Amigos do jazz + bossa

terça-feira, 31 de janeiro de 2012

MENSAGEM NA GARRAFA




Vontade inconclusa de pertencimento

De usufruir do incomunicável repouso

De celebrar as intimidades profanas

De vislumbrar os fugazes contornos

De partilhar os hálitos

Vontade inconclusa de remissão

De trocar a esterilidade argilosa da conveniência

Pelo risco prenhe de sentido

Pela plêiade de sensações

Pela tréplica física do gozo

Pela cumplicidade elementar

Vontade inconclusa de atirar os objetos pelo chão

De correr desamarrado pela chuva

De ouvir os cânticos festivos

De rechaçar o tédio insidioso

De espanar a ferrugem da alma

De abolir a convivência enfadonha

Vontade inconclusa...

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O hoje pouco lembrado Leo Parker, nascido no dia 18 de abril de 1925, em Washington – DC, foi um dos mais talentosos baritonistas surgidos nos anos 40. Ao lado de Serge Challoff, Cecil Payne e Sahib Shihab, Parker pertence à primeira geração do bebop. Seu primeiro instrumento foi o sax alto, que aprendeu a tocar na ainda adolescência.

Foi tocando o sax alto que ele fez a sua primeira gravação, acompanhando o lendário Coleman Hawkins, em fevereiro de 1944, na célebre gravação de “Woody ’N You”, de Dizzy Gillespie, e que é considerada um marco na história do jazz moderno. Além de Parker e Hawkins, participaram da sessão Dizzy Gillespie, Don Byas, Clyde Hart, Oscar Pettiford e Max Roach, com arranjos elaborados por Budd Johnson.

Em dezembro daquele ano, Parker trocou o alto pelo barítono, após ser contratado por Billy Eckstine para integrar a sua big band, onde permaneceria até o final do ano seguinte. Na orquestra, ele encontrou algumas almas gêmeas musicais, como Dexter Gordon, Sonny Stitt e Gene Ammons. Os quatro formavam os “Unholy Four”, malucos e talentosos em igual medida e Parker, mais novo dos quatro, era carinhosamente chamado de “The Kid”.

A banda de Eckstine podia ser considerada um verdadeiro Estado-Maior do bebop, pois além dos músicos anteriormente citados, em suas hostes se perfilavam, ainda, luminares como Charlie Parker, Fats Navarro, Dizzy Gillespie e Art Blakey, apenas para nominar alguns. Leo tornou-se amigo de Gillespie e em 1946 fez parte do grupo do trompetista de bochechas colossais.

Em seguida, Parker passaria pela banda de Illinois Jacquet, entre 1947 e 1948, além de participar de gravações sob a liderança de Tadd Dameron, Fats Navarro, Bud Powell, J. J. Johnson, Charlie Rouse, Stan Getz, Teddy Edwards, Trummy Young, Wardell Gray, Kai Winding, Sarah Vaughan, Miles Davis, Gene Ammons e Sir Charles Thompson. Com este último, compôs “Mad Lad”, que chegou a fazer um relativo sucesso e foi lançada em disco pela Apollo Records, em julho de 1947.

Outra composição de Parker, “Settin’ The Pace”, em parceria com Dexter Gordon, se converteria em um pequeno clássico do jazz. Aos 22 anos, em dezembro de 1947, Leo realiza suas primeiras gravações como líder, para a Savoy. O disco de 78 rotações continha duas músicas, “El Sino” e “Wild Leo”, e contou com a participação de Gordon.

No início da década de 50, Parker, assim como vários outros músicos ligados ao bebop, padecia de uma grave dependência química. Durante os próximos anos ele travaria uma intensa guerra contra o vício em heroína, que lhe devastaria a saúde e lhe traria severos prejuízos à promissora carreira. Em 1954 ele se afastou da música, alegando problemas pulmonares e praticamente não gravou, apresentando-se muito esporadicamente em clubes da região de Washington.

Em 1961, o produtor Alfred Lion ofereceu a Parker a chance de sair da obscuridade, contratando-o para lançar um álbum pela Blue Note, “Let Me Tell You ‘Bout It”. O disco foi gravado em sessão única, no dia 09 de setembro, com engenharia de som do mago Rudy Van Gelder e serve como um formidável mostruário das capacidades do saxofonista, cuja formação musical agrega elementos de R&B, blues, soul, gospel e jazz em igual medida.

O acompanhamento ficou a cargo de músicos bem pouco conhecidos, mas com vasta quilometragem em palcos e estúdios: Bill Swindell (tocou com Lionel Hampton, Lucky Millinder e Trummy Young) no saxofone tenor, John Burks (oriundo das bandas de Johnny Hodges, Louis Bellson e Eddie “Cleanhead” Vinson) no trompete, Yusef Salim (com passagens pelos grupos de Mongo Santamaria e Cannonball Adderley) no piano, Stan Conover (trabalhou ao lado de Arnett Cobb, Gene Ammons e Eddie Harris) no contrabaixo e Purnell Rice (esteve na orquestra de Count Basie e nas bandas de Hal Singer e Dakota Staton) na bateria.

O disco é um caleidoscópio de influências, indo desde o bebop feérico de “Glad Lad” (tema de autoria do líder, que brilha em duelos com o não menos intrépido Burns) ao blues taciturno de “Blue Leo”, parceria de Parker com o grande Ike Quebec. Nesta, a sonoridade gutural do líder se impõe de maneira onipresente, como um doloroso e exasperado lamento.

Ainda navegando pelas pantanosas águas do blues e do gospel, o quinteto apresenta a lancinante “Let Me Tell You 'Bout It”, de Robert Lewis. Com um arranjo que evoca as bandas de rua de Nova Orleans e uma cadência marcial, o tema possui a eloqüência de um sermão, sendo que os sopros em uníssono, o contrabaixo fantasmagórico de Conover e a bateria imponente de Rice conferem-lhe uma incontestável dignidade.

O mesmo Robert Lewis assina “VI”, um tema incisivo e vibrante, no qual se pode ouvir com nitidez o som opulento de Parker, a riqueza do seu fraseado e a velocidade com que costura os acordes. O piano nervoso de Salim e as intervenções eletrizantes de Swindell são outros pontos altos desta faixa. “Parker’s Pals é um hard bop pulsante e musculoso, na linha de Horace Silver, e apresenta um ótimo trabalho de Rice com as escovas e atuações de tirar o fôlego de Swindell e do líder, que assina o tema.

O pianista é o autor de “Low Brown”, soul jazz devastador, com uma batida infecciosa e uma levada irresistível. É um tema simples, baseado em poucos acordes, que lembra a estrutura do hit “The Sidewinder”, de Lee Morgan. Os improvisos de Parker são voluptuosos, ricos em idéias e extremamente dinâmicos. As intervenções de Burks, rápidas e inflamadas, também chamam a atenção.

A explosiva “TCTB” é uma composição de Parker e Swindell, baseada nas harmonias de “Sweet Georgia Brown”. O curioso título vem das iniciais de “Taking Care of the Business” e o sexteto faz exatamente isso: toma conta dos negócios com precisão, ousadia e muito swing, com direito a uma esperta citação a “Bebop”, de Dizzy Gillespie. Saxofones barítono e tenor duelam como dois alucinados e acrescentam à receita doses cavalares de histamina.

O cd traz duas faixas-bônus, que não foram incluídas no LP original: a trepidante “The Lion’s Roar”, de Parker e Russell Jacquet, e uma versão estendida de “Low Brown”, com quase nove minutos de duração. Scott Yanow, do site Allmusic, deu ao disco quatro merecidas estrelas e afirma que nesta gravação o saxofonista se encontra “no auge de sua forma e rodeado de músicos inspirados”.

Pouco mais de um mês depois desta sessão, o saxofonista voltaria ao estúdio de Van Gelder para gravar “Rollin’ With Leo”, seu segundo álbum para a Blue Note. Swindell e Burks permanecem, mas a sessão rítmica é outra: Al Lucas no contrabaixo, Johnny Acea no piano e Wilbert Hogan na bateria (Stan Conover e Puenel Rice tocam em duas faixas apenas). A fraca repercussão do disco anterior fez com que a gravadora segurasse o lançamento de “Rollin’ With Leo” por inexplicáveis vinte e cinco anos e somente em 1986 o álbum chegou ao mercado.

Infelizmente, muito tarde para que Parker obtivesse um reconhecimento minimamente proporcional ao seu gigantesco talento. Ele faleceu no dia 11 de fevereiro de 1962, em Nova Iorque, em decorrência de um ataque cardíaco. Tinha apenas 36 anos e, na abalizada opinião do crítico britânico Richard Cook, era “um dos melhores baritonistas do bebop”.

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30 comentários:

coimbra disse...

O Mestre mandou, obedeci.

Barítono. São poucos como vc comentou.
A dificuldade de desenvolver uma melodia num instrumento "pesado" é tarefa para poucos.
Gosto do Mulligan, claro, um melodista, Cecyl Payne, mas tb idolatro o lirismo de Harry Carney.
Aqui, o nosso Aurino não fez feio.
Abraços.

Érico Cordeiro disse...

Grande Mestre Coimbra,
Folgo em lê-lo!
Excelentes lembranças de sujeitos que dominavam com excelência o difícil sax barítono.
O Sávio Araújo, maranhense, também toca muito este belo instrumento.
Alvíssaras e um grande abraço!

pituco disse...

érico san,

putz poemaço...e coincidente com o som profundão do barítono...bacanudo pacas...há aquela famosa foto em que o instrumento parece ser maior do que mr.mulligan...rs

curtindo a radiola...bebop saudosos
abrçsons

José Domingos Raffaelli disse...

Dear Gran Master Boss Érico,

Tive oportunidade de entrevistar Billy Eckstine quando apresentou-se no Rio, em 1979.

Aproveitei a chance para perguntar-lhe sobre sua famosa big band que nos anos 40 foi, segundo ele, a força motriz que impulsionou uma série de astros do bebop.

Trompetes: Dizzy Gillespie, Fats Navarro, Howard McGhee e Miles Davis.

Saxes: Charlie Parker e Sonny Stitt (altos), Lucky Thompson, Dextewr Gordon e Gene Ammons (tenores), Leo Parker (barítono).

Trombones: J. J. Johnson, Jerry Valentine e Benny Green.

Piano: John Mallachi
Baixo: Tommy Potter
Bateria: Art Blakey
Vocalistas: Eckstine e Sarah Vaughan

Imaginem o que podia sair desse timaço de jovens que tocavam pra valer a todo vapor!!

Para mim, esse foi o verdadeiro "dream team" do jazz.

Com relação à resenha, felicito-o por selecionar um CD de Leo Parker, que há muito tempo estava inteiramente marginalizado pela imprensa jazzística.

Keep swinging,
Raffaelli

Keep swinging,
Raffaelli

Érico Cordeiro disse...

Caríssimos Pituco e Raffaelli,
Uma honra recebê-los no barzinho!
Imagine você, meu Embaixador, que em novembro úlimo tive a felicidade de assistir, no Rio, a uma apresentação do quinteto do baterista Fernando Pereira (amigo do Fig e muito gente fina) no Marcô, em Santa Teresa. Para minha surpresa, quem estava lá era o maranhense Sávio Araújo, tocando saxes alto e barítono. Ele detonou!
Mestre Raffaelli, de fato poucas orquestras contaram, em suas fileiras, com figuras tão talentosas. Que o Leo Parker possa ter, a partir de agora, um pouco mais de visibilidade. Tocava muito The Kid!
Abraços!

José Domingos Raffaelli disse...

Caro Érico,

Perdoe minha ignorância, mas o baterista Fernando Pereira tocou algum tempo nos Estados Unidos ?

Quanto ao Sávio Araujo, fiquei profundamente honrado por ele haver impresso um artigo que escrevi na capa do seu primeiro LP. Ele está no Rio ?

Keep swinging,
Raffaelli

Érico Cordeiro disse...

Mestre Raffaelli,
Conheci o Fernando por intermédio do Olney (o Figbatera). Conversamos duas vezes, quando estive aí em setembro e em novembro, antes das apresentações do grupo no Marcô e ele me falou que tocou muitos anos com Dominguinhos e com Sivuca, mas o Fig deve sabewr mais detalhes (vamos esperar o Embaixados nas Terras D'El Rey aparecer aqui no barzinho).
Quanto ao Sávio, ele é muito talentoso - o pessoal que estava no Marcô ficou boquiaberto com sua pegada!
Grande abraço.

Francis Juif disse...

Esse TCTB me fez esquecer a minha dor de existir por uns minutos. Saravá!

Érico Cordeiro disse...

Olá, Francis!
Puxa, é por ler coisas como essa que mantenho aberto o jazzbarzinho! Seja mais que bem-vindo e se junte à nossa confraria, afinal, como falou Nietzche, "sem música, a vida seria um erro".
Abraços!

PREDADOR.- disse...

Um estrondo, um raio, surgiu uma luz no "fim do tunel". Voltou a reinar a sanidade neste blog mr.Cordeiro. Leo Parker, baritonista de primeira linha, gravou pouquíssimos discos como líder, mas, em compensação participou de várias sessões como sideman de músicos de expressão no contexto jazzístico. Minha preferência "jazz baritonística" sempre foi Gerry Mulligan, entretanto, reconheço em Leo um músico correto, de sopro firme, vigoroso até e de ótima técnica. Assim só tenho a parabenizá-lo pelas escolhas: belo poema de abertura, serevindo de base para a excelente resenha sôbre o competentíssimo Leo Parker. Que maravilha! Com relação as gravações da Apollo e Savoy, gostaria de ilustrar um pouquinho mais seus comentários. Embora minhas considerações sejam de pouca relevância, servirão para complementar suas preciosas informações acêrca da trajetória musical de Leo Parker. Vamos a elas = Apollo series são 4 gravações "Tunis In", "Strange Hour", "Rhythm Itch" e "Mad Lad", de 1947, que estão incluidas no álbum "TAKIN' OFF" liderado por Sir Charles Thompson, editadas em CD pela Delmark; Savoy sessions são 4 gravações "El Sino", "Ineta", "Wild Leo" e "Leaping Leo", também de 1947, incluidas no álbum "RED TOP" de Gene Ammons, editadas em CD pela Savoy. Estas informações foram retiradas dos álbums mencionados, adquiridos por mim alguns anos atrás. É isso.

PREDADOR.- disse...

No texto acima onde se lê ...serevindo de base...leia-se ...servindo de base...
(Um dia ainda consigo domar este maldito computador. Ou consigo domá-lo ou então vou "detoná-lo").

Érico Cordeiro disse...

Graaaaaande Predador!
Seja mais que bem-vindo!
Vou mudar um pouco a ótica da coisa, já que o leo parker é meio que "chover no molhado". Ele é craque, seus discos são formidáveis e é uma pena que não tenha tido um reconhecimanto maior.
Mas agora quero fazer um pouco de "futrica" :-)
Que diabos está acontecendo no Jazzseen?
Aquilo lá é um blog de jazz ou uma granja?
Entrei lá e era Marreco pra cá, Ganso prá lá, Peru aqui, Pinto ali! Deus me livre!
Cadê John Lester, prá colocar ordem naquela bagunça? Cadê Paulinha?
Me responda, meu intergalático amigo!
Abração!

PREDADOR.- disse...

Olha mr.Cordeiro, pelo que pude sondar, mr.Lester está atualmente investindo na carreira de seu amigo, o pintor Nardelli, e deve ter "alugado" seu blog para o contador de "historinhas do boi-tatá",sr.Marreco. Já enviei um recado para mr.Lester pedindo-o para retornar com o jazz/vinhos/livros e moralizar a coisa(o blog), senão, com aquelas "trocas de chumbo entre aves", vai acabar "voando pena" p'ra todo lado.

Érico Cordeiro disse...

Pois é! Daqui a pouco colocam um avestruz no Jazzseen! Paulinha Nadles, em nome de tudo o que vivemos naquela semana memorável em Vitória, Vila Velha e adjacências, SOCORRO!

Sergio disse...

Acabo de ouvir de cabo a rabo, Rollin' with Leo - esse postado não tenho. Quanto ao da audição, o seu poema diz tudo. Quanta raiva, quanta impotência rija e quanto sentimento, que somente a música pode retratar... No caso de Leo, não era suficiente. Se você tem o Rollin', reouça "Talkin' The Blues", tá tudo lá.

Abraços e mr., me perdoe a pressa - como diria o da Viola -, é a alma dos nossos negócios.

Érico Cordeiro disse...

Mestre Sérgio,
The man with the bike!
Dois discos esxelentes esses do Leo arker.
O Rollin' é bem mais puxado ao blues, com uma atmosfera pesadona. Gosto bastante!
E se a pressa tá grande é porque "o lojinha" tá bombando!
Abração!

MJ FALCÃO disse...

Boa música e gostei do poema! Tem de concluir...
O *Parker, conhecido ou não, é uma delícia ouvir!
Abraço. Estou de volta...

Érico Cordeiro disse...

Olá, querida!
Bom te-la a bordo.
Obrigado pelas palavras generosas - quanto ao poema, a inconclusão faz parte da sua natureza.
Um fraterno abraço, diretamente do Brasil.

Sergio disse...

seu mr. érico, tenho tempo. e hoje nessa tarde avermelhada carioca, resovi ouvir leo parker com mais vagar, além de claro, ler sua resenha. tá tudo ou melhor, zuzo certo, já q estou na 5ª "vejinha". é um passeio pelas cervejas q resolvi fazer, agora tou na Heineken. mas já rolaram duas petras pretas, uma bohemias e uma estelinha... tá bom pá tu? anfã, ouvi o álbum postado e amanhã vai pá lojinha (o lojinha com a seguinte resenha na contra-capa:

Como foi dito nas pequenas mal traçadas explicativas para o álbum Rollin’ with Leo (1961), Leo Parker deixou a vida para tratar de assuntos pra ele mais urgentes como dívidas a quitar com aquele moço que ceifa. Pois é, o da túnica preta que costuma andar com a foice na mão. E esta sessão seria a primeira para a mais influente grife do jazz, a Blue Note. Um aceno à consciência de que tais débitos podem e devem ser postergados. Resumidamente um dos principais saxofonistas (barítono) do bebop (ex-membro da orques-tra do lendário Billy Eckstine), Leo Parker passou de um provável estrelato, entre os 1940 e 50, ao completo anonimato em seguida: na maior parte do tempo a ter com as drogas o que não encontrava no mundo real. Até que gravou esses dois álbuns no mesmo 1961, intervalados por menos de mês entre um e outro – este, “Let Me Tell You 'Bout It”, em setembro e “Rollin’ With Leo”, outubro. Mas nem a grande recepção da crítica, fê-lo voltar a trás, ou melhor, ir adiante com sua música e técnica promissoras. Acontece. E aqui ninguém está julgando, apenas lamentando, já que o estripador de si mesmo depois de gravar o segundo álbum em outubro de 1961, morreu de um ataque cardíaco, em 11 de fevereiro de 1962, aos 36 anos. Um músico gutural que enfatizou o registro inferior do barítono e foi nfluenciado por gente como Illinois Jacquet. No entanto, Parker (que gostava de se juntar a bons sidemen obscuros) soa em sua melhor forma durante este programa variado que inclui swingers rígidos, o funk gospellish da faixa-título, duas faixas que não faziam parte do LP original: "Leon’s Roar" e uma versão longa de "Low Brown". Vale muito à pena ouvir e se aprofundar na música de Leo Parker! Afinal, como dirá até o insensível da túnica preta: pessoas, a gente passa a foice mesmo, já a obra, nem depois da pá de cal.

Érico Cordeiro disse...

Grande Sérgio!
Gostei do passeio etílico-geográfico!
Quisera eu estar por aí para dar uma força nessa tarefa inglória que é esvaziar algumas garrafinhas do precioso líquido.
Quanto ao texto da capa, está irretocável. Excelentes vendas amanhã - é o que eu e o Dudu esperamos :-)
Abração!

José Domingos Raffaelli disse...

Dear Gran Master Boss Érico,

Há séculos passados, quando o Rio de Janeiro era realmente a Cidade Maravilhosa e a vida era risonha e franca, eu e um grupo de amigos jazzófilos idealistas fundamos o Rio de Janeiro Jazz Club, de saudosa memória, e de vez em quando organizavamos jam sessions com alguns dos nossos melhores músicos (Cipó, Moacir Santos, K-Ximbinho, Julio Barbosa, Aurino Ferreira, Norato, Dick Farney, Alex Andrade, Luiz Marinho, Jorginho Ferreira da Silva, Wagner Naegele, Clélio Ribeiro e tantos outros). Numa jam realizada na Associação Brasileira de Imprensa tocou a big band do meu grande e saudoso amigo Cipó, que só tocava composições de jazz. Um dos seus arranjos mais vibrantes era o blues "Ineta", de Leo Parker, que o público delirava com a sucessão de solos dos músicos.
Nessa época havia um cidadão que se arvorava em grande conhecedor de jazz, mas era um autêntico bicão, usando o jargão depreciativo dos jornalistas, ou seja, pretendia convencer os incautos que era uma sumidade em jazz e, em meio a essas atitudes presunçosas, dizia colossais asneiras.
Nessa jam session, sem que lhe pedissem, mas ele pagava para aparecer, ao terminar a execução de "Ineta" subiu ao palco como se fosse o apresentador do evento e afirmou que a orquestra tocara "Ineta, uma composição de Cipó feita especialmente para a jam session", sendo aparteado pelo próprio Cipó afirmando que o autor era Leo Parker, e não ele. O bicão não gostou do aparte, resmungou algo ininteligível contra Cipó e deixou o palco contrariado. Esse cidadão, se assim podemos chamar, ainda vive por aqui e, segundo consta, continua a dizer que ele é um dos maiores conhecedores de jazz do mundo!

Essa é uma das inúmeras historinhas dos acontecimentos jazzísticos no Rio dos anos 50.

Keep swinging,
Raffaelli

Érico Cordeiro disse...

Meu querido Mestre Raffaelli e suas histórias saborosas!
Seria esse Bicão parente do célebre "Jezzeduqueitor"?
Grande abraço!

José Domingos Raffaelli disse...

Dear Gran Master Boss Érico,

Então já ouviu falar do malfadado "Jezzeduqueitor" ?
O referido bicão acima descrito é um antecessor daquele que você ouviu falar; todavia, como há anos não tenho notícia do veteraníssimo "Jezzeduqueitor", pode ser que ele tenha-se mudado para outra cidade.
Keep swinging,
Raffaelli

Érico Cordeiro disse...

Pois é, o "Jezzeduqueitor" é famoso! Tem um monte de histórias sobre ele que, segundo consta, vive a repetir o bordão:
- Não sou casado, sou solteiro!

José Domingos Raffaelli disse...

Caro amigo e Gran Master Érico,

Sua menção ao malfadado "Jezzeduqueitor" comprova que você está muito bem informado sobre as desonestidades e peraltices do referido energúmeno, cujas estripolias superam de longe os picaretas de plantão da relação "Procurado pela polícia".

Para você avaliar a que grau de expediente esse péssimo elemento lança mão desonestamente para obter vantagens, no tempo em que eu trabalhava no Jornal do Brasil ele procurou o editor-chefe oferecendo-se para tomar o meu lugar como crítico de jazz, argumentando que eu nada conhecia de jazz e era um bicão ultrapassado.

Posteriormente o dito cujo repetiu a manobra excusa quando trabalhei no Globo, com os mesmos argumentos. Na época, o diretor da redação era um primo dele, mas deu-se muito mal porque este conhecia de sobra as trampolinagens do indesejável primo.

O bicão anterior a que me referi publicava um boletim de 2 páginas sobre jazz. Certa vez solicitou-me redigir uma crítica sobre um disco de jazz, mas não aceitei porque no dia seguinte viajaria para Buenos Aires. Isso foi suficiente para o bicão fazer uma campanha contra mim repleta de difamações e mentiras. O assunto evoluiu a tal ponto que ele e um de seus asseclas foram ao Consulado Americano para informarem-se se eu realmente viajara aos Estados Unidos em 1954. Foram atendidos por uma amiga minha que trabalhava no Consulado (e contou-me depois), mas, como não era permitido dar esse tipo de informação a estranhos, saíram de lá decepcionados. Por aí você pode imaginar que tipo de desclassificados eram esses canalhas. A coisa só terminou quando fui destratado por ele nas dependências da antiga EMI-Odeon e, cansado de suas artimanhas, lá mesmo apliquei-lhe implacavelmente o corretivo que mereceu, ficando o caso definitivamente encerrado.
Esse triste episódio, posso dizer, encerrou uma sórdida campanha dos bastidores do submundo jazzístico carioca, se assim posso definir...

Keep swinging,
Raffaelli
definir o caso....

Keep swinging,
Raffaelli

Érico Cordeiro disse...

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Bravo, Mestre!
O pilantra recebeu o que merecia!

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José Domingos Raffaelli disse...

Dear Gran Master Boss Érico,

Apenas outro detalhe sobre as arremetidas do "Jezzeduqueitor" no Jornal do Brasil e O Globo para substituir-me em ambos: sua volúpia em derrubar-me era tanta que ofereceu-se para trabalhar de graça....

Keep swinging,
Raffaelli

Érico Cordeiro disse...

Esse é o famoso "mala sem alça", Mestre!!!!

Anônimo disse...

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Anônimo disse...

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