Amigos do jazz + bossa

terça-feira, 6 de março de 2012

MEU NOME É MOISÉS. MAS PODE ME CHAMAR DE MAURÍCIO!


Como é que se constrói uma lenda? Com sorte, talento, presença de espírito, coragem e perseverança. Moisés David Einhorn possui todas essas qualidades e muitas mais. Uma das primeiras coisas que se percebe nesse carioca de quase 80 anos é o seu permanente bom humor. Ele é capaz de passar horas contando piadas e causos sobre aquilo que presenciou ao longo dos seus mais de sessenta anos como músico profissional.

Tom Jobim popularizou a frase “a saída para o músico brasileiro é o Aeroporto do Galeão”, mas seu verdadeiro autor é Moisés. Aliás, Maurício, nome artístico que adotou no início da carreira e que carrega até hoje. O curioso é que Maurício jamais morou muito tempo fora do Brasil, embora tenha tocado nos Estados Unidos e em inúmeros países da Europa. Em 1972 teve a chance de morar e trabalhar na Terra de Tio Sam, a convite do amigo Sérgio Mendes.

Ele até já estava no país e já havia ultrapassado boa parte do demorado processo burocrático para a obtenção de um visto de trabalho. Nessa empreitada, ele tinha em mãos uma carta assinada por ninguém menos que Frank Sinatra, dirigida ao governo norte-americano e intercedendo pelo gaitista, mas problemas particulares o obrigaram a permanecer no Brasil e o sonho de residir nos Estados Unidos teve que ser adiado.

Maurício nasceu no Rio de Janeiro, no dia 29 de maio de 1932, em uma família de imigrantes judeus poloneses. Embora tivesse nascido na Lapa, foi criado no Flamengo, e a sua família era bastante musical. Tanto o pai quanto a mãe tocavam gaita e o garoto, com apenas cinco anos de idade, deu seu os seus primeiros passos no instrumento. Aluno do Colégio Franco-Brasileiro, o pequeno gaitista costumava se apresentar nas festividades da escola, tocando sucessos da época, valsas de Strauss e um pouco de música folclórica da Polônia.

Quando completou dez anos, Einhorn começou a freqüentar os famosos programas de calouros “A Hora do Pato”, com apresentação de Heber de Bôscoli, e “Papel Carbono”, apresentado por Renato Murce, que faziam enorme sucesso na Rádio Nacional. Também se apresentou no programa de Ary Barroso, transmitido pela concorrente Rádio Tupi.

Na mesma emissora, o jovem, com apenas 15 anos, era uma das atrações mais freqüentes em um programa produzido e patrocinado pelas Gaitas Hering. Na chamada Era de Ouro do rádio brasileiro, Maurício também era figurinha fácil nos programas da Rádio Clube do Brasil e da sofisticada Rádio Mayrink Veiga.

Sobre os primeiros anos e a influência dos pais em sua formação musical, o gaitista relembra: “Eles tocavam gaita comum, sem os sustenidos. Meu pai em especial tocava bem, e contornava os acidentes que sua gaita não possuía. Também aprendi a fazer isso, no tempo em que eu desconhecia a existência de um instrumento que tocava as pretas do piano, e com isso fui desenvolvendo minha musicalidade”.

Maurício era um grande admirador das composições de Bach e Chopin, mas também era muito ligado à música popular. Pelas ondas do rádio, ouvia os grandes mestres do samba e do choro, como Noel Rosa, Aracy de Almeida e Pixinguinha, mas também os cantores norte-americanos, como Frank Sinatra, Dick Haymes, Doris Day, Andrews Sister, e as grandes orquestras da Era do Swing, como as de Tommy Dorsey, Benny Goodman e Glenn Miller. “A música das orquestras era uma aula de harmonia para mim”, recorda.

Durante a adolescência, o jovem Einhorn iniciou a carreira como músico profissional, tocando em grupos de choro e jazz. A primeira gravação aconteceu em 1949, quando fazia parte do “Brazilian Rascals”, um grupo de gaitistas. Maurício tocou com o regional de Waldir Azevedo, que era uma das atrações da Rádio Clube do Brasil. Nesse período, começou a participar de gigs no bar do Hotel Plaza, em Copacabana, onde as atrações eram Luiz Eça e Johnny Alf, que se revezavam ao piano.

Dono de uma memória prodigiosa, o grande José Domingos Raffaelli se lembra exatamente o dia em que conheceu Maurício, porque foi naquele mesmo dia que Charlie Parker morreu: 12 de março de 1955. Ele passeava de carro pelo Centro do Rio, quando avistou Paulo Moura, que já era um músico consagrado, e um jovem na casa dos vinte anos.

Parou, ofereceu-lhes carona até a Zona Sul e Moura fez as apresentações: “Olha, Raffaelli, este aqui é o Maurício Einhorn. Em pouco tempo ele vai ser muito conhecido, pois é um gaitista espetacular”. A profecia de Moura se confirmou e Raffaelli e Maurício são grandes amigos até hoje. Aliás, eu tenho a honra de ter presenciado uma conversa maravilhosa entre os dois, em uma mesa da Adega Portugália, no Largo do Machado, e passei horas de enlevo, só ouvindo as histórias desses dois queridos mestres.

De volta a 1955, o ano marca também o início de outra grande amizade, que se revelaria também uma das mais belas e prolíficas parcerias da história da música brasileira. Maurício tocava no Hotel América, quando foi apresentado a um jovem guitarrista chamado Durval Ferreira. Os dois seriam amigos para o resto da vida e responsáveis por alguns dos mais belos temas do cancioneiro popular brasileiro.

A primeira música que Durval e Maurício compuseram juntos foi “Sambop”, gravada em 1959 por Claudete Soares no álbum “Nova geração em ritmo de samba”. Einhorn e Durval foram uma das mais importantes duplas de compositores da bossa nova e dentre as dezenas de composições feitas por eles, destacam-se “Tristeza de nós dois”, “Batida Diferente”, “Nuvens”, “Estamos aí”, “Samblues”, entre outras músicas memoráveis. Bebeto Castilho e Regina Werneck também assinam alguns desses temas.

As composições da dupla ganhariam o mundo, nas vozes e nos instrumentos de gente do gabarito de Leny Andrade, Roberto Menescal, Baden Powell, Sérgio Mendes, Tom Jobim, Luiz Eça, Johnny Alf, Cannonball Adderley, Maysa, Wes Montgomery, Wanda Sá, Sarah Vaughan, Herbie Mann, Dick Farney, Hubert Laws, Pascoal Meireles, Nara Leão, Paquito D’Rivera e uma infinidade de outros grandes artistas brasileiros e estrangeiros.

Curioso é que embora fosse uma presença ativa nos eventos da bossa nova Einhorn não participou do célebre concerto realizado no Carnegie Hall, em Nova Iorque. O motivo: exatamente naquele dia, 21 de novembro de 1962, ele estava se casando. Mas o gaitista estava muito bem representado. Seu parceiro Durval Ferreira fazia parte da trupe e o primeiro número apresentado por Sérgio Mendes e seu sexteto foi “Batida Diferente”!

Durante os anos 60, Einhorn estudou teoria musical e harmonia com Eumir Deodato e Moacir Santos mas a experiência não foi tão proveitosa quanto deveria. O próprio Maurício admitiu que tinha um certo bloqueio para essa parte eminentemente teórica: “Achei que tinha um muro que me impedia de assimilar, ao mesmo tempo em que já sabia muito mais à frente daquilo que ia aprender”.

No início daquela década, Maurício conheceu e se tornou amigo do gaitista belga Jean Toots Thielemans. Os dois passaram a se corresponder e até hoje, apesar da distância física, mantém uma sólida amizade. Sobre Thielemans, a opinião de Einhorn é definitiva: “É realmente o maior gaitista do mundo. Me correspondo com ele desde 1962, e quase desisti da gaita quando o vi ao vivo pela primeira vez. Mas percebi que estava sendo radical, e que eu tinha algo pessoal, o balanço da música brasileira”.

Os anos 60 foram dos mais ricos para a música instrumental brasileira. O cenário musical do Rio de Janeiro fervilhava, graças ao sucesso internacional da bossa nova e ao surgimento de uma talentosa geração de músicos que, via de regra, se reuniam nos bares do chamado “Beco das Garrafas”, em Copacabana. Maurício freqüentou essas jams, tocando ao lado de feras como Raul de Souza, Paulo Moura, Tenório Jr., Antonio Adolfo, Edson Machado, Sérgio Barrozo e muitos outros.

O gaitista apareceu em uma das edições do programa “O Fino da Bossa”, produzido pela TV Record de 1965 a 1967, com apresentação de Elis Regina, que na época era acompanhada pelo Sambalanço Trio (Cesar Camargo Mariano – piano, Humberto Clayber – contrabaixo e Airto Moreira – bateria). Em 1968, Einhorn participou do III Festival Internacional da Canção, promovido pela TV Globo, com “Negróide”, feita em parceria com Arnaldo Costa e Taiguara (que defendeu a canção).

Em 1972, quando Sérgio Mendes o convidou para trabalhar nos Estados Unidos, o gaitista chegou a tocar com alguns dos maiores nomes do jazz, como o guitarrista Jim Hall, o baixista Ron Carter e, novamente, com o velho amigo Thielemans. Outro encontro inesquecível foi com o Maestro Tom Jobim. Maurício conta como foi: “Ficamos na casa do Sérgio da meia-noite às seis da manhã, ele ao piano, Tom na flauta em dó e eu na gaita. Realizei-me nessa noite”.

No ano seguinte, já de volta ao Brasil, gravou para a Tapecar um compacto com o tema do filme “O Último Tango em Paris”, que fez um grande sucesso nos cinemas do mundo inteiro. Pouco depois, em 1975, gravaria para a Philips um disco cujo repertório era inteiramente voltado para trilhas sonoras de filmes famosos: “The Oscar Winners: A Era de Ouro do Cinema”.

Em 1976 iniciou uma parceria com o violonista paraense Sebastião Tapajós, que incluiria diversos shows e um disco: “Maurício Einhorn & Sebastião Tapajós” (Philips, 1984), que conta também com a presença de Arismar do Espírito Santo no contrabaixo. A discografia de Maurício é esparsa, e geralmente lançada por selos independentes como Clam, Interdisc (uma gravadora da Argentina), Tom Brasil e Moviedisc.

Com várias apresentações internacionais no currículo, Maurício pode se orgulhar de haver participado do célebre Festival de Montreux, na Suíça, em 1979, dividindo o palco com o pianista Monty Alxander e o saxofonista David Samborn. Sua apresentação foi tão entusiástica que a cantora Nina Simone, que seria a atração seguinte, fez questão de convidá-lo para subir ao palco e, juntos, encantaram a platéia com uma versão de “Summertime”. Outras apresentações marcantes foram no North Sea Festival, na Holanda, em 1981, e no JVC Jazz Festival, em Nova Iorque, em 1989.

No início da década de 80, Maurício se apresentou na Granja do Torto, residência oficial de veraneio da Presidência da República, em um concerto feito especialmente para o então Presidente João Batista Figueiredo, fã do instrumento e que se proclamava gaitista amador. No final do encontro, Einhorn presenteou Figueiredo com uma gaita que havia ganho anteriormente de Toots Thielemans.

Voltando ao gaitista belga, Einhorn tem o maior orgulho de ter participado do Festival de Jazz no Teatro Anhembi, em 1980, ao lado do ídolo. A banda que acompanhou os dois era composta por Nelson Ayres no piano, Nilson Mata no contrabaixo, Don Bira na percussão e Azael Rodrigues na bateria. O concerto, posteriormente, foi transformado em especial pela TV Cultura.

A experiência está sintetizada aqui, pelo próprio Maurício: “Naquela gravação, com um quinteto de Nelson Ayres, estava lépido e desinibido. No começo fiquei meio tímido, claro. Mas também, tocando ao lado do Charlie Parker da gaita e meu ídolo! Ponha-se no meu lugar...”. Ainda nos anos 80, ele montou um trio com Hélio Delmiro e Arismar do Espírito Santo, que se tornaria um dos mais festejados do Rio de Janeiro.

Einhorn também tocou, em 1997, em um concerto promovido pela Association for Preservation of the Harmonica, em Troy, no estado americano do Michigan, em um dueto com o guitarrista Joe Carter. O entendimento entre os dois foi tamanho que, poucos meses depois, repetiriam a dose, no International Harmonica Hohner Festival, realizado em Trossingen, na Alemanha.

Outro momento importante na carreira de Maurício foi a sua participação no extraordinário álbum “Encontro de solistas”, lançado em 1996, pela Movieplay. Ao lado do gaitista, os portentosos talentos de Sebastião Tapajós, Gilson Peranzetta e Altamiro Carrilho, em um dos discos mais emocionantes da história da música instrumental brasileira.

Em julho de 2002, Mauricio Einhorn decidiu prestar um tributo aos 80 anos do amigo Toots Thielemans, com uma temporada no Centro Cultural Banco do Brasil. Chamou o pianista Alberto Chimelli, o baixista Luiz Alves e o baterista João Cortez, e montou uma seleção de standards imortalizados pelo gaitista belga (e outro que ele não chegou a gravar). Nos shows, Maurício divertia a platéia explicando: “Nós escolhemos clássicos que o Toots gravou e também alguns que ele deveria ter gravado”.

O resultado pode ser conferido no estupendo álbum “Conversa de Amigos”, lançado três anos depois pela Delira Música, um dos momentos mais sublimes da discografia de Einhorn. A faixa de abertura é “Satin Doll”, de Billy Strayhorn, Duke Ellington e Johnny Mercer. Com um andamento médio e um sofisticado tratamento harmônico, Maurício trafega pela melodia com serenidade e muita classe, fazendo citações a outros temas caros ao universo jazzístico, como “Laura”, “Rhapsody In Blue” e “I Only Have Eyes For You”. A abordagem de Chimelli é altamente sofisticada, com pitadas de bebop muito bem distribuídas, e a participação de Luiz Alves, acompanhando ou solando, é um deleite para os ouvidos.

Composta a oito mãos por Edward Heyman, Frank Eyton, Johnny Green e Robert Sour, “Body and Soul” é uma das canções mais conhecidas dos amantes do jazz. O quarteto se debruça sobre ela com altivez, tecendo um clima melódico solene, à altura da dignidade de um tema tão emblemático do cancioneiro norte-americano. Fazendo citações a “A Night In Tunisia”, Einhorn está particularmente inspirado e arranca da gaita frases hipnóticas. Destaque para a percussão delicada de Cortez.

A bossa nova se faz presente no arranjo de “My Foolish Heart”, belíssima composição de Ned Washington e Victor Young que fica ainda mais charmosa com a citação que Einhorn faz a “Singing In The Rain”. A dupla de compositores também está por trás da não menos formidável “Stella by Starlight”. Com uma levada contagiante e um tempero bop dos mais saborosos (cortesia do hábil Chimelli), esta é, sem dúvida, uma das faixas mais arrebatadoras do disco.

Mais uma de Ned Washington, agora em parceria com Bronislaw Kaper: “On Green Dolphin Street”. Arranjo esperto, em tempo médio, com uma bateria certeira, a faixa é um ótimo veículo para a fúria improvisacional de Maurício, que mostra que a harmônica pode ser um instrumento dos mais versáteis e eloqüentes. O infalível Luiz Alves tem mais uma atuação de gala, inundando a sessão com uma sonoridade opulenta e melodiosa.

Em “Stardust”, de Hoagy Carmichael e Mitchell Parish, Chimelli se divide entre o piano acústico e o elétrico, usando este último para criar um efeito semelhante a um acompanhamento de cordas. Maurício e seus comandados fazem uma interpretação sóbria, em um arranjo que respeita a melodia original, mas que dá ao líder espaço para as suas habituais improvisações.

Em um tribute a Toots Thielemans não poderia faltar a sua composição mais famosa e a versão de “Bluesette” é um encanto. A execução de Einhorn é antológica, com direito a mudanças de andamento, a harmonias dignas de um Charlie Parker e citações a temas como o tradicional “Oh! Susana” e “Summertime”. Cortez tem uma atuação memorável e seu diálogo com Maurício, no estilo “pergunta e resposta”, é sumamente empolgante.

Uma interpretação despretensiosa e festiva de “Our Love Is Here to Stay”, gema de autoria dos Irmãos Gershwin, vem a seguir. Os quatro músicos passam a impressão de que estão se divertindo bastante, com direito a citações bem-humoradas como o tema do desenho animado Popeye, feita por Einhorn, e à marcha nupcial de Mendelssohn, feita por Chimelli.

Em “Autumn in New York”, de Vernon Duke, apenas Maurício e Chimelli atuam, sendo que a bordo do piano elétrico, novamente faz um acompanhamento que remete a um quarteto de cordas. O líder, então, pode exibir sua técnica superior e sua enorme sensibilidade, adotando uma abordagem pungente e de grande conteúdo emocional.

O encerramento fica a cargo da esfuziante “Fascinating Rhythm”, outra preciosidade da fábrica de sonhos dos Irmãos Gershwin. Maurício, em êxtase absoluto, sola com a energia de um garoto e, como sempre, faz uma breve, mas empolgante, citação ao Hino Nacional Brasileiro. Alves, Cortez e Chimelli, absolutos, preparam a ancoragem rítmica mais do que segura para que o talento do gaitista possa brilhar em todo o seu esplendor.

Um disco que renova a fé do ouvinte na música de qualidade e que foi muito bem recebido por público e crítica. Tanto é que em 2007 a Delira Música lançou o não menos precioso “Conversa de Amigos II”, gravado naquela mesma oportunidade, e que inclui outras maravilhas do repertório jazzístico, como “Someone To Watch Over Me”, “Four”, “Take The A Train” e “Robbin’s Nest”. Ambos, é claro, são itens obrigatórios em qualquer discoteca.

Como acompanhante, a gaita luminosa de Einhorn pode ser conferida em gravações de nomes como Victor Assis Brasil, Chico Buarque, Claudete Soares, Gilberto Gil, Eumir Deodato, João Donato, Elizeth Cardoso, Maria Bethânia, Hermeto Pascoal, Raul de Souza, David Samborn, Raul Seixas, Elba Ramalho, Zizi Possi, Elizeth Cardoso, Luiz Melodia, Sivuca, Barney Kessel, Tito Madi, Pery Ribeiro, Chuck Mangione, Carmen Costa, Olívia Hime, Paulo Moura, Lúcio Alves, Baden Powell, Edu Lobo, e uma infinidade de outros, no Brasil e no exterior.

Maurício continua em plena atividade. Além dos concertos, feitos com menos freqüência do que gostaria, ele também dá aulas e enfatiza que o segredo é a prática constante do instrumento, “inclusive sábado, domingo e feriado.” Entre os seus ex-alunos, destacam-se o ótimo Flávio Guimarães, da banda Blues Etílicos, e o virtuose Gabriel Grossi, membro do grupo do bandolinista Hamilton de Holanda.

Apreciador do jazz, Einhorn aponta como seus preferidos os pianistas Erroll Garner, Hank Jones, Lennie Tristano, Kenny Barron, Thelonious Monk e Oscar Peterson. Além destes, ele é um grande fã, claro, de Toots Thielemans e Charlie Parker. Uma de suas principais características é a notável capacidade de improvisar. Ele explica: “Improviso mesmo, não apronto nada, não ensaio, saio improvisando sempre. Uma dica para isso é encher a cabeça de informações que, às vezes, elas se juntam por elas próprias”.

Ainda pela Delira Música, lançou em 2007 o álbum “Travessuras”, no qual interpreta apenas composições inéditas, em parceria com gente do gabarito de Eumir Deodato, Sebastião Tapajós e Alberto Chimelli. O cd foi produzido por Ricardo Leão, e conta com arranjos César Camargo Mariano, Vitor Santos e Jessé Sadoc. Ao lado de Einhorn, figuras de primeira linha, como Ricardo Silveira, Rômulo Gomes, Jurim Moreira, Armando Marçal, Idriss Boudrioua, Ney Conceição e Léo Gandelman.

O último cd do mestre é o excelente “Maurício Einhorn e Convidados: Concerto Instrumental de Harmônica de Boca”, gravado ao vivo na Sala Cecília Meireles, no dia 30 de abril de 2010, antecipando as comemorações do seu aniversário de 78 anos. Com um repertório calcado em standards do jazz e em clássicos de sua própria autoria, Einhorn recebe ao palco músicos de várias gerações, como Augusto Mattoso, Roberto Sion, Dario Galante, Kiko Continentino, Rafael Barata, Paulão 7 Cordas, Sérgio Barrozo e muitos outros. Demonstrando estar em plena forma, Maurício Einhorn ainda tem fôlego e disposição para continuar nos encantando por muitos e muitos anos.

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28 comentários:

Sergio disse...

Desde que conheci o Maurício, não houve um encontro que não o visse feliz da vida. É uma pessoa extremamente cordeal e que tenta levantar o astral de todos a sua volta. Mr. Érico, sua resenha dignifica o ser humano e a obra do nosso maior mestre da gaita, mas mais que um músico extraordinário, esse cara veio ao mundo para, com a maior sem cerimônia comemorar cada pequeno instante da vida! Ah! Comemorar, pq, que inveja, não bebe uma gota, o sacana...

Grande homenagem, mr. Érico!

Érico Cordeiro disse...

Grande Sérgio,
Uma das coiss mais legais que aconteceu comigo no ano passado foi conhecer pessoalmente o maurício e você foi o responsável por esse encontro.
Obrigado!
Ele merece todas as homenagens - é um artista que eleva e dignifica a nossa cultura! Espero que ele aprove o texto.
Abração!

www.amsk.org.br disse...

Por aqui, tudo de bom, como sempre.

bjs nossos

Érico Cordeiro disse...

Olá, amigas. De olho no blog, no twitter e no jogo do Vasco. Haja coração!
Um abraço fraterno a todas as queridas d'A Cozinha dos Vurdóns!

pituco disse...

erico san,

postaço...salve o sambajazz e os temaços bacanudos dessa galera carioca toda...

infelizmente não conheço o sr.einhorn, mas sei por amigos próximos que é um tremendo músico organizado...com todas as partituras catalogadas e arquivadas...quando a humanidade terá acesso a esse acervo...???

agora no intervalo dos sets...depois ouço a radiola...
obrgadão
abrçsons

APÓSTOLO disse...

Estimado ÉRICO:

Excelente resenha sobre um músico fora de série, um portento, que em todas as suas apresentações e gravações nos dá um "banho de harmonia", com infindáveis citações, todas devidamente armazenadas em um cérebro musical estupendo.
MAURÍCIO é figura mais que cordial, com um senso de humor permanente e que adora improvisar seus sempre oportunos trocadilhos.
MAURÍCIO pode ser encontrado entre os cultores de JAZZ do Rio de Janeiro (Audiência Nota Dez = AND), na última quinta feira de cada mês, na Taberna da Glória, ocasião em que as informações sobre a "Arte Popular Maior" são atualizadas.
Na ocasião mais recente em que estive com MAURÍCIO foi em São Paulo (SESC Paulista, atualmente em reforma), quando tive oportunidade de entregar-lhe fotos tiradas por ocasião de aniversãrio do programa "O Assunto É Jazz" (produção e apresentação de Mestre LULA - o do bem).
MAURÍCIO é "pedra 90", que sempre nos brindou com beleza musical ! ! !

Érico Cordeiro disse...

Bom demais abrir a caixa de comentários e encontrar amigos tão queridos e craques quando o assunto é música.
O Maurício é uma figuraça! Simpaticíssimo, alegre, brincalhão, parece aquelas pessoas que você já conhece há anos!
Tive a honra de encontrá-lo várias vezes nas últimas viagens que fiz ao Rio.
É um portento como instrumentista e tem uns vídeaos no Youtube em que ele toca como o Toots Thielemans, no Anhembi.
Espero que o Brasil possa reverenciá-lo da maneira que ele merece e saiba valorizar esse artista tão íntegro e talentoso em seu aniversário de 80 anos.
Um fraterno abraço aos dois e, Mestre Apóstolo, diga à D. Matilde que mando um beijo especial pra ela, ok?!?!

Sergio disse...

A postagem tbm me fez lembrar um filme do Woody Allen, Poucas e Boas , com um impagável Sean Penn interpretando um guitarrista fantástico, oprimido por um certo guitarrista cigano que ele de tanto admirar chega a ser assombrado por sua imagem... Só q no caso da vida real os dois se equivalem.

Mr. mudando de assunto, quantas vc já acordou com uma música na cabeça e quis ouvir todas as versões possíveis já lançadas no mercado, e/ou q vc possua em discos de outros artistas? Isso tá me acontecendo com "Four on Six" do Wess Montgomery. Tens algo, q não seja com o Wess a sugerir?

Érico Cordeiro disse...

Grande lembrança, Mr. Sérgio.
Esse filme é ótimo e Sean Pennestá fenomenal!
Quanto à música, agora só me vem à mente a versão do Pat Martino, no excelente disco tributo ao Montgomery. É a primeira faixa. Vamos ver se nossos mestres ajudam a lembrar de outras versões :-)

Sergio disse...

Pois é, mr érico, ouvi várias, mas até agora, a maioria não prestou, pq a maioria não privilegia tanto a melodia q é dos deuses e se dana a solar, mesmo o discipulo Benson não me convenceu. A do Pat Martino tá bacana, mas veja uma q vi no youtube com jimmy gourley e barney wilen e entenda como no caso desse som é melhor se ater a melodia do q sair solando. esse disco eu tou baixando. valeu a busca.

http://www.youtube.com/results?search_query=four+on+six&oq=four+on+six&aq=f&aqi=g2&aql=&gs_sm=12&gs_upl=1595l6571l0l9399l11l11l0l2l2l0l264l1650l1.4.4l9l0

Sergio disse...

ops. o endereço é este:

http://www.youtube.com/watch?v=2_J31vi2avQ

Érico Cordeiro disse...

Blz. Vou checar qdo chegar em SL.

Sergio disse...

Sim. Não deixe de ver. Já tenho o álbum desse vídeo com Gourley e Wilen. É bótimo e muito raro.

Mas... Não tá faltando o amigo mestre me saudar pela VITÓRIA DO TRICOLÃO?!

Eu mesmo vos saúdo e manteúdo,
Saudações Tricolores, mestre!

Érico Cordeiro disse...

Mr. Sérgio,
Darei uma sacada no vídeo. O Wilen é frguês da casa.
Esse Tricolor realmente tá fazendo um bom papel. Tomara que nã pegue uma LDU, não é mesmo?
Abração!

PREDADOR.- disse...

Não vou dizer nada, ou melhor, quase nada. Como o álbum de Dick Farney no Auditório de O Globo merece elogios e deve ser lembrado sempre como uma "obra prima" do jazz feito por músicos brasileiros, estes álbums (vol.1 e 2) do Mauricio também estão no mesmo patamar do referenciado disco de Farney, i.e., "obras primas" de execução, improviso,etc.. de músicas de jazz feitas por músicos brasileiros. Estou sendo repetitivo para acentuar a participação, no cenário musical nacional, de Maurício Einhorn,este excepcional músico de todas as músicas,especialmente em tratando-se do instrumento difícil e "intrincado" que ele toca: a famosa harmônica de bôca, também conhecida simplesmente como gaita. Parabéns pela lembrança mr.Cordeiro, dando espaço para quem realmente mereçe. Então, ainda vai querer programar os Jan Garbareks, os Brad Mehldaus da vida????

Érico Cordeiro disse...

Mr. Predador,
Feliz com a sua opinião sobre o Maurício.
O homem manda muito bem.
E agradeço as sugestões: o Jan Garbarek pinta aqui semana que vem.
Mas, falando sério, eu gosto muito do Mehldau - o cabra toca um absurdo!
Abração!

Anônimo disse...

Estimado ÉRICO:

Vale a pena resenhar "Dick Farney", incluindo comentários sobre o discaço no Auditório de "O Globo", tão bem e oportunamente lembrado pelo Predador.

Apóstolo

coimbra disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
coimbra disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
coimbra disse...

Excelente texto, Mestre Cordeiro, para homenagear esse ícone da música instrumental brasileira.

Há tempos atrás eu frequentei uma loja de discos que ele tinha na galeria Condor, no Largo do Machado.

A figura dele sempre me lembra outra genial, Durval Ferreira, o Gato.

Bom que temos o Maurício Einhorn entre nós e quanta coisa boa ele já nos proporcionou.

Estamos Aí !
Abraços sincopados.

Érico Cordeiro disse...

Caríssimos Mestres Apóstolo e Coimbra.
Dick é sempre uma ótima pedida. Muito em breve pintam aqui os brasileiros César Camargo Mariano e Raul de Souza. O Dick tá na mira, mas infelizmente não tenho esse disco.
Vou correr atrás. Salvo engano ele tem a participação do Booker Pitman, não é isso?
Mestre Coimbr, o Maurício me falou sobre essa loja e até me mostrou onde ela ficava, no Largo do Machado. Ia muito lá, ver filmes (havia uns três ou quatro cinemas lá, mas parece que fecharam).
O Durval era uma das almas gêmeas musicais do Maurício. Duple fenomenal!
Abraços aos dois!

PREDADOR.- disse...

Mr.Cordeiro, agora me lembro que estou com uma dívida para com Vossa Excelência: o prometido álbum de "Dick Farney no Auditório de O Globo", com a participação, não de Booker Pitman e sim de Paulo Moura, dentre outros "cobras". Como estou sempre "brigando" com o computador, vou ter que contar mais uma vez, com a ajuda eficiente e prestativa de mr.Lester. Então, estarei providenciando para que, brevemente, seja feito "up load" p'ra você, do disco do Farney. Aguardemos! Promessa de vascaíno tarda mas não falha.

Érico Cordeiro disse...

Maravilha, Mr. Predador, mas o Sérgio também se compungiu da minha situação de MSDF (Movimento dos Sem Dick Farney) e me prometeu o bendito, com capinha e tudo.
Vou aguardar.
Se não chegar, eu te informo, ok?
Abração!

Sergio disse...

Comassim, não chegar, promessa de Tricolor nem tarda.

Abraços!

Deseje-me sorte pq hoje é domingo.

Celijon Ramos disse...

Salve, meu compadre! Belo homenagem ao nosso colossal Maurício Einhorn a demonstrar claramente quanto bom ele é no domínio no idioma jazzístico. Na verdade é uma inspiração para quem gosta de jazz e,creio, para tantos outros músicos no Brasil que gostam do gênero. Só uma pergunta: por que o Moisés passou a chamar-se Maurício?

Érico Cordeiro disse...

Caríssimos Sérgio e Celi (saudade danada de você, meu compadre - ontem não deupra ir, mas fica meu abraço a você e ao querido Bola),
Bom tê-los a bordo.
Ao primeiro, digo que estou no aguardo.
Ao segundo, realmente o Moisés é cobra mais do que criada. Sabe tudo.
Mas não sei dizer porque ele optou por Maurício. Vou perguntar pra ele, ok? Grande abraço aos dois!

Anônimo disse...

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Anônimo disse...

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