Amigos do jazz + bossa

sexta-feira, 30 de abril de 2010

OS TEMPOS ADORMECIDOS



Imagens pictóricas me devassam as córneas

E o teleférico transparente desaba sobre a saudade

Os reflexos do meu inferno onírico

Dispersam-se por entre o sabor azul que impregna meus dentes

Sentimentos expostos por uma alma encarcerada.

Cercado pelos oceanos invisíveis, sem jangada ou ponte

Tento esganar o pássaro incômodo da verdade

Tento escapar de sua malfazeja atenção

Procuro a escada que me revelará os mistérios andinos

Contesto, em vão, o resultado do sufrágio no firmamento

Mas a culpa, idônea, torna ainda menos palpável a noite abstrata

Excessos ocultos por sinceros disfarces.

Entalhes de pedra fingida,

Calendários de lua sem data,

Conselhos de uma voz alheia à razão.

As camas desfeitas, as malas desfeitas, a cidade sem subterfúgios

Alguém que fica, alguém que espera, alguém covarde demais para fugir

A textura do vazio é um sacramento sem alarde,

Enquanto a minha indecisão obstrui o caminho.

Eu sou obra sem operário, templo sem fiéis

O adjetivo impreciso, o verbo sem tempo.

As minhas pétalas,

As minhas plumas,

As minhas folhas,

A minha pele,

A minha carne

Tombaram há muito aos chãos

Mas nem a metamorfose e nem o outono

Até a mim chegaram


==============================

O incendiário Carmell Jones é nativo de Kansas City e seu estilo vigoroso, impregnado de blues e das concepções rítmicas do grande Count Basie, reflete a cidade onde nasceu. Clifford Brown é, indubitavelmente, a maior influência deste notável trompetista, nascido no dia 19 de julho de 1936, sobre quem a crítica especializada costumava dizer que era capaz de fazer qualquer coisa com seu trompete.

O primeiro contato com a música se deu na escola, além das audições de jazz pelo rádio da família. Contrariando o pai, baterista semi-profissional que gostaria que o filho fosse saxofonista, o jovem Carmell optou pelo trompete. Passou quatro anos na força aérea, onde também se integrou à orquestra da corporação. Ao término do serviço militar, o trompetista decidiu estudar teoria musical e composição.

Freqüentou o bacharelado de música da University of Kansas por dois anos, mas abandonou o curso, desencantado com os métodos antiquados de alguns professores. Mudou-se para Los Angeles em 1960, gravando ali seus primeiros discos como líder, pela Pacific Jazz. Paralelamente, construiu uma sólida reputação como músico de estúdio, realizando trabalhos regulares para o cinema e a televisão, o que lhe permitiu trabalhar com o astro Sammy Davis, Jr. e com o arranjador Nelson Riddle.

Integrou a orquestra de Gerald Wilson, entre 1961 e 1963, e acompanhou os alguns dos maiores nomes do West Coast Jazz, como Harold Land, Shelly Manne, Teddy Edwards, Howard Rumsey, Buddy Collette e Buddy Shank. Também trabalhou com os inclassificáveis Don Ellis, Charles McPherson e Booker Ervin, mas sua associação mais conhecida foi com o pianista Horace Silver, cujo quinteto integrou de 1964 a 1965, tendo participado das gravações do excepcional “Song For My Father”.

Após participar do Stuttgart Jazz Festival, em 1965, resolveu se estabelecer na Alemanha, já que o panorama musical norte-americano era pouco receptivo a músicos de jazz. Ali, integrou a orquestra da Rádio SFB, em Berlin, onde tocou com grandes nomes do jazz europeu, como Heinz von Hermann e Ake Persson, e com jazzistas americanos residentes ou de passagem pela Alemanha, como Herb Geller, Leo Wright, Slide Hampton e Joe Harris .

No Velho Continente, trabalhou com as orquestras de Quincy Jones, Stan Kenton e Oliver Nelson, quando em turnê pela Europa. Em 1980, decidiu retornr à Kansas City natal, onde morreu no dia 02 de junho de 1990, aos 57 anos, em decorrência de complicações causadas pelo diabetes.

Um dos seus mais representativos trabalhos de Jones é “Jay Hawk Talk”, gravado para a Prestige no dia 08 de maio de 1965. A seu lado, um time de peso, que inclui o pianista Barry Harris, o saxofonista Jimmy Heath, o baixista George Tucker e o baterista Roger Humphries – um quinteto bastante coeso e que atua com enorme volúpia.

A ligação de Jones com o hard bop é evidente, mas ele não esconde a afinidade com outros estilos, como o bebop, o soul-jazz e o West Coast. Versões musculosas de “What Is This Thing Called Love” e “Just In Time” são uma amostra dessa versatilidade. O sofisticado Harris contribui para tornar a versão de “Willow Weep For Me”, um nostálgico blues de Ann Ronell, uma das mais elegantes de todos os tempos. Três composições do líder completam o set, com destaque para “Dance Of The Night Child” e “Beepdurple”, nas quais Jimmy Heath mostra porque mereceu o apelido de Little Bird e o líder apresenta solos magistralmente bem construídos.

================================

Ninguém acertou o desafio do 1º ano do Jazz + Bossa. Assim, o desafio continua de pé. Boa sorte aos amigos navegantes!

================================

30 comentários:

pituco disse...

érico san,

tõ curtindo o som bacanudo...sempre antenadaço, signore!!!

e vem acompanhado desse poemaço...os versos finais são bastantes identificáveis...rs...só mesmo a música pra nos religarmos num grau mais elevado, não é isso?

quando ao desafio...hehehe...tô meio calejado nessas plagas virtuo-jazzísticas...aliás,apesar do desencontro inicial,consegui aproximar-me de pessoas matutas e muito sensíveis e me alimentar o espírito nesse blogs bacanudos e seus postadore piramidais...minha eterna gratidão e admiração invariável...

abraçsonoros e saudosos

Érico Cordeiro disse...

Meu caro Pituco San,
O embaixador do Jazz + Bossa nas terras do Oriente!
Seja muito bem-vindo e obrigado pelas palavras gentis. E aí, você que é o emérito vencedor dos virtu-desafios, não vai encarar/ Pô o cd do Philly é bom prá caramba!!!!
Mas esse universo dos blogs de música, especialmente de jazz e música popular brasileira é muito bacana mesmo! Quanta gente legal pudemos conhecer e travar amizades virtuais.
Tomara que um dia a gente possa sentar num barzinho, tomar altos chopps e bater muitos papos (quem sabe até em Tóquio, já pensou?!?!).
Valeu, meu embaixador!

Salsa disse...

Carmell é um nome assim, assim. Carmell, passa pra casa menino! Carmell Jones, preste atenção! Carmell Jones, Carmell Jones, fica atento, moleque! E por aí vai. Traquinas, ele, com o instrumento. Valeu o post.

Érico Cordeiro disse...

Mestre Salsa,
Quase o nome do moleque era Camel, aquela marca de cvigarro (rs, rs, rs).
Mas o distinto manda bem, não é mesmo?

Sergio disse...

Bem, do Carmell... "Carmell, Carmell, Carmel! Vai escovar os dentes, menino!", tenho o Mosaic Select 2, discos 1, 2 e 3 completinho. Tomara que o postado esteja incluído nos quase 40 títulos da seleção. Ouvirei lendo, dentro em em breve.

Érico Cordeiro disse...

Fico no aguardo do seu parecer, Sonic boy. Valeu!

Valéria Martins disse...

Adorei o estilo cru e intenso deste camarada!

Érico, eu preciso de ajuda. Um tradutor que presta serviços através da minha agência está traduzindo um livro sobre Cultura POP e há vários termos musicais em inglês que são técnicos, ele não sabe como traduzir. Tenho um documento em word com a lista de termos e gostaria que um músico desse uma olhada e explicasse o que são. Tens alguém para me indicar?

Meu email é mvalmartins@uol.com.br

Beijo! Obrigada desde já!

Érico Cordeiro disse...

Cara Valéria,
Seja muito bem-vinda. Também concordo com sua opinião, o Carmell tem um estilo bastante cru, mas muito swingante.
Quanto ao seu pedido, não sei se posso ajudar. Vou tentar falar com o André Tandeta, que é músico e mora aí no Rio. Talvez ele possa ajudar ou indicar alguém.
Uma ótima semana e um fraterno abraço!

Valéria Martins disse...

Querido Erico, o André me escreveu e senti firmeza nele... MUITO OBRIGADA!

Conte comigo sempre, para o que precisar.

Beijos, uma ótima semana!

Érico Cordeiro disse...

De nada, minha cara Valéria.
O Tandeta é sócio aqui do barzinho e além de supermúsico é um sujeito muito bacana! Tenho certeza que essa parceria vai dar samba (ou jazz - rs, rs, rs).
Também estou às suas ordens para o que você precisar!
Um fraterno abraço!

Nydia Bonetti disse...

Érico

Estou aqui sem palavras, diante deste poema. Deu pra sentir a textura - sempre áspera - do vazio. Outonos costumam ser doídos - e sempre chegam - pressagiando invernos.

Um dos poemas mais bonitos que li ultimamente. Sem falar da música.

demais... beijo.

Érico Cordeiro disse...

Nydia,
É sempre um enorme prazer abrir a caixa de comentários e encontrá-la aqui no barzinho - suas palavras me emocionam, pois você é uma referência como poeta e como leitora sensível.
Obrigado pela presença e pelas palavras generosas - outonos virão e invernos também, mas também haveremos de chegar às novas primaveras e a outros verões. Como diria aquele antigo compositor baiano: "Existirmos, a que será que se destina?".
Um fraterno abraço!

Paul Brasil (Paul Constantinides) disse...

aqui vai meu pitaco, meu chute no desafio.

Branford Marsalis - Saxophones
Joey Calderazzo - Piano
Eric Revis - Bass
Jeff "Tain" Watts - Drums

abs
paul

HotBeatJazz disse...

Ô¬Ô

Seu Érico, o Carmell é um dos grandes não lembrados, como Dizzy Reece, Charles Tolliver (um monstro), outro Charles, o Sullivan (também impecável), enfim existe uma grande constelação de trompetistas underrated, do qual vc pescou uma das mais brilhantes estrelas.

Abraço irmão

Ô¬Ô

Érico Cordeiro disse...

Grande Paul,
Que seleção, meu caro! É de tirar o fôlego. Infelizmente, nenhum desses grandes músicos faz parte do time que está na faixa do desafio.
Mas não desanime - o cd do Philly vale a pena!
Grande abraço e obrigado pela participação!

Érico Cordeiro disse...

Meu caro Mauro HBJ,
Embora tenha falado de alguns desses grandes trompetistas meio esquecidos (Joe Gordon, Louis Smith, Johnny Coles, o próprio Dizzy Reece que você mencionou, etc.), a lista é enorme.
Resultado: lá vou eu ter que escutar mais uma centena de discos de jazz. Ô sina!!!!!
Breve neste bat-canal mais uma batelada de grandes nomes: Yusef Lateef, Philly Joe Jones, Sir Roland Hanna, Tina Brooks, Randy Weston, Paulo Moura, Wilbur Ware, Walter Davis, Steve Turre (maravilhoso, tenho ouvido direto!!!!) e outros.
Valeu, meu caro!!!!!

Andre Tandeta disse...

Erico,
pelo visto o que vale é a "pontaria".
Mas , como com certos centroavantes, a bola não esta entrando. Acho que estão lendo as capas dos discos erradas.
Abraço.

Érico Cordeiro disse...

É isso aí, Mr. Tandeta,
Mas quem não chuta também não faz gol, não é mesmo? Afinal boppers unidos jamais serão vencidos!
Abração!

José Domingos Raffaelli disse...

Érico e demais amigos correligionários,

Carmell Jones foi descoberto pelo saudoso crítico alemão Joachim Ernst Berendt.

Conheci Berendt no Bottle's do Beco das Garrafas, de saudosa memória. Naquela noite, em companhia dele e Jim Hall (viera ao Rio com Ella Fitzgerald), que apresentou-me a ele, o papo foi longo e repleto de informações preciosas, mas Berendt estava preocupado porque fôra assaltado (em 1960!!!) perdendo
passaporte, dinheiro, anel e objetos pessoais. Imediatamente Jim Hall, que o conhecera na Alemanha, disse que não se preocupasse, entregando-lhe uma polpuda soma em dólares que dava e sobrava para permanecer no Rio por mais uma semana, no mínimo.

Foi suficiente para Berendt emocionar-se a ponto de não conter as lágrimas, enquanto Jim Hall insistia que nada tinha a agradecer, acrescentando: "Esqueceu que se não fosse você eu nunca teria gravado aquele álbum na Alemanha ?"
Um longo e demorado abraço entre eles encerrou aquele assunto.

Ao lado deles, sem falar, também emocionei-me ao ver a reação do saudoso Berendt.
Quando Jim Hall tocou no Free Jazz Festival de 1987 lembrei-lhe do episódio e ele, admirado, disse que não me reconhecera, mas tudo terminou num lauto jantar no restaurante do Hotel Nacional.

Perdoem as reminiscências deste ancião incorrigível,

Keep swinging,

Raffaelli

Érico Cordeiro disse...

Mestre Raffaelli,
Testemunha ocular, audititiva e afetiva de grandes momentos do jazz!
O Berendt é referência para qualquer pessoa que queira entender o jazz - seu livro (cujo título em português é um bizarro "O Jazz: do rag ao rock") é fonte permanente de consulta e uma leitura deliciosa.
Quer dizer que 1960 o nosso querido Rio de Janeiro já era perigoso assim? Parece que as coisas não melhoraram muito desde então (rs, rs, rs). Ainda bem que o Jim Hall, além de ser um músico superior também é um ser humano de enorme generosidade.
Quanto ao Carmell, tenho um álbum duplo com todas as gravações feitas ao lado do Harold Land que também é fantástico.
Um trompetista de primeira linha!
Grande abraço e obrigado por dividir conosco a sua memória prodigiosa e essas deliciosas histórias!

Sergio disse...

Ô, seu Érico, inclua em sua lista meu mais recente amor eterno, Benny Bailey! Aí o sr intervém, “ainda?!” E eu respondo: ”É o mais recente porque vem me surpreendendo, já há uns bons meses - a cada álbum descoberto”... Um baile de Bayley num disco imprescindível em qualquer coleção: Les McCann & Eddie Harris (Swiss Movement) 1969. Ao vivo, com uma platéia em êxtase!

Acabo de ouvi-lo, no meu exercício pedal/bike, vindo de Copa, pela ciclovia – tipo 9 da matina. No ponto em que a rua Francisco Otaviano, muito sombreada e fresquinha pelo horário e estação do ano, descortina a orla de Ipanema e Leblon, q benção seu san! A 1ª imagem é a Pedra da Gávea, em seguida, a medida que se pedala, vai entrando no quadro os Dois Irmãos, debruçado sobre o mar e faz se a luz! Tudo fica divino maravilhoso... Com essa trilha sonora e força das imagens, deixa os ladrões baterem as carteiras deles, uma hora eles caem na Bangu 1 e vão passar a bater é a cabeça uns com os outros! Que cidade, meu amigo! E que som!

Andre Tandeta disse...

Erico,
Nosso amigo Raffaelli como sempre,pra nossa sorte, trazendo suas historias,e que historias!
Mas ,sendo chato assumidamente: continuo pedindo ao Raffaelli que nos brinde com um post ,podem ser historias selecionadas ,pode ser alguma analise /resenha sobre disco ou discos que ele julgue importantes,enfim ,ele escolhe e nos "batemos cabeça".
Abraço

Érico Cordeiro disse...

Caríssimos Sérgio e Tandeta,
Ao primeiro digo que o Swiss Movement, da dupla Les McCann/Eddie Harris é prá lá de bacanudo. Não gosto muito do Second Movement, mas o primeiro, gravado em Montreux é um tijolaço.
Quanto ao pedido, Mestre Tandeta, junto-me ao coro dos que pedem um artigo do nosso querido Mestre Raffaelli - seria uma honra pro barzinho!
De qualquer modo, basta clicar nos linkes ao lado, tanto prá página do Raffaelli quanto prá página da Folha da Estância (onde ele escreve com regularidade), para podermos nos deleitar com seus textos e sua sabedoria - tem um artigo sobre o baixista John Leitham, por exemplo, que é sensacional (comprei dois discos do cara - quando ele ainda era "o" cara - graças às preciosas dicas do mestre).
Grande abraço!!!!

Sergio disse...

Pois é, rapaz, depois q reouvi “Compared To What” (estou apaixonado por esse disco), me lembrei q tens aquela meia cisma com o soul jazz. Confesso q temi por sua opinião... Mas, não gostar desse Swiss Moviment, seria mais q meia cisma, arranharia ali à ferida mais profunda do preconceito - coisa q sei, passas ao largo. Acima de tudo, és um ser liberal.

A coincidência deu-se mais adiante, procurando mais informações sobre Swiss Moviment, dei de cara com o Second Moviment, q é uma seqüência do Swiss, certo, seu san? Bem, já estava baixando, antes de ler sua resposta. Como não tenho pudor algum com a soul (music) relando lasciva com o jazz, acho, acho q o second vai me excitar. Ui!

Érico Cordeiro disse...

Seu San, não sei se sou um liberal (em política certamente não - rs, rs, rs), mas procuro não ter preconceito. O Les McCann é um pianista com muito groove - tem um disco fantástico com o Stanley Turrentine. Mas confesso que o Second Movement não fez a minha cabeça.
Abração!

Sergio disse...

O second é fraquin mesmo, ou melhor, perto do Swiss é só mais um disco de soulfunk com pouquíssimo jazz e inspiração, seu san.

Mudando de assunto e ficano no terrerin dozin: e aí, Vasquin, Fluzin, ou Coringão!? Rs!

Érico Cordeiro disse...

Vasquim 3x 0
Fluzim 3x1
Coringão 5 x 0
Tamo na luta, companheiro (rs, rs, rs)!!!!

José Domingos Raffaelli disse...

Prezado Érico,

Apenas esclarecendo um ponto. Em 1960, quando Joachim Ernst Berendt foi assaltado, ano da triste e catastrófica mudança da capital para Brasília, TODA A POLÍCIA DO RIO TRANSFERIU-SE PARA LÁ, POIS O PRESIDENTE DEU-LHES TODAS VANTAGENS (ASSIM COMO AOS DEMAIS FUNCIONÁRIOS PÚBLICOS) porque ninguém queria deixar o Rio. Assim, sem policiamento em lugar algum, os assaltantes proliferaram como coelhos e ficaram à vontade para roubar e assaltar.


Agora, um pouco de amenidades. Não é como pediu nosso querido Frank Butler aka André Tandeta, mas com declarações de músicos (de jazz ou não) sobre outros. Aí vão:

* Igor Stravinsky sobre Villa-Lobos: “Quando ouço uma música clássica muito ruim que não conheço, tenho certeza que é de autoria de Villa-Lobos”.

* Tommy Dorsey sobre o bebop: “O bebop ocasionou um retrocesso de 20 anos na música americana”.

* O trompetista e cantor Louis Armstrong sobre Dizzy Gillespie: “Ele toca notas demais porque não pode agarrar nenhuma”.

* Charles Mingus sobre o saxofonista Ornette Coleman, um dos arautos do jazz de vanguarda: - “Não entendo como chamam de gênio um saxofonista muito ruim que nem sabe tocar a escala de Dó”.

* Do saxofonista e compositor Ernie Wilkins ao diretor da sua editora musical que elogiava a música de um compositor de rock de 13 anos, dizendo ser inacreditável que um jovem de sua idade fizesse uma canção tão boa:
- “É realmente inacreditável, pensei que fosse a música de um jovem de 4 anos”.

* Do trompetista Art Farmer sobre o jazz de vanguarda ou free jazz: - “Só sinto-me confortável tocando sobre uma harmonia rica, uma música construtiva que é a antítese do rumo que tomam os anárquicos protagonistas do que chamam jazz de vanguarda”.

* Do saxofonista Eddie Davis sobre o também saxofonista Albert Ayler: - “Quando leio uma crítica sobre Albert Ayler, isso me garante que nada tenho a ver com ele”.

* Do trompetista Buck Clayton sobre o jazz: - “A qualidade da música pode-se julgar com o tempo e a boa música é atemporal. Se é boa agora, será boa dentro de 20, 30 ou 40 anos”.

* Do saxofonista Jimmy Heath sobre o jazz de vanguarda: - “A maioria do jazz de vanguarda é áspera, frenética e violenta, não pode ser aceita do ponto de vista musical”.

* Do cantor Babs Gonzales sobre cantores de jazz: - “Os únicos cantores de jazz que ouvi em minha vida são Ella Fitzgerald, Carmen McRae, Annie Ross e eu. Chris Connor e June Christy imitam Anita O’Day, mas nunca deram-se conta como Anita desafina. Até hoje não ouvi Chris Connor cantar afinada”.

* Do pianista Lennie Tristano sobre o conjunto Modern Jazz Quartet: - “O Modern Jazz Quartet é um conjunto comercial e o vibrafonista Milt Jackson está perdido nele”.

* Lennie Tristano sobre Miles Davis: - “Miles Davis não sabe o que quer, vive mudando de estilo mas ainda não me convenceu em nenhum deles”,

Keep swinging e bom fim de semana,
Raffaelli

Érico Cordeiro disse...

Mestre Raffaelli,
Isso mostra que além de grandes músicos, os jazzistas também têm uma língua prá lá de afiada (e o Stravinsky, hein? Que maldade com o nosso Villa).
Quanto ao post pedido pelo Tandeta e por 11 entre 10 amigos do barzinho, estou esperando, viu?
Abraços fraternos.

Ianê Mello disse...

Oi Érico, fiquei feliz em vê-lo em meu face. Fique a vontade para divulgar suas postagens lá. Tomei a liberdade de postar um poema seu do qual gosto muito.

Bjs.

Google Analytics