Amigos do jazz + bossa

segunda-feira, 24 de janeiro de 2011

O ESTOICISMO


O estoicismo é uma importante corrente filosófica, surgida na Grécia por volta do ano 300 a. C. e que prega que a verdadeira finalidade do homem não reside na busca da felicidade, do prazer ou dos bens materiais e sim na prática da virtude, como uma decorrência lógica do uso da razão. Criado por um discípulo de Crates de Tebas chamado Zenão de Cítio, o estoicismo se opunha a outras doutrinas filosóficas da época por rejeitar o prazer inconseqüente e por defender uma postura serena diante dos acontecimentos da vida, sejam eles bons ou ruins.

O nome dessa corrente advém de “stoa”, que em grego significa pórtico. Trata-se de uma estrutura arquitetônica na qual diversas colunas enfileiradas formavam um corredor, geralmente aberto ao público. Quase tão comuns nas cidades gregas quanto as ágoras, as “stoae” serviam de palco para cerimônias religiosas ou apresentações artísticas. Ali, enquanto os mercadores vendiam seus produtos, muitos filósofos costumavam discutir suas teses e idéias, sendo Zenão de Cítio um dos seus mais habituais freqüentadores.

Os estóicos procuravam manter a dignidade mesmo nas situações mais adversas e seus ensinamentos chegaram a Roma, onde foram acolhidos com entusiasmo por pensadores como o imperador Marco Aurélio e Sêneca. Muitos dos pensamentos deste ilustre filósofo romano encontram-se sintetizados em uma coletânea de textos intitulada “Sobre a brevidade da vida”. Ali, é possível ler-se: “Muito breve e agitada é a vida daqueles que esquecem o passado, negligenciam o presente e temem o futuro. Quando chegam ao fim, os coitados entendem, muito tarde, que estiveram ocupados fazendo nada”.

O jazz é recheado de estóicos, ainda que alguns deles sequer saibam disso. É o caso de Lew Tabackin. Provavelmente, seu nome desperta pouca atenção no ouvinte de jazz menos atento, ao contrário do que acontece com a sua esposa, a pianista, compositora, arranjadora e bandleader Toshiko Akiyoshi, bem mais conhecida. Seu nome, inclusive, sequer consta como verbete do colossal “Penguin Guide To Jazz Recordings” (8ª Ed.), um dos guias mais completo do mercado. Mas esse flautista e saxofonista é um verdadeiro artesão de sons, sempre pronto a surpreender e eletrizar o amante da boa música.

É certo que seus álbuns não provocam estrépito nas lojas de disco – aliás, ainda existem lojas de disco? – e nem causam furor nas paradas de sucesso. Mas, como dizem os americanos: “Who cares”? Lew quer mais é se divertir e encantar o ouvinte, fazendo a sua música sem se preocupar com o mercado ou com as gravadoras. Se junto com isso vierem alguns dólares, euros ou ienes, melhor ainda!

Ele nasceu no dia 26 de março de 1940, em Filadélfia, onde, ainda na infância, demonstrou grande interesse pela música, em especial pelo jazz. Embora sua família não tivesse maior ligação com a música, a mãe do garoto costumava levá-lo para assistir às apresentações de orquestras como as de Cab Calloway e Lionel Hampton, que freqüentemente se apresentavam no palco do Earl Theater.

O aprendizado musical formal teve início na escola e demorou pouco tempo para que Lew se tornasse um dos destaques da orquestra, fortemente influenciado por Frank Wess, seu ídolo à época. Seu primeiro interesse foi pela clarineta, mas na ausência de um instrumento disponível, acabou se conformando com a flauta. Na adolescência, acrescentaria o sax tenor ao seu portfólio, instrumento ao qual se dedicou após ser convidado para tocar na banda do cantor e futuro astro do cinema Frankie Avalon, seu amigo de infância. Por ser menor de idade, Lew costumava falsificar a sua identidade, para poder tocar nos clubes e casas noturnas onde a banda se apresentava.

Em 1958, após ganhar uma bolsa de estudos, matriculou-se no Philadelphia Conservatory of Music, onde se graduou em flauta, no ano de 1962. Bastante comprometido com o aprendizado formal, Lew estudou harmonia com o compositor Vincent Persichetti, que também era membro da Philadelphia Orchestra. A fim de fugir um pouco dos rigores da partitura, Lew também costumava tocar nos clubes da cidade natal, topando com figuras como Lee Morgan ou Benny Golson nessas gigs.

Entre 1962 e 1965, esteve no exército, tendo servido em bases na Carolina do Sul e em Nova Jérsei, onde decidiu se fixar, após seu retorno à vida civil. Ali montou uma grupo com o baixista Chuck Israels. Pouco tempo depois, estabeleceu-se em Nova Iorque e logo estava tocando na banda do guitarrista Tal Farlow. Em seguida, Tabackin uniu-se ao pianista Don Friedman, cuja abordagem pouco ortodoxa e bastante intrincada, era diametralmente oposta às suas concepções musicais. A parceria durou pouco tempo, mas foi suficiente para dar ao saxofonista alguma visibilidade, dentro do concorrido cenário jazzístico de Nova Iorque.

De fato, apesar de não poder ser considerado um revolucionário, em que pese a admiração pela obra John Coltrane, Lew tampouco pode ser classificado como um tradicionalista. Seu estilo revela uma grande influência de saxofonistas como Coleman Hawkins, Don Byas e Ben Webster, mas passa ao largo da mera repetição. Sem ser nostálgico ou saudosista, o estilo de Lew se impõe como uma espécie de continuação e modernização da abordagem desses gigantes, com um resultado sempre estimulante.

Na Grande Maçã, o saxofonista tocou com uma infinidade de bandas e orquestras, de todos os feitios e estilos, incluindo as liderada por Cab Calloway, Les Elgart, Maynard Ferguson, Thad Jones & Mel Lewis, entre outras. A segurança financeira foi logo conquistada, graças ao trabalho como músico de TV, tocando em orquestras como as do The Dick Cavett Show, levado ao ar pela rede ABC.

Lew se integrou completamente à cena novaiorquina, atuando com intensidade nos grupos de Joe Henderson, Elvin Jones, Donald Byrd, Roland Hanna, Attila Zoller e Duke Pearson. Em 1967, quando era membro da banda de Clark Terry, conheceu a pianista Toshiko Akiyoshi. De ascendência japonesa, mas nascida na Manchúria, Toshiko havia agendado uma temporada no Town Hall, onde apresentaria um score com suas próprias composições. Joe Farrell havia sido convidado mas não pôde aceitar, por conta de seus compromissos com a orquestra de Thad Jones & Mel Lewis.

Tabackin foi apresentado à pianista por um amigo comum e logo planejaram uma gig. A temporada no Town Hall foi cancelada, mas Cupido já havia lançado suas flechas. Além de engatar um namoro e montar uma banda, o casal não demorou a gravar o seu primeiro álbum conjunto, “At the Top Of The Gate”, para a Columbia, em 1968. Ao lado dos dois, os extraordinários Kenny Dorham no trompete, Ron Carter no baixo e Mickey Roker na bateria.

O casamento aconteceu em 1969, durante uma época em que o panorama jazzístico de Nova Iorque não era dos mais amistosos. Vivia-se a chamada Black Revolution, que o casal apoiou com entusiasmo, mas que teve reflexos diretos no mercado de trabalho de jazzistas brancos, que muitas vezes eram hostilizados por platéias negras. Lew conta que chegou a manter alguns contatos com a Blue Note, mas a gravadora desistiu de contratá-lo, porque ele era branco, apesar dos veementes protestos do seu grande amigo Duke Pearson, que então acumulava as funções de diretor musical e arranjador da gravadora.

Não bastasse isso, o cenário jazzístico era bem mais receptivo às correntes mais experimentais do chamado jazz de vanguarda, ou à sonoridade mais pesada do chamado fusion, que misturava elementos do jazz com o rock e o pop e se valia de uma profusão de instrumentos eletrificados, como piano Rhodes, sintetizadores e contrabaixo elétrico. Nenhum dos dois caminhos parecia viável a Lew e Toshiko, que passaram a se apresentar com mais freqüência no exterior.

Em 1970 e 1971 casal excursionou pelo Japão e pela Europa, onde Lew teve a oportunidade de tocar com a Danish Radio Orchestra e com a Hamburg Jazz Workshop. De volta aos Estados Unidos e descontentes com a radicalização dos conflitos raciais e o crescimento da intolerância, os dois tomaram uma decisão radical: sair de Nova Iorque e tentar a sorte em Los Angeles. O estopim aconteceu durante uma apresentação de Duke Pearson, no Apollo Theatre, onde alguns membros da assistência simplesmente impediram que Lew executasse seus solos.

Tabackin, então, aceitou o convite de Doc Severinsen para tocar na banda do popular programa The Tonight Show, que na época era apresentado por Johnny Carson. Contudo, embora tivesse um emprego regular e passasse ao largo das dificuldades financeiras vividas por tantos outros colegas, Tabackin não se sentia satisfeito. Mesmo tocando com grandes nomes, como Shelley Manne, Billy Higgins e Charlie Haden, a atmosfera musical local não lhe era convidativa.

Em uma entrevista, Lew rememorou aquele as dificuldades daquele período sombrio: “Pouco depois da mudança, percebi que aquele não era o meu lugar. A minha forma de tocar era muito intensa e as pessoas queriam ouvir bossa nova. Eu vivia como naquela frase de Irwin Corey: ‘a música continua, o público é que desapareceu’. Então, procurei trabalhar com meu próprio material e descobri algumas pessoas que pensavam como eu. A sala de ensaios do sindicato dos músicos estava sempre disponível e o preço era ridiculamente baixo. Assim, eu e Toshiko montamos uma banda e ensaiávamos todos os dias, com um repertório de composições próprias. Eu era o empresário e principal solista da banda”.

A Toshiko Akiyoshi – Lew Tabackin Big Band surgiu em 1973 e não tardou a despertar o interesse de crítica e público. Com um repertório calcado no bebop, mas utilizando arranjos extremamente influenciados por Duke Ellington, Thad Jones e Gil Evans, a orquestra permaneceria em atividade por quase trinta anos. O primeiro álbum da orquestra foi gravado em 1974, para a RCA Victor e vendeu 30.000 cópias apenas no Japão, um número bastante significativo para um disco de jazz. No ano seguinte, veio o convite para participar daquela edição do Monterey Jazz Festival, feito por John Lewis, que então desempenhava a função de diretor musical do festival e havia se encantado com a sonoridade da orquestra.

Dentre os músicos que integraram a big band, ao longo de seus quase trinta anos de existência, destacam-se os trompetistas Don Rader, Bobby Shew e Buddy Childers, os saxofonistas Gary Foster, Bill Perkins e Jim Snidero, os baixistas Gene Cherico e Peter Washington, o baterista Chuck Flores e os trombonistas Britt Woodman e Conrad Herwig. Na discografia de mais de 20 álbuns, tributos a ídolos como Don Byas, Charles Mingus e Billy Strayhorn.

As premiações se acumulariam ao longo dos anos. Na revista Down Beat, por exemplo, a orquestra abocanhou os prêmios de Jazz Album of the Year em 1978 (pelo álbum “Insights”), além de vários prêmios de melhor Big Band melhor arranjador e melhor compositor, para Akiyoshi, na votação da crítica e do público. Tabackin foi eleito melhor flautista, na votação do público, em 1981 e 1982. A lista de indicações para Grammy é quilométrica – ao todo, a big band recebeu mais de dez indicações para a categoria de Melhor Performance de Jazz Instrumental. Toshiko foi indicada na categoria de Melhor Arranjador Instrumental nos anos de 1983 (pelo álbum “Remembering Bud”), 1985 (pelo álbum “March of the Tadpoles”) e 1994 (pelo álbum “Bebop”).

Em 1983 Lew e Toshiko retornaram a Nova Iorque, mantendo a big band, agora com o nome de Toshiko Akiyoshi Jazz Orchestra. Paralelamente a isso, ambos continuaram a liderar seus próprios pequenos conjuntos e a tocar seus projetos pessoais. Como, por exemplo, o saxofonista havia feito em 1980, ao se juntar ao genial Phil Woods para a gravação do excelente “Lew Tabackin & Phil Woods”, para a Evidence, com a participação do pianista Jimmy Rowles, do baixista Michael Moore e do baterista Bill Goodwin.

Da década de 80 em diante, Tabackin tem sido figura fácil em projetos como a George Wein's Newport All-Star Band, a New York Jazz Giants e a Carnegie Hall Jazz Band, que costumam reunir nomes de peso para apresentações em festivais ou em tributos a outros grandes jazzistas. Embora tenha se mantido em intensa atividade, fazendo shows em festivais pelo mundo inteiro, sua discografia é relativamente modesta, incluindo trabalhos para a RCA, Inner City, Ascent, Koch, Concord e para a gravadora japonesa Tokuma.

“I'll Be Seeing You” é um dos melhores discos de Tabackin e foi gravado nos dias 16 e 17 de abril de 1992, para a Concord. Além do saxofonista, marcam presença o pianista Benny Green, o baixista Peter Washington e o baterista Lewis Nash. No repertório, standards, composições do saxofonista, que no disco também toca flauta, e da esposa Akiyoshi, além de temas de autoria de gigantes como Parker, Monk e Coltrane.

A faixa de abertura não poderia ser mais auspiciosa: uma tempestuosa versão de “I Surrender, Dear”. Composta por Harry Barris e Gordon Clifford em 1931, a canção foi um dos grandes sucessos da carreira de Bing Crosby. Na interpretação do quarteto, que se mantém firmemente ancorado na tradição bop, ela se torna um poderoso veículo para solos furiosos e improvisos desconcertantes, especialmente por parte do líder e de Green. A performance de Nash é fulgurante e merece ser ouvida com atenção.

De Coltrane, Tabackin toma emprestado a hipnótica “Wise One”, originalmente incluída no álbum “Crescent”, de 1964. Fazendo uso da flauta e reunindo elementos da música japonesa, andina e do blues, Tabackin mantém a atmosfera meditativa da versão original. Ótima atuação de Green, em boa parte responsável pelos momentos mais dramáticos da faixa, e de Washington, um dos mais talentosos baixistas da atualidade.

A faixa título, também pinçada do repertório de Bing Crosby, recebe um arranjo expansivo, rápido e bastante equilibrado entre o lirismo das versões mais tradicionais e a ousadia das abordagens mais contemporâneas. O fraseado de Tabackin é envolvente e melodioso, mas também apresenta uma certa aspereza, resultado de sua devoção a mestres como Coleman Hawkins e Ben Webster. A sessão rítmica mostra coesão e interage com extrema solidez, ajudando a produzir uma sonoridade cativante e tão surpreendente que por vezes torna a melodia irreconhecível.

Uma das mais belas composições de Thelonious Monk, “Ruby My Dear” ganha uma interpretação respeitosa e emocionante. Green percute as teclas do piano com doçura, contrapondo-se ao toque metalizado e sinuoso do autor. O resultado é dos mais estimulantes, sobretudo quando o líder entra em cena. Dono de um sopro viril, Tabackin também se sai excepcionalmente bem na execução de baladas. Aqui, a sua interpretação é cálida, dotada de uma sobriedade madura, quase solene. É, sem dúvida alguma, a faixa mais emocionante do álbum.

“Chic Lady” é uma contribuição da esposa de Tabackin onde, mais uma vez, ele usa a flauta com enorme perícia. Com uma estrutura alegre e cadenciada, o tema flerta com a bossa nova, embora não despreze as harmonias tipicamente escorregadias do bebop. João Donato talvez tenha sido a influência mais evidente e o apelo percussivo é dos mais intensos. Nash responde à altura as exigências, dando uma aula de ritmo e coordenação, brindando o ouvinte com uma performance explosiva e contagiante.

Charlie Parker se faz presente através da incandescente versão de “Perhaps”. Lew é um exímio improvisador, arrojado e desafiador em suas frases, capaz de exaurir todas as possibilidades harmônicas de um tema sem que sua abordagem soe pretensiosa ou arrogante. Aqui, ele se concentra em extrair a essência do bebop, sua irreverência e seu apuro técnico, mas em momento algum tenta imitar o estilo parkeriano, embora revele a influência de Bird e de Sonny Rollins em sua execução. Destaque para o excepcional trabalho de Washington, sobretudo o seu solo alucinante e o alentado dueto que mantém com o líder por quase dois minutos.

Produzida pela luxuosa ourivesaria de Duke Elllington e Billy Strayhorn, “Isfahan” recebe uma versão límpida e refinada, na qual cada acorde parece ter sido moldado com uma argamassa de delicadeza e elegância. Outra composição de Ellington, “Lost In Meditation”, é recriada com mais liberdade e irreverência pelo quarteto, que inclui alguns discretos elementos de bossa nova em sua interpretação. Lew está soberbo com a flauta, mas atuação de Green também merece amplo destaque, especialmente por conta do seu magistral senso de tempo e do seu fraseado classudo.

Para finalizar, mais um tema de Monk, a inebriante “In Walked Bud”, baseada em uma progressão de acordes de “Blue Skies”, de Irving Berlin, na qual o compositor homenageia o grande amigo e parceiro Bud Powell. A versão do quarteto é impecável, impregnada de elevadas doses de histamina. O sax de Tabackin soa rascante, às vezes gutural, reverberando a urgência e a imprevisibilidade características da obra monkiana. A percussão de Nash é sempre de uma transbordante de vitalidade, que empolga os parceiros e os incita a uma entrega absoluta. Um dos grandes álbuns de jazz dos anos 90, capitaneado por um dos mais talentosos saxofonistas em atividade.

Apesar de ocasionalmente tocarem juntos, Lew e Toshiko mantêm uma rotina de estudos e ensaios completamente independente. O saxofonista costuma ensaiar no porão e a pianista geralmente usa o piano que fica na sala da casa em que moram, no Condado de Westchester, no estado de Nova Iorque. Tabackin declarou em uma entrevista ao jornalista Fred Jung: “Eu estou sempre buscando novas maneiras de ser mais expressivo e alcançar um público maior, sem ter que fazer nada estúpido. Eu estou sempre desenvolvendo pequenos projetos e tentando manter a minha música a mais pura possível”.

Nessa caminhada, o saxofonista tem contado com alguns apoios preciosos. Dado Moroni, Peter Washington, Jason Browen, Lewis Nash, Phillippe Aerts, Bill Goodwin, Randy Brecker, Monty Budwig, Joey Baron, Howard Alden, Plas Johnson, Hank Jones, Warren Vaché, Dave Holland e Victor Lewis são alguns dos nomes que participaram de seus álbuns ou que o acompanharam em concertos e apresentações. Como sideman, Lew possui trabalhos relevantes ao lado de Duke Pearson, Benny Carter, Manhatan Transfer, Tom Waits, Louis Bellson, Shely Manne, Jimmy Knepper, Bill Berry, Freddie Hubbard, Donald Byrd, George Mraz, Ira Sullivan e outros.

Tabackin é um dos principais colaboradores da The Jazz Foundation of America, tendo abraçado com enorme determinação a causa de auxiliar músicos de blues e jazz em dificuldade financeira ou com problemas de saúde. Seu trabalho no comitê consultivo da fundação, do qual faz parte desde 2002, tem sido especialmente elogiado, sobretudo no auxílio aos músicos de New Orleans, muitos dos quais perderam seus lares e seu trabalho, após a devastação causada pelo furacão Katrina, em 2005.

Em junho de 2004 participou do tributo ao centésimo aniversário de nascimento de Coleman Hawkins, promovido pelo Kennedy Center, liderando uma banda onde pontuavam o pianista Mulgrew Miller, o baixista Peter Washington e o baterista Mark Taylor. Em outubro do mesmo ano, nova homenagem ao ídolo Hawkins, desta feita durante a edição do New Jersey Jazz Society Jazzfest. A banda incluía o trompetista Randy Brecker, o baterista Mark Taylor, o pianista David Hazeltine e o baixista Dennis Irwin.

O saxofonista não esconde seu apreço pelo trabalho em trio, apenas sax, contrabaixo e bateria. Atualmente, seus parceiros mais constantes são o baterista inglês Mark Taylor e o baixista Boris Kozlov, ao lado de quem gravou os álbuns “Tanuki’s Night Out”, em 2001, e “Live In Paris”, em 2008. Sobre as vivissitudes do mercado fonográfico, Tabackin tem uma visão muito bem-humorada: “Hoje em dia eu não tenho menor o interesse em gravar ou promover discos agressivamente. Os jovens têm toda a energia para fazer isso, mas eu não. Eu sou da velha escola, sou do tempo em que promover um disco era trabalho da gravadora. Prefiro gastar o tempo aperfeiçoando a minha música, procurando melhorar os meus si bemóis”.

============================


14 comentários:

APÓSTOLO disse...

Estimado ÉRICO:

Bela resenha (o mês de nascimento é maio) e embora e para meu gosto pessoal Tabackin me agrade mais no "Out Of This World"(1976, flauta), esse "I'll Be Seeing You" possui repertório mais bem escolhido, de autores "fora-de-série" = muito bom !
Grato pela música e por desbravar caminhos para os menos incensados, que fazem música de qualidade; em outras palavras, siga estóico.

pituco disse...

érico san,

intróito e resenha bacanudas...música piramidal de mr.tabackin (curto pacas mrs.toshiko akiyoshi t. inclusive)...

seguir sereno e severo em sua música e vocação...também assim penso...às vezes faz-se besteiras, mas quem trabalha tem maior chances de se errar, como dizia elis...não é isso???

obrigadão
abraçsonoros

Érico Cordeiro disse...

Caros Mestres Apóstolo e Pituco,
Sejam mais que bem-vindos.
O Tabackin é muito ligado à velha escola, mas também muito atento às sonoridades contemporâneas. Vai de Ellington a Coltrane com igual desenvoltura.
Não conheço o "Out Of This World", pois além do postado tenho apenas o com o Phil Woods e um com a Toshiko Akiyoshi Jazz Orchestra.
Seus discos são muito difíceis de achar. Encontrei o "Deset Lady" (com Hank Jones, Dave Holland e Victor Lewis) e o "What a Little Moonlight Can Do", usados, a um preço razoável no Amazon. Outros como o "Tenority", estão menos em conta. Uma hora dessas eu me arrisco :-)
Quanto à data de nascimento, não verifiquei esse dado em outras fontes, apenas na Wikipedia mas, como sempre, você está coberto de razão. De qualquer forma, na sexta, já de volta da Grande Pinheiro, eu conserto a informação.
Aproveitando a dica, você conhece um pianista argentino chamado Enrique "Mono" Villegas - é uma descoberta recente. Tenho um disco em que ele homenageia Monk, que é muito bom e um simplesmente espetacular: Encuentro, gravado em Buenos Aires e com a participação de Paul Gonsalves e Willie Cook (durante uma excursão da orquestra de Duke Ellington à Argentina).
É de cair o queixo: fantástico é pouco para defini-lo!
Meu embaixador, ao "seguir sereno e severo em sua música e vocação", você demonstra ser um estóico :-)
Os erros e as besteiras - especialmente aqueles ligados a Vênus e Baco - são perdoáveis!
Abração aos dois!!!!

APÓSTOLO disse...

Estimado ÉRICO:

Minha mais sincera e profunda ignorância quanto ao pianista "hermanito" Enrique "Mono" Villegas.
Desde logo e vindo das terras sulinas dos irmãos, TEM QUE SER coisa boa, porque eles são assim, como nos queijos, embutidos, vinhos, tango, costumes e, descontado o tal de "mara...ona", são muito bons no que fazem.

Érico Cordeiro disse...

Caro Mestre Apóstolo,
Tenho certeza de que você vai gostar dele.
Sua abordagem é clássica, limpa, sem firulas.
Muito direto e lírico.
Como você bem disse, os nossos hermanos, quando se empenham em algo fazem bem feito.
Até aquele mala do Diego Armando uma Parada, o Paradona é bom jogador. Mas nunca jogou nem dez por cento do que ele diz que jogava.
Tente achar algo do Villegas.
Qualquer coisa, lhe mando via Pando - um programa muito fácil de baixar e de operar, que permite a transmissão de arquivos grandes, como os de música.
Vale muito a pena!!!
Abração!

Salsa disse...

Bacana, Érico. Boa pedida.

Érico Cordeiro disse...

Mestre Salsa,
Tenho certeza de que você curte esse tipo de som - bacanudo e redondinho, redondinho.
Abração!

PREDADOR.- disse...

Carl Jefferson à frente do selo Concord Jazz aproveitou músicos de jazz que estavam "batendo cabeça", e entre eles muitos bam bam bans da velha guarda, para tentar reerguer o jazz. Isto aconteceu dos anos 70 em diante. Produziu, com aqueles músicos, ainda vivos, vários discos ditos de jazz, que primavam pela sonoridade espetaculosa (gravações digitais-DDD/20 bits/4 canais, etc), em detrimento das composições e arranjos musicais verdadeiramente de jazz. Tentativa para cativar os apreciadores da velha guarda e mostrar para os neófitos na nova geração que o jazz não tinha morrido. A maioria dos álbums da Concord apresentam som de primeira mas com musicalidade muito elaborada, que eu chamo de "pasteurizada", gerando uma audição que não se sustenta por mais de duas vezes. Para os puristas, apreciadores do jazz clássico, estes discos da Concord são uma heresia, verdadeiras peças enjoativas, pouquíssimos se salvam. Apesar de saber que levarei muita "bordoada", esta é a "minha pura realidade" e, não me intrometerei mais mr.Cordeiro, emitindo qualquer tipo de comentário, em suas resenhas de discos da Concord Jazz. Prometo. E, estamos conversados!!

Augusto Pellegrini disse...

Ler seu texto sobre Leo Tabackin ouvindo todo tipo de jazz - de Artie Ahaw a Ray Anthony - e tomar umas geladas com os amigos - Fafá e Celijon - ... quer coisa melhor?

Érico Cordeiro disse...

Uh, Tererê!!!

Mestre Pelegrini, finalmente na blogsferAa!!!!
Alvíssaras!!!
Sexta-feira ponho um link pro seu bog, meu mestre, ídolo e amigo!!!
Seja muito bem-vindo!
Ah e quer saber duma coisa, seu Mr. Predador: deixa de ser ranzinza!!! Tandeta nele, pessoal, que esse detonador atômico é de palha!
E vem muito mais discos da Concord aí, incluindo Scott Hamilton e Gene Harris!!!!!
Abração aos dois!!!!!!
Se Augusto`Pellegrini é conosco, quem será contra nós?????
Um simples destruidor galático nada pode contra o maior incentivador e divulgador do jazz nas terras guajajaras!!!
Evope, Augusto!!!!!

Érico Cordeiro disse...

Digo,
Evoé, Augusto!!!!!

MaJor disse...

Prezado Érico, como sempre magníficas resenhas biográficas, cheias de charme em suas introduções. Gosto muito do Tabackin, um bom sax tenor e excelente na flauta. Não sei... mas em apresentações fora da banda com a Toshiko (claro que só conheço algumas) me parece melhor, menos exibicionista de sua virtuose, e aí fica melhor. Se você teve oportunidade de ouvir o concerto com George Wein que apresentei no PODCAST DO BLOG CJUB (7/jan) onde ele está excelente, aliás um grupo espetacular. É isso, um grande abraço
Mario Jorge

Érico Cordeiro disse...

Meu caro MaJor,
Seja muito bem-vindo ao jazzbarzinho.
Infelizmente, nunca tive a oportunidade de assistir a uma performance do Tabackin, seja em pequenos grupos, seja na orquestra da Toshiko (de quem tenho apenas o Desert Lady - Fantasy). Vou dar uma procurada pelo YouTube, para ver se acho alguns vídeos dele.
Comprei esse disco meio por acaso e adorei (tinha apenas o com Phil Woods, que também é ótimo).
Fiquei apaixonado pelas versões dos standards - logo que comprei eu ouvia direto - e pelo entrosamento do grupo.
Logo que chegar a São Luís, ouvirei o podcast, que é sempre uma experiência agradabilíssima. E falando em saxofonistas, amanhã posto uma resenha sobre o Budd Johnson.
Um fraterno abraço!!

Anônimo disse...

Oi agradável este blog está bem estruturado.........boa:)
Gostei muito faz mais posts deste modo !

Google Analytics