Amigos do jazz + bossa

sábado, 12 de março de 2011

CORAÇÕES PSICODÉLICOS


A árvore genealógica de Charles Lloyd registra ancestrais Cherokees, mongóis, irlandeses e africanos. Tamanho grau de miscigenação talvez possa explicar a sonoridade e as opções musicais desse fabuloso saxofonista, em cujo dicionário palavras como fronteiras e preconceito parecem não existir. Nascido em Memphis, Tennessee, no 15 de março de 1938, sua relação com a música sempre foi muito intensa. Ao mesmo tempo em que as ondas do rádio faziam chegar a seus ouvidos os acordes do blues, do jazz e da country music, ele era um ouvinte atento da tradição do gospel e dos spirituals, que ouvia na igreja batista freqüentada pela família.

Aos 10 anos recebeu o primeiro saxofone e logo começou a extrair do instrumento os primeiros sons, influenciado pelos ídolos Charlie Parker, Coleman Hawkins e Lester Young. A educação musical formal viria pelas mãos de Irving Reason, mas Lloyd também estudou piano com o extraordinário Phineas Newborn, um dos mais célebres jazzistas de Memphis. Freqüentou a Manassas High School, onde, ainda na infância, fez amizade com os trompetistas Booker Little e Louis Smith e com o pianista Harold Mabern.

Mais tarde, tornou-se amigo e parceiro, em incontáveis jams, dos saxofonistas Frank Strozier e George Coleman, que também se tornariam importantes músicos de jazz. A interação com músicos desse quilate foi definitiva para a formação de Lloyd e lhe abriu a mente para outras sonoridades. O resultado é que, em pouco tempo, ele começou a se destacar como um saxofonista bastante original e cheio de idéias novas.

Como bem ensina o Mestre Pedro “Apóstolo” Cardoso: “O som de Lloyd é cálido, colorido e expressionista, permanecendo seguramente ancorado nos anos 70 do século passado, tendo como característica de originalidade a de situar-se na encruzilhada do “free-jazz” com as raízes folclóricas (pela própria origem em sua terra natal), de modo a atingir público mais amplo que o dos amantes do jazz”.

A carreira profissional começou ainda na adolescência, primeiramente tocando em orquestras locais de R&B, tendo acompanhado grandes nomes do blues, como Roscoe Gordon, Willie Mitchell, Roosevelt Sykes, B.B.King, Howlin' Wolf e Johnny Ace, entre outros. Em 1956, com apenas 18 anos, o saxofonista resolveu se fixar na Califórnia, tendo estudado composição e regência na University Of Southern Califórnia, onde foi aluno do renomado Halsey Stevens, uma das maiores autoridades norte-americanas em Bartok.

Nos horários de folga, Lloyd participava de gigs em clubes de Los Angeles, tendo se aproximado de um grupo de jovens músicos que desejava revolucionar a cara do jazz. Eram eles Ornette Coleman, Charlie Haden, Eric Dolphy, Billy Higgins, Scott La Faro, Don Cherry, Paul Bley e Bobby Hutcherson, entre outros. Mas o jazz mais ortodoxo também tinha espaço na agenda de Lloyd e ele foi integrante, durante algum tempo, da orquestra do trompetista Gerald Wilson.

Lloyd também se dedicou à educação musical e trabalhou como professor até 1961. Após deixar a orquestra de Wilson, uniu-se ao grupo do baterista Chico Hamilton, onde substituiu o amigo Eric Dolphy, e ali permaneceu até 1963. Na banda de Hamilton, Lloyd aperfeiçoou seu talento composicional e também passou a elaborar arranjos. Também foi ali que conheceu o guitarrista húngaro Gabor Szabo, de quem se tornaria amigo e um constante parceiro musical nos anos vindouros.

Entre 1964 e 1965, integrou o sexteto de Julian “Cannonball” Adderley, onde substituiu o grande Yusef Lateef. No grupo também atuavam os talentosos Herbie Hancock, Ron Carter e Tony Williams. Naquela época, Lloyd passou a adotar também a flauta e lançou seus primeiros discos como líder, para a Columbia. O primeiro deles foi “Discovery!” (1963), produzido por George Avakian e que contava com as presenças do pianista Don Friedman, dos baixistas Richard Davis e Eddie Kahn e dos bateristas J. C. Moses e Roy Haynes.

Essa foi a primeira vez que o trabalho de Lloyd chamou a atenção da crítica especializada, mas essa formação durou pouco tempo. A influência mais visível, durante esse período, é John Coltrane, não tanto no aspecto da sonoridade, mas, sobretudo, por causa da extrema familiaridade com ritmos orientais e pela ousadia na busca por novos caminhos musicais.

Em seguida, ele formou um novo grupo, agora tendo a seu lado os amigos Gabor Szabo e Ron Carter e ficando a bateria a cargo de Pete LaRoca ou Joe Chambers. Apesar da boa receptividade, o guitarrista deixou o grupo porque, segundo ele, precisava retomar as suas raízes musicais. Em uma entrevista, Szabo declarou que a saída se deu amigavelmente, apenas por razões puramente musicais: “Charles tocava de uma maneira muito mais furiosa e energética que eu. Eu era mais econômico com as notas e, então, resolvi deixar o grupo e desde então tenho liderado os meus próprios conjuntos”.

Em novembro de 1964, o saxofonista foi a estrela do documentário “Jazz Discovery: Charles Lloyd”, produzido por Avakian e exibido pelo canal KQED-TV, de San Francisco. Entre 1965 e 1966, Lloyd tentou diversas formações, incluindo parcerias com Herbie Hancock, Steve Kuhn, Reggie Workman e Tony Williams. Também formou um quarteto, ao lado de Joe Zawinul, Sam Jones e Louis Hayes, seus companheiros no grupo de Cannonball, mas essas experiências não frutificaram.

Somente em fevereiro de 1966 o saxofonista encontraria parceiros irmanados em concepções musicais semelhantes às suas. Eram eles o pianista Keith Jarrett, o baterista Jack DeJohnette e o contrabaixista Cecil McBee (posteriormente substituído por Ron McClure), todos na casa dos vinte anos e, em comum, possuíam, além da formação técnica espetacular e do amplo conhecimento das mais diversas sintaxes do jazz, uma completa aversão ao conservadorismo e um apetite aparentemente insaciável pelo novo.

Graças à intervenção de George Avakian, o quarteto foi contratado pela Atlantic Records, onde gravou quase uma dezena de álbuns, boa parte deles centrada nas composições de Lloyd e de Jarrett. A receptividade de público e de crítica foi espetacular, sendo que “Forest Flower” (1966) ultrapassou a marca de um milhão de cópias vendidas, uma cifra espantosa para os modestos padrões do jazz, e tocou exaustivamente nas rádios FM dos Estados Unidos.

As influências do quarteto são as mais diversas, incluindo pitadas de bebop, fusion, post-bop, blues, avant-garde, rock, psicodelismo e soul jazz. No mesmo ano em que foi formado, o grupo se exibiu, com estrondoso sucesso, nos festivais de Monterey (onde foi gravado “Forest Flower”), Newport e Antibes, na França. No ano seguinte, Lloyd e seus comandados romperam paradigmas ao se apresentar no célebre Fillmore Auditorium, casa de espetáculos de San Francisco, que até então era reservada exclusivamente para cantores e grupos de rock, como Jimi Hendrix, Janis Joplin, Cream e Grateful Dead.

A influência psicodélica está presente não apenas no título do álbum, como também na capa colorida, que reproduz a estética hippie tão em voga na época. Os integrantes do quarteto se vestiam a caráter, usando batas e camisolões floridos, além de pulseiras e acessórios típicos da contracultura. Os Estados Unidos viviam o pesadelo do Vietnã e a postura desafiadora de Lloyd e seu grupo encontrava ampla ressonância entre os jovens. Não é à toa que o grupo costumava sair em turnê com bandas de rock psicodélico, como Grateful Dead, Jefferson Airplane, The Byrds e Paul Butterfield Blues Band.

O show no Filmore foi realizado no dia 27 de janeiro de 1967 já com Ron McClure no lugar de Cecil McBee e, posteriormente, foi lançado em LP com o título “Love-In”. O disco é uma miscelânea de informações musicais, cujo resultado final é bastante coeso e surpreendentemente acessível. A faixa de abertura é a coltraneana “Tribal Dance”, cuja estrutura fugidia e dissonante exige do líder e, sobretudo, de Jarrett uma entrega absoluta. A comunicação entre os membros do grupo é telepática, com destaque para a exuberância polirrítmica de DeJohnette.

Usando a flauta, Lloyd faz da sussurrante “Temple Bells” uma verdadeira viagem espiritual, que remete à atmosfera dos templos indianos. É uma composição do líder, minimalista, onde os demais instrumentos são apenas sugeridos. O clima esquenta com o blues “Is It Really The Same?”, de autoria de Jarrett, no qual Lloyd volta ao tenor com toda energia. Sua sonoridade não é tão rascante quanto a de Coltrane ou de Rollins, mas é profundamente original, sobretudo na maneira como ele alonga as notas mais agudas. Seus solos possuem uma profundidade e um vigor que estimulam os companheiros a dar o máximo de si. Como resultado dessa permanente exigência, a atuação de Jarrett não é menos impactante e vigorosa, mas já exibindo, todavia, indícios do pianista cerebral que viria a se tornar nos anos seguintes.

A interpretação de “Here, There and Everywhere”, da dupla Lennon e McCartney, é enternecedora. Lloyd passeia, completamente à vontade, pelo pop sofisticado dos garotos de Liverpool e o resultado é uma interpretação limpa, sem arabescos, completamente centrada na simplicidade e na beleza da melodia. Jarrett encontra espaço para improvisar e seu solo, conciso, revela que quando existe concatenação de idéias, o discurso harmônico dispensa a profusão de notas.

O quarteto entra em clima de festa com o tema que dá nome ao disco, soul jazz de primeiríssima linha, dançável e vibrante. Composta por Lloyd, que também aqui toca flauta, a faixa é impregnada de groove, com uma percussão infecciosa e uma linha de baixo sensacional. Atente-se para a vitalidade com que Jarrett investe contra as teclas do piano, e seu solo, intricado e contagiante, revela uma energia quase selvagem.

Da lavra de Jarrett, “Sunday Morning” é um blues estilizado, que flerta com o rock e traz elementos de soul jazz e stride. O líder não participa da sessão e o pianista brilha, em uma atuação impetuosa, percussiva e de enorme criatividade. Para encerrar, um medley composto por “Memphis Dues Again” e “Island Blues”, temas mais ásperos e pouco ortodoxos. O primeiro situa-se no limiar do free jazz, sendo, basicamente, uma livre improvisação do líder, a bordo do sax tenor. O segundo é uma fanfarra, com pitadas de blues e dixieland, e é bem menos hermético que o anterior. Um disco para ser descoberto e que conjuga ímpeto criativo, visceralidade e ousadia em igual medida. Certamente, ajuda a compor a trilha sonora de uma era mas pode ser ouvido nos dias de hoje sem maiores sobressaltos. A música que emana dele é atemporal.

Saudado como o último grande inovador a emergir nos anos 60, Lloyd passou o restante da década em permanente lua-de-mel com público e crítica. Excursões pela Europa eram uma constante – entre 1966 e 1968 foram nada menos que seis viagens, incluindo aí países do Leste Europeu, então extremamente fechados e nada receptivos a qualquer contato com o ocidente. Seu quarteto foi um dos primeiros grupos norte-americanos a excursionar pela extinta União Soviética, em 1969. Também tocou na Ásia e no Oriente Médio, roteiros então pouco usuais para músicos de jazz.

Lloyd era um dos poucos músicos de jazz a praticamente abolir as apresentações em clubes e pequenas boates, tamanho o interesse que seus concertos despertavam no público. Hoje pode parecer exagero, mas na segunda metade da década de 60 apenas Coltrane e Miles Davis desfrutavam de prestígio comparável ao seu. A prova disso, além dos milhões de álbuns vendidos e das turnês com lotação esgotada, foi a sua eleição, em 1967, como “Jazz Artist Of The Year”, pela revista Down Beat.

No entanto, nem tudo eram flores. As divergências internas eram intensas e em 1968 foi a vez de DeJohnette deixar o posto, sendo substituído pelo não menos talentoso Paul Motian. No ano seguinte, abalado pelo falecimento de sua mãe e envolvido com drogas, Lloyd dissolveu o quarteto e partiu para uma profunda viagem rumo ao autoconhecimento. Embora não tenha abandonado completamente a música – chegou a lançar alguns discos nos anos 70, por selos como KAPP e A&M e atuou como sideman em álbuns de artistas como Roger McGuinn, Beach Boys, Canned Heat e The Doors – o saxofonista diminuiu sensivelmente o seu ritmo de trabalho.

Passou a se dedicar à meditação transcendental e deixou Malibu, na Califórnia, indo residir em Big Sur, cidade californiana onde também viviam outros artistas extremamente inquietos e originais, como os escritores Langston Hughes, Henry Miller, Lawrence Ferlinghetti e Jack Kerouac. Também retomou as atividades como educador musical e passou a se dedicar ao sax soprano. Ao lado do cantor Mike Love, vocalista dos “Beach Boys”, e do produtor Ron Albach, Lloyd criou a produtora “Lovesongs”.

Em 1977 mudou-se para a França e, mais tarde, para a Suíça. Na Europa, em 1981, foi apresentado pelo percussionista Tox Drohar a um jovem pianista de apenas 18 anos chamado Michel Petrucciani. A química entre os dois foi imediata e após alguns trabalhos em duo, resolveram formar um quarteto que incluía o baixista Palle Danielsson e o baterista Ship Theus. Com essa formação, Lloyd e Petruccianni gravaram, em 1982, dois álbuns: “Michel” e “Montreux 82”, ambos para a Elektra. O grupo ainda gravou, no ano seguinte, o álbum “A Night In Copenhagen” (Blue Note), que conta com a participação do vocalista Bobby McFerrin em duas faixas.

Em 1985, ele reuniu-se a Michel Petrucciani, Jack DeJohnette e McBee para um concerto no Town Hall, em Nova Iorque, em comemoração à volta da Blue Note Records ao mercado fonográfico. No ano seguinte, o saxofonista sofreu uma Diverticulite de Meckel, doença rara e, em boa parte dos casos, fatal. Embora tenha sofrido uma cirurgia que lhe retirou parte do intestino, felizmente superou os problemas de saúde e voltou a tocar pouco tempo depois.

A partir da sua união com Petrucciani, Lloyd voltou com tudo ao cenário jazzístico e, tal como havia feito na década de 60, tornou-se um emérito descobridor de novos talentos. Por seus grupos passaram nomes hoje consagrados, como Jason Moran, Brad Mehldau, Eric Harland, John Abercrombie, Larry Grenadier e Geri Allen, entre muitos outros. Segundo o crítico suíço Yvan Ischer “ver e ouvir Charles Lloyd em ação é sempre um evento, não apenas porque este saxofonista percorreu até hoje inúmeras encruzilhadas, mas, sobretudo, porque ele possui uma verdade inquebrantável que faz dele um músico completamente original. É isso o que chamamos graça”.

Em 1989 iniciou uma prolífica associação com o selo alemão ECM. Seu primeiro disco pela nova gravadora foi “Fish Out Of Water”, onde o saxofonista se faz acompanhar por uma sessão rítmica escandinava, formada pelos suecos Cobo Stenson (piano) e Palle Danielsson (baixo) e pelo norueguês Jon Christensen (bateria). Seus álbuns pela ECM se caracterizam por uma sonoridade introspectiva e profundamente espiritualizada. Via de regra, são recebidos com entusiasmo pela crítica, como é o caso de “Lift Every Voice” (2002), “Rabo de Nube” (2008 – vencedor do prêmio de melhor álbum do ano da revista Jazz Times, em votação da crítica e do público) e “Mirrors” (2010).

Ele se mantém em intensa atividade, tocando e gravando com regularidade. Em 2006, por exemplo, foi a principal atração do Festival de Monterey, onde comemorou o quadragésimo aniversário de sua primeira apresentação no local. Em 2010 realizou concertos na África do Sul e Austrália. Para o ano de 2011 sua já estão agendadas apresentações na França, Bélgica, Romênia e no North Sea Jazz Festival, na Holanda.

Mais uma vez recorrendo aos enciclopédicos conhecimentos do Mestre Apóstolo, pode-se dizer que Lloyd “possui amplo domínio técnico dos instrumentos que toca de forma bem extrovertida, com amplo vibrato, poderoso volume, fraseado bem irregular com destaque para as fugas na direção dos ‘sobre agudos’, pela contínua busca de notas artificiais no sax tenor e na flauta. É um obstinado tecelão de climas passionais como conseqüência dos ‘ostinatos’ que executa ‘obstinadamente’. Sem erro, podemos incluir Llloyd entre os maiores e melhores difusores da estética coltraneana”.

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27 comentários:

coimbra disse...

Meu caro,
Sou um dos poucos (por aqui em Vix, Clube das Terças)) que admira o trabalho de Lloyd, bem verdade, aquele a partir de Love In e mais uns 3 LPs, até o Soundtrack, por aí..O som de Lloyd tinha muito a ver com o que minha geração vivia.

Tive o privilégio de assistir a um concerto de Lloyd em janeiro de 67 no Shelly Manne´Hole, em Los Angeles, com Keiyth Jarret, Ron McLute e DeJohnete. Primeira vez que vi uma turma fumando a erva, nos fundos do clube, quando lá me dirigi para puxar papo a la brasileiro bossa nova.

Impressionou-me o tamanho de Lloyd e como já pulava em pé em frente ao piano, o Jarrett. Acho que o último LP que tive dele foi "Moonman".

Sou fã de Lloyd dessa fase e acho que seu som contemplativo era tudo o que a gente precisava à época.

Deu-me saudades. O único CD q tenho dele é um duplo, "Forest Flower" (Tema belíssimo ! ) com o "Soundtrack".
Está indo para a bandeja Right Now.

Grato pela lembrança.

apostolojazz disse...

Estimado ÉRICO:

Bela resenha (se dispensados as referências a este seu amigo), com escolha de gravação recheada de "escolas", técnicas e estilos, bem ao feitio de lloyd".
Claro que para muitos "puristas" (entre os quais me incluo até certo ponto) Lloyd não é "o músico", mas com certeza tem que ser respeitado, até pelo que reza o comentário anterior do frequentador de seu bar, Coimbra.

MJ FALCÃO disse...

Vou procurar...
Triste história a do Japão, desculpe desabafar...
http://falcaodejade.blogspot.com/2011/03/flores-para-o-pais-do-sol-nascente.html

coimbra disse...

Caro ApóstoloJazz:
Concordo que Lloyd não seja " o músico", como um Coltrane, ou Hrold Land, ou Hank Mobley, mas era (é) o músico que coloca a música num plano que às vezes muitos esquecem ao qual ela pertence, para nós, simples mortais: o plano contempaltivo, metafísico, transcendental, tanto que ele é por excelência, salvo engano, um modal. Entusiasmo-me porque de fato Charles Lloyd é uma referência dos anos 60/70 que contribuiu para formação de uma platéia jazzística, que poderia cair nas malhas do rock(nada contra!)

Érico Cordeiro disse...

Caramba!
Tô aqui no meio dessa discussão fabulosa!
De um lado, o Coimbra (não vivi essa época, mas a minha geração, dos nos 80, creio que seja a última tributária dos anos 60, que acreditava ainda nas utopias e numa certa redenção humanista da sociedade), testemunha ocular e auditiva dos loucos anos 60 (que inveja - acho que nasci no tempo errado - queria ter meus 20 anos em 67/68).
Do outro, o craque Apóstolo, cujo texto me foi a base, o alicerce, as colunas, o muro de arrimo e o telhado deste post, cujas concepções musicais são sempre muito próximas às minhas!!!!!
Dando um pitaquinho diascreto, acho que o Lloyd era um personagem típico da época: um músico de enorme talento, que soube captar e traduzir a inquietude e o desconforto de uma geração.
Não creio que ele pudesse ter surgido nos anos 50 nem nos anos 70 - seu momento enquanto músico de referência, sua sonoridade, sua postura, sua atitude, enfim, ele era um grande personagem sessentista.
Grande músico, grande improvisador, espírito livre - um dos grandes nomes do jazz e dono de uma personalidade musical que só encontra paralelo em Coltrane, Parker, Miles, Gillespie, Powell, Monk, etc. - não falo da habilidade nem da capacidade técnica, mas da forma como encarava - e encara até hoje - o jazz!
Cara M. J. Falcão, estamos todos consternados com a tragédia no Japão - tomara que nossos irmãos do oriente consigam se refazer do susto e possam reconstruir o país o mais brevemente possível!
Um fraterno abraço para todos!!!!

Werty disse...

Muy buen blog. En ciertos momentos me costo leer porque, aunque hablo y leo portugues, no es una lengua que manejo tan bien.
Ya te he enlazado a mi blog. Excelente la verdad y muy buen disco que no conocia!!!
Nos estamos leyendo!

Saludos!

Érico Cordeiro disse...

Caro Werty,

Obrigado pela visita - já sou seguidor do seu blog e sempre dou uma passada por lá. Ainda bem que existe o Google Tradutor e o espanhol guarda muita semelhança com o português.
Também vou colocar um link pro seu blog aqui no jazz + bossa.
Seja muito bem-vindo, sempre.

PREDADOR.- disse...

Você nasceu no tempo certo, mr.Cordeiro. Queria ter 20 anos em 67/68??? P'ra quê??? Para aguentar Charles Lloyd e outros "farsantes" do jazz? Vamos mudar de assunto e de músico. Caia na real!!!!!!

Érico Cordeiro disse...

O "home" tá com a corda toda hoje :-)

Ed Wilson Ferreira Araújo disse...

Erico,
Fui ao festival de Guaramiranga e assisti ao show do gaitista Rick Estrin. Você poderia escrever sobre ele?
Ed Wilson

www.amsk.org.br disse...

Oi Érico,

temos que conversar algumas coisas, poderia nos mandar um email?
hpdmayle@gmail.com

obrigada,

Olha, acho que nasceu na época certa.
Hoje você pode se organizar melhor em relação a tudo isso, pode ter um estudo comparativo e pode entender tanto coisa que antes não era possível.Vai saber aproveitar do seu jeito, e é um jeito bem legal.
Eu gosto do cara, não tenho esse ouvido apurado que vcs tem, mais gosto de algumas coisas sim. Foi bom saber mais sobre ele por aqui.

5 bjs

Érico Cordeiro disse...

Prezados Ed Wilson e "Cozinha dos Vurdóns",
Sejam muito bem vindos (ao primeiro, digo que é uma honra tê-lo aqui no jazzbarzinho e convido para que se junte à nossa confraria).
Confesso que não conheço o trabalho do Rick Estrin, mas dei uma procurada na internet e o currículo do cara impressiona. Já tocou com boa parte dos monstros sagrados do blues (Muddy Waters, Robert Lockwood, B. B. King), ganhou o Blues Music Awards e tem composições gravadas por gente como Koko Taylor, John Hammond e Robert Cray.
Infelizmente, não tenho nada dele e uma das regrinhas que eu me impus, ao criar o blog, é somente resenhar discos que eu possuo fisicamente, até mesmo para poder ler a ficha técnica, ouvir diversas vezes, etc.
De qualquer forma, em sua homenagem, postarei em breve uma resenha sobre outro fabuloso gaitista, o holandes Jan Verway, de quem tenho dois discos e acho sensacional.
De qualquer forma, vou correr atrás dos discos do Estrin e tentar conhecer um pouco do seu trabalho.
Aos amigos do blog "Cozinha dos Vurdóns", agradeço as palavras generosas e fico contente que tenham gostado do Lloyd - ele é meio polêmico, mas não se pode desmerecê-lo como um grande músico. Mandei um e-mail prá vocês.
Um fraterno abraço aos dois.

PREDADOR.- disse...

Estou entrando aquí, fora do tempo e meio sem graça, para informar, a quem não soube ainda, da morte de um dos maiores bateristas de jazz, Joe Morello, com 82 anos. Faleceu em sua residência em New Jersey, no último sábado 12 de março. O jazz, infelizmente, perde mais um de seus "giants".

Érico Cordeiro disse...

Meu caro Predador,
Sua presença aqui é sempre motivo de alegria pessoal, exceto quando, lamentavelmente, noticia a perda de um gigante do jazz.
Soube da morte do Morello no blog d'O Pescador e há um post sobre ele no blog do amigo Vagner Pitta (Farofa Moderna).
Que ele descanse em paz - seu trabalho ao lado de Brubeck é dos mais relevantes, fora o que deixou em álbuns de outros monstros do jazz.
Numa dessas coincidências, hoje calha de ser o aniversário do Charlie Lloyd. É o velho e inescapável ciclo da vida.
RIP, Mr. Morello e obrigado por tudo!

figbatera disse...

Pois é, PARABÉNS pro Charlie Lloyd; 73 anos tb só se faz uma vez na vida!

ps.:tá chegando a hora de Vitória, né Érico?!

Érico Cordeiro disse...

Pois é, Mestre Fig!
E aí?
Vai dar uma chegada por lá?
Tomara que você possa ir e que possamos nos conhecer pessoalmente, bater muito papo e tomar uns chopps!
Na contagem regressiva!!!!
Abração!

Salsa disse...

A primeira vez que ouvi Lloyd foi em um vídeo, ou seja, eu também vi. Me amarrei naquele grandalhão balançando que nem um coqueiro em dia de tempestade; e, no caso, o som não era nada contemplativo: o pau comeu solto!

Érico Cordeiro disse...

Mestre Salsa,
Dia 25 está chegando!
Já estou em contagem regressiva - e que bom que você não é da turma que odeia o Lloyd e quer usar nele o poderoso detonador atômico :-)

Hector Aguilera S. disse...

Caro Érico,
Charles LLoyd, Foi a primeira a vender um milhão de exemplares do gênero jazz, com álbum "Floresta Flor", álbum ao vivo gravado durante o Festival de Monterey de 1966, um jovem Keith Jarrett no piano. Com a etiqueta ECM desde então, expandiu seu trabalho, descrito como a espiritualidade trabalha requintado, delicadeza e um som, pelo menos, inimitável

Ministério disse...

Amigas trocam segredos e conselhos. Confira esta história: http://bit.ly/dVGkj4 #fiquesabendo

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Obrigado,
Ministério da Saúde

Lucas disse...

Poxa vida, que fantástico blog, fico até embaraçado com elogios vindos de você ao meu "Aurora Musical", que parece tão frívolo e cinzento diante desses textos tão interessantes. Infelizmente o tempo me é escasso, o que me empurrará a uma exploração mais detalhada no fim de semana, de todo modo, muito obrigado pela visita e logo darei uma revisitada em Charles Lloyd.

Abraços

Érico Cordeiro disse...

Caros Hector e Lucas.
Ao primeiro, digo que é sempre um prazer tê-lo a bordo. Não sei se o Lloyd foi o primeiro artista de jazz a chegar à casa de um milhão de discos vendidos (salvo engano, creio que o disco Time Out, do Brubeck alcançou essa marca em 1959), ms certamente foi um dos pouquíssimos artistas de jazz a alcançar essa marca.
Da fase na ECM gosto muito do Water Is Wide (as versões de Georgia On My Mind e Lotus Blossom são espetaculares).
Caro Lucas, seja muito-bem vindo e junte-se à nossa confraria. Seu blog é maravilhoso - e sua disposição para conhecer novas sonoridades e descobrir artistas e bandas das mais variadas vertentes é invejável.
Estarei sempre por lá e até pus um link aqui no jazzbarzinho. Sua presença aqui é uma honra!
Um fraterno abraço aos dois!

PREDADOR.- disse...

Você tem toda razão mr.Cordeiro, o primeiro álbum de jazz a atingir a marca de um milhão de cópias foi "Time Out" do Dave Brubeck Quartet. Esclareço ainda que a gravadora ECM produziu tudo, menos jazz. Só os menos avisados acreditam que aquelas "coisas" lançadas pela ECM, rotuladas como jazz, eram realmente jazz. Vão caçar borboletas!!! E, por favor, chegue em Vitória, de espírito previnido (deixando as barbas de molho) senão a "detonação" será total. Estamos lhe preparando uma recepção "aparentemente" acolhedora. Não vá desistir!!!!

Érico Cordeiro disse...

Meu caro Predador,
Confesso que não sou dos maiores entusiastas da ECM, mas ali tem muita coisa boa. Os discos do Keirh Jarrett com seu trio Standards, alguns discos do Enrico Rava, alguns do Lloyd, do Chick Corea (tem um disco, com o Roy Haynes e o Miroslav Vitous, em que ele interpreta composição de Monk que é extraordinário), do Mal Waldron.
Enfim, acho que é uma gravadora bacanuda e que tenta expandir as fronteiras do jazz, não se atendo apenas aos estilos mais clássicos como o bebop, o hard bop, o cool, o west coast.
Não se preocupe - levarei o meu antidetonador atômico - por favvor, não vá faltar.
Meu amigo Fig está saindo de Cataguazes para prestigiar o lançamento e espero que a gente faça uma grande festa por lá.
Vou com um amigo, o bom baiano Antônio Carlos, figuraça da melhor qualidade e que trabalhou em Vitória durante muitos anos e também tem vários amigos por aí!
Infelizmente, meu compadre Celijon não vai poder ir, mas vamos comer muito bacalhau e tomar muito vinho - soube até que Mr. Lester irá abrir a sua preciosa garrafa de Romaneé Conti).
Abração!

PREDADOR.- disse...

Então, como dizem os mais jovens: a festa de lançamento vai bombar. Quanto ao Romaneé Conti, duvido muito. Lester é um verdadeiro "mão de vaca".

Josú! Barroso disse...

Olá amigo, seja bem vindo.
Parabéns pelo blog e pelo conteúdo!
Sucesso...

Érico Cordeiro disse...

Caros Predador e Josú,
Sejam muito bem vindos.
Ao primeiro, digo apenas que ouvi rumores, nada confirmado.
Ao segundo, obrigado pelas palavras gentis e sinta-se à vontade aqui no jazzbarzinho - a casa é sua!
Abraços aos dois!

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