Amigos do jazz + bossa

terça-feira, 9 de junho de 2009

UM DEUS PASSEANDO PELA BRISA DA TARDE


Quando alguém é muito grande, dentro da atividade a que se dedica (Chaplin no cinema, Eisntein na física, Pelé no futebol, etc.), é muito difícil escrever sobre essa personalidade sem recorrer a velhos e surrados clichês. Portanto, para falar de Edward Kennedy Ellington, nascido a 29 de abril de 1899, em Washington – D. C., primeiramente haverei de falar de quatro outros gigantes do jazz. O primeiro deles é Thelonious Sphere Monk, um confesso tributário da arte e das inovações harmônicas concebidas pelo genial Duke. Tanto é que em 1955 gravou, pela Fantasy, o excepcional “Plays Duke Ellington”, ao lado dos luminares Oscar Pettiford e Kenny Clarke, considerado uma das suas mais consistentes obras como intérprete. Monk, sempre que instado a falar sobre suas influências, destacava como a primeira delas a figura ensolarada do fabuloso Duke e a gravação desse álbum é a prova mais veemente dessa admiração incondicional.

Outro gigante a que se recorre antes de falar sobre Duke é Charles Mingus. O contrabaixista que viria a se tornar um dos três ou quatro mais importantes compositores da história do jazz – para além de seu exponencial talento como instrumentista – passou uma breve temporada na orquestra de Ellington. Sua saída foi precipitada por uma briga com o trombonista Juan Tizol e a parceria, que se afigurava promissora, teve que esperar algumas décadas para se viabilizar, exatamente até a gravação do genial “Money Jungle”. Nesse disco reverencial, Mingus se dispõe a ser, juntamente com o outro gênio Max Roach, um singelo acompanhante para o Duke executar uma das suas obras mais soberbas. Sobre o álbum, o crítico George Wein, nas linner notes, escreveu: “Ellington! Mingus! Roach!! Um triunvirato, não um trio”. Não bastasse haver interpretado em seus discos diversas composições de Ellington, Mingus ainda haveria de dedicar à sua influência maior a lindíssima “Open Letter To The Duke”.

O terceiro gigante é Miles Davis. Goste-se ou não dele, o trompetista esteve presente em todos os movimentos mais importantes do jazz, seja como um discreto coadjuvante (bebop) ou como um destacado protagonista (cool jazz, hard bop, jazz modal, fusion) – sendo que de alguns desses movimentos pode até reivindicar a paternidade (não sem uma boa briga, haja vista a quantidade de outros pais dispostos a reconhecer como seus esses filhos, à exceção do controverso fusion). É dele a seguinte frase, dita num momento de singular e improvável modéstia: “Todos os músicos deveriam um dia se reunir e agradecer a Duke de joelhos, por tudo o que ele fez pela música norte-americana”.

Complementando a frase de Miles (ou enxugando-a para que ela possa conter a exata dimensão da grandeza de Ellington): “por tudo o que ele fez pela música”, não apenas a norte-americana. Seu talento como pianista, compositor, arranjador e band-leader não encontra paralelo na história do jazz e da música popular em geral. Por sua orquestra passaram alguns dos melhores dentre os melhores: Jimmy Blanton, Juan Tizol, Ben Webster, Cootie Williams, Johnny Hodges, Paul Gonsalves, Ray Nance, Russel Procope, Clark Terry, Harry Edison, Louie Bellson, Cat Anderson, entre incontáveis outros. Complemente-se dizendo que muitos desses homens jamais gravaram ou se apresentaram fora do contexto da orquestra do Duke, em um comovente exemplo de fidelidade e dedicação.

Ellington está entre os maiores compositores do repertório clássico da grande canção americana, ombreando-se a monstros sagrados como Irving Berlin, Cole Porter, Richard Rogers e George Gershwin. Nenhum – e nenhum mesmo – outro compositor foi tão gravado pelos músicos de jazz. Tampouco conheço algum outro músico de jazz que tenha inspirado tantos outros colegas a gravar discos inteiros em sua homenagem. Monk, como já foi dito, gravou o seu tributo. Chico Hamilton (num belíssimo disco que contou com a presença avassaladora de Eric Dolphy) fez o mesmo. Ella Fitzgerald e Sarah Vaughan gravaram seus songbooks dedicados a Ellington. O Modern Jazz Quartet, Martial Solal, Kenny Burrell, McCoy Tyner, Zoot Sims e Oscar Peterson também fizeram, através de álbuns soberbos, suas leituras da produção do Duke. E que produção! De sua ourivesaria saíram jóias de incomensurável beleza como “Solitude”, “In A Sentimental Mood”, “Satin Doll”, “Sophisticated Lady”, “Do Nothing Till You Hear From Me”, “Mood Indigo”, “Prelude To A Kiss”, “Daydream” e centenas de outras obras-primas.

Ao contrário de outros pais fundadores, Ellington jamais foi refratário à evolução do jazz e sempre transitou com muita desenvoltura entre estilos tão díspares quanto o dixieland tradicional e o bebop revolucionário de Parker e Gillespie, embora a maior parte da sua produção possa ser, cronológica e estilisticamente, atribuída à escola do swing. E é nessa dicotomia entre tradição e modernidade característica da personalidade do Duke que entra o quarto gigante da nossa breve história, John Coltrane, um dos maiores inovadores do jazz e outro fã confesso, com quem dividiria o estúdio para a gravação do álbum “Duke Ellington & John Coltrane”.

Gravado em 26 de setembro de 1962, para a Impulse, este disco é um clássico memorável por muitas razões. Primeiro, por apresentar o Duke tocando em um formato não muito usual – apenas piano, saxofone (tenor e soprano), baixo (a cargo de Jimmy Garrison e Aaron Bell, que se revezam) e bateria (Elvin Jones e Sam Woodyard fazem o mesmo que os baixistas). Segundo, por permitir a Ellington que exiba todo o seu conhecimento do idioma jazzístico, indo do blues ao bebop, com direito a passagens pelo swing ortodoxo e até a pinceladas de free em algumas faixas. Terceiro, por permitir a todos os músicos que exibam uma competência técnica superior em seus respectivos instrumentos. Quarto, por reunir um repertório absolutamente magnífico, com cinco composições do Duke, uma de Coltrane e uma de Billy Strayhorn.

Uma atmosfera sofisticada e intimista permeia o álbum do início ao fim. Na primeira faixa, uma releitura arrebatadora de “In A Sentimental Mood”, com o piano bailando por sobre a melodia enquanto Coltrane desfila toneladas de lirismo. Na sessão rítmica, Aaron Bell e Elvin Jones dão o suporte necessário para o vôo soberano dos respectivos patrões. “Take The Coltrane” é uma curiosa incursão de Ellington pelas águas do free, com momentos bastante calcados no estilo e outros mais assentados no bebop “tradicional”. Uma bela homenagem ao parceiro mais jovem, que retribui com alguns dos solos mais surpreendentes do disco, aqui escudado por seus dois companheiros de quarteto.

Em “Big Nick” é a vez de Coltrane, autor da música, pagar tributo à deliciosa era do swing. Novo desempenho antológico de Trane, com um discretíssimo Ellington acionando com precisão cirúrgica as teclas do seu piano. Ecos do Harlem pontuam toda a canção, especialmente no solo do pianista. Garrison e Jones, soberbos como sempre, pavimentam o caminho para que os líderes possam brilhar. “Stevie” é um blues estilizado de autoria do Duke, que mostra a que veio com um lindíssimo trabalho do piano (agora a sessão rítmica é totalmente ellingtoniana). Destaque para a extraordinária linha de baixo e para os impressionantes arabescos sonoros que emanam do sax de Coltrane. Uma extraordinária versão de “My Little Brown Book”, sutil e delicada como toda obra do fiel escudeiro Strayhorn, exala uma discreta melancolia, realçada pelo fraseado envolvente e etéreo de Trane – outro ponto alto do disco. “Angelica” evoca discretos sabores latinos (a bateria de Jones, em alguns momentos, parece ter saído diretamente de uma ensolarada praia do Caribe), como se piano e saxofone dialogassem em espanhol, por supuesto!
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Fechando o disco, uma bela versão de “The Feeling Of Jazz” – curiosamente, um blues composto a seis mãos por Ellington, pelo cantor Bobby Troup e pelo trombonista George Simon – que mostra porque este estilo é tão importante para a existência daquele. Trane inspirado, Ellington majestosamente discreto, Elvin divino e Garrison soberbo – exatamente mais do mesmo. Uma obra despretensiosa e relaxada, com muitos momentos sublimes. Por isso mesmo, absolutamente indispensável em qualquer discoteca.

É certo que alguns incréus atribuem a Ellington uma estatura muito menor que a que este efetivamente tinha. Acusam-no de vampirizar ou até mesmo de se apropriar indevidamente de obras de seus músicos. Ocorre que o processo de troca de informações é inerente ao próprio jazz. O autor compõe um tema, os músicos que tocam com ele acrescentam alguma coisa e dão a sua leitura da canção e, voilá, a obra se aperfeiçoa. O jazz se caracteriza, exatamente, por ser uma obra em permanente estado de construção. Nesse processo Ellington, assim como todo grande compositor jazzístico, efetivamente incorporava as contribuições dos membros de sua orquestra, mas daí a acusá-lo de rufianismo musical vai uma distância tão grande quanto a que separa a sua obra da “obra” de um Frank Aguiar.


Três fatos dão a dimensão exata do respeito que Ellington tinha por seus músicos e que merecia por parte deles. Nos início anos 50, quando as orquestras estavam em baixa e a sua tocava em salões melancolicamente vazios, o Duke pagava do próprio bolso (com os rendimentos obtidos com a venda de seus discos, direitos autorais e elaboração de trilhas sonoras para o cinema e a televisão) os salários de seus músicos. Em 1967, ainda abalado pela morte do amigo e alma gêmea musical Billy Strayhorn, Ellington gravou um emocionante tributo ao parceiro, chamado “And Her Mother Called Him Bill”, inscrito entre as maiores obras-primas do jazz – conta-se que, nas gravações, alguns músicos, inclusive o líder, choravam copiosamente. E, por fim, ouça o célebre “Ellington At Newport”. Ao final da avassaladora performance do seu saxofonista, ouve-se a voz de um extasiado Ellington a exclamar: “Paul Gonsalves, Paul Gonsalves, Paul Gonsalves”! A breve intervenção do maestro é quase tão emocionante quanto o memorável solo de Gonsalves. É por essas e outras que Benny Green (o crítico, não o pianista), disse certa feita: “Ellington veio ao mundo do jazz para separar os homens dos meninos”. Não apenas separava os homens: escolhia os melhores deles para cerrar fileira ao seu lado. Monk, Mingus, Miles e Coltrane que o digam!
***************
PS.: Post dedicado ao amigo Sérgio Sônico, o antenadíssimo garimpeiro de todos os sons.

45 comentários:

Salsa disse...

Rapaz, você quase me fez ouvir a obra completa que está na minha estante (mais como reverência do que como uma real afinidade). Confesso não ser muito chegado em orquestras, mas Duke tem uma série de discos que merecem ser ouvidos.
Eu prefiro os combos, que descem mais leves por minhas aurículas. Esse com Coltrane muito me agrada.
O seu texto, com sempre, está muito bem articulado e fundamentado. Duke merece. E nós agradecemos.

Celijon Ramos disse...

Érico, excelente artigo sobre a construção da música de Duke que sempre merecerá devidas homenagens de todos que verdadeiramente amam o jazz, e que não criam montanhas separatistas sobre estilos. Quando isso ocorre, o principal prejudicado são os ouvidos que quem adota essa postura. Queria parabenizá-lo, especialmente, pelo estilo de composição que adotaste. Objetivo e direto. Frases curtas que valorizam a informação e que facilitam o diálogo como o leitor, sem prejuizo do humor ou da poetização que marcam seus escritos.

John Lester disse...

Prezado Mr. Cordeiro, por questões que não caberiam edificadas aqui, não agora, prefiro apenas confessar que o jazz não sentiria falta alguma se Duke Ellington não houvesse existido.

Já não poderíamos dizer o mesmo de Louis Armstrong, Charlie Parker, Thelonious Monk, Charles Mingus ou John Coltrane, esses sim, verdadeiros "Pelés".

Ellington, como já tive oportunidade de dizer no Jazzseen, foi o maior administrador de talentos que já passou pela música pop norte-americana. E daí?

Grande abraço, JL.

Salsa disse...

Prezado Celijon,
Você está prenhe de razão. O amor pelo jazz (ou por qualquer coisa) não se baseia em montanhas separatistas (embora exista quem ache isso). Creio eu que reconhecer e respeitar as características "negativas" do objeto de amor é um fator necessário para manter um bom relacionamento (e isso não significa necessariamente se calar a respeito). O endeusamento, por sua vez, torna o objeto inacessível, ofuscante, excessivamente idealizado, e pode deixar o amante imobilizado, sem chances para uma, digamos, relação mais íntima e real com o objeto amado (em suma, amar uma deusa carnalmente pode ser muito complicado - pode rolar uma inibição). De um modo ou de outro, a relação dança. Não rola o jazz.
Eu, cá com meus botões, nunca me detive para analisar a obra de Duke (nem tenho cacife para isso), mas uma coisa sobre mim eu sei: não sou chegado em orquestras ou big bands (o porquê disso exigirá mais alguns anos de análise). No entanto, isso não chega ao ponto de fazer-me evitá-las como o capeta evita a cruz.
Outra coisa que sei sobre mim: eu gosto de tocar temas de Duke e seus parceiros (dizem que são dos parceiros e duke pega carona). O meu repertório de músico amador conta com uma significativa quantidade de temas de Ellington. Especialmente aqueles mais curtos, carregados de swing, feitos para os músicos deles se apropriarem para fazerem a festa em suas jams.

Érico Cordeiro disse...

Mestre Salsa, ataque as suas bem fornidas estantes com volúpia, separe todos os discos do Duke que você possui, ponha suas caixas de som do lado de fora da janela e inunde este nosso mundinho com toda a magia do grande maestro. Certamente, se ouvíssemos mais Ellington viveríamos em um planeta menos disposto a aceitar a banalidade e a vulgaridade como algo natural em nossas vidas!!!
Celi, meu querido compadre, obrigado pelas gentis palavras - sei que você comunga desse amor incondiccional pela obra sublime do Duke.
Mr. Lester, meu caro capitão, permita a esse modesto tripulante discordar de você, com toda a vênia necessária. É certo que há pelo menos duas espécies de loucos, cujos sintomas permitem fazer um imediato diagnóstico de uma patologia mental em avançado estágio: aqueles que rasgam dinheiro e aqueles que ousam discutir jazz com o excelso capitão da nave jazzseen e como não pretendo passar o restante da minha existência amarrado em uma camisa de força, não haverei de discutir. Mas orarei por você, ó espírito infiel, pondo prá tocar toda a minha modesta coleção do Maestro (que soberano também o é), a começar pelo soberbo Money Jungle que repousa bem aqui na minha frente.
Grande abraço a todos!!!!

Érico Cordeiro disse...

Mestre Salsa, por favor, essa história de "endeusamento ofuscante" é mera figura de linguagem - é só prá enriquecer o texto. Sem chance de contaminar o meu cartesiano espírito crítico.
Agora com licença que eu tenho que me ajoelhar em direção a Meca e rezar prá São Duke, ok?

Salsa disse...

Amén, amén.
Ora pro nobis, meu caro

APÓSTOLO disse...

Prezado ÉRICO:
Apesar de que alguns "críticos" terem "descoberto", nessa gravação que você tão bem focou, certo "acanhamento" de COLTRANE ante a figura majestática de ELLINGTON, penso que é uma das belas gravações do bom e velho JAZZ, a "ARTE POPULAR MAIOR".
Com relação a ELLINGTON todos sabemos que ele compunha para seus músicos, dentro do contexto da "big band" que comandava.
Seu trabalho em outras áreas do JAZZ, como nesse album com COLTRANE, sempre foi uma expansão (e muito boa) de sua obra.
Com relação à vida, à obra discográfica, às composições (952) e à filmografia de ELLINGTON, tive oportunidade de escrever modestas linhas no "Caderno de Cultura" do jornal "Hoje Em Dia" (04, 11 e 18/maio/1994), onde mantive a coluna "Cantinho do Jazz" durante o ano de 1994.

Érico Cordeiro disse...

Brincadeiras à parte, caro Apóstolo, você tocou em um ponto crucial.
Não era o piano o principal instrumento pilotado pelo Duke, mas sim a sua fenomenal orquestra - ele compunha pensando nela e na abordagem sonora que sabia que cada um de seus músicos iria imprimir.
Quanto às "modestas linhas" que você haabitualmente escrevia para o Jornal Hoje em Dia, por favor, informe-me onde posso encontrá-las e se estão disponibilizadas on line, por favor, me forneça o endereço. Tenho certeza que seus escritos são um precioso documento
para todo aquele que ama o jazz e se dispõe a conhecer um pouco mais sobre essa música verdadeiramente encantadora.
Grande abraço (e ao dileto Salsa também).

Sergio disse...

"In a sentimental mood
I can see the stars come through my room"...

Que canção mais linda é essa, meu caro, Érico. Lembro-me que a 1ª audição atenta dela, tive com o maior dentre todos!, superador das próprias limitações, o pianista Michel Petrucciani. E não creio que estive em má companhia. Depois vieram as demais. Gosto tanto dessa canção que produzi, na minha "reco-records" particular caseira uma compilação inteira só com variações para o mesmo tema. O difícil foi colocá-las todas nos 70 e poucos minutos que cabem num CD normal dos q vendem em lojas. Disco este q é companhia constante em minha caminhadas.

Também fui convencido pelo Salsa, aqui no andar de cima, a tirar alguns álbuns da HDgaveta e escutá-los lendo suas considerações. Você tem essa característica, amigo, fazer com que obras de artes se revelem noutros detalhes antes imperceptíveis a "olho nu".

"O jazz se caracteriza, exatamente, por ser uma obra em permanente estado de construção."
É o q digo sempre. Buscar a perfeição na construção de uma obra de arte é, antes de tudo, enganar-se a si e a ela mesma. Isto antes, depois enganar as massas. É quando me ajudas Érico a explicar a brincadeira da Coca-cola. Perfeição é coca-cola, produto pop acabado. Ou, a perfeição é um ovo. Impossível extrair ou acrescentar algo sem danificar o objeto na forma e no conteúdo. Enganar, não num sentido vil, hediondo, mas enganar no sentido de confundir mesmo... Vai contra a natureza da existência. Por isso o jazz tem sido o gênero com o qual mais me identifico. O estilo ao qual dedico a maior parte do meu tempo útil.

Quanto à homenagem, puxa vida, amigo, logo em Duke? É muito mais do que mereço.

Em tempo: da janela, onde não vejo o Corcovado, mas uma bela vista do Jardim de Alah, escuto um tiroteio de grandes proporções, algo que, justiça seja feita, aqui, jamais aconteceu. Os meninos e meninas de uniformes de colégio e mochilas as costas, correndo como loucos sobre a ponte do Canal do Jardim de Alah. Sirenes e patrulhinas desembestadas fazem a trilha sonora local. O disco “Duke Ellington & John Coltrane” já parou de tocar. Estou de volta a realidade pop, no sentido hediondo mesmo. Meu cacoete jornalista me empurra para o térreo. Cadáveres hão de pintar por aqui. Assistam um compacto as cenas deste capítulo hoje o Jornal Nacional.

Érico Cordeiro disse...

Grande Sérgio,
Um comentário para a post-eridade. Ao Duke e a você todas as honrarias - estou aqui catando as palavras que não vêm, encantado e estarreido com esse fabulário geral do delírio cotidiano da minha querida cidade de São Sebastião do Rio de Janeiro.
São mesmo demais os perigos dessa vida e dessa arte que ousamos cultuar.
Fraterno abraço, irmão - é muito bom privar do mesmo espaço (ainda que virtual) que você!!!!

pituco disse...

érico,
é uma delícia passar por aqui...a escolha dos álbuns, os textos enxutos e o apuro no estilo.

piramidal...

no brasil, até o diretor de teatro,josé possi neto, fã de duke ellington, montou e dirigiu o musical 'emoções baratas'(anos 80) apenas com canções do compositor...cheguei a assistir à época.

há ainda, uma versão bacana em portuguès do poeta haroldo de campos, de 'sophisticated lady'...creio que gravada pelo caetano(?)...que vez em quando incluo em gigs por aqui, numa levada bossanovística...rs

é isso aí
valeô a dica pra lá de necessária.
amplexossonoros
namaste

Érico Cordeiro disse...

Caro Pituco,
Obrigado pela visita e pelas palavras gentis. Não conheço a versão de Sophisticated Lady em português, apenas aquela gravada no disco Foreign Sound, em inglês mesmo (e ficou muito bonita).
Grande abraço do lado de cá do planeta Terra!!!

Sergio disse...

Bem, o assunto deve e tem q ser Jazz&Ellington e eu não me atreverei a mudar esse rumo, acidentalmente q seja. Ocorre q deixei uma história (incomum por minhas bandas) em aberto e me sinto na obrigação de informar o desfecho: assalto em Copacabana a uma joalheria na Francisco Sá. O taxi q os bandidos tomaram (pobre taxista!) na fuga veio dar na Garcia D’avila, Ipanema, onde policiais e assaltantes trocaram aquela saraivada de tiros que interromperam minhas considerações/comentários. Ninguém ficou ferido no confronto. Nem o pobre do "pacifista local" do Aldir (Blanc) - graças à boa sorte nossa, claro, pq Deus, aquele, em pessoa, já abandonou sua obra há séculos e se dedica a criações mais ou menos (im)perfeitas noutras galáxias – tipo brincar de massinha de modelar. Putz encrencas novas hão de pintar por aí... Esse cara não aprende mesmo.

Um abraço, Érico. E ó, assim q postar a menina Nikki em álbum, gostaria muito de contar com a vossa opinião. Afinal, assim como ela a Ella, já teve 14 anos... A realidade era bem outra, evidente, mas não custa traçarmos (vocês q conhecem) um pequeno paralelo.

pituco disse...

érico,
permita-me postar aqui a letra em português(poeta haroldo de campos)...

eu sei, em sua vida o amor foi entrar
para o seu coração enganar
de um fogo que começou
depois, morreu

só desilusão e dores nesse olhar
você aprendeu a não mais amar
algo mudou em você,
pra quê viver?

drinks,danças,trips,transas
noite afora, inconstante
jóias caras, pelos bares
com qualquer um no restaurante
será que já não é o bastante?

não,
sofisticada e louca ilusão
um velho amor rói seu coração
e à noite a sós você vai chorar

sophisticated lady
you'll cry

é isso aí...
certa feita,eu estava assistindo uns feras do jazz e o bookingmanager do live house era meu amigo e chegou a dizer que eu era cantor brasileiro e coisa e tal...aí os caras me chamaram pra uma jam...hahaha...de imediato pedi mr.duke ellington e saí cantando em português.

abraçsonoros
namaste

Érico Cordeiro disse...

Grande Sérgio - além de garimpar sons também garimpas notícias (ao vivo da frente de batalha). Felizmente não houve vítimas (o que é o mais importante). Adoro a sua cidade, mas já não vou aí há uns bons anos e fico muito triste em ver essa violência toda. Mas aguardo ansioso o dito cujo álbum "secreto"!!!
E você, Pituco, levando à frente o bom nome do Brasil na Terra do Sol Nascente.
Bela letra, bem de acordo com o espírito da canção.
Abraços fraternos aos dois!

PREDADOR.- disse...

Depois do Something Else e da polêmica sôbre Miles Davis, fiquei aguardando novo comentário de jazz no blog do Sr.Cordeiro para sentar a "porrada" (no bom sentido). Eis que ele me aperece comentando Duke Ellington. Me desarmou. Ótima resenha e especialmente o álbum Duke Ellington & John Coltrane da Impulse. Excelente repertório musical e em especial a música The feeling of Jazz, onde Coltrane executa-a quase que de um folego só. Um arraso!

Érico Cordeiro disse...

Caro Predador,
Tenho percebbido que por trás dessa cara de mau, desse jeito de mau, desse vocabulário de mau, há um coração muito do bonzinho batendo nesse peito intergalático.
Que que é isso? Nem uma porradinha? Vou reclamar na Liga dos Alienígenas Destruidores de Planetas - o impiedoso Ming haverá de ficar sabendo dessa sua "conversão" (rs, rs, rs).
Brincadeiras à parte, seja muito bem vindo e, por favor, me responda a uma singela pergunta: você gosta de literatura noir (Dashiell Hammett, Raymond Chandler, Patricia Highsmith, Rubbem Fonseca, etc?).
Não vale pensar muito, ok?
Um fraterno abraço!!!!!

APÓSTOLO disse...

Prezado ÉRICO:
Como escreví antes, no ano de 1994 mantive no "Caderno de Cultura" do jornal "Hoje em Dia" de Minas Gerais a coluna "Cantinho do Jazz".
Alí tive oportunidade de escrever semanalmente sobre alguns ícones da "arte Popular Maior":
- Johnny Griffin;
- Duke Ellington;
- Ella Fitzgerald (à época ainda viva, mas já infelizmente atacada da diabetes que a consumiu);
- Traditional Jazz Band;
- Charlie Parker;
- Benny Goodman;
- Dizzy Gillespie;
- sumário gráfico do JAZZ;
- Bix Beiderbecke;
- etc etc.
De cada um escrevia uma mini-biografia (nem sempre "mini"), filmografia, discografia e bibliografia.
O jornal, à época, não possuia todos os recursos atuais da informática, dai porque obter cópias desse material significa garimpar os arquivos em papel do periódico.
A partir de 2008 passei a postar no CJUB e sob o título de "Retratos", biografias com o mesmo enfoque, o que está devidamente armazenado nesse blog:
- Clifford Brown;
- Art Pepper;
- Bill Evans;
- Bud Powell;
- Stan Getz;
- Lee Morgan;
- Hampton Hawes;
- Dexter Gordon;
- Fats Navarro;
- Art Blakey.
Por uma série de razões profissionais, já há algum tempo nada tenho postado e me limito a um ou outro comentário.

figbatera disse...

Caramba,Érico, vc fez um verdadeiro tratado acerca do grande Duke Ellington, sua música, sua orquestra, seus parceiros.
E os longos comentários de outros mestres - com suas respostas - enriquecem, ainda mais, o nosso conhecimento.
Como vc já disse, não dá pra discutir com o prof.John Lester - o cara conhece muito e pega "pesado", né? - portanto, deixomo-lo com suas, às vezes, perturbadoras convicções.
A quantidade e a qualidade do repertório de Duke é algo admirável!

Érico Peixoto disse...

Salve, Érico!

É um prazer recebê-lo em meu blog. Fico feliz com suas palavras, e adianto-lhe que li, embora rapidamente (o tempo nestes dias está deveras curto), alguns de seus ótimos textos. Foi o suficiente para adicioná-lo à lista de favoritos em meu espaço. Preciosas indicações e informações, tudo muito bem emoldurado por sua escrita agradabilíssima. Dedicar-me-ei, assim que possível, a lê-los cuidadosamente. Obrigado pelo comentário e pelos elogios em meu blog. Volte sempre! Um grande abraço do seu xará!

Érico Cordeiro disse...

Caros Apóstolo, Figbatera e Érico (meu xará e companheiro blogsférico),
obrigado pelas palavras gentis. O Duke é o maior de todos os compositores de jazz, além de um tremendo pianista e band-leader. Merece toda a nossa reverência, não é caro Fibatera.
Vou dar uma olhada nas postagens mais antigas do CJUB e me apropriarei (no bom sentido) de suas resenhas, meu caro Apóstolo, para as minhas postagens aqui no JAZZ + BOSSA.
Quanto ao novo companheiro de viagem, Érico Peixoto, seja muito bem vindo. Sinta-se em casa e saiba que o seu blog já está entre os meus favoritos - vou por um link aqui no JAZZ + BOSSA, pois é um belíssimo espaço.
Abraços fraternos a todos.

Walkyria Suleiman disse...

Ah que delícia, um blog que é uma trilha sonora em pessoa!
parabéns

Érico Cordeiro disse...

Cara Walkyria,
Obrigado pela visita e pelas palavras gentis. Que bom que você gostou da casa JAZZ + BOSSA - seja sempre muito bem vinda.
Um afetuoso abraço!

Sergio disse...

Voltando ao Ellington (saindo do tiroteio, o real, à bala, não a discussão saudável que aqui se trava) vou de ctrc, ctrv no Figbatera: "Como vc já disse, não dá pra discutir com o prof. John Lester - o cara conhece muito e pega "pesado", né? - portanto, deixamo-lo com suas, às vezes, perturbadoras convicções."

Mocinhas e rapazes, é por isso que não vejo mal em ser este ignorante que sou. Temo um dia começar a fazer concessões como o sábio Lester e começar a ver chifre em cabeça de cavalo. Isto é, prefiro imaginar unicórnios, manter o meu entusiasmo primal e continuar louvado a obra de caras como Duke Ellington, Bobby Timmons – outro que considero um gênio! E é altamente subestimado. Amando o som do vibrafone, o som das boas orquestras, enfim, convencido de que ruim, mas ruim mesmo, intragável!, é o Kenny G.

Também tenho minhas cismas, por exemplo, meu ouvido não bate, não se adapta à voz de uma quase unanimidade, ms. Nina Simone. Mas sequer ouso dizer que é ela que é fraca. Meus ouvidos é que não estão prontos. Assim, fujo, covardão que sou, das polêmicas. Definitivamente não tenho cacife para me embasar. No caso, de contestar a qualidade da voz de Nina. Mas, que prefiro ouvir até a Nikki (Yanofsky) de 14 aninhos, isso tenho coragem de assumir.
abraços

Érico Cordeiro disse...

É isso aí, mestre Sérgio. Não é porque temos uma incompatibilidade de gênio com algum artista (mesmo incensado como é o caso da Nina Simone) que vamos dizer que a obra dele é ruim.
Existem coisas horrorosas mesmo como esse cidadão por você citado, mas sempre é possível extrair uma ou outra coisa legal de um artista de verdade (ainda que ele não esteja entre os seus favoritos).
Agora, por exemplo, estou ouvindo duas descobertas recentíssimas: o violinista Cristian Howes (herdeiro diretíssimo do Grapelli, em um disco maravilhoso, onde o piano está a cargo do Roger Kellaway) e o gaitista Jan Verway (na melhor tradição de Thielman, mas com estilo próprio).
Abração!!!!

Edinho disse...

Caro Érico ,
Quando me falou que tinha colocado um novo post no blog , ainda disse :
- Espero que esteja do seu agrado ...
Só podia está brincando ,né ?! Duck ?! Sou fã de carteirinha do moço ...assim como da mesma forma , tenho o prazer de poder ler os belíssimos textos sonoros que você escreve.
Sei que você pode me achar um irmão Pedro , aquele que vivia aqui no Rio pedindo tudo para todos, que tal uma postagem sobre a moça Sophisticated Lady Billie ?!
Abraços sonoros,

Sergio disse...

Esse violinista Cristian Howes nunca ouvi falar. O álbum q citas é o "Heartfelt" (allmusic, my friend!)? Se for, tentarei baixá-lo pra apurar a sua dica. Na foto da capa mostra q o cara é um muleque cabeludo. Me amarro em desenterrar a garotada, tanto quanto a velha guarda! Não faço restrições.

Outro discípulo do Grapelli (simpatíssima figura humana / monstro em seu instrumento), que gosto muito, é o Didier Lochwood. O cara é do fusion, não vou te enganar, muito fusion, eu diria. Mas se um dia topar por aí com o álbum "New York Rendez-Vous" pode baixar feliz da vida.

Érico Cordeiro disse...

Caros Edinho e Sérgio.
Lady Day está "na mira" para uma futura postagem - eu sou apaixonado pela sua voz e pelo seu carisma.
Já o violinista é esse mesmo - parece ser beem novinho o rapaz (e o disco é de 2008) - muito bom!!!!
Abração!

Érico Peixoto disse...

Nobre Érico! Isso é o que chamo de um verdadeiro tratado sobre o grande Duke. Texto impecável, meu amigo.

Mudando de assunto, pergunto-lhe: terias alguma pasta virtual, tipo 4Shared ou DivShare, para compartilhamento de arquivos?

Um grande abraço!

Érico Cordeiro disse...

Caro Érico,
Obbrigado pela visita.
Na verdade, essas músicas que eu posto aqui são da minha coleção particular mesmo. Sou meio antiquado em relação a baixar música - gosto mesmo é de manusear o cd, ler a ficha técnica, as linner notes.
Não obstante, uso o Pando (é um programa bem fácil de usar e bastante pequeno) prá mandar arquivos de música e se você quiser posso tentar te enviar alguma coisa. Me informe o seu e-mail e eu faço uma tentativa, ok?
Grande abraço!

Sergio disse...

O, meu caro! Acabo de descobrir que este Christian Howes já é velho conhecido. Ele está no Absolute Quintet o álbum máximo do baterista cubano Dafnis Prieto, postado lá no sônico.Velho conhecido porque usei e abusei de re-ouvir esse álbum. Agora, esse "Heartfelt", e até a curta obra do violinista, é complicada de se achar na Rede. Consegui um Christian Howes com Federico Lechner Pablo Martin no "Jazz On Sale" q já dei uma breve ouvidela, o suficiente para me certificar q o garotão sabe das coisas.

PREDADOR.- disse...

Sr.Cordeiro: Infelizmente não tenho tido, ultimamente, tempo para ler, muito menos literatura noir. Por isso não posso dizer-lhe se gosto, ou melhor, não lí ainda nenhum dos autores citados. Saudações!

pituco disse...

olá, érico,
passo aqui frequentemente, com sede de novas resenhas...rs

mas, relendo essa tua pérola aqui, fica evidente que não há como contestar a obra de mr.duke ellington, não é verdade?...assim, como afirmas no primeiro parágrafo.

aliás,sem polemizar, já polemizando..rs...

o sr.luis nassif, em seu blog, postou uma nota do sr.maurício caleiros,observatório da imprensa(?)...
sr.caleiros afirma ter descoberto o elo-perdido da famigerada batida da bossa nova(violão),que há mais de 50 anos é imputada ao sr.joão gilberto.

garoto(aníbal augusto sardinha)seria o autor ancestral dessa façanha, numa gravação de 1953(trio surdina)de 'o relógio da vovó)...rsrsrs

ouvindo-se esse áudio, e somente esse(diga-se),há semelhanças em algumas poucas passagens...só isso.
daí, atribuir ao músico paulistano a autoria...???sugerindo que joãozinho tenha ouvido essas 'poucas passagens' da música e tenha se inspirado(pode até ser)...mas, e daí?

talvez eu seja iconoclasta, mas há os 'intocáveis'...e joão gilberto,duke ellington e miles davis e pelé são um desses.

e 'chega de...polêmicas'...rs

abraçsonoros
namaste

Érico Cordeiro disse...

Caros Sérgio, Predador e Pituco,
Respondendo ao primeiro, de fato, o rapaz é muito bom e esse disco que possuo é maravilhoso. O pianista, Roger Kellaway, é soberbo - vale a pena conhecer.
Predador, pena que você esteja tão assoberbado (destruir planetas por aí deve ser bem cansativo), mas assim que tiver um tempinho, dá uma procurada nos livros desses esccritores. Eu, particularmente, gosto muito. A Patricia Highsmith é autora de O talentoso Ripley,filmado na década de 50 ou 60, com Alain Delon, e que teve um ótimo remake há alguns anos, com o Matt Damon e o Jude Law - a trilha sonora, calcada no jazz, é ótima.
Pituco, concordo com você. Ouvi uma gravação da Lady Day (acho que na caixa da Verve, com a sua produção completa para aquele selo), onde o violão lembra muito a batida da bossa nova (até me espantei) - e o interessante é que a gravação é do final da década de 40 ou do início da década de 50, o que não desmerece em absoluto a criação do nosso querido João.
Abraços a todos.

PREDADOR.- disse...

O Talentoso Ripley filmado na década de 50, teve o nome em potugues de
"O sol por testemunha"(Purple Noon), com Alain Delon e a bela Marie Leforret. Arranjarei um tempo para ler Patricia Highsmith.

Érico Cordeiro disse...

É isso aí, Mr. Predador.
Não assisti á versão original d'O sol por testemunha, apenas ao remake (O Talentoso Ripley) e gostei bastante.
Um grande abraço!

APÓSTOLO disse...

Prezado ÉRICO:
Caso tenha oportunidade não deixe de ver a versão original ("O Sol por Testemunha"), que além da soberba atuação de Alain Delon, nos permitia apreciar a beleza da então jovem Marie Leforret.
um final absolutamente imperdível, com o iate revelando o cadáver envolto em lona. Coisas de "dublar" mestre Alfred.

Érico Cordeiro disse...

Caro Apóstolo,
Lembro de, na época do glorioso VHS, ter alugado esse filme. Todavia, acabei não assistindo e na era do DVD acho que nunca o vi (ou não prestei atenção) nas locadoras.
Mas a sugestão está anotada!
Grande abraço

Sergio disse...

Meu caro, Érico, resolvi comentar aqui (psssss...) pq ainda não li sua última resenha sobre Jackie Mclean. E lá o papo deve girar em torno dele. Respeitarei isso. É q acabo de fazer uma descoberta intrigante, Sonny Criss. O sax alto mais profuso q já ouvi...

Deixa eu repetir a sentença q não ficou de toda precisa: O sax alto mais profuso em notas e floreios q já ouvi gostando muito em toda a minha vida. Enfim, o q quero te dizer é que já fui capaz de assimilar a lei de "o menos é mais" q, no jazz então, mais ainda tem toda a razão de ser. Daí q queria saber sua opinião sobre esse tagarela q não chega a ser furioso...

Sergio disse...

Ah! emtempo, o q ouvi dele até agora foram ele interpretando cole porter q, confesso, quase foi uma 1ª impressão imprecisa; depois veio o "saturday morning" q me fez pensar em rever os meus conceitos e agora o álbum q me motivou escrever pra vc: "Hampton Hawes Sessions"...

Érico Cordeiro disse...

Caro Sérgio,
Ontem foi um dia muito atribulado e fui dormir muito cedo (pros padrões daqui de casa meia noite é super cedo!!!!). Nem tive coragem de acessar a internet - desabei mesmo.
Por isso só agora li seu comentário.
Gosto muito do Sonny Stitt - grande altoísta, muito fluente e, como você disse, muito "profuso".
Tenho alguns discos dele e te sugiro o "Complete Imperial Sessions", o "This Is Criss" e o "Portrait of Sonny Criss".
Seu fraseado me lembra muito outro Sonny, o Stitt, e ele também era muito competente tanto em um ambiente bopper quanto nas baladas (tem uma versão de God Bless The Child no Portrait que é genial).
Também gosto muito do Hampton Hawes, mas não conheço esse álbum com o Sonny Criss. Por favor, me dê mais detalhes dele - fiquei interessado (a famosa listinha vai acabar viranddo uma lista telefônica), pois os Hampton Howes Sessions que eu tenho (1, 2 e 3) são com o Jim Hall.
Grande abraço, amigãao!!!!!

Sergio disse...

Caro, Érico acabo de ler sua crônica noir sobre Jack Mclean. Como não tinha o álbum em questão - é claro q tá baixando - substituí a trilha sonora pelo, 2º Scott Yanow, o melhor de Sonny Criss "Crisscraft" (tá lá no allmusic), realmente arrasador!

Agora, o q dizer do Hampton Howes Sessions? Como diria um político larápio enganador em campanha "vc me conhece", sabe q não sei, não sou bom nisso, não tenho talento para descrever a boa música - aqui ao menos contrario o larápio. É um discaço, Érico. Então se fosse recomendar uma pequena e escalarecedora e obrigatória discografia de Sonny Criss, recomendaria esses 3 'Crisscraft' em primeiríssimo, 'Hampton Howes Sessions' e 'Saturday Morning' Ainda estão na fila "Go Man!" - ô capinha 8/5 feliniana bacana! e esse q tens q ainda não ouvi "This Is Criss!".

Por hora é isso. Um abraço!

Érico Cordeiro disse...

Tenho esse disco, caro Sérgio, mas confesso que não gosto tanto como os outros que te falei. Tem umas coisas meio souljazz - prefiro o Imperial Sessions e o Portrait, embora a versão de Blues In My Heart seja lindíssima.
Vou dar uma procurada nesse Hampton Hawes Sessions e no Go Man!
Valeu a dica e um abração!!!

Érico Cordeiro disse...

Ps.:
Mr. Sônico, e o que você achou do conto?
Outro abraço!!!!

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