Amigos do jazz + bossa

terça-feira, 10 de julho de 2012

OS PRIMÓRDIOS DA BOSSA NOVA E O LEGADO DE JOHNNY ALF (um texto de José Domingos Raffaelli)




Como todas as artes, a bossa nova tem uma pré-história cujos principais precursores nos anos 40 foram o violonista Garoto, tocando harmonizações alteradas e dissonantes, o pianista Dick Farney e o compositor Custódio Mesquita, cujos maiores sucessos são dois fox-trots ao melhor estilo americano ("Mulher" e "Nada Além"). O conjunto Os Cariocas inovou a forma de cantar dos conjuntos vocais nacionais com harmonizações ousadas assimiladas dos grupos vocais americanos.

Os anos 50 revelaram músicos e compositores influenciados por jazz que introduziram novidades melódico-harmônicas, principalmente o pioneiro pianista e compositor Johnny Alf. Suas atuações no bar do Hotel Plaza, no Rio de Janeiro, em 1953/54, atraiam a atenção dos jovens músicos e cantores que, cativados por suas inovações, iam ouvi-lo todas as noites, entre eles João Gilberto, Candinho (violão), Luiz Bonfá (violão e compositor), Aurino Ferreira (saxofonista), João Donato (pianista, acordeonista e compositor), Bebeto Castilho e Manuel Gusmão (baixistas), Sylvia Telles, Claudete Soares e Alaíde Costa (cantoras), Luiz Eça (pianista) e Lucio Alves (cantor).

A influência de Alf mudou os rumos da música brasileira com suas composições rebuscadas, harmonicamente ousadas e sentido melódico de beleza invulgar. Foi um passo gigantesco para a renovação da linguagem que germinou a semente da bossa nova. Alf era o centro das atenções dos jovens. Um deles, o pianista-compositor Antonio Carlos Jobim, que seria outro artífice da bossa nova, fascinado pelas harmonizações de Alf, aprendeu com ele os segredos da sua concepção harmônica.

Com a gravação do clássico "Rapaz de Bem", que mudou a concepção melódico-harmônica da música popular brasileira, Alf apontava os rumos a seguir, sendo considerado o pai espiritual da bossa nova. Algumas das suas obras-primas, além de "Rapaz de Bem", são "Ilusão a Toa", "Céu e Mar", "Fim de Semana em Eldorado", Disa (outra maravilha que ficou esquecida na poeira do tempo), "O Que é Amar" e a seminal "Eu e a Brisa", provavelmente a maior de todas suas geniais obras.

Outra influência decisiva para o nascimento da bossa nova foi o disco "Brazilliance", do violonista Laurindo Almeida e o saxofonista Bud Shank, realizando uma inédita fusão de jazz com música brasileira, causando sensação pelas audaciosas improvisações de Shank, provando ser possível improvisar sobre temas brasileiros, algo inimaginável na época. Na época, um grande saxofonista brasileiro declarou solenemente "ser impossível improvisar sobre música brasileira"...

O violonista e compositor Luiz Bonfá deu sua contribuição ganhando fama internacional com "Manhã de Carnaval", carro-chefe da trilha do filme Orfeu do Carnaval, e "Samba de Orfeu". Outras obras suas de realce são "Menina Flor", "The Gentle Rain", "Saudade Vem Correndo" e "Mania de Maria".

Nos idos de 1956/57, João Gilberto ouvia exaustivamente o disco “Chet Baker Sings” numa cabine da lendária Lojas Murray. Impressionado pelo estilo coloquial de Baker, João mudou radicalmente sua maneira de cantar, deixando de imitar Orlando Silva para adotar o estilo vocal de Baker, transformando-se no maior ícone da bossa nova ao lado de Antonio Carlos Jobim. Sua batida de violão originou a característica rítmica essencial da bossa nova. Mundialmente famoso, João Gilberto continua cantando com grande sucesso em todo o mundo. 

Outro notável talento foi João Donato, cujo estilo original influenciado pelo jazz é evidenciado em "Minha Saudade", "Silk Stop", "Até Quem Sabe" e "A Rã". Ele radicou-se em Los Angeles em 1959, onde morou até 1973, gravando e tocando com músicos de jazz e latinos. Donato continua em franca atividade, gravando e bastante requisitado para turnês nos Estados Unidos, Europa e Japão. 

Historicamente, em 1958 coube à cantora Elizeth Cardoso gravar o primeiro disco de bossa nova: "Canção do Amor Demais", com participação de João Gilberto no violão. A essa altura, começava a frutífera parceria de Antonio Carlos Jobim com Vinicius de Morais, artífice das letras de inúmeras canções conhecidas em todo o mundo.

No mesmo ano, um grupo de jovens empolgados pelas tendências da nova música reunia-se na casa da cantora Nara Leão para explorarem novo repertório. Alguns participantes desses encontros foram Roberto Menescal, Ronaldo Boscoli, Carlos Lyra, Chico Feitosa, Durval Ferreira e Oscar Castro Neves, que muito contribuíram para o sucesso do movimento.

Paralelamente, a música fervilhava nos quatro clubes do lendário Beco das Garrafas, réplica carioca da Rua 52, de New York. Todas as noites alguém trazia uma nova composição, uma nova idéia, um novo arranjo. Naqueles clubes apresentaram-se os pianistas Luiz Carlos Vinhas, Luiz Eça, Sérgio Mendes, Toninho Oliveira, Dom Salvador e Tenório Junior; violonistas Baden Powell, Neco, Rosinha de Valença, Waltel Branco e Oscar Castro Neves; cantoras Claudete Soares, Leny Andrade, Alaíde Costa e Sylvia Telles; trombonistas Raul de Souza e Edson Maciel; baixistas Sérgio Barrozo, Tião Neto e Manuel Gusmão; saxofonistas Jorge Ferreira da Silva, J. T. Meirelles e Aurino Ferreira; bateristas Edison Machado, Victor Manga, Milton Banana e Dom Um Romão; e gaitista Maurício Einhorn.

Os músicos começaram a desenvolver o samba-jazz inspirados nas improvisações do disco "Brazilliance", de Laurindo Almeida e Bud Shank, despontando os conjuntos Tamba Trio, Bossa Três, Salvador Trio, Trio 3-D e Rio 65 Trio. A juventude brasileira foi arrebatada pela bossa nova com o disco "Chega de Saudade", de João Gilberto, definindo as bases do novo idioma com inovações na melodia, harmonia e no ritmo, sendo cultuado por músicos, cantores e ouvintes.

Pouco a pouco, a nova música começou a ganhar fama internacional a partir de 1959, com quatro acontecimentos decisivos para seu sucesso no exterior. Primeiro, o guitarrista Charlie Byrd fez uma turnê brasileira e, encantado com o que ouviu, na volta aos USA gravou vários discos com músicas brasileiras. Segundo, quando vieram ao Brasil o conjunto American Jazz Festival e o quinteto do trompetista Dizzy Gillespie, em 1961; ao regressarem, Gillespie, Lalo Schifrin (piano), Zoot Sims e Coleman Hawkins (sax), Herbie Mann (flauta) e Curtis Fuller (trombone) gravaram discos de bossa nova. Terceiro, em 1962, Charlie Byrd e o saxofonista Stan Getz gravaram o LP "Jazz Samba", e "Desafinado" tornou-se um sucesso monumental da noite para o dia. Sua repercussão originou a organização de um concerto de bossa nova no Carnegie Hall com músicos brasileiros, abrindo um mercado internacional de trabalho para os artistas nacionais. 

No ano seguinte, Stan Getz gravou com João Gilberto e Antonio Carlos Jobim o disco que transformou "Garota de Ipanema" na marca registrada de Jobim e da bossa nova, no qual Astrud Gilberto estreou como cantora. A essa altura, Jobim era o grande nome da bossa nova; mundialmente famoso, seu prestígio era cada vez maior e suas composições eram sucessos retumbantes em quase todos os países do planeta.

A bossa nova conquistou o público com suas belas melodias, harmonias sofisticadas e seu ritmo sutil e original. Entre incontáveis sucessos, ficaram para a posteridade "Chega de Saudade", "Desafinado", "Garota de Ipanema", "Samba de Uma Nota Só", "Meditação", "Corcovado", "O Amor em Paz", "Samba do Avião", "Inútil Paisagem", "Dindi", "Triste", "A Felicidade", "Lígia", "Vivo Sonhando", "Se Todos Fossem Iguais a Você", "Só Danço Samba" e "Insensatez" (Jobim); "Influência do Jazz", "Primavera", "Minha Namorada", "Maria Ninguém", "Se É Tarde Me Perdoa", "Lobo Bobo" e "Você e Eu" (Carlos Lyra), "Barquinho", "Rio", "Você" e "Vagamente" (Roberto Menescal), "Batida Diferente", "Chuva" e "Estamos Aí" (Maurício Einhorn)

Com o sucesso do rock e dos Beatles, a bossa nova deixou de ser a música da juventude brasileira, embora continuasse prestigiada no exterior até hoje. Na geração pós-bossa nova destacaram-se Edu Lobo, Chico Buarque, Djavan, Caetano Veloso, Gilberto Gil e Marcos Valle, mas somente este aderiu ao estilo.  

Após longo período de estagnação, nas últimas duas décadas houve um renascimento da bossa nova no Brasil com shows, festivais, gravações e reedições de discos daquele período que continua sendo o mais criativo da música popular brasileira de todos os tempos.


A BOSSA NOVA

A bossa nova foi o grande divisor de águas da nossa música popular, gerando a maior revolução melódico-rítmico-harmônica de todos os tempos que inaugurou a era moderna da MPB. A bossa nova foi para a música brasileira o equivalente do bebop para o jazz nos anos 40, e o lendário Beco das Garrafas representou o que foi a Rua 52, em Nova York. Foi nos quatro clubes daquele pequeno quarteirão de Copacabana que parte dos futuros astros da bossa nova iniciaram suas carreiras.  

Freqüentei assiduamente o Beco das Garrafas, que fervilhava todas as noites com a pulsação dos novos rumos que tomava nossa música, sendo testemunha ocular e auditiva daquele movimento desde seu nascedouro, cuja beleza melódica conquistou ouvintes em  todo o mundo, abrindo um mercado internacional de trabalho para nossos músicos, compositores e cantores. Naqueles anos dourados, entre 1958 e 1963, a bossa nova foi a música da nossa juventude, que se rendeu aos encantos das suas melodias e versos poético-românticos.

Muito foi escrito sobre a bossa nova, embora a grande maioria jamais tenha pisado no Beco das Garrafas ou tenha freqüentado seus quatro clubes, limitando-se a transcrever entrevistas com opiniões de terceiros, nem sempre confiáveis. Ao festejar seu cinqüentenário, a bossa nova conquistou uma enorme audiência em todos os países do mundo, sendo o maior e melhor artigo de exportação do Brasil.

JOHNNY ALF

A música popular brasileira teve uma perda irreparável com o desaparecimento de Johnny Alf (Alfredo José da Silva), dia 04 deste mês, aos 80 anos. Alf foi o pai espiritual da bossa nova, cujas sementes ele plantou na Cantina do César, em 1950/51 e em 1953/54 tocando no bar do Hotel Plaza, no Rio de Janeiro. Todas as noites iam ouvi-lo Luiz Eça, Sylvinha Telles, Neco, Bebeto, Oscar Castro Neves, Edson Maciel, Edison Machado, Baden Powell, Cipó, Aurino Ferreira, Carlos Lyra, Mauricio Einhorn, Pedro Paulo, Tião Neto, Manuel Gusmão, Mario Castro Neves, Oscar Castro Neves, Dom Um Romão, Marcos Szpillman, Jorginho Ferreira da Silva, João Luiz Maciel, Paulo Moura, Duba, Alfredo de Paula, Alaíde Costa, Ed Lincoln, Tom Jobim e tantos outros. Fascinado pelas harmonizações avançadas de Alf, Jobim (que era pianista da noite do Clube da Chave), pediu que lhe desse aulas para aprender a harmonizar de forma moderna.

Alf era muito educado, atencioso e tratava todos muito bem. Eu o conheci num sebo de discos, em 1949. Estávamos lado a lado na seção de música americana e depois de algum tempo começamos a conversar enquanto olhávamos os discos. Depois de comprar o que queríamos, saímos da loja conversando e paramos para tomar um café. Quando nos despedimos, ele perguntou se eu queria ir ao Sinatra-Farney Fã Clube, do qual era sócio.

Fui e lá conheci muita gente jovem e vários deles tornaram-se meus amigos. Depois de alguns dias, encontrei na rua o apresentador de rádio Cesar de Alencar, que era muito popular. Ele disse que ia inaugurar uma casa noturna (chamou-se Cantina do César) e precisava de um bom pianista que cantasse em português e inglês. Na mesma hora disse-lhe que conhecia o melhor de todos: Johnny Alf. Surpreso por não conhecer Alf, pediu que falasse com ele sobre o trabalho. Não deu outra: Johnny foi lá e estreou logo depois. Foi um grande sucesso. Logo espalhou-se a notícia que um novo pianista na Cantina do César era um fenômeno, tocava harmonias audaciosas como ninguém no Brasil.

Assim começou a carreira profissional dele. Infelizmente, ele nunca teve o reconhecimento que deveria receber, apesar dos verdadeiros conhecedores sempre o admirarem e prestigiarem. Johnny Alf foi um gênio, um músico à frente da sua época que deixou uma obra fenomenal, valiosa e repleta de canções admiráveis, verdadeiras obras-primas que chamavam a atenção dos músicos e cantores e permanecerão para sempre na história da MPB. Para mim, Johnny Alf foi o maior compositor brasileiro de todos os tempos. Sem ele não existiria a bossa nova. JOHNNY ALF, "All I can add is There'll Never Be Another You".


=======================


PS.: O texto do mestre Raffaelli foi escrito em março de 2010, pouco tempo depois da morte de Johnny Alf, ocorrida no dia 04 daquele mês.

=======================


49 comentários:

Gustavo Cunha disse...

sensacional Mr. Erico

uma verdadeira aula sobre a história da nossa música e ninguém melhor que o Mestre Rafaelli para contá-la

e não podia ser em outro espaço senão neste verdadeiro clube de jazz e bossa

um grande abraço

coimbra disse...

Maravilha de exposição.

Como faz falta O(The) José Domingos Raffaelli na mídia impressa brasileira.

Que o Mestre cordeiro promova mais textos.

Parabenizo dois incansáveis estudiosos.

Abs
RC

Érico Cordeiro disse...

Ilustríssimos e queridos Guzz e Coimbra,
É uma honra apresentar um texto do Mestre José Domingos Raffaelli, sobre os primórdios da Bossa Nova, com especial ênfase sobre a importância de Johnny Alf.
E uma honra tê-los a bordo.
Aqui as portas do barzinho estão sempre abertas pro nosso Mestre!
Grande abraço aos dois!

SENÔ JÚNIOR disse...

Esse texto coloca ordem nas informações e dá os devidos créditos a todos os envolvidos no belo movimento musical brasileiro denominado de Bossa Nova. Nenhum movimento musical foi tão inovador, abrindo a partir dai um leque de opções diversificadas para a música brasileira. Aprender nunca é demais e nesse blog cada texto é uma aula.

Érico Cordeiro disse...

Grande Senô Jr.
Prazer recebê-lo no barzinho, ainda mais com uma postagem tão especial.
Os textos do Raffaelli são um primor de informação e acrescentam o charme todo especial de quem viu e ouviu tudo o que de bom aconteceu em nossa música nos últimos 50 anos!
Abraços fraternos!

figbatera disse...

Um belo texto, destacando com justiça o papel do Johnny Alf na história da bossa nova. Eu tive, bem jovem, a oportunidade de presenciar uma das "domingueiras" do Little Club, no Beco das Garrafas, lá conhecendo alguns dos músicos citados nesta "aula".
Foi um período muito rico, que me despertou musicalmente e influenciou fortemente o meu interesse pela bateria , pelo jazz e, claro, pela bossa nova, minhas eternas paixões!
Abração aos Mestres Raffaelli e Érico!

Anônimo disse...

Muito esclarecedora a resenha de mestre Raffa. Jamais saberia da importância que Alf teve para a criação da Bossa Nova se não lesse esse texto. Mas continuo encafifado com a idéia de que artistas diferentes em diferentes partes do mundo, num dado momento sem data específica entram numa conjunção de modo que nunca existe um fundador de um movimento artístico, o que há é uma tendência. Daí, cada um acrescenta um temperinho diferente no caldeirão da tendência e quando a gente vê, está pronto o banquete. De qualquer maneira, já estou ouvindo melhor o mestre Alf e dando a ele a importância devida como um dos principais chefs da cozinha dos ritmos que tendem a ser universais.

Érico Cordeiro disse...

Prezados Figbatera e Anônimo (que desconfio ser o novo amigo Zé Miguel, tanto pelo conteúdo quanto pela precisão dos argumentos),
Ao primeiro, só digo que fico com uma inveja danada de você, pois ter visto e ouvido essas feras todas deve ter sido uma experiência extasiante.
Ao segundo, assino embaixo de tudo quanto foi dito. Realmente, existem momentos em que tudo conspira para as revoluções artísticas, sendo que existem os catalisadores, os pioneiros, os visionários. É o caso de Parker e Gillespie no jazz ou de Johnny Alf, Jobim e João Gilberto no caso da música brasileira.
Abraços aos dois!

Anônimo disse...

Assassinar como anônimo dá nessas coisas, sou eu, seu san, mestre dos mestres!... O millan das candonga, quem escreveu o comentário anônimo abaixo do Fig - ou ney. rsrsrs...

E só pra provar, fui na discografia de Johnny e lá encontrei uma coletânea supimpona, chama-se "Movimento 65" Coletânea do tipo V.A. que pros não iniciados o "V.A." significa vários artistas.

Encontrei lá, um disco cheio de "novas" atrações como "Os Poligonais", alguém já ouviu falar nessa turma, com a cara daqueles trios (quintetos neste caso, pq tem um sax e uma guitarra, além de baixo, batera e piano) bossa nova. Repetindo, alguém (de nome Raffaelli) sabe quem era(m) os Poligonais? E tem uma Luiza, tbm - Luiza de Q? Além de Flora, essa eu sei q só pode ser a Purim, um certo Marcos Moram que tbm desconheço, Myrzo (???) mais os conhecidos, Jonny Alf, Alaide Costa, 3 D, Jeny Andrade, Os Cobras... e por aí vai. Mas, principalmente, quem são Os Poligonais?

Anônimo disse...

Dicionário Cravo Albin:

Grupo instrumental formado por Vicente Salvia (piano), Vidal Sbrighi (sax tenor, clarinete e flauta), Edmar Tomy (guitarra), Álvaro Galati (contrabaixo) e Pedro dos Santos Eduardo (bateria), com atuação no cenário musical da bossa nova dos anos 1960.

A pergunta foi feita antes de uma pesquisa simples. Cravo Albin, quase, como sempre responde.

sergio millan

Zé Miguel disse...

Salve, salve...Master Cordeiro. O anônimo ali não sou eu, mas (com a devida vênia) assino embaixo !!!

Érico Cordeiro disse...

Caríssimos Sérgio e Zé Miguel,
O barzinho é assim, só tem craque. Qualquer comentário feito pelos amigos impõe, automaticamente, o respeito (e geralmente a concordância) dos demais fregueses do barzinho.
Realmente não conheço Os Diagonais e pela relação de músicos tampouco sei alguma coisa sobre eles (salvo se algum deles tiver usando um nome artístico diferente).
E aí, quando você disponibiliza essa preciosidade, meu Garimpeiro?
E se o Zé Miguel concorda com o que foi dito, quem sou eu pra discordar?
Abração!

Anônimo disse...

Seu san, né novidade pra ninguém - inda mais aqui q são poucos os curiosos - q nesses finalmentes dos anos 1950 até os fins dos 60s, o que apareceu de pequenos grupos de Bossa Nova, não tá, nem no dicionário Cravo Albin, quanto mais gibi... Os Poligonais, já baixei e não pirei com eles não. Coisa boa é a tal coletânea q citei acima, de nome cheio de pompa e circunstância, “Movimento 65”. Só tem fera ali e foi por isso q cismei com os Poligonais, cuja faixa no "Movimento 65" foi escolhida a dedo, no álbum os caras se perderam, tentando ser pops, bossificando romantiquices do iêiêiê de Roberto Carlos, como " Não quero ver você triste assim", de sambas tipo de enredo como "Tristeza" (de quem é esse samba mesmo?) e afins... Não funcionou. Já abstraí d’Os Poligonais e, na pesquisa, caí num blog “Búzios Bossa Blog”. Lá encontrei algumas raridades imbaixáveis e coisas palpáveis como o conjunto Som 4 com Hermeto Pascoal, Os 5 Pados, com Heraldo do Monte, Hector Costita... Infim, antes de continuar citando me espreguiço... O fato é que é outro universo bom de explorar e cheio de surpresas esse dos pequenos grupos de Bossa Nova. Ah! Um, especialmente (desses raros, claro) merece destaque, o já ouvido e aprovado álbum do Maestro Erlon Chaves, “Sabadabada”! Discaço, seu san. Outro cara q me atraiu foi um certo Breno Sauer, álbum, Breno Sauer Quinteto (Sambabessa) 1963... Mas estou só começando, me aguarde! “Quem mandou me acordar?!” como disse o Pesca, viajando de LSD...

Érico Cordeiro disse...

Muita gente boa por aí, Mr. Sérgio.
O hermano Costita, craque do saxofone, Hermeto Pascoal, Heraldo do Monte...
Quantas relíquias sonoras, quantos tesouros musicais, sufocados pela ditadura do mau gosto, pelo império da descartabilidade.
Parafraseando Caetano: "E que o Sérgio Sônico nos resgate. Xeque-mate".
Abaixo, uma crônica de Millôr Fernandes, mui digno representante da inteligência e da sensibilidade brasileiras:

"Aqui sozinho, nesta calma e silêncio, toda a história da humanidade rola lentamente diante de mim. Respiro o ar inaugural do mundo, o perfume das rosas do Éden ainda rescendentes de originalidade. A primeira mulher colhe o primeiro botão. Vejo as pirâmides subindo: o rosto da esfinge pela primeira vez iluminado pela lua cheia que sobe no oriente; vejo Roma em ascensão, e ouço os gritos dos bárbaros chegando. Observo o matemático inca no orgasmo de criar a mais simples e fantástica invenção humana - o zero. Arquimedes me põe na banheira, em Siracusa, e percebo, emocionado, meu corpo sofrendo um impulso de baixo para cima igual ao peso do líquido por ele deslocado. Reabro feridas de traições, horrores do poder. Rios de sangue correm pela história, justos são devidamente condenados, injustos devidamente glorificados. Sinto as frustrações neuróticas de tantos seres ansiosos, e a tentativa de superá-las como o exercício de supostas santidades. Com emoção a que nenhum sexo se compara, começo, pouco a pouco, a decifrar o que pensaram seres como eu em dias assustadoramente remotos. Acompanho um homem - num desses raros instantes de competência que embelezam e justificam a humanidade - pintando e repintando o teto de uma capela; ouço o som divino que outro tira de um instrumento que ele próprio é incapaz de ouvir. Componho em minha mente o retrato de maravilhosas sedutoras, espiãs, cortesãs e barregãs, que possivelmente nem foram tão belas, nem seduziram tanto. Sento e sinto e vejo, em criação única, pessoal e intensa, porque ninguém materializou isso para mim. Estou só - eu com minha imaginação. E um livro."

Anônimo disse...

Engraçado como esse texto do Millor me lembrou o filme q vi ontem, Melancolia, do auto-declarado nazifascista, Lars Von Trier. É engraçado como obras de arte têm o poder de se instalar na nossa cabeça onde quer que se vá, make 24 horas por dia. E no caso desse filme meu lado esperançoso odeia, enquanto o realista... o bonequinho bate palmas de pé.

Érico Cordeiro disse...

Vixe, o homem tá matando a pau!
Vendo filme-cabeça, seu San?
Me dá uma melancolia só de pensar em assistir a esse filme - muita cabecice pro meu gosto schwartzeneggeriano.
Abração!

Zé Miguel disse...

Os Poligonais em questão são, imagino, os paulistanos capitaneados pelo maestro Vicente Salvia Vichter. Um nome bem corriqueiro nos estúdios paulistas e que ali pelos 80 trabalhou muito próximo à turma de Rodolfo Stroeter e seus vários projetos (Divina Encrenca, Pau Brasil, etc). Lembro do nome de Salvia nos créditos de filmes e nos arranjos linha industrial de Sérgio Reis e alhures.Ouvi isto no recente (re)boom de trios e não causou mesmo grandes emoções. Já Os Diagonais (que aqui surge quase por acaso) só pode ser o genial grupo vocal capitaneado pelos irmãos Cassiano e Camarão e que teve na sua formação gente como Hyldon, Dafé e outros. Dominavam as linhas tortas que tanto viriam a marcar a obra popular do Mestre Cassi. Belas lembranças.

Érico Cordeiro disse...

Obrigado pelos esclarecimentos, meu caro Zé Miguel.
Cassiano, Hyldon, Dafé... que trio!
Grande abraço!

José Domingos Raffaelli disse...

Caríssimo Anônimo autor deste post:

"Encontrei lá, um disco cheio de "novas" atrações como "Os Poligonais", alguém já ouviu falar nessa turma, com a cara daqueles trios (quintetos neste caso, pq tem um sax e uma guitarra, além de baixo, batera e piano) bossa nova. Repetindo, alguém (de nome Raffaelli) sabe quem era(m) os Poligonais? E tem uma Luiza, tbm - Luiza de Q? Além de Flora, essa eu sei q só pode ser a Purim, um certo Marcos Moram que tbm desconheço, Myrzo (???) mais os conhecidos, Jonny Alf, Alaide Costa, 3 D, Jeny Andrade, Os Cobras... e por aí vai. Mas, principalmente, quem são Os Poligonais?"

11 de julho de 2012 11:42
Sobre sua indagação, Myrzo era Myrzo Barroso, cantor da orquestra do Maestro Cipó. Ele e eu dividimos um programa de jazz na extinta Rádio Mayrink Veiga, que ia ao ar nos domingos e alternávemos nossas produções (um domingo eu, outro domingo ele). Myrzo era jazzófilo de boa cepa, era habiutuê da lendária Lojas Murray onde reuniam-se diariamente os jazzófilos e, posteriormente, os bossa novistas.

Outro companheiro que fez uma observação corretíssima sobre a quantidade de conjuntos que surgiram na época áurea da bossa nova, apenas como informação, na matéria que escreví sobre a história do samba-jazz relacionei TODOS os conjuntos que surgiram naquiele período.

Grande abraço e keep swinging,
Raffaelli

José Domingos Raffaelli disse...

Caríssimo Anônimo autor deste post:

"Encontrei lá, um disco cheio de "novas" atrações como "Os Poligonais", alguém já ouviu falar nessa turma, com a cara daqueles trios (quintetos neste caso, pq tem um sax e uma guitarra, além de baixo, batera e piano) bossa nova. Repetindo, alguém (de nome Raffaelli) sabe quem era(m) os Poligonais? E tem uma Luiza, tbm - Luiza de Q? Além de Flora, essa eu sei q só pode ser a Purim, um certo Marcos Moram que tbm desconheço, Myrzo (???) mais os conhecidos, Jonny Alf, Alaide Costa, 3 D, Jeny Andrade, Os Cobras... e por aí vai. Mas, principalmente, quem são Os Poligonais?"

11 de julho de 2012 11:42
Sobre sua indagação, Myrzo era Myrzo Barroso, cantor da orquestra do Maestro Cipó. Ele e eu dividimos um programa de jazz na extinta Rádio Mayrink Veiga, que ia ao ar nos domingos e alternávemos nossas produções (um domingo eu, outro domingo ele). Myrzo era jazzófilo de boa cepa, era habiutuê da lendária Lojas Murray onde reuniam-se diariamente os jazzófilos e, posteriormente, os bossa novistas.

Outro companheiro que fez uma observação corretíssima sobre a quantidade de conjuntos que surgiram na época áurea da bossa nova, apenas como informação, na matéria que escreví sobre a história do samba-jazz relacionei TODOS os conjuntos que surgiram naquiele período.

Grande abraço e keep swinging,
Raffaelli

José Domingos Raffaelli disse...

Caros confrades,

Perdoem a repetição do post, não sei o que aconteceu.
Keep swinging,
Raffaelli

pituco disse...

mestre raffaelli,

domo arigato gozaimassu...aula régia de um ícone de nossa música popular...salve sempre genialf...

érico san...agora fez-se justiça ao nome do blog...parabéns...

abrsonoros
ps. em eu e a brisa...a flauta está terrivelmente desafinada...

José Domingos Raffaelli disse...

Caro Figbatera,


10 de julho de 2012 15:25

figbatera disse...
Um belo texto, destacando com justiça o papel do Johnny Alf na história da bossa nova. Eu tive, bem jovem, a oportunidade de presenciar uma das "domingueiras" do Little Club, no Beco das Garrafas, lá conhecendo alguns dos músicos citados nesta "aula".
Foi um período muito rico, que me despertou musicalmente e influenciou fortemente o meu interesse pela bateria , pelo jazz e, claro, pela bossa nova, minhas eternas paixões!
Abração aos Mestres Raffaelli e Érico!

Caríssimo Figbatera,

É bem provável que nos esbarramos numa das domingueiras do Little Clube, onde tocavam assiduamente Alberto Castilho (trompetista sensacional que tocava "Round About Midnight" com a surdina igualzinho a Miles Davis, nota por nota), Ronaldo Alvarenga (piano), Principe Rafael (bateria), Edson Lobo (baixo) e outros.

Para quem mencionou 'SABADABADA", do genial maestro, pianista e compositor ERLON CHAVES:

Sabadabada possui nítida influência de todas as qualidades melódico-harmônicas das composições de Tadd Dameron, disparado o maior compositor e arranjador do jazz moderno. A propósito, estou preparando um longo artigo sobre Dameron, um dos meus grandes ídolos.

Voltando a SABADABADA, há muitos anos eu trpcava discos (LPs) de música brasileira com LPs de jazz com um americano chamado Harry Frost, que tinha uma loja de discos em Saint Louis Missouri, que vendia discos pelo correio.

Após algum tempo trocando discos (ele era louco por música brasileira), enmviei-lhe um exemplar de SABADABADA. Ele ficou alucinado afirmando que nunca ouvirea nada tão bom em sua vida. Após algum tempo, soube que ele tinha um programa de jazz e música brasileira numa emissora local e, para minha satisfação, SABADABADA era o prefixo do programa.

A troca de discos e as cartas (naquele tempo não havia computador) sucediam-se aos borbotões e nessa euforia ele marcou a data de sua viagem ao Rio para ouvir ao vivo aquelas músicas que tanto o empolgavam.
Entretanto, infelizmente Harry não veio porque foi assassinado alguns dias antes da data em que viajaria....
Sua menção de SABADABADA fez-me lembrar de Harry Frost, o americano que tocava músicas brasileiras muita antes de estourar a Bossa Nova em todo o mundo.

Grande abraço e keep swinging,

José Domingos Raffaelli disse...

Caro Figbatera,


10 de julho de 2012 15:25

figbatera disse...
Um belo texto, destacando com justiça o papel do Johnny Alf na história da bossa nova. Eu tive, bem jovem, a oportunidade de presenciar uma das "domingueiras" do Little Club, no Beco das Garrafas, lá conhecendo alguns dos músicos citados nesta "aula".
Foi um período muito rico, que me despertou musicalmente e influenciou fortemente o meu interesse pela bateria , pelo jazz e, claro, pela bossa nova, minhas eternas paixões!
Abração aos Mestres Raffaelli e Érico!

Caríssimo Figbatera,

É bem provável que nos esbarramos numa das domingueiras do Little Clube, onde tocavam assiduamente Alberto Castilho (trompetista sensacional que tocava "Round About Midnight" com a surdina igualzinho a Miles Davis, nota por nota), Ronaldo Alvarenga (piano), Principe Rafael (bateria), Edson Lobo (baixo) e outros.

Para quem mencionou 'SABADABADA", do genial maestro, pianista e compositor ERLON CHAVES:

Sabadabada possui nítida influência de todas as qualidades melódico-harmônicas das composições de Tadd Dameron, disparado o maior compositor e arranjador do jazz moderno. A propósito, estou preparando um longo artigo sobre Dameron, um dos meus grandes ídolos.

Voltando a SABADABADA, há muitos anos eu trpcava discos (LPs) de música brasileira com LPs de jazz com um americano chamado Harry Frost, que tinha uma loja de discos em Saint Louis Missouri, que vendia discos pelo correio.

Após algum tempo trocando discos (ele era louco por música brasileira), enmviei-lhe um exemplar de SABADABADA. Ele ficou alucinado afirmando que nunca ouvirea nada tão bom em sua vida. Após algum tempo, soube que ele tinha um programa de jazz e música brasileira numa emissora local e, para minha satisfação, SABADABADA era o prefixo do programa.

A troca de discos e as cartas (naquele tempo não havia computador) sucediam-se aos borbotões e nessa euforia ele marcou a data de sua viagem ao Rio para ouvir ao vivo aquelas músicas que tanto o empolgavam.
Entretanto, infelizmente Harry não veio porque foi assassinado alguns dias antes da data em que viajaria....
Sua menção de SABADABADA fez-me lembrar de Harry Frost, o americano que tocava músicas brasileiras muita antes de estourar a Bossa Nova em todo o mundo.

Grande abraço e keep swinging,

José Domingos Raffaelli disse...

A todos os companheiros e confrades deste blog,

Desculpem o mau jeito, mas não sei por que cargas d'água está havendo uma repetição cansativa e desnecessária nos meus posts. Lamento por isso e sem saber que barbeiragem estou cometendo, desejo-lhes um bom fim de semana prometendo não enviar mais emails para repetir essa situação para mim bastante esdrúxula,
Keep swinging,
Raffaelli

Anônimo disse...

Caro Raffaelle, quem fala é sérgio millan e eu assino anônimo porque, assim como o blog está quadruplicando os seus comentários, comigo, se eu me assinar o Blogger assassina meu comentário e imagine a frustração, pra quem tem o hábito de escrever muito, ter que escrever tudo de novo. Já assinando anônimo, sempre dá certo...

Sobre Sabadaba só posso me orgulhar de estar a cada dia com os ouvidos mais afiadinhos. O disco é excelente mesmo.

Agora, pasmem amigos - eu ia passar esse recado por emeio só pro mestre Seu Sam, pra não parecer q estou me auto-promovendo, mas me empolguei com o empolgado comentário de mestre Raffa sobre Sabadaba: hoje recebi uma encomenda de um disco, relativamente fácil de se achar na rede. Aliás esse eu já tive antes de vender minha coleção, o álbum é “Olho de Peixe” 1993, do Lenine. Todos sabem, o talentoso Lenine é um artista pop, bom vendedor de discos, donde se presume q seus álbuns anteriores, q nem são tantos assim, estejam todos devidamente em catálogo e/ou fáceis e baratos de comprar. Geralmente quando recebo uma encomenda de disco em catálogo, acreditem se quiser, pesquiso, indico a loja ou dou o preço e abdico da venda... Qual não é a minha surpresa quando ao pesquisar sobre o “Olho de Peixe” do Lenine, verifico q este só aparece para vender no Mercado Livre, ao preço mínimo de r$ 180,00, chegando a custar r$ 249 contos! Gente, Lenine! Em plena atividade!!!... Como assim? Poxa, se vc posta um disco desses pras pessoas baixarem, no dia seguinte aparece alguém te acusando de criminoso, ameaçando multá-lo, prendê-lo e arrebentá-lo, mas qd o fiscal que ao perceber essa discrepância no valor de uma “raridade” de 1993!, de um artista de sucesso!, em pleno curso da carreira!, não faz uma reedição do álbum?!

Aviso aos navegantes e passeantes na orla da Delfim Moreira – sempre aos domingos e feriados: o “Olho de Peixe” do Lenine agora é 15 real, no lojinha da Bike!

Anônimo disse...

em tempo o pau q matou a cobra: http://lista.mercadolivre.com.br/CD-%C3%98-OLHO-DE-PEIXE

Érico Cordeiro disse...

Mestres Raffaelli, PItuco e Sérgio,
Sejam mais que bem-vindos. O blogger tem essas coisas, repete comentário, apaga quando você posta. São os ossos do ofício :-)
Mas suas informações, caro Raffaelli são sempre muito bem-vindas e nem pense em deixar de n=compartilhar conosco suas histórias e seu conhecimento.
Ao segundo, digo que como sou leigo, nem percebi o desafino da flauta :-) Pra mim tá tudo muito bom, tudo muito bem, como diria o Evandro Mesquita.
Ao terceiro, nem vou falar como essa lógica do mercado me deixa picado! É um absurdo isso, um artista de sucesso não ter toda a sua discografia disponível.
Tenho esse disco do Lenine e é muito legal (o meu também é cópia, porque não achava o original).
Abraços aos três!

Anônimo disse...

Continuando o passeio pelos grupos de Bossa Nova, descobri uma versão do Tamba Trio para Corcovado que fariam Bill Evans e mais toda a escola dos maiores pianistas do mundo sentarem-se diante do piano de Luiz Eça, pedir bis, pra depois perguntarem como o menino conseguiu fazer aquilo! A versão está num LP - não sei se saiu em CD - "Brasil Saluda A México" de 1966. O disco todo está com versões excelentes dos clássicos da Bossa Nova. Em "Consolacion" (Tem também “La chica de Ipanema”, mas teiquirisi may broderes q ta tudo cantado em português do Brasil de meu Deus) que ouço agora, o Luizinho está endiabrado! Dando aula! Empresários burros! Era só criar um canal de TV à cabo, pôr o seu san de William Bonner, Apóstolo, um link para a outra galáxia, pro Predador poder falar e pitaquear a vontade – claro, meter o malho no que detesta e que é ótimo, contratar tbm o John Lester, o nosso Chico Anísio do Jazz que levaria junto (tudo muito baratinho) a sua galeria de personagens. Claro, chamaríamos a gatérrima Paula Nadler pra dar um toque de inteligência e charme femininos ao programa... Esquici alguém?... mestre Raffaelli, claro, O Coimbra, que logo seria expulso por mal comportamento... Infim, não tem quem compre discos porque não tem quem esteja interessado em vender. Quando pra vender é só baratear e promover. Tou certo ou tou errado, Mister Érico?

Mas a maior estrela da atração é a música e esse disco no México, cuja capa, ainda mata uma saudadinha da Varig, mostrando o Trio desembarcando de um Boing - Electra? O Electra é da Boing, nintendo nada disso... - da empresa. Discaço!

Anônimo disse...

Meu Deus que discaço! El Cierro ("Mas se derem vez ao Morro toda a cidade vai cantar") tem um solo de bateria do Milito aka-chapante! Seu San, certo de q não tens essa preciosidade, aumentei a sua listinha. Pois é, agora estou me auto-promovendo.

Érico Cordeiro disse...

Regozijo-me com a mui digna honraria. Conto com a vossa prestimosa ajuda para garimpar as raridades. Predador seria o nosso Pedro de Lara, Fig, sempre jovial, nosso Nelsinho Motta, Coimbra, o enfant terrible, o nosso Carlos Imperial (que ainda por cima era capixaba).
Paulinha seria a minha Ótima Bernardes, o Mauro, elegante prá dedéu, seria o nosso Jorginho Guinle. Grande sacada, Mr. Sérgio - trabalharia de graça, ao lado dessas feras todas!
E pode colocar na listinha, juntamente com dois Clifford Jordan: Cliff Craft (http://www.amazon.com/Cliff-Craft-Clifford-Jordan/dp/B000005H96/ref=sr_1_9?s=music&ie=UTF8&qid=1342278833&sr=1-9) e Magic in Munich (http://www.amazon.com/Magic-In-Munich-Clifford-Jordan/dp/B000027T2D/ref=ntt_mus_ep_dpi_21).

Anônimo disse...

Correção: segundo o wikipidia em 1966 o baterista já era Rubens Ohana, ainda segundo "eles" Helcio Milito foi de 1962 a 1964 e Ohana q não é a Claudia, mas o Rubens, de 64 a 1969. Mas isso os enciclopédicos é que sabem.

James Magno disse...

Mr. Raffaelli aparece grande como sempre!
Belo texto!
Abração, Molosso!

Anônimo disse...

Seu san, não resisti e postei "Brasil Saluda A Mexico" no sônico, espero q consiga ouvir as faixas q separei para a audição. Se conseguires, veja se exagerei, no q disse aqui e lá sobre o álbum.

Érico Cordeiro disse...

Salve, salve, Mestres James e Sérgio!
Bom demais tê-los a bordo! Quando é que eu ia imaginar que ia publicar um texto do Raffaelli aqui no jazzbarzinho, Molosso?
Quanto à postagem sônica, tô passando lá!
Abraços fraternos aos dois!

Anônimo disse...

seu sam, minha resposta sobre o ovni “brasil saluda a México”:É tudo nesse nivel, mr. e eu q soudado aos exageros, vos digo, é dos 10 melhores discos de bossa nova q já ouvi. E dez, pra não ser acusado de radical exagerado. Nesse caso, estou pro título do Sergio Mendes: "vc nunca ouviu nada igual". O q ha de se destacar é o seguinte, ñ é um disco comum. será q ninguém sabe algo mais sobre ele?

Érico Cordeiro disse...

Tomara que os nossos gurus Raffaelli, Coimbra, Predador, Mário Jorge e Zé Miguel (o mais novo da turma) possam ajudar nessa garimpagem.
Do pouco que ouvi, realmente é um negócio do outro mundo.
Discaço mesmo. Não é à toa que Luiz Eça era admirado por todos os pianistas brasileiros e por mestre do jazz como Bill Evans.
Abração, Mestre Sérgio-San!

PREDADOR.- disse...

Depois de uns dias de férias pela galáxia, retorno ao blog e me deparo com um texto ótimo de mr.Raffaelli sobre o Johnne Alf e a bossa nova. Gosto muito desse tipo de música, especialmente dos anos 50/60/70. Só que não é minha especialidade e quando leio os textos do articulista e dos participantes do blog, é tanta informação nova para mim que as vêzes fico "mais perdido que cego em tiroteio". Mas, valeu muito e que venha mais, só assim poderei aprender um pouco sôbre este estilo musical e seus músicos.
Quanto a criação de um canal de TV a Cabo, mr.Sergio, esqueça a minha participação pois só ia dar "ponto furado" (não tenho "gabarito" para opinar sobre bossa-nova). Com relação ao disco "Brasil saluda a Mexico" do Tamba Trio, foi lançado em CD sim senhor, não só ele como vários outros excelentes também dos anos 60, liderados por Edison Machado, Dom Um Romão, Tenório Jr., Raul de Souza, Bossa Tres, Roberto Menescal, Cesar Camargo Mariano, Som Nove, dentre outros como o citado por você, mr.Sergio, em seu ultimo post: Sergio Mendes e Bossa Rio chamado literalmente "Voce ainda não ouviu nada!" (Dubas musica/Universal music-1963, com Sergio Mendes, Tião Neto, Edison Machado, Edson Maciel, Raul de Souza e Hector Costita). Vale a pena ouvir também o disco com o Rio Trio 65 (CD de mesmo nome da Universal music de 1965,com Dom Salvador, Sergio Barroso e Edison Machado) que é simplesmente sensacional, destacando-se as músicas Mau, Mau e Sonymoon for two. Para quem gosta de piano trio e de bossa nova é imperdível. Não fica nada a dever aos melhores trios de músicos americanos de jazz.

Érico Cordeiro disse...

Tá vendo, Mr. Sérgio.
Não demora nada e já se tem informações sobre o disco.
Esse barzinho só tem cliente fera!
E hoje, vamos pra cima do São paulo, faturar mais três pontinhos!
O Atlético-MG vai tropeçar e assumimos a ponta do brasileirão!
Abraços, meu caro - se puder, dê mais detalhes sobre o cd, ok?
Não tenho o disco do Rio Trio 65, mas adoro o Dom Salvador (tenho dois discos dele, ambos sensacionais).

Anônimo disse...

... E o Predador diz que não sabe nada sobre o assunto. Seu Sam, se existe outra forma de se encontraqr as coisas sem o oráculo google, eu ia dizer que desconheço, mas não, sobre música é só vindo aqui. No caso do discaço, "Brasil Saluda Mexico", só quando o Predador disse q o disco saiu sim em CD (mas saiu no Brasi? continuo perguntando...), eu virei a primeira página do Google e descobri q havia (ou parece haver) sim uma versão em CD

emborea veja esteja escrito "item noit found"

http://www.systemrecords.co.uk/tamba-trio-brasil-saluda-mexico-p-1047507.html

Num blog, tbm encontrado na 2º página do google

http://jazz-releases.blogspot.com.br/2010/09/tamba-trio-brasil-saluda-mexico-orefon.html

Mostrando q o selo do disco/CD é OREFON... (???) Bom, aí o mestre Raffaelli escreve que acha que o Predador tem todos os discos que já saíram no mundo e o Predador desconversa...

Seu san, vc ouviu as músicas do Brasil Saluda... q eu te mandei por emeio? E se sim, ficou alguma dúvida q o disco é especial?

AQbraços a todos os Cobras da casa. Isso aqui definitivamente não é pra amador.

Ah! e este único amador acabou confundindo o profissional: O disco do Sergio Mendes é "Você ainda não ouviu nada" e não você nunca ouviu nada igual, como eu escrevi.

Érico Cordeiro disse...

Meu caro, realmente estou mais por fora do que asa de avião. Nunca ouvi falar desse tal Orefon!!!
Mas tô muito a fim desse disquinho bem aqui, que custa modestíssimas 50 doletas no Amazon (incluindo frete): http://www.allmusic.com/album/stride-right-mw0000471353
Reco-lstinha nele, ok?
Abração.

José Domingos Raffaelli disse...

Prezados confrades,

Só agora tomei conhecimento de que existe o CD "Brasil saluda Mexico", do qual jamais sequer lera ou ouvira falar. Vivendo e aprendendo.

Com relação ao RIO 65 TRIO, redigi o texto da sua contracapa quando foi editado no Brasil por volta do distante ano de 1960 (acho).
Grande abraço e keep swinging,
Raffaelli

José Domingos Raffaelli disse...

Dear Gran Master Boss Érico e demais confrades (ou, como diria o saudoso Jonas Silva, dono do selo Imagem que lançou pela primeira vez no Brasil LPs de Charlie Parker, Sonny Rollins, Kenny Dorham, McCoy Tyner, Milt Jackson, Thelonious Monk, Coleman Hawkins, Miles Davis e outros, "demais compadres"),

Após tantos comentários e apreciações sobre o genial Johnny Alf, esqueci de acrescentar que, quando Carmen McRae veio ao Rio pela primeira vez, ela ouviu Johnny Alf cantar e tocar "Eu e a Brisa" no extinto e então badalado Clube 21, sediado na Lagoa Rodrigo de Freitas. Carmen ficou tão empolgada a ponto de querer levá-lo para os States e pediu autorização dele para gravar sua fantástica obra prima, que ela obviamente não conhecia. Todavia, como Johnny Alf era muito tímido e jamais considerou-se grande músico (por incrível que pareça, existem seres humanos humildes!!!), preferiu ficar aqui embora falasse inglês fluentemente.

Era meu dever acrscentar essa informação sobre "o pai espiritual da Bossa Nova".
Keep swinging,
Raffaelli


P.S. Vocês não acreditarão, claro, mas vi e ouvi Johnny Alf compor em menos de 15 minutos sua composição "Seu Chopin, desculpe", no piano da casa do Luiz Paulo Ribeiro, onde ele morava na época. Mas essa é outra história.
Keep swinging,
Raffaelli

Érico Cordeiro disse...

Não só acredito, Mestre, como fico aqui imaginando a emoção que você deve ter sentido, ao ver um monumento da nossa música ser criado!
Um fraterno abraço - ando muito "aperreado" nos últimos tempos, com mudanças à vista e muito trabalho, por isso a freqüência de postagens caiu um pouquinho.
Mas em breve espero retomar o velho ritmo.
Abraços;

José Domingos Raffaelli disse...

Dear Gran Master Boss Érico e demais confrades jazzísticos,

Após lermos e escrevermos bastante sobre o incomparável Johnny Alf, o pai espiritual da Bossa Nova, só hoje lembrei que o escritor João Carlos Rodrigues redigiu um livro sobre JOHNNY ALF que, de acordo com suas informações preliminares, deveria ter sido editado, mas nada aconteceu.

Há mais de dois anos João Carlos preocurou-me via internet solicitando que escrevesse o que quisesse sobre Johnny Alf para inserir meu texto no referido livro, que atendi prontamente agradecendo sua especial deferência. Todavia, a que eu saiba, decorrido todo esse tempo o referido livro não viu a luz do dia, como se esse trabalho houvesse sido evaporado. Curiosamente, meu grande amigo e jornalista Antonio Carlos Miguel também foi procurado pelo João com a mesma finalidade (escrever sobre Johnny Alf) e até hoje também não sabe quando o livro será editado. Curiosamente, João Carlos descobriu a gravação de um LP pirata de Johnny Alf cantando músicas de Tom Jobim com letras em inglês, do qual enviou-me uma cópia. Esse LP teria sido gravado para lançamento de uma gravadora nacional, porém, segundo ele, não aconteceu em face de certas dificuldades relacionadas com a autorização da editora musical que detém os direitos da obra musical de Jobim. A propósito, Antonio Carlos Miguel também recebeu uma cópia do referido LP, que, diga-se de passagem, além de uma grande raridade, é um documento único da versatilidade do grande Johnny Alf.

Keep swinging,
Raffaelli

José Domingos Raffaelli disse...

Dear Gran Master Boss Érico e demais confrades jazzísticos,

Após lermos e escrevermos bastante sobre o incomparável Johnny Alf, o pai espiritual da Bossa Nova, só hoje lembrei que o escritor João Carlos Rodrigues redigiu um livro sobre JOHNNY ALF que, de acordo com suas informações preliminares, deveria ter sido editado, mas nada aconteceu.

Há mais de dois anos João Carlos preocurou-me via internet solicitando que escrevesse o que quisesse sobre Johnny Alf para inserir meu texto no referido livro, que atendi prontamente agradecendo sua especial deferência. Todavia, a que eu saiba, decorrido todo esse tempo o referido livro não viu a luz do dia, como se esse trabalho houvesse sido evaporado. Curiosamente, meu grande amigo e jornalista Antonio Carlos Miguel também foi procurado pelo João com a mesma finalidade (escrever sobre Johnny Alf) e até hoje também não sabe quando o livro será editado. Curiosamente, João Carlos descobriu a gravação de um LP pirata de Johnny Alf cantando músicas de Tom Jobim com letras em inglês, do qual enviou-me uma cópia. Esse LP teria sido gravado para lançamento de uma gravadora nacional, porém, segundo ele, não aconteceu em face de certas dificuldades relacionadas com a autorização da editora musical que detém os direitos da obra musical de Jobim. A propósito, Antonio Carlos Miguel também recebeu uma cópia do referido LP, que, diga-se de passagem, além de uma grande raridade, é um documento único da versatilidade do grande Johnny Alf.

Keep swinging,
Raffaelli

José Domingos Raffaelli disse...

Dear Gran Master Boss Érico e c ompanheiros de blog,

Após o post anterior, retorno com outro assunto, esperando não aborrecê-los demasiadamente.

Embora o assunto em pauta foi sobre Bossa Nova e Johnny Alf, houve um grande compositor brasileiro de samba-jazz cujos temas empolgaram músicos e ouvintes pela originalidade, criatividade e sobretudo pelas inovações que contribuiu para nossa música instrumental, mas que ficou esquecido na poeira do tempo. Seu nome era Mario Albanese e como todos os inovadores, foi criticado por certos compositores medíocres que se limitavam ao b/a-ba musical para desencadearem a lenha nele sem dó nem piedade.
Qual foi o "crime" que imputavam a Mario Albanese ?
Não aceitavam de forma alguma o fato de ele compor seus temas espetaculares em andamento 5/4 (considerado impossível pelos "doutores reclamantes", que causou forte celeuma e difamações sobre Albanese, mas os verdadeiros conhecedores exultaram com o inovação, principalmente os músicos, que aprovaram in totum.
O carro-chefe dessas obras-primas foi "O Balanço do Jequibau", gravado pelo sensacional quinteto do pianista Luiz Loy se não me engano para a RCA Victor.
Gostaria que tal discop houvesse sido lançado em CD, pois o considero fenomenal. A formação do quinteto de Luiz Loy (alguém saberá informar se ele ainda toca?) foi esta: Luiz (piano), Roberto Bandeira (baixo), Zinho (bateria), Mazzola (sax tenor e flauta) e o fabuloso Papudinho (trompete - alguém sabe se ele ainda toca ?). Isso foi nos anos 60
Também desconheço se o notável Mario Albanese ainda trabalha com música.
Encerrando, para dar uma idéia da genialidade de Mario Albanese compondo em andamento 5/4 (que os "geniais" invejosos diziam ser impossível de ser empregado em música brasileira), acrescento que o grande trompetista Red Rodney gravou nos anos 60 "Nós Dois Na Tarde", de Mario Albanese. E agora, João, será que os medíocres ainda reclamarão ?
Resumindo, em minha opinião, Mario Albanese foi o compositor mais underrated da música instrumental brasileira.
Keep swinging,
Raffaelli

José Domingos Raffaelli disse...

Dear Gran Master Boss Érico & companheiros,

Esta é a última intervenção de hoje e depois deixo-os em paz.

Após mencionar o LP do quinteto de Luiz Loy, lembrei que em 1961 o baterista Zinho comprou a bateria de Buddy Rich quando este tocou em São Paulo com seu conjunto.
Keep swinging,

Raffaelli

Érico Cordeiro disse...

Mestre Raffaelli,
Peço desculpas pelo atraso na resposta, pois ando um pouco afastado do blog, por circunstâncias profissionais.
Tomara que esse período de "ócio criativo" resulte em postagens :-)
Brincadeiras à parte, obrigado pela força de sempre e por dividir seus enciclopédicos conhecimentos.
Confesso que nunca havia ouvido falar em Mario Albanese, se vem com a sua chancela, é porque deve ser um senhor músico e compositor.
Vou tentar achar algo dele pela rede.
Um fraterno abraço e obrigado pela presença sempre esclarecedora e iluminadora!

Google Analytics