Amigos do jazz + bossa

sexta-feira, 10 de junho de 2011

O HOMEM DOS MIL INSTRUMENTOS


Indianápolis é mundialmente conhecida por sediar as famosas 500 Milhas. Realizada pela primeira vez em 1911, a prova é, juntamente com o GP de Mônaco, uma das mais tradicionais do automobilismo e uma vitória ali eleva o piloto à galeria dos grandes nomes do esporte. Três brasileiros já conseguiram a façanha de vencer a Indy 500: Gil de Ferran (uma vez), Emerson Fittipaldi (duas vezes) e Hélio Castroneves (três vezes).

Disputada em um circuito oval, o Indianapolis Motor Speedway, a Indy 500 costuma atrair uma multidão de mais de 400 mil pessoas e é pródiga em acidentes espetaculares. Durante a década de 50 a prova fez parte do calendário da Fórmula 1, mas atualmente faz parte do calendário da Fórmula Indy. Um dos maiores atrativos para os pilotos é a nada modesta premiação, pois o vencedor leva para casa um cheque de um milhão de dólares. Uma curiosidade é que o vencedor da prova não comemora o feito com o tradicionalíssimo banho de champanhe e sim com um comportado litro de leite, hábito que remonta à década de 30.

Embora não tenha a mesma tradição jazzística de outras cidades, como Chicago, Detroit ou Nova Iorque, Indianápolis é o berço de vários músicos importantes, como Freddie Hubard, Slide Hampton e Wes Montgomery. A cidade também deu ao mundo o talentoso – embora pouco badalado – James Ralph Spaulding, multiinstrumentista que despontou nos anos 60 e que ombreia, em habilidade e expertise técnica, a monstros sagrados como Frank Wess, James Moody, Jerome Richardson ou Buddy Collete.

Perito no uso da flauta, do sax alto, sax tenor e clarinete, Spaulding nasceu no dia 30 de julho de 1937, sendo o terceiro de uma numerosa família de sete irmãos. O amor pela música lhe foi transmitido pelo pai, um guitarrista profissional que liderava uma orquestra chamada The Original Brown Buddies. Um de seus maiores amigos era o pianista Teddy Wilson, que costumava visitar a casa da família com freqüência.

James, cujos ídolos eram Charlie Parker e Lester Young, cresceu nesse ambiente bastante estimulante e não foi surpresa alguma quando, por volta dos sete anos, ele começou a estudar corneta, trompete flauta e clarinete. Mas a vocação artística não era privilégio apenas do patriarca e do futuro saxofonista, pois a mamãe Spaulding também cantava e tocava piano dos cultos da igreja que a família freqüentava e um dos irmãos de James, John Spaulding (nascido em 1942), se tornaria um renomado escultor.

Na escola, James fez parte de diversas bandas, sendo que em uma delas atuava como baterista. Spauldin atribui enorme importância à educação musical que recebeu na escola, especialmente as noções elementares de escalas e harmonia e a leitura de partituras. Aos dez anos já tocava semiprofissionalmente em bandas de R&B da cidade e nessa época começou a aprender sax alto, instrumento que comprou com seu suado dinheirinho, obtido com a venda de jornais. Algum tempo depois, ainda no ensino médio, formou sua primeira banda, chamada Combo Monarch, da qual fazia parte o também multiinstrumentista Roland Kirk e o organista Melvin Rhyne.

Entre 1954 e 1957, James serviu ao exército, tendo feito parte de várias orquestras da corporação. De volta à vida civil e novamente em Indianápolis, montou uma banda chamada The Jazz Contemporaries, juntamente com o trompetista Freddie Hubbard, mas o trabalho não teve maior repercussão. Ainda em 1957, resolveu se mudar para Chicago, atendendo a um convite de um primo, que lhe conseguiu um emprego.

Graças a uma bolsa de estudos concedida pelas forças armadas, ele conseguiu se matricular na Cosmopolitan School of Music e durante algum tempo sua rotina consistia em trabalhar durante o dia e estudar à noite. Nos finais de semana, acorria aos clubes da cidade, como o Flame, o Andy’s e o Jazz Showcase, para ouvir e, eventualmente, participar de alguma gig. Um de seus primeiros amigos na cidade foi o baterista Vernel Fournier, seu vizinho e que na época era integrante do trio de Ahmad Jamal.

Outro músico de quem se tornou bastante próximo foi Johnny Griffin. James trabalhava juntamente com a mãe de Griffin, que apresentou o jovem aspirante a músico ao já consagrado saxofonista, que tomou o garoto sob sua proteção e o apresentou à nata dos músicos de Chicago. O primeiro trabalho regular foi com a banda de Sonny Thompson, voltada ao rhythm and blues, ao lado de quem ele entraria pela primeira vez em um estúdio. Não demorou muito e o jovem instrumentista foi recrutado para a orquestra do excêntrico pianista Sun Ra. Durante as muitas turnês com a Arkestra, James pôde sentir na pele o racismo e a segregação que marcavam a sociedade norte-americana da época.

Ele recorda que durante as excursões a banda, formada exclusivamente por negros, tinha que tocar atrás das cortinas, para que o público, composto apenas por brancos, não os visse. Em muitas cidades em que paravam os integrantes da orquestra tinham que enfrentar os olhares hostis dos moradores, que não raro perguntavam: “o que você está fazendo aqui, negro?”. Mesmo sendo vítima do preconceito, James mantém uma postura otimista: “Eu creio que a música pode nos ajudar a superar esse estado de coisas. Eu acredito na humanidade – brancos, negros, verdes, não importa. Existe apenas uma raça: a raça humana”.

Durante aquele período conturbado, Spaulding aprofundou-s nos estudos da flauta com Emil Eck, membro da Orquestra Sinfônica de Chicago. Em 1962, insatisfeito com a pouca repercussão do seu trabalho, ele retornou brevemente a Indianápolis, tocando algum tempo com Wes Montgomery. Naquele mesmo ano, decidiu tentar a sorte em Nova Iorque, e logo foi contratado pelo conterrâneo Freddie Hubbard, que despontava como um dos jovens trompetistas mais badalados da época e usufruía de enorme prestígio entre o público e a crítica especializada.

Por meio de Hubbard, Spaulding chegou à Blue Note e rapidamente se tornou um dos músicos mais requisitados da gravadora. Versátil e tecnicamente irrepreensível, ele participou de dezenas de gravações, algumas delas consideradas históricas como “Hub Tones”, do próprio Hubbard, “Soothsayer”, de Wayne Shorter, e “Components”, de Bobby Hutcherson. Além disso, seu talento pode ser apreciado em álbuns de craques como Joe Henderson, Grant Green, Stanley Turrentine, Tyrone Washington, Horace Silver, Lou Donaldson, Larry Young, Hank Mobley, McCoy Tyner, Sam Rivers, Lee Morgan e Duke Pearson.

James era um dos músicos de confiança de Alfred Lyon, dono e principal produtor da gravadora. Por essa razão, Lyon lhe propôs que gravasse como líder, mas com um porém: o disco deveria ser algo no estilo soul jazz, na linha de Stanley Turrentine ou Lou Donaldson, cujos discos eram comercialmente muito bem sucedidos. Embora gostasse do som feito pelos dois, Spaulding não tinha a menor vontade de ser um mero imitador dos colegas mais famosos e declinou da oferta. A recusa desagradou a Lyon e a permanência do saxofonista na gravadora tornou-se inviável. Spaulding manteve intacta sua integridade artística, mas perdeu o emprego.

Após a traumática saída da Blue Note, ele tocou por um breve período com Roy Haynes e Randy Weston, passando, em seguida, para a banda de Max Roach, participnado do álbum “Drums Unlimited”, lançado pela Atlantic. Em seguida, teve uma rápida passagem pela banda do cantor Leon Thomas, mas preferiu atuar como freelancer. Nessa condição, participou do álbum “What A Wonderful  World”, de 1970, que fez um sucesso estrondoso e recolocou o venerável Louis Armstrong no topo das paradas de sucesso.

Naquele mesmo ano, excursionou com Bobby Hutcherson e fez alguns trabalhos ao lado de Archie Shepp e Pharoah Sanders. Em 1971, Spaulding participou do Newport All Stars, grupo reunido pelo produtor George Wein para se apresentar no famoso festival. Ele também integrou, por pouco tempo, a Duke Ellington Orchestra, que após o falecimento do maestro passou a ser comandada pelo filho deste, Mercer Ellington.

Diga-se, de passagem, que apesar de ser um músico de renome e de ter gravado com várias estrelas do jazz, incluindo aí intocáveis como Milt Jackson  e John Coltrane, Spaulding só gravou o seu primeiro álbum como líder em 1976, exatamente um disco tributo ao Duke, intitulado “James Spaulding Plays the Legacy of Duke Ellington”, para o selo Storyville, acompanhado por Cedar Walton, Steve Nelson, Sam Jones, Billy Higgins e James Mtume.

Morando em Nova Jérsei desde o final da década de 60, James retomou os estudos formais no Livingston College, vinculado à Rutgers University, onde se graduou em música em 1975. Em pouco tempo ele estaria ministrando aulas de flauta naquela instituição, na qualidade de professor assistente. Nessa qualidade, promoveu diversas oficinas sobre jazz, levando para ministrá-las alguns amigos músicos. Gente da estirpe de Milt Hinton, Budd Johnson, Clark Terry, Randy Weston, Sonny Rollins, Jo Jones e Milt Jackson, entre outros mais.

Durante os anos 70 e 80, Spaulding trabalhou exaustivamente, gravando ou excursionando com Kenny Barron, Woody Shaw, Richard Davis, Alvin Queen, Antoine Roney, Charles Toliver, Ricky Ford, Art Blakey e com os velhos camaradas Randy Weston, Bobby Hutcherson e Sun Ra. Em 1988, assinou contrato com a Muse, para a qual gravou “Brilliant Corners”, um tributo a Thelonious Monk bastante elogiado pela crítica. Seu parceiro mais constante tem sido o virtuose David Murray, com quem trabalhou em formações diversas, incluindo o badalado octeto, cujo tributo a John Coltrane (“Octet Plays Trane”, Justin Time, 1999) recebeu os mais efusivos elogios por parte da crítica especializada.

James também fez parte do True Blue All-Stars, que inclui vários músicos ligados à Blue Note, como o trompetista Don Sickler, o trombonista Curtis Fuller e o pianista Ronnie Mathews, sob a liderança do baterista Billy Higgins. A banda foi criada durante por ocasião das comorações de 60 anos da gravadora mas o sucesso foi tão grande que ela continuou a se apresentar regularmente em vários clubes de Nova Iorque e Nova Jérsei, como o Jazz Standard e o Iridium. Outro momento importante em sua carreira foi a participação no álbum “Moving Right Along” (Black Saint, 1993), do World Saxophone Quartet, cuja formação, na época, incluía Oliver Lake, Hamiet Bluiett, Eric Person e David Murray.

Spaulding compôs uma suíte para orquestra e coral intitulada “A Song of Courage”, que homenageia o líder negro Martin Luther King. A peça executada pela primeira vez na Capela Voorhees, situada no campus da Rutgers University, e contou com a presença do cantor Avery Brooks.  O saxofonista lançou em 1991 um disco homônimo, pela Muse, no qual interpreta alguns trechos da suíte em arranjos jazzísticos, acompanhado por Tyrone Jefferson, Roland Alexander, Kenny Barron, Ray Drummond e Louis Hayes.

Em 1996 Spaulding assinou com a High Note e pela nova casa lançou, no ano seguinte, o excelente “Smile of the Snake”. Para esse propósito, recrutou os experientes Richard Wyands (piano), Ron McLure (contrabaixo) e Tony Reedus (bateria). As gravações ocorreram nos dias 03 e 04 de dezembro de 1996, em Nova Iorque, com produção de Don Sickler. Numa mostra de inequívoca versatilidade, o líder se divide entre o sax alto, a flauta e a flauta baixo.

Hard bop da melhor estirpe, “Third Avenue” é um tema de Clifford Jordan, velho companheiro de Spaulding nas gigs de Chicago. É um veículo perfeito para as evoluções do líder, cujos solos são muito bem articulados. O fato de tocar pela primeira vez com Wyands, Ron McLure e Reedus não é capaz de inibir a criatividade de Spaulding, que maneja o sax alto com fluência e autoridade.

“Serenity” possui uma estrutura hipnótica e a abordagem do líder revela uma inquestionável influência de Coltrane. Spaulding usa a flauta baixo, instrumento bastante raro em gravações de jazz e que possui uma sonoridade amadeirada, próxima à das flautas orientais. Complexa e sinuosa, “The Smile of the Snake” foi composta pelo pianista Donald Brown e poderia, facilmente, figurar no repertório de saxofonistas contemporâneos como Joshua Redman ou Kenny Garrett.

Em “Lenora”, composição de Wyands com ecos de bossa nova, Spaulding volta a tocar a flauta baixo – e o faz com muita leveza graça e sensibilidade. Todas as loas para a percussão de Reedus que evita os clichês pretensamente “latinos” e reproduz com bastante competência a batida do gênero imortalizado por João Gilberto.

McLure contribui com a agitada “Tonight Only”, que tem uma atuação primorosa. Ancorado por uma sessão rítmica coesa, o líder adota uma postura incisiva, saindo-se muito bem em seu périplo pelas veredas, muitas vezes pouco amistosas, do post-bop. Wyands tem uma de suas performances mais empolgantes e inventa harmonias bastante inebriantes.

“Premonition” é um tema composto pelo pianista Geoff Keezer. Spaulding esgrime a flauta com a destreza de sempre, mas o maior destaque vai para o baixista, que brinda o ouvinte com um solo fabuloso. A fragmentária “Yes, It Is” é a segunda contribuição de Wyands e “Panchito” leva a assinatura de McLure. Em ambas o que transparece é a inquietação do quarteto e a busca por novas fronteiras musicais, o que demanda espírito aberto e audição atenta. Aqui não há espaço para frivolidades ou exibicionismos – aspereza e uma completa ausência de linearidade são as características mais evidentes.

Composta pelo grande Idrees Sulieman, “Love Is Not a Dream” mostra outra faceta de Spaulding, a do baladeiro sensível, capaz de articular frases transbordantes de lirismo. A feérica “Havana Days (Cuba 1954)” engata um belíssimo casamento entre a crueza do hardbop e a malemolência dos ritmos afro-cubanos. O resultado é empolgante, com atuações memoráveis do líder, que novamente lança mão da flauta, e do explosivo Reedus. Na tradição dos grandes pianistas cubanos, a abordagem de Wyands é exuberante, com harmonias ricas e imprevisíveis. Dificilmente alguém poderá dizer que se trata de um disco fundamental na história do jazz, mas é um trabalho íntegro, com grandes músicos atuando em um nível superior de técnica e feeling. Vale a pena dar uma conferida. 

Nos últimos anos Spaulding tem sido um nome dos mais atuantes no cenário jazzístico, tocando com músicos das novas gerações, como o pianista D. D. Jackson ou o trompetista David Weiss, e apresentando-se em festivais pelo mundo, como o de Montpellier, na França, e o de Saalfelden, na Áustria. Em 2001, James atuou ao lado do Saxophone Summit Harlem, durante as festividades pela inauguração do escritório do ex-presidente Bill Clinton, grande entusiasta do jazz, no Harlem.

No ano seguinte, foi um dos jurados da edição da Thelonious Monk International Jazz Saxophone Competition. Ele também criou um selo, chamado Speetones Music, por onde tem lançado a maioria de seus discos mais recentes, “Blues Up And Over” (2001) e “Round To It!” (2005), ambos gravados ao vivo no Up Over Jazz Café, em Nova Iorque. Em 2006 lançou o álbum “Down With It”, pelo selo francês Futura & Marge, gravado ao vivo no clube Sunside, em Paris, acompanhado pelo trio do pianista Pierre Christophe.

Embora goze de menos prestígio do que mereceria um músico da sua estatura, James Spaulding não reclama da vida e segue fazendo a coisa que mais adora: tocar. E deixa uma preciosa lição: “a música tem sido a força por meio da qual eu consigo expressar minhas emoções. Através dela, eu encontrei um sentido para a minha vida e, de alguma forma, sinto que contribuo positivamente para a sociedade. Graças à música, posso recriar uma gama de experiências emocionais significativas e sou capaz de expressar o amor à vida por meio do som”.

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19 comentários:

MaJor disse...

CONFESSO QUE SEI (OU MELHOR SABIA) POUCA COISA DO SPAULDING PELA AMOSTRA É MUITO BOM. VOU ME INTEIRAR MELHOR E ATÉ PROGRAMÁ-LO EM UM PODCAST CJUB.
ABÇ
MARIO JORGE

Fred Monteiro da Cruz disse...

Cada visita ao seu Blog, amigo Érico, é uma espécie de pós-graduação em Jazz e História da Música. Além, claro, da oportunidade que vc nos dá de ouvirmos a nata da nata de intérpretes e grupos fantásticos.. Fica até difícil, quase impossível, para mim estender-me num comentário sobre matérias tão definitivas e esse áudio maravilhoso com que vc nos brinda a cada post.. O James Spaulding é simplesmente perfeito e sua história toda um exemplo de dedicação à Música e ao Jazz ! Muito obrigado!

APÓSTOLO disse...

Estimado CAMPEÃO:

Música soberana = Spaulding é um desses iluminados pela "estrada", qu percorre há tantos e tantos anos.
O cidadão transpira a cultura do estudar e do bem fazer, muito bem acompanhado.
Parabéns por mais uma resenha muito bem tecida, parabéns pela gravação escolhida ! ! !

Ana Tapadas disse...

É por isto que gosto de cá vir: aprendo sempre algo novo.
bj

www.amsk.org.br disse...

Caro Érico, esperamos que esteja melhor. Deixamos um pouco de nossa visita com a Falcão no blog - http://cozinhadosvurdons.blogspot.com/2011/06/lisboa-cidade-dos-ventos.html

Confesso que nenhuma de nós conheciamos muito ou nada Spaulding, gostamos do que ouvimos e vamos procurar mais.

5 bjs da Cozinha dos Vurdóns

Érico Cordeiro disse...

Caros MaJor, Fred, Apóstolo, Ana e amigas da "Cozinha",
Muito bom recebê-los no barzinho.
Ao primeiro, sugiro esse disco postado e o , que também é ótimo.
Ao segundo, agradeço as palavras generosas, mas compartilhar informações com outros fãs do jazz e fazer amigos é o grande barato do blog - ainda mais porque ao pesquisar a vida desses grandes músicos, aprendemos tantas lições de perseverança, dedicação e amor à arte, que toda a ralação para fazer as pesquisas se torna um verdadeiro prazer.
Mestre, lindo hoje foi ler as manchetes dos jornais sobre a festa que os vascaínos fizeram no Rio: a maior já feita para um campeão da Copa do Brasil!
Estamos de volta em grande estilo!!!!
Ana, suas palavras sempre gentis são um sinal de que o barzinho está no caminho certo,
Amigas da "Cozinha", já tinha dado uma passada no blog e lido a resenha (com água na boca, por causa das delícias ali colocadas). Mas daqui a pouco torno dar uma passada por lá, ok? Obrigado pela força que vocês sempre me dão!
Abraços fraternos a todos!

Cristina Lira disse...

OLá, te encontrei no blog da Néia ( que anda sumida da blogosfera) e aqui resolvi ficar, um encanto seu blog.

Bjos e boa semana pra ti.

Roberto Scardua disse...

Beleza de som pra tomar café, valeu!

Érico Cordeiro disse...

Caros Cristina e Scardua,
Sejam muito bem-vindos.
À primeira, desejo que se sinta à vontade no jazzbarzinho e que volte sempre, ok?
Quanto a você, meu caro Scardua, espero que o nosso querido mestre John Lester permita que você apareça mais vezes aqui.
E quando vier ao Maranhão, vamos marcar uma partida de tênis entre você e o Celijon (como lhe disse aí em Vitória, eu nãlo jogo nada).
Um fraterno abraço aos dois e muito obrigado pelas palavras gentis.

MJ FALCÃO disse...

Também gostei do Spaulding que não conhecia.
Sempre Jazz de classe!
Falei de você -e um pouco do seu livro- no meu blog.
Abraço
o falcão
http://falcaodejade.blogspot.com/2011/06/dois-grandes-do-jazz-e-kind-of-blue.html

Érico Cordeiro disse...

Cara MJ Falcão,
Bom tê-la a bordo!
Estou passando no Ninho do Falcão!
Abraços!

PREDADOR.- disse...

Qual a representatividade de Spaulding, um "altista" dito de jazz, que aventurou-se a alçar voôs com o controvertido Sun-Ra, com o africanista Randy Weston, o inexpressivo organista Larry Young e outros menos votados como Pharoah Sanders, Wayne Shorter, o "enjoativo" Joe Henderson, o "maluco experimentalista/expressionista" David Murray? Que apreciação podemos fazer de um músico que na realidade passou "ao largo" do jazz? Nenhuma. Além disso,aguentar ouvir este disco "O sorriso da cobra" é dose. Vamos falar de Vasco da Gama, seu título da Copa do Brasil, que é muito melhor.

Sergio disse...

"James era um dos músicos de confiança de Alfred Lyon, dono e principal produtor da gravadora. Por essa razão, Lyon lhe propôs que gravasse como líder, mas com um porém: o disco deveria ser algo no estilo soul jazz, na linha de Stanley Turrentine ou Lou Donaldson, cujos discos eram comercialmente muito bem sucedidos. Embora gostasse do som feito pelos dois, Spaulding não tinha a menor vontade de ser um mero imitador dos colegas mais famosos e declinou da oferta. A recusa desagradou a Lyon e a permanência do saxofonista na gravadora tornou-se inviável. Spaulding manteve intacta sua integridade artística, mas perdeu o emprego"

Tsc, tsc, tsc, tsc... É o fim da picada. E mil vivas aos executivos!

Érico Cordeiro disse...

É! Parece que o Predador não tomou o remedinho dele hoje!
Ô Seu exterminador de planetas, não vale o trabalho dele com monstros como Grant Green, Stanley Turrentine, Horace Silver, Lou Donaldson, Hank Mobley, McCoy Tyner, Lee Morgan e Duke Pearson?
E esse disco é muito bom! Deixe de preconceitos e ouça o ótimo "sorriso da cobra".
Seu San, veja só, essa "estratégia" partiu do Alfred Lyon, um cara que produziu alguns dos melhores discos de jazz de todos os tempos. Parece que nem ele conseguiu se livrar da "gana pela grana".
Abração aos dois!

Sergio disse...

Pois é seu san, não sou tão conhecedor nem dos músicos q dirá de executivos de gravadora. Só li na linha de baixo q o cara era O cara da Blue Note, aí o susto foi maior.. Nessa de "estratégia" de gravadora, muito artista bom e até gênios, os gênios sofrem mais sempre, foi pro saco. Um monte deles, literalmente, ou se meteram nele por livre e espontânea, ou por outros métodos, lentamente.

é isso aí.

Érico Cordeiro disse...

Mr. Sérgio,
O Lyon tem uma trajetória maravilhosa, mas devia ter uma personalidade muito forte.
Ele também se desentendeu com o pianista Freddie Redd, que saiu da Blue Note e nunca mais gravou por lá.
Liberdade artística é meio que uma utopia.
Abração!

José Domingos Raffaelli disse...

Gran Master Érico e demais confrades,

Boa pedida essa do James Spaulding, apesar do protesto de um participante.

A única vez que ouvi Spaulding ao vivo foi com o World Saxophone Quartet num Free Jazz Festival dos anos 90.

Realmente, a interferência dos big shots das gravadoras na obra dos artistas sempre foi funesta, de um modo geral.

Isso lembra-me o motivo pelo qual Thelonious Monk abandonou abruptamente a Columbia, para a qual gravou uma série de discos e tinha contrato vigente quando ocorreu esse quiproquó.

Procurado por Monk para saber os planos para seu novo disco, o então produtor Teo Macero, da Columbia, que produziu "n" discos de Monk e outros artistas da gravadora, disse-lhe com todas as letras:

- Você vai gravar um álbum com canções dos Beatles.

Sentindo-se bastante ofendido, Monk deu-lhe as costas sem dizer uma palavra e nunca mais voltou à Columbia.

Aliás, ele nunca mais gravou para qualquer gravadora americana.

Os últimos discos em seu nome foram para a gravadora inglesa Black Lion quando Monk estava em turnê na Europa com os Giant All Stars (Dizzy Gillespie, Kai Winding, Sonny Stitt, Al McKibon e Art Blakey), resultando num excepcional CD em piano-solo e outro magnífico em trio, com McKibon e Blakey.

Keep swinging,

Raffaelli

José Domingos Raffaelli disse...

Érico e demais confrades,

Um adendo ao post anterior: as gravações de Monk para a Black Lion, em Londres, foram em 15 de novembro de 1971.

Keep swinging,
Raffaelli

Érico Cordeiro disse...

Obrigado pela dica, Mestre.
Taí que eu não sabia que o rompimento com a Columbia tinha se dado por causa dessa idéia tão "brilhante".
E olha que o Macero, além de músico, é um produtor com muita quilometragem e com ótimos serviços prestados ao jazz!
Abração!

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