Amigos do jazz + bossa

domingo, 4 de abril de 2010

O “MR. T” ORIGINAL


O cabelo moicano, a cara de poucos amigos, a disposição de resolver nos punhos qualquer parada e a proeza de ter sido o único boxeador da história a nocautear Rocky Balboa fizeram do ator Laurence Tureaud, o popular Mr. T, um ícone dos anos 80. A fama foi guindada a proporções estratosféricas quando o ator estrelou, ao lado de George Peppard, o seriado Esquadrão Classe A (onde fazia o Sargento B. A.), produzido pela NBC entre 1983 e 1987 e exibido ad nauseum pelo SBT. Todavia, o apelido não é nem um pouco original. A rigor, o primeiro Mr. T é um talentoso saxofonista (fontes muito bem informadas contam que o ator ganhou, no braço, o direito de usar o apelido), que também se orgulhava de ser chamado de “Sugar Man”.

Stanley Turrentine – esse sim, o Mr. T original – nasceu no dia 05 de abril de 1934, em Pittsburgh. O gene musical integrava o DNA da família já de há muito. Seu pai, Thomas Turrentine, tocava saxofone na orquestra de Al Cooper e sua mãe era professora de piano. O irmão mais velho, Tommy Turrentine, também se tornaria um requisitado músico, tendo optado pelo trompete e acompanhado, entre outros, Benny Carter, Earl Bostic, Charles Mingus, Billy Eckstine, Dizzy Gillespie, Count Basie, Sonny Clark e Lou Donaldson.

Aos 11 anos, incentivado pelo pai, Stanley começou os estudos musicais e suas primeiras influências foram Don Byas, Ben Webster e Illinois Jacquet (que chegou a conhecer pessoalmente, aos 12 anos, e que lhe incentivou a perseverar nos estudos musicais). Sua primeira experiência profissional, no início dos anos 50, foi na banda do guitarrista Lowell Fulson, onde também tocava um certo pianista cego, que entraria para a história do jazz, do blues, do R&B, do soul, do pop, do country, do... bem, deixa prá lá. Enfim, o nome do sujeito era Ray Charles! Os dois ficaram amigos e Turrentine costumava fazer a transcrição, para partitura, das composições de Charles.

Após sua saída da banda de Fulson, Stanley estudou algum tempo com Carl Arter. Em 1953, mudou-se para Cleveland, onde tocou com o pianista Tadd Dameron. Em seguida, integrou a orquestra de Earl Bostic, substituindo ninguém menos que John Coltrane. Ali permaneceu até sua convocação para o exército, tendo servido entre 1956 e 1958. Na corporação, integrava uma orquestra que ficou conhecida como “The Uncle Sam's All Stars”.

De volta à vida civil, o saxofonista estabeleceu-se em Filadélfia e foi convidado por Max Roach a juntar-se à sua banda, em março de 1959, permanecendo ali por mais de um ano e chamando a atenção do mundo do jazz para o seu sopro musculoso e cheio de groove, profundamente arraigado no blues. Turrentine também participou das gravações do elogiado álbum “Abbey Is Blue” (Riverside, 1959), da cantora Abbey Lincoln, então casada com Roach.

Nessa época, conheceu a organista Shirley Scott, com quem se casaria em agosto de 1960. A sociedade conjugal também renderia uma prolífica parceria musical, com diversos discos lançados pela Blue Note. Turrentine chegou à gravadora por intermédio de Lou Donaldson e ali permaneceria até o final dos anos 60, com um pequeno intervalo em 1966, quando lançou o álbum “Let It Go”, pela Impulse.

Além de diversos álbuns como líder, o saxofonista, que se tornaria um dos mais bem-sucedidos artistas do catálogo da Blue Note, atuaria em dezenas de sessões, acompanhando gente da estatura de Horace Parlan, Dizzy Reece, Art Taylor, Ike Quebec, Jimmy Smith, Duke Jordan, Donald Byrd, Horace Silver, Duke Pearson, Kenny Burrell, Thad Jones, McCoy Tyner e muitos outros.

O primeiro disco de Turrentine para a Blue Note, como líder, foi gravado em 18 de junho de 1960, nos estúdios Van Gelder, em Englewood Cliffs. Para acompanhar o saxofonista, foram recrutados o pianista Horace Parlan, velho amigo de Turrentine desde os tempos de escola, em Pittsburgh, o baixista George Tucker, precocemente falecido em 1965, com apenas 38 anos, e o baterista Al Harewood, cuja quilométrica folha de serviços inclui atuações ao lado de Art Farmer, Dexter Gordon, Gigi Gryce, Benny Golson, Yusef Lateef, Grant Green, Curtis Fuller, Lou Donaldson e outros.

O tema que dá nome ao álbum é um blues acelerado, e abre os trabalhos de maneira bastante animada, evidenciando o alto grau de entrosamento do quarteto. “Journey Into Melody” é uma balada altamente sentimental, composta pelo inglês Robert Farnon e marcou a juventude do saxofonista, pois era o tema de abertura de um dos seus programas de rádio favoritos, em Pittsburgh. Turrentine é um mestre nesse tipo de interpretação, com seu sopro adocicado e envolvente. A atmosfera romântica é reforçada pelo piano econômico de Parlan.

“Return Engagement” é um título bastante apropriado para celebrar a volta ao clima festivo. Composto por Parlan, que dá uma aula de swing em seu solo, o tema é um bebop leve, sem grandes elucubrações harmônicas e altamente assobiável. Extraordinárias atuações de Harewood e de Turrentine, ambos exibindo uma elevada capacidade de improvisação.

Composta por Stanley em homenagem à filha, “Little Sheri” é um blues em andamento mais rápido que o usual, mas bastante sincopado, e o solo do líder é vigoroso, áspero e groovy até não mais poder. Parlan usa sua técnica refinada, com um toque quase metálico, para dar profundidade ao tema, enquanto a cozinha Tucker-Harewood marcha em uníssono, de maneira equilibrada e quase solene.

Uma das mais conhecidas composições de Clifford Brown, “Tiny Capers” ganha um arranjo alegre e relaxado, com destaque absoluto para os solos de Turrentine, sempre muito fluentes e criativos. Em outra investida do líder pela seara do blues, “Minor Chant” tem como pontos altos uma elevada dose de swing, uma linha de baixo inspirada e uma discreta sensualidade.

“Tin Tin Deo”, de Chano Pozo, é, talvez, o tema mais conhecido e gravado do jazz latino. A competência do quarteto, em especial de Parlan e Turrentine, injeta sangue novo e imprime ao tema uma vitalidade surpreendente, tirando qualquer ranço de obviedade que pudesse contaminá-lo. Os solos do saxofonista são fabulosos e altamente desafiadores.

Outro tema bastante conhecido, “Yesterdays”(de Jerome Kern e Otto Harbach) recebe um arranjo calcado no blues, que a rejuvenesce e a torna bastante estimulante. O piano de Parlan e o baixo de Tucker realçam as características dramáticas da composição, enquanto as intervenções de Turrentine e Harewood são ensolaradas, fazendo uma espécie de contraponto sonoro entre sombra e luz. Um take alternativo de “Little Sheri” completa o set deste disco obrigatório, considerado pela crítica especializada como uma verdadeira obra-prima.

A partir de meados dos anos 60, sua produção foi, maciçamente, direcionada ao chamado soul-jazz. Álbuns como “Hustlin’”, “Rough 'N' Tumble” (que trazia covers de composições de Ray Charles, Burt Bacharach e Sam Cooke), “Common Touch” e “The Look Of Love” (com direito a “Here, There And Everywhere”, dos Fab Four) alcançaram ótimas posições nas paradas de R&B e asseguravam a Turrentine uma posição de destaque no cast da Blue Note.

O sucesso comercial encaminhou-o para o selo CTI, de Creed Taylor, por onde lançou alguns álbuns que ultrapassaram a casa do milhão de cópias vendidas. “Sugar”, de 1970 (que contava com um elenco estelar, incluindo, entre outros, George Benson, Freddie Hubbard Ron Carter, Airto Moreira, Hubert Laws e Billy Cobham), permaneceu nas paradas de sucesso por vários meses e rendeu a Turrentine, além do ódio dos puristas, alguns milhões de dólares no bolso. Além das excelentes vendagens de seus discos, o saxofonista era uma das principais atrações da “CTI All Stars”, banda formada por músicos da gravadora e que fazia turnês regularmente.

Separado de Shirley Scott no início da década de 70, Turrentine, apesar do sucesso comercial, não se negava a acompanhar gente como Milt Jackson, Bob James, Richard Tee, Idris Muhammad, Eric Gale, Cedar Walton, David “Fathead” Newman, Billy Taylor e Ahmad Jamal, velho amigo dos tempos de Pittsburgh e que foi aluno da mãe de Stanley, na cidade natal de ambos.

Também acumulou diversas indicações ao prêmio Grammy e continuou a vender discos em profusão, como o badalado “Don't Mess With Mr. T”, de 1973, também lançado pela CTI. Na Fantasy, para onde foi em meados dos anos 70, repetiu o sucesso comercial, mantendo a velha estratégia de interpretar músicas de astros pop, como Michel Legrand, Stevie Wonder, Laura Nyro, Bob Dylan e Marvin Gaye, com arranjos espertos, a cargo de Gene Page ou de Wade Marcus.

Com as mudanças do mercado fonográfico e a perda de apelo comercial do soul-jazz, Turrentine gravou de forma bastante esporádica nos anos 80. Manteve-se ativo, contudo, na rotina de apresentações em pequenos clubes e festivais de jazz. A partir dos anos 80, Turrentine abandonou a linha fusion, passando a se dedicar ao chamado smooth jazz, lançando álbuns por selos como Prestige, Concord e Elektra.

De qualquer modo, mesmo em contextos mais comerciais, o saxofonista manteve intacta a sua personalíssima identidade musical e o seu fraseado flexível e doce. Além disso, sempre foi considerado um excepcional acompanhante de vocalistas. Astrud Gilberto, Dianne Reeves, Diana Krall, Lou Rawls, Marlene Shaw e Oscar Brown Jr., por exemplo, foram alguns dos que tiveram a honra de vê-lo tocar em seus discos.

Em 1984 retornou à Blue Note, tendo gravado alguns discos, ao lado de velhos conhecidos como Jimmy Smith e George Benson, mas sem o mesmo impacto comercial de outrora. Talvez o seu melhor momento nessa década tenha sido o álbum “The Gene Harris Trio Plus One” (lançado em 1985 pela Concord), sob a liderança do pianista Gene Harris e que contava com a excelsa participação de Ray Brown no baixo e Mickey Roker na bateria.

Os anos 90 foram um pouco melhores, do ponto de vista da produção essencialmente jazzística, destacando-se os álbuns “More Than A Mood” (Musicmasters, 1992), onde toca com feras como Freddie Hubbard, Cedar Walton, Ron Carter e Billy Higgins, e “If I Could” (também da Musicmasters, de 1993), onde atua ao lado de Hubert Laws, Roland Hanna, Ron Carter e Grady Tate, com arranjos de Don Sebesky.

Ele então já havia se mudado, juntamente com a esposa Judith, para a cidade de Fort Washington, no estado de Maryland, e tocava com freqüência em clubes de Washington D. C., especialmente no Blues Alley. Para tristeza dos fãs do jazz, Turrentine faleceu no dia 12 de setembro de 2000, após sofrer um AVC devastador, em Nova Iorque. Seu corpo foi enterrado no Pittsburgh's Allegheny Cemetery, em sua cidade natal.

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34 comentários:

APÓSTOLO disse...

Estimado ÉRICO:

Laudatória e muito bem estruturada sua resenha, para um músico extraordinário, ainda que não tão incensado quanto tantos outros.
É um discipulo direto e fiel, como você tão bem assinala em seu texto, de Don Byas e Illinois Jacquet.
Os solos em "Minor Chant", de Turrentine e de Horace Parlan (com direito a belas citações, "Laura" incluida) são primores.
Lembrar que Parlan é um "mago", que consegue superar seus obstáculos físicos com uma elegância ímpar. "Vê-lo" tocar piano é um exercício de pura admiração, pelo que encerra de "além dos limites".
Mais uma vez e como sempre, parabéns e grato pela qualidade ! ! !

Érico Cordeiro disse...

Mestre Apóstolo,
Obrigado pelas palavras sempre generosas. O Turrentine foi um dos primeiros músicos de jazz que ouvi, embora fosse aquela fase da CTI, meio fusion, e que hoje não faz mais a minha cabeça.
Depois descobri a fase da Blue Note, que é sensacional - tenho vários discos e gosto bastante.
Neste exato momento, ouço-o a bordo do Gene Harris Trio, no ótimo “The Gene Harris Trio Plus One”, lançado pela Concord.
Quanto ao Parlan, sua técnica é absurda! Grande pianista!!
Um fraterno abraço!

Andre Tandeta disse...

Erico,
Stanley Turrentine é ,com toda a certeza,um dos mais importantes saxofonistas tenor da historia do jazz. E na CTI ele gravou dois discos que eu considero muito bons:
"Cherry" em sessão co-liderada por Milt Jackson e "Sugar" com participações de Freddie Hubbard e George Benson. Apesar do uso de piano eletrico Fender Rhodes,alias com um bonito som, não se tratam de forma alguma de discos de fusion e valem muito a pena serem ouvidos pelos apreciadores de Stanley Turrentine.
Abraço

Érico Cordeiro disse...

Grande Tandeta,
Da mesma forma que aconteceu com o Red Clay (que tinha em vinil, e que por conta dos seus esclarecimentos - e pandiamentos - acabei por adquirir também em cd), acho que darei uma reouvida no Sugar, LP que também não substituí pelo formato digital.
De qualquer forma, o cara era um baita saxofonista, sobretudo nas baladas, capaz de fazer as pedras de cantaria da minha querida São Luís chorarem de emoção!
Valeu, mestre das baquetas, escovas, pratos e adjacências.

José Domingos Raffaelli disse...

Èrico,

Stanley Turrentine foi um saxofonistas que tinha seu próprio som. Sempre apreciei suas improvisações livres de clichés, desinibidas a ponto de explorar sua sonoridade única, que alguns músicos chamavam de muscular (uma descrição apropriada). Num papo com o baterista Dave Bailey, ele referiu-se ao som másculo de Stanley com uma frase singular: "This guy has balls".

Estava em New York na noite em que Stanley Turrentine morreu. Na verdade, fôra ao Blue Note para ouví-lo com seu quarteto, mas lá chegando soube do seu passamento. Ao dar meia volta para retornar à Times Square o manager disse-me que para o lugar dele chamaram outra atração que seria uma grande surpresa. Por isso não cobrariam couvert. Sentei numa mesa e esperei pacientemente com outras pessoas que iam chegando. Após mais de uma hora, anunciaram a "grande supresa". Para espanto meu, foi nada mais, manda menos que Léo Gandelman. Confesso que, após duas músicas, eu e outros debandamos.

Nada tenho contra Léo, mas, para quem foi ouvir Stanley Turrentine, aturar sua música era o mesmo que ser forçado a tomar um purgante.

Keep swinging,

Raffaelli

HotBeatJazz disse...

Ô¬Ô

Caro Érico,

este é realmente o Mr. T
além de todas as qualidades já mencionadas pelos frequentadores do barzinho, a prova maior é que, ouvir o timbre e as frases de Stanley, dá um Tesão danado, isto é ser de fato, Mr. T

abração

Ô¬Ô

Érico Cordeiro disse...

Caros Mestres Raffaelli e Mauro,
Sejam muito bem vindos!
Uma perda lamentável, ainda mais porque o Stanley estava com apenas 66 anos - Sonny Rollins, Benny Golson, Jimmy Heath estão beirando os oitenta e continuam firmes e fortes, sem falar no nonagenário Hank Jones - e poderia seguir nos encantando por muitos e muitos anos.
Mas realmente deve ser frustrante, sair de casa para ver um grande astro do jazz e, não apenas saber de sua morte, mas ter que ouvir um outro músico (o competentíssimo Léo Gandelman, de quem tenho vários discos e de quem gosto demais) cujo estilo e repertório são completamente diversos.
Realmente, algo meio anticlimático.
E já que você tocou no assunto, Mr. Mauro, nada melhor que um bom vinho, a companhia da amada, as luzes meio apagadas, o Blue Hour rolando na vitrola e o quarteto fantástico Guilherme, Davi, Bia e Lucas dormindo (rs, rs, rs). Aí eu vou prá galera!!!!!
Abração!!!

Sergio disse...

Rs... Aí eu vou pra galera é ótimo!

O Léo é gente boa, o conheci pessoalmente. Mr Figbatera andou citando uma amizade feita no Rio, com o baterista Otávio Garcia, gente boníssima, e este tinha um estúdio no bairro Jardim Botânico, onde toda essa galera, numa fase feliz para a música instrumental (80’s), se encontrava e ensaiava. Léo Gandelman é gente boníssima, trocamos altos papos! Acompanhando bons músicos brasileiros, manda muito bem... Tive até um disco dele. Mas... em solo... dá mais pra mim não. Aconteceu o mesmo com o David Sanborn – tive um disco dele tbm, dos melhores. Mas depois não deu mais não. Já o Turrentine... Em compensação!... Seu Érico acaba de salvar-lhe a pele com o bom Look Out!. O que eu conhecia de Stanley antes, de Look Out! estava muito à Gandelman, Sanborn e Spiro Gira.

Seu Érico, dessa fase de freqüentar o estúdio de Otávio Garcia e conhecer alguns muitos músicos, tenho boas histórias! Uma com o Melô – aquele Luis Melodia à Tim Maia, dos áureos tempos, sabe? Q é de la melhor qualitê. Um dia desinibo-me (até parece...) e conto ela aqui nas internas. Não é nada que desabone não. Só aquelas lendas que a gente só acredita vendo – de olhos bem abertos e esfregados!

HotBeatJazz disse...

Ô¬Ô

Ah Seu Sérgio,

agora conta vai! Sabe q este barzinho virtual aqui é tal e qual beira de fogueira na roça, cada um se aproxega conta um causo mais cabeludo que o anterior.

Fasfavô, conta o causo aí

Ô¬Ô

Érico Cordeiro disse...

Grandes Mr. Seu San e Mauro,
Assino embaixo do que disse nosso querido Hot Beat Man, o Museólogo do jazz. Cê não é baú, portanto, desembucha (não precisa dizer nomes, basta dizer "um conhecido astro da MPB..." - rs, rs, rs).
Quanto ao Turrentine, sugiro os álbuns da Blue Note, pelo menos até 1965/1966, especialmente esse Look Out! e o Blue Hor (tem também um com o Les Mcann, no piano acústico, que é muito bom, That's Where It's At, em que o velho Mr. T está endiabrado).
Vale a pena dar uma garimpada nesses três. Quanto ao David Sanborn, não espalha não, mas eu tenho dois disquinhos dele (hoje acho meio ansim, ansim, mas já tiveram seus tempos de glória no meu player, há uns bons 20 anos).
Abração e... CONTA, CONTA, CONTA, CONTA!!!!!!

HotBeatJazz disse...

Ô¬Ô

eqto Seu Sérgio não senta o dedo na estória, deixo eu um causo que me veio a mente lendo o meu epíteto: Museólogo.

estavam em uma sala de estar duas comadres, conversando, eqto na saleta ao lado, Fulano, o marido da anfitriã classificava selos em seu álbum. A certa altura a comadre visitante se queixa a anfitriã: "O compadre agora tá um chato, não quer mais sair de casa, não tem ânimo pra nada, não sei mais o q fazer! A outra diz: Ah comadre, aqui em casa é a mesma coisa, e o pior é que o Fulano, ainda por cima é sifilítico! Ao que Fulano berra da saleta ao lado: Filatélico mulher! Filatélico!!!!!

É isso, uma estorieta eqto o Seu Sérgio esquenta os dedos!

Abraços

Ô¬Ô

Sergio disse...

Bem, terá q ir em 2 capítulos pq o causo teve desdobramentos!

Vamos lá: Quem leu o meu pequeno curriculum da vitae pregressa (e/ou folha corrida) no sônico viu q trabalhei em tv praticamente a vida toda começando pela contra-regra - depois virei cinegrafista e, como os PMs viram leões de chácara, fiz muito bico filmando casamento, batizado e quiçá funerais caso me contratassem. Contrataram-me para filmar o casório do Toni Costa, guitarrista do Caê, por intermédio desse estúdio do Otávio e das amizades interligadas... E lá fui eu filmar o casamento do guitarrista de Caê e trabalhar pra caramba pq eu não sabia que, em casamento onde se convida o Mano, vai Gil, vai Milton, vai Paula Lavine, e o povo global pq Lavine era ainda aquela tímida candidata a atriz na Vênus P... Enfim, vai a Tchurma toda – até a Preta devia estar lá, mas naquela época Preta era menos que um ponto, muito longe de se tornar o asterisco ensaboado que se tornou hoje. Anfã, uma hora que tive que tomar um ar pq não parava de chegar famoso e eu tinha que registrar cada um deles. Foi quando me pára num táxi na porta da Casa alugada para a recepção e me chega um neguinho todo suado, mal ajambrado e... vcs não tão entendendo, eu não dou a mínima pra isso de moda, o que é linho e o que é xitão, mas aquele que saíra do táxi era um mendigo! E o mindingo discute nervosamente com o taxista e pede por favor para deixar ele ir até ali (a casa de festas) que ele resolveria a situação. E eu, atento na observação só pensando: “Eu conheço esse mindigo...” Como, não havia ninguém na porta eu mesmo abri para o maltrapilho entrar e ele entrou desabalado pra dentro da festa e voltou com o pai do noivo, gesticulando – ligadaço -, e o pai do noivo, calmamente chamou o taxista até perto do portão, tirou do bolso um maço de notas e pagou a conta do táxi. O pai do noivo era um gentleman, nem se importou em ser abraçado e beijado pelo mendigo – que depois de saldar a Alah - dono da festa -, virado pra Meca – o garçom, correu pro bar. Adivinha quem era o mendigo... A segunda parte é quando o cinegrafista da festa, o assistente/iluminador e o andrajoso, saímos para esticar na night...

Celijon Ramos disse...

Estou atrasado há dias no cartão de ponto do nosso bar favorito . Abraços para todos do virtubar, e,em especial, ao Apóstolo,que maravilha de pessoa!
Compadre, beleza de resenha e, como muito já se disse por aqui, só gostaria de dizer que gosto de todas essas fazes porque sempre encontro a forma jazz. Mas respeito opiniões.
Abraços!

Celijon Ramos disse...

Digo: fases, ora bolas!

Érico Cordeiro disse...

Caros Mauro, Sérgio "Tarantino" e Celijon,
Sejam muito bem-vindos.
Ao primeiro, digo logo que Filatélico é um nome muito bacana para um eventual afilhado! Piramidal!
Ao segundo, em que pese a ótima estória, acho que você está escondendo o jogo - afinal, essa "saída" depois do casamento é que deve ter sido o bicho! Conts sí, vai!!!
Compadre, estava pensando que voc~e tinha ficado de mal comigo! O barzinho não é o mesmo sem sua excelsa presença!
Grande abraço aos três - obeliscal e piramidalmente falando!!!!

Sergio disse...

Claro q conto! Eu estava tão a fim de contar que esqueci até de dizer q a história do sifilítico tbm foi ótima! Mas ficou impossível não contar depois que o coro se fez com Mauro e sua excelsa figura, seu San. O problema é que tudo d’uma vez o texto fica longo. É o tal do timing. Tem que ter.

Bem, indo por partes deixemos claro que o mendigo não saldou coisa nenhuma naquela noite, muito ao contrário! Então troquemos saLdar pela saUdação, na parte em que o malafortunado agradecia Alah virado para Meca, o garçom. ... E pelo “xitão”, se vê o quanto entendo do mundo fashion...

Eu disse pro meu iluminador q o segredo era segurar o pau o mais alto que ele pudesse. Até o cara entender o que era o pau (de luz), todo leitor já entendeu que o meu iluminador nunca havia sido apresentado para a sua ferramenta de trabalho, certo? O meu iluminador chamava-se Bola. E veja que coincidência: um câmera, um Bola + um mendigo, dentro de um carro numa tremenda água, sem lei seca, é pânico na tv legal. Vou encurtar q vcs demoraram muito pra pedir p’reu contar o resto. Eu, o mindingo e o bola saímos pra night, fechamos todos os butiquins que encontramos e cada vez, meu amigo bola ficava mais intimo do cara que afinal de contas não era mendigo coisa nenhuma, era um dos grandes da música popular brasileira e só estava numa fase meio ruim... Então, o Bola, já muito íntimo até demais, enquanto íamos em busca do último butiquim daquela madrugada iluminada pelo sol já, bateu nas costas do convidado e mandou na lata, Pô, Melô, tu pode até não acreditar, achar que estou puxando o seu saco, mas eu tenho todos os seus discos, cara, sério! Tu já foi bom pra cacete! Mas agora tu tá caidaça!

Bem amigos do Buteco virtual do JB, quando estacionamos o pobre Melodia estava tão deprimido, tão reduzido, a pó... E sumiu de perto da gente tão imediatamente - como aquela expressão “se enfiou no ralo” – que me fez acreditar que a voz do Bola ecoou na cabeça dele, até o nosso Ébano ficar limpo e voltar a ser o Luis Melodia que a gente conheceu e aprendeu a admirar. Ou seja, na minha talvez ingênua teoria, o Bola ajudou a salvar a vida de Melô. Era isso.

Érico Cordeiro disse...

Mestre san, o Sérgio,
Como diria o Mr. Lester, o nosso Grilo Falante e Pensante, "às vezes a perspectiva da infâmia restitui a dignidade roubada por uma sucessão de madrugadas etílicas".
Pô, ficou bonito prá caramba - parece coisa de filósofo francês!! Baixou um Bernar Henri-Levi, Seu San!!!
Vamos lá, repitamos novamente, outra vez: "às vezes a perspectiva da infâmia restitui a dignidade roubada por uma sucessão de madrugadas etílicas". Explicando a idéia: às vezes, chamar o cara na razão e dizer-lhe umas verdades às quatro da manhã dá mais resultado do que pedir um autógrafo!
E viva o Bola, o homem que resgatou a dignidade do nosso Negro gato!!!!!
Abraços fraternos e ebanísticos, Mr. Seu Sérgio!

HotBeatJazz disse...

Ô¬Ô

Piramidal o causo!

se o blog fosse fechado, só pra sócios, eu emendava uma do mendigo e de meu amigo Barrosinho, acontecido nas alturas de Santa Teresa, no auge da fama da Banda Black Rio, mas essa só pode ser contada em barzinho só de sócios, assim de portas abertas fica impossível. Fica então lançada a idéia de fazer-mos um clube de causos, controle de entrada e ccarteirinha!! kkkkkkk

Foi piramidal, repito, Seu Sérgio

Abraços

Ô¬Ô

Érico Cordeiro disse...

Ô Seu Mauro,
Que que é isso? Ah não. Ajoelhou, tem que contar!
Se for proibida para menores, manda pro meu e-mail - "dirrepents" vira até mote pruma postagem (rs, rs, rs).
Mas a idéia do clube dos causos é legal - tô dentro!
Abração!!!!

Sergio disse...

Causos são uma dilícia, tanto de ler quanto de contar. Dou a maior força pro blog da vida privada (dos outros, com todo respeito, claro). O problema é ele ter q ser fechado - não sendo histórias que desabonem os personagens, q mal há?

Tenho uma do Arnaldo Jabor que está na ponta dos dedos. Acho que é a melhor e a mais engraçada história que já ouvi na vida! Estou esperando ansiosamente ele lançar o filme dele pra contá-la no sônico. E, amigos, podem elevar as expectativas ao máximo. O causo já foi "testado" em centenas de mesas de bar e nunca falhou. Mas, como disse, essa eu só conto quando o jornalista voltar a ser cineasta, senão perde parte da graça.

Mauro, se se animar a passar o causo do Barrosinho por emeio, pandeia ele pro meu yahoo tbm...

Érico Cordeiro disse...

Ah, péra lá, Mr. Seu San!
Como diria aquele antigo presidente, de triste memória: "Assim não dá, assim não pode!!!!"
Qualé de mesmo?
Será que o Garimpeiro e o Museólogo estão mancomunados para instigar a curiosidade dos freqüentadores do barzinho?
Será que foram vítimas da síndrome do baú lacrado?
Não percam os próximos capítulos da emocionante série "Histórias das vidas privadas"...
CONTA, CONTA, CONTA, PANDEIA, PANDEIA, PANDEIA, E-MEIA, E-MEIA, E-MEIA...

John Lester disse...

Um dos melhores representantes do soul jazz, estilo sedutor que, por vezes, nos surpreende em termos técnicos. Beleza pura!

Grande abraço, JL.

Érico Cordeiro disse...

Meu caro John Lester,
Seja muito-bem vindo ao barzinho.
Suas palavras são sempre certeiras como a lança de São Jorge e vão ao âmago da questão.
Sedutor é, certamente, o adjetivo mais adequado para definir o estilo do Mr. T.
Grande abraço!!!
PS.: Não gostaria de me intrometer nos assuntos corporativos do conglomerado Jazzseen Inc., mas não seria possível abrandar os leoninos termos contratuais que amarram o bom Roberto Scardua, liberando-o para participar das reuniões do barzinho?
Leve o assunto à assembléia de acionistas e, por favor, interceda por esta casa que, ao fim e ao cabo, tem a modesta pretensão de ser uma humilde extensão da Casa Grande Jazzseen (diria, quem sabe, um pequeno puxadinho, nos fundos da suntuosa residência oficial do Inspetor Geral dos Portos da Barra do Jucu e sede maviosa do heróico movimento de resistência Congo Zero).

HotBeatJazz disse...

Ô¬Ô

Seus Sérgio e Érico,

no baerto não dá mesmo, pois apesar d e meu amigão Barrosinho já ter feito seu passamento, seu, no caso, o dele, o mindingu ainda tá na área, e o caso pode dar até processo criminal, então será só nas internas mesmo. Fim de semana com tempo e inspiração narrativa, pandearei, emearei, espalharei, e desembucharei. rsss

Abraços às comadres

Ô¬Ô

Sergio disse...

Pois é, seu san (e Mauro), no caso do Melô, optei pelos comentários pq, embora não denigra, edificante a história tbm não é. Mas a do Jabor, dá pra contar na 1ª página do blog na boa. O cara se sai ótimo na fita! Sem contar q o Arnaldo, embora não seja nem conhecido meu, eu tenho por ele a maior admiração! Tanto pelo cinema que faz/fez, quanto por tudo que diz e escreve. Jamais a escreveria, não fosse ela inofensiva e só muito engraçada. Quando disse “testada”, esqueci de contar que mandei a mesma, por intermédio de uma antiga cliente (podem conferir a procedência), gerente de programação do GNT, Beth Ritto para ela entregar em mãos ao Jabor, se ele negasse a veracidade do causo, não a publicaria numa espécie de fanzine (de um nº só) q distribui em 2001. Nome do fanzine “Folha Bohemia” – q, entre outros assuntos prementes e palpitantes, contava uma série de causos de butiquim... Seu san, acho q vou te mandar uma cópia do número único no pacote de dvds... Assim aplacas a curiosidade. Não ria (antes do furo) pq dessa chegará.

Mas mantenho o prazo, pq quero (tentar) que muita gente tenha acesso. E nada como na época do lançamento do filme, para ser contada no sônico. Parece q Jabor prometeu o filme para o fim do ano, então, do jeito q os anos tem passado às 'carreirinha' não demora muito a postagem estará lá na casa sônica.

Permitam-me fazer meu teaser: a história toda se passa numa ilha de edição. Por ocasião (antiqüíssima já) da montagem do trailer do último filme do cara: “Eu sei que vou te amar”. Acabo de pensar a respeito. É uma piada (real) tão claustrofóbica quanto o filme de Jabá. Por isso, tão a ver com cinema, fica meio fora de hora conta-la antes.

Cês não perdem por esperar.

Sergio disse...

Ô, meu Deus! Jabá, NÃO! Jába!

Paul Brasil (Paul Constantinides) disse...

Erico
sem folego pra grandes comentários. só posso dizer que tudo o q tu postas aqui é bom demais e sempre me agrada.
ah ao citares Laura Nyro, putz me deu um aperto no coração..eu amo esta cantora que deixou o planeta em tenra idade..ouvi-la cantar Spanish Harlem é muito bom.

abs
paul

olney figueiredo disse...

Caraca, isso aqui tá cada vez melhor; agora temos até "causos" interessantes, emgraçados pra curtir.
Muito bom, Sérgio e Mauro, ponham tudo pra fora (estou falando de suas estórias, rs) que a gente vai adorar.
E esse barzinho já é mesmo um tipo de "clube" frequentado só por amigos com afinidades musicais e que tais, então não é tão "público" assim...
SOLTEM O VERBO!
ps.: Ah, desculpe, Érico, a resenha e a música, ótimas como sempre!
Abração pra tutti!
olney

olney disse...

obs.: leia-se "engraçados".

Érico Cordeiro disse...

E não é que o barzinho está mesmo uma maravilha?
Sejam muito bem-vindos Mauro, Sérgio, Paul e Fig.
Quanto aos causos, sejam muito bem-vindos também! É sempre legal uma boa historinha de comadres (rs, rs, rs).
Agora esse suspense tá de doer, Se San. Como disse o Fig: desembucha!
E a Laura Nyro realmente era uma das figuras mais interessantes do pop setentista, Mr. Paul - pena ter partido tão cedo!
Grande abraço a todos!!!

José Domingos Raffaelli disse...

Érico,

Há um quase desconhecido CD do sexteto de Max Roach gravado em 1959 e intitulado "Quiet as it's Kept".

O line-up é sensacional: Tommy Turrentine (trompete), Stanley Turrentine (sax tenor), Julian Priester (trombone), Horace Parlan (piano), George Boswell (baixo) e Maximiliano (bateria).

Considero temas, arranjos e solos "out of this world".

Não sei se o CD ainda está em catálogo, pois sua edição original foi através de um selo desconhecido (esqueci, pois há anos emprestei-o a um "amigo" e ele "esqueceu" de devolver.....

Keep swinging,
Raffaelli

José Domingos Raffaelli disse...

Érico,

Retificação: o baixista é BOB BOSWELL, não George Boswell.


Desculpe & keep swinging,
Raffaelli

HotBeatJazz disse...

Ô¬Ô

O "Quiet As It Keeps" está em catálogo, pela Verve.

Ô¬Ô

Érico Cordeiro disse...

Mestres Raffaelli e Mauro,
Obrigado pela dica.
O meu exemplar do Quiet as it's Kept já tá lá na listinha do Amazon - uma hora dessas eu peço.
Valeu mesmo!
Abraços fraternos aos dois!

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