no final do solo de Barney Wilen. Sempre fiquei intrigado com o solo de Milt Jackson, que para mim soava sem qualquer nexo. Comentei isso com Percy Heath e ele deu uma risada, contando que Raymond Fol ensinou a Milt a música ao contrário, uma loucura à primeira vista, por isso Milt tocou daquele jeito indo nas águas do Raymond. Estupefato, perguntei a Percy como aquilo era possível, ao que me respondeu: "esse Raymond Fol conhece centenas de músicas ao contrário e divertiu-se ensinando a Milt como tocar daquele jeito".

Até hoje ouço aquele solo de Milt, mas há muito desisti de tentar descobrir essa charada musical, que para mim é absolutamente inverossímel.

Diante disso, resta-me terminar com a célebre frase de Robert Ripley, o famoso criador da série "Acredite se Quiser": "Believe it or not, that's what Percy Heath told me".

Keep swinging,
Raffaelli

José Domingos Raffaelli disse...

Caríssimos correligionários jazzófilos,

Estou cada vez mais contente em participar desta confraria de aficionados da melhor música do mundo.
Falando sobre pianistas franceses, permitam-me citar Raymond Fol, irmão do grande e saudoso saxofonista-alto Hubert Fol.

Quem me contou uma história fantástica sobre Raymond Fol foi o baixista Percy Heath em 1982, quando os Heath Brothers tocaram na Sala Cecília Meirelles, no Rio.

Seguinte:
O saxofonista Barney Wilen gravou um LP (CD) com temas dele, de Django Reinhardt e canções de Charles Trenet. Além de Wilen, participam Milt Jackson (piano), Percy Heath, Kenny Clarke, acho que tem outro baixista que não me lembro e um percussionista africano. Numa dessas sessões, Milt Jackson tocou piano e Raymond Fol ensinou-o algumas músicas de Trenet. Numa delas, um dos maiores sucessos de Trenet, "Que Reste-t-il de Nos Amours?", Milt Jackson toca uma longa abertura sem qualquer semelhança com a música de Trenet cuja melodia só aparece no final do solo de Barney Wilen. Sempre fiquei intrigado com o solo de Milt Jackson, que para mim soava sem qualquer nexo. Comentei isso com Percy Heath e ele deu uma risada, contando que Raymond Fol ensinou a Milt a música ao contrário, uma loucura à primeira vista, por isso Milt tocou daquele jeito indo nas águas do Raymond. Estupefato, perguntei a Percy como aquilo era possível, ao que me respondeu: "esse Raymond Fol conhece centenas de músicas ao contrário e divertiu-se ensinando a Milt como tocar daquele jeito".

Até hoje ouço aquele solo de Milt, mas há muito desisti de tentar descobrir essa charada musical, que para mim é absolutamente inverossímel.

Diante disso, resta-me terminar com a célebre frase de Robert Ripley, criador do famoso "Believe it or not": "Acredite se quiser, pois foi isso que Percy Heath me contou".

Keep swinging,
Raffaelli

Andre Tandeta disse...

Erico,
depois dessa aula sobre o jazz frances,e dessa interessantissima historia do Raffaelli, esse seu blog vai ganhar um "Cordon Bleu".
Aqui falou-se mais de pianistas de jazz franceses mas ,puxando a brasa pra minha sardinha, vou citar um frances que é um dos maiores bateristas do mundo,isso mesmo, do mundo:Monsieur André Cecarelli, esse é uma verdadeira fera. Toca regularmente com Dee Dee Bridgewater,inclusive com ela ja se apresentou no Brasil. Vale uma fuçada.
Abraço

HotBeatJazz disse...

Ô¬Ô

André,

o Ceccarelli gravou um álbum fantástico em 2007 chamado Golden Land a turma que o acompanha é só: Enrico Pieranunzi, o baixista Hein van de Geyn, o saxofonista David El-Malek e a excelente cantora Elizabeth Kontomanou. Vale a muito a pena procurar, em brve postarei no Hot Beat Jazz, já está na fila dos posts para ainda este ano.
Uma outra grande gravação recente dele é Avenue des Diables Blues, de 2005, uma formação em trio com Biréli Lagrène e Joey DeFrancesco. O repertório é todo de standards e tem um Summertime dedicado a memória de Jimmy Smith que é uma pérola.

Muito bem lembrado

Abraços

Ô¬Ô

Érico Cordeiro disse...

Mestres Raffaelli, Mauro e Tandeta,
Bem-vindos a bordo. O Jazz sur Seine é maravilhoso -ouço-o agora, enquanto posto este comentário.
O percussionista é Gana M'Bow, que participa de apenas duas faixas.
E o Milt Jackson ao piano é muito bacana - swing prá dar e vender!!!
Que Reste-t-il de Nos Amours? é linda - Percy Heath detona!!!! E o solo de piano é bacanudo (apesar de ser tocada de trás prá frente).
Quanto ao André Cecarelli, eu não o conhecia mas ele pilota as baquetas no disco This Is New, da Dee Dee Bridgewater (muito bom por sunal - vou prestar mais atenção no batera, tá separadinho prá ouvir daqui a pouco).
Também não conheço o Raymond Fol, mas devia ser uma figuraça - (vou procurar o disco com o Biréli Lagrène e o Joey DeFrancesco)!
Abraços aos três!!!!!

José Domingos Raffaelli disse...

Amigos e irmãos de ôpa,

Falando em pianistas franceses de jazz, além de Martial Solal, Claude Bolling, George Arvanitas, Henri Renaud, Michel Petrucciani e Raymond Fol, entre os mais conhecidos, devemos lembrar de Jean-Michel Pilc (que há cerca de quatro anos deixou a platéia estarrecida por seu inacreditável virtuosismo no extinto Chivas Jazz Festival), Eddy Louis, Franck Amsallem (que aqui tocou nos anos 90 com Gerry Mulligan no extinto Free Jazz Festival), Baptiste Trotignon (que aqui tocou órgão em 2007 no TIM Festival) e Bernard Peiffer, considerado por vários críticos franceses como o maior pianista francês de jazz de todos os tempos, que fez carreira nos Estados Unidos, onde faleceu por volta de 1976.

Keep swinging,
Raffaelli

José Domingos Raffaelli disse...

Caro Érico,

Falando sob baixistas europeus, não esqueçamos do fenomenal húngaro Aladar Pege, que tocou com o Mingus Dynasty no Festival de Montreux (LP lançado no Brasil há mais de 20 anos). Sua técnica excepcional intimidou uma série de baixistas americanos. Segundo Willis Conover (conhecido como "The Voice of America" por apresentar o programa de jazz mais ouvido no mundo em todos os tempos), pela velocidade e facilidade de execução, Aladar tocava o baixo como se fosse um violino.

Keep swinging,
Raffaelli

Valéria Martins disse...

De quem é o poema???

Hoje tem matéria muito bacana em O Globo sobre a expô "We want Miles", em cartaz em Paris até 17 de Janeiro.

É hora de começar a economizar e arrumar as malas...

Beijos, querido Erico

Érico Cordeiro disse...

Queridos Raffaelli e Valéria,
Mais uma aula - desta feita sobre pianistas e baixistas europeus (o Aladar só conheço de nome e dos pianistas, conheço apenas o Franck Amsallem). Reata agora ir atrás dessas preciosidades!!!
E a viagem a Paris seria um sonho, cara Valéria, mas, infelizmente, vai ficar pruma outra oportunidade, quando a minha "tropinha" tiver mais idade (rs, rs, rs).
Abraços fraternos aos dois!!!

Érico Peixoto disse...

Meu amigo, e ainda me chamas de poeta? Peço-lhe (ou melhor, intimo-lhe) que apresente mais amostras desse trabalho em suas páginas. É algo mais a confirmar seu já conhecido talento no campo das letras. Belíssimo poema-homenagem! Parabéns!

E antes que me esqueça, agradeço-lhe a indicação do evento, mas encontro-me impossibilitado de sair desta cidade no período em que ocorrerá. Coincide com dias de apresentação de trabalhos diversos, e isso me consome todo o tempo. De qualquer forma, a divulgação já está sendo feita, mas pergunto: não terias um panfleto ou algo do tipo que pudesse escanear e me enviar? Assim divulgaria com mais facilidade, tanto por meios virtuais quanto ao vivo e a cores (poderia imprimir e afixar pelos corredores da Universidade).

Um grande abraço, meu xará!

Grijó disse...

Saio de uma aula grátis no Jazzseen e entro em outra, sobre o Urtreger.

Parto do princípio, Érico, que um seguidor deve, no mínimo, compreender o raciocínio de seu mestre. Entender o velho Bud é coisa para poucos.
Vou atrás desse disco.

Valeu, meu caro.
Abraço

Grijó

Érico Cordeiro disse...

Caros Érico e Grijó,
Dois dos mais dignos representantes da vida inteligente que ousa resistir bravamente no inóspito território da internet!
Sejam bem-vindos.
Ao primeiro, mandarei o folder do Ciclojur, por e-mail e agradeço, de logo, o apoio.
Ao segundo, lembro a belíssima relação mestre x aluno mantida entre o inesquecível Senhor Myagi e Daniel San - e lembre-se, meu caro Grijó, "Karatê é só para defesa" (a terceira frase mais pop do mundo, só perdendo para "Leve-me ao seu lider" e "Me Tarzan, you Jane").
Abração aos dois!!!

Érico Peixoto disse...

Nobre Xará,

Não precisa agradecer. Divulgarei o evento com prazer. Agradeço-lhe as sempre gentis palavras.

Concordo com a essência pop das frases citadas, e ouso acrescentar pelo menos uma: a fala do oficial mais insano da guerra do Vietnã, o grande Coronel Kilgore, que, no clássico Apocalypse Now, confessando adorar o cheiro dos bombardeios de Napalm pela manhã, complementa sua reflexão com a justificativa certeira: "It smells like... Victory!"

Grande abraço!

Érico Cordeiro disse...

É isso aí, Xará.
Inclua na lista, também:
- Hasta la vista, baby!
- I'll be back.
- Que a força esteja com você!
Nada mais pop...
Abração!

John Lester disse...

Prezado Mr. Cordeiro, não há como visitarmos seu blog e sairmos indiferentes. Bons versos, boa prosa, boa música: um cuidadoso jardim entre tantas praças esquecidas.

Diante de tantos e qualificados comentários, creio que meu silêncio cairá perfeitamente.

Grande abraço, JL.

Érico Cordeiro disse...

Meu Capitão,
É senpre muito alvissareira a sua presença por estas plagas - a nave mãe Jazzseen é a matriz genética dos eventuais frutos e das singelas flores que brotam por aqui.
E o jardineiro mestre, por óbvio, é você, meu caro, que cultiva com tanto esmero e carinho aquele belíssimo jardim suspenso.
Abração!!!

Celijon Ramos disse...

Aproveito para lhe cumprimentar pela bela e forte poesia.
Tadinha. Até fiquei com pena da morte. Mas bem feito pra ela, já nos tirou o convívio de tantos bons, não?
Sobre o ilustre pianista tudo já foi bem dito. Quem manda se atrasar tanto nos comentários!
De resto, desejo saúde e paz a tosos os seus.
Um grande abraço meu compadre!

Érico Cordeiro disse...

Seu Mr. Compadre,
O vinho ficou mesmo prá outro dia - seu sobrinho Lucas tá meio baqueadinho.
Mas essa semana eu vou ficar aqui em Saint Louis, então acho que vai dar prá gente se ver.
Beijão na comadre e nos meninos!!!

Cynthia Kremer disse...

Olá, Erico,
Você não imagiva a alegria que me trouxe o seu comentário! Saber que alguém partilha do mesmo gosto literário que o meu, ser elogiada por você - embora eu não faça jus à eles - quem dera! Mas foi um encanto de mensagem. Muito obrigada!
Devo dizer que estou adorando seu blog! Vou aprender muito sobre Jazz aqui! Que belo poema!!
Abraços,
Cynthia

Érico Cordeiro disse...

Cara Cynthia,
Seja bem vinda e obrigado pelas palavras gentis. Como você pode ver, a nossa confraria virtual é uma espécie de barzinho, onde não faltam bom papo e boa música (só falta o chopp).
E não é todo dia que a gente encontra alguém com laços familiares com dois luminares da literatura universal, como o Remarque e o Antero de Quental!!!!
Obrigado pela visita e estarei sempre no Sargaços.
Um fraterno abraço!

Jarbas Couto e Lima disse...

Érico, seu poema diz muito dos nossos dias pos-modernistas que nada querem saber da morte. A não ser para torná-la espetáculo/mercadoria ante o gozo de moribundos. Refletir sobre a morte com tanta profundidade e inspiração demonstra toda a vitalidade do seu ser.

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