Amigos do jazz + bossa

domingo, 6 de junho de 2010

CHARLIE PARKER NA GAFIEIRA ESTUDANTINA



O maestro, arranjador, compositor e multiinstrumentista Paulo Moura nasceu no dia 15 de julho de 1932, em São José do Rio Preto, interior de São Paulo, mas, em virtude da turbulenta situação causada pela Revolução Constitucionalista de 1932, somente foi registrado no dia 17 de fevereiro de 1933. Seu pai, Pedro Gonçalves de Moura, era clarinetista, saxofonista e líder de um conjunto que tocava em festas e bailes na região.

A intensa musicalidade da família Moura fez com que todos os filhos aprendessem algum instrumento musical, embora apenas alguns, como os trompetistas José e Alberico e o trombonista Valdemar seguissem a carreira de músico profissional. Segundo Paulo: “Poderíamos ter formado um grupo musical, apenas a família Moura, com 2 trompetes (José e Alberico), 1 trombone (Waldemar), 3 saxofones (Pedro, meu pai, Pedro Jr., e eu), 1 bateria (Francisco, Chico para os amigos) e 1 piano (Filomena ou Nena, como é conhecida em família), se não tivessem meus irmãos mais velhos se mudado para o Rio de Janeiro, ainda na década de 30.”

Aos nove anos de idade, ganhou do pai a primeira clarineta e começou os estudos de piano, logo abandonados em prol dos instrumentos de sopro. Na adolescência já atuava em bailes, com o conjunto do pai. Mudou-se com sua família para o Rio de Janeiro, a fim de cursar o antigo científico (hoje ensino médio), em 1945, tendo a família Moura se estabelecido na Tijuca. Em 1947 interrompeu os estudos formais para se dedicar exclusivamente à música, tendo recebido aulas de teoria musical e solfejo com o professor João Batista, saxofonista de enorme prestígio nos meios musicais da época.

Em 1949 retornou aos estudos e concluiu o ensino médio. No ano seguinte, foi admitido na Escola Nacional de Música, onde se graduou em clarinete. Para completar o orçamento, tocava em bailes de classe média (em clubes como Monte Sinai), em gafieiras no Andaraí e na Praça da Bandeira e nos cafés da Praça Tiradentes, ao lado de nomes como Zé da Velha, Altamiro Carrilho, Valdir Azevedo, Copinha , Abel Ferreira e outros. Jamais deixou de buscar o aperfeiçoamento, tendo estudado com grandes nomes, como Guerra Peixe, Moacir Santos e o Maestro Cipó.

Em 1951, foi contratado para tocar na orquestra de Oswaldo Borba, da Rádio Globo, tendo participado, naquele mesmo ano, de sua primeira gravação em estúdio, acompanhando a cantora Dalva de Oliveira. Uma experiência que o marcaria para sempre foi tocar com a orquestra que acompanhou o maestro Leonard Bernstein, em um concerto no Rio de Janeiro, onde foi apresentado à música de George Gershwin. Causou profunda impressão no jovem saxofonista o fato de um maestro e pianista erudito enveredar pela seara da música popular, utilizando elementos da música negra americana, especialmente o jazz e o boogie wooggie.

No final daquele ano, Paulo foi servir ao exército, tendo sido designado para a Cavalaria de Guarda de São Cristóvão, onde foi imediatamente incorporado à orquestra. Em 1952, integrou a orquestra de Ary Barroso em uma excursão ao México e, na volta, juntou-se à orquestra do Maestro Cipó, titular da Rádio Tupi. Porém, não deixou de atuar como músico de estúdio, gravando com Nelson Gonçalves, Dircinha Batista, Núbia Laffayete, Ângela Maria, Carlos Galhardo, Dick Farney e muitos outros. Naquele ano, iniciaria os estudos no Conservatório de Música de Niterói, onde sairia, no ano seguinte, habilitado como professor de clarinete.

No ano seguinte, faria a sua primeira incursão a Nova Iorque, ao lado do trompetista Júlio Barbosa. Fãs de Charlie Parker, os dois brasileiros não puderam realizar o sonho de ver o ídolo ao vivo, pois Bird estava excursionando fora da cidade. Mas conheceram Dizzy Gillespie, que os recebeu em sua casa, em Corona Plaza. Além disso, puderam ver ao vivo diversas apresentações de jazz, reforçando a paixão pela “arte popular maior”.

Data daquela época a amizade com João Donato, que costumava visitar a casa da família Moura e participar das Jam sessions que rolavam aos sábados. Vários outros músicos iam bater o ponto ali, como Bebeto Castilho (que futuramente integraria o Tamba Trio), Everardo Magalhães Castro, Luiz Marinho, João Luis e muitos outros. Consta que Johnny Alf também costumava aparecer por lá e encantava a moçada, exibindo em primeira mão composições como “Rapaz de Bem”, e foi por intermédio de Alf que Paulo Moura ouviu falar em um jovem pianista e arranjador, de estilo moderno e arrojado, mas ainda pouco conhecido mesmo nos meios musicais: Antônio Carlos Brasileiro de Almeida Jobim.

Em 1954, integrou-se ao conjunto do maestro Guio de Moraes, com quem permaneceria até 1956, ano em que gravou o seu primeiro LP, um 78 rotações, para a CBS, com uma versão do “Moto perpetuo", de Paganini . Graças a esse disco, foi convidado para participar de programas televisivos bastante populares, como os de Flávio Cavalcanti e Silvio Santos, na TV Tupi. Por conta da ótima repercussão, Paulo montou a sua primeira orquestra, atração fixa da Rádio Jornal do Brasil.

Embora contasse com músicos talentosos, como o baterista Edson Machado e o guitarrista Durval Ferreira, fizesse algumas apresentações em clubes e boates e tivesse gravado um disco para a Sinter, chamado “Escolha e dance com Paulo Moura e sua Orquestra de Danças”, o mercado musical não era nada amistoso para empreendimentos dessa natureza – o rock and roll começava a dominar as paradas de sucesso aqui, como já havia feito nos Estados Unidos. Daí porque Paulo teve que desfazer a orquestra, indo trabalhar como músico da então prestigiosa Rádio Nacional.

A orquestra congregava alguns dos maiores músicos brasileiros em atividade e ali, Paulo pôde conviver com maestros e arranjadores da estatura de Alceu Bocchino, Lindolfo Gaya , Lírio Panicalli, Radamés Gnatalli, Leo Peracchi, Guerra Peixe e Moacir Santos, além de músicos como o violinista Fafá Lemos, o guitarrista Zé Menezes, o baterista Luciano Perrone, o acordeonista Chiquinho, o clarinetista Luís Americano e o bandolinista Jacó do Bandolim. Além disso, o ambiente era, literalmente, familiar, pois três de seus irmãos mais velhos já atuavam na orquestra: José, Albérico e Waldemar.

Em 1958, excursionou com um grupo de artistas brasileiros ao Leste Europeu (Dolores Duran, Nora Ney, Jorge Goulart, Maria Helena Raposo e o Conjunto Farroupilha) e foi o responsável pelos arranjos e pela direção musical. Era a época da Guerra Fria e uma simples viagem à Rússia poderia, futuramente, impedir que um músico obtivesse o visto de entrada nos Estados Unidos. Retornando ao Brasil, Peeulo gravou o seu primeiro LP pela RCA, chamado “Sweet Sax”, no qual interpreta, com levada jazzística, standards e sucessos da música pop da época, como “Nel blue de pinto di blue”, “Temptantion” e “Out of Nowhere”.

O saxofonista permaneceria na Rádio Nacional até 1959, quando já fazia alguns trabalhos como arranjador e orquestrador. Após deixar a rádio, foi integrado à Orquestra Sinfônica do Teatro Municipal, como clarinetista, em 1959, onde participou de inúmeros concertos, óperas e balés, e tocou sob a regência de maestros da estatura de Eleazar de Carvalho, Isaac Karabtchevsky, Igor Stravisnky, Leonard Bernstein e muitos outros. No mesmo ano, gravou para a Continental o LP “Paulo Moura interpreta Radamés Gnattali”, no qual um dos destaques era o jovem violonista Baden Powell.

Naquele mesmo ano, juntou-se brevemente à Orquestra de Severino Araújo, tendo participado de uma excursão à Argentina. De volta ao país e influenciado pelos ares portenhos, gravou o LP “Tangos e boleros”, para a gravadora Chantecler, além de atuar regularmente na orquestra da TV Excelsior. Também participou de inúmeros shows no Golden Room do Hotel Copacabana Palace acompanhando cantores estrangeiros como Lena Horne, Cab Calloway, Nat King Cole, Ella Fitzgerald, Sammy Davis Jr., Marlene Dietrich e outros.

No Brasil, o Beco das Garrafas, em Copacabana, era a trincheira da música instrumental brasileira, cuja vertente mais cultuada era chamada de samba jazz. Em 1962, o pianista Sergio Mendes criou o “Samba Rio”, ao lado de Otavio Bailly, Paulo Moura, Durval Ferreira, Dom Um Romão e Pedro Paulo. O grupo excursionava pelos Estados Unidos, quando o produtor musical Nesuhi Ertegun, da Atlantic, sugeriu que o nome fosse mudado para “Bossa Rio” e foi assim que Paulo pôde estar presente no célebre Festival de Bossa Nova, realizado no Carnegie Hall, em Nova Iorque, ao lado de Tom Jobim, João Gilberto, Oscar Castro Neves, Agostinho dos Santos, Sérgio Ricardo, Carmem Costa e outros.

Outra conseqüência direta da participação no show do Carnegie Hall foi o convite ao “Bossa Rio” para participar do álbum “Cannonball’s Bossa Nova”, do saxofonista Cannonball Adderley, gravado em dezembro de 1962. No ano seguinte, Paulo participou das gravações do álbum “Do The Bossa Nova”, do flautista americano Herbie Mann, juntamente com diversos músicos brasileiros de primeira linha, como Tom Jobim, Baden Powell, Oscar Castro Neves, Sérgio Mendes, Durval Ferreira, Otávio Bailly, Dom Um Romão e Luiz Carlos Vinhas.

Paulo Moura sempre soube escolher muito bem os seus músicos e pelos pequenos conjuntos que liderou ao longo da carreira, passaram alguns dos mais renomados músicos brasileiros, como Oberdan Magalhães, Márcio Montarroyos, Robertinho Silva, Luiz Alves, Pascoal Meireles e muitos outros. Além disso, foi o responsável pelos arranjos do elogiado álbum “Edison Machado é samba novo”, do baterista Edison Machado, de 1964.

Aliás, os anos 60 foram de intensa atividade para o saxofonista: escreveu arranjos para a estrela em ascensão Elis Regina, acompanhou a cantora Maysa em uma temporada no Canecão, fundou a Orquestra de Música Popular (com a qual apresentou, na Sala Cecília Meirelles, o “Ebony Concert”, de Stravinsky) e lançou diversos discos, destacando-se “Quarteto”, “Mensagem” e “Pilantocracia”, bastante influenciados pelo trabalho dos Jazz Messengers e de Horace Silver, mas sem esquecer as raízes brasileiras do samba, do choro e da bossa nova.

Gravado para o pequeno selo Equipe, “Quarteto” é um dos momentos mais sublimes da discografia de Moura, que aqui está secundado pelo pianista Wagner Tiso, pelo contrabaixista Luiz Alves e pelo baterista Paschoal Meirelles. Esse disco foi lançado em cd em 2007, pela gravadora Atração Fonográfica, com um trabalho gráfico primoroso e uma remasterização de primeira. Esgrimindo o sax alto, Moura é a personificação da musicalidade brasileira, embora a sua linguagem seja universal.

O disco abre com uma versão reflexiva de “Lamento do morro” de Tom Jobim e Vinícius de Moraes, onde Moura extrai do saxofone uma sonoridade impressionista, quase abstrata. Com um andamento mais lento que o habitual, a execução revela toda a riqueza harmônico-melódica do nosso maestro soberano, com destaque para o intimismo do piano de Tiso. Luiz Alves é, por certo, um dos maiores contrabaixistas brasileiros de todos os tempos e Meireles cria um clima de dramaticidade, com a sua percussão soturna.

Em seguida, o grande Johnny Alf merece a honra de ver a sua extraordinária “Eu e a brisa” interpretada de forma magistral. Sobriedade e ousadia se complementam nesse que é, certamente, um dos momentos mais sublimes do álbum. O arranjo, delicado e singelo, dá espaço para que o líder possa improvisar com extrema autoridade, resguardado pela competência de três dos nossos maiores instrumentistas. Impossível não se emocionar e não lembrar de quanta beleza o nosso querido Rapaz de Bem nos deixou.

A toada “Meu lugar”, de Luiz Fernando Werneck, Danilo Caymmi e Fernando Brant, mostra que o articulado Paulo Moura estava atento às novidades que aconteciam no cenário da música popular brasileira. O clássico “aos pés da santa cruz”, de Marino Pinto e Zé da Zilda, recebe um tratamento reverente. A simplicidade do arranjo é quase monástica, embora haja espaço para improvisos por parte de Moura e Tiso.

O ídolo Charlie Parker está presente na deliciosa versão de “Yardbird Suite”, onde o quarteto, de forma bastante arrojada, faz a ponte entre a Rua 52 e as gafieiras cariocas. Meireles introduz elementos de samba à sua batida, com uma dosa absurda de swing. Os solos de Moura são demolidores e revelam um afiadíssimo conhecedor da sintaxe do jazz e do samba. Emulando Bud Powell, Tiso demonstra o quanto o jazz está entranhado em sua formação musical. Bird foi à Gafieira Estudantina e adorou o que viu por lá!

O hit “Sá Marina”, de Antônio Adolfo e Tibério Gaspar, também ganha uma ótima releitura. O solo viajantes de Tiso, a saborosa malemolência do líder e o baixo cheio de groove de Alves merecem ser ouvidos com especial atenção. A lindíssima balada “Retrato de Benny Carter”, de Wagner Tiso, é uma merecida homenagem a um dos maiores nomes do jazz e um dos seus mais líricos saxofonistas. Paulo Moura, certamente, ouviu e aprendeu bastante com o homenageado.

“Razão” é um samba dolente, com arranjo típico do Beco das Garrafas. Os quatro músicos interagem telepaticamente e Tiso constrói um dos solos mais ricos do álbum. A técnica superior de Paulo Moura explode em uma profusão de acordes complexos, intrincados, honrando a tradição improvisacional do jazz. Noel Rosa e Vadico também comparecem à festa como convidados de honra, em uma arrebatadora interpretação de “Feitio de oração” e aqui se extrai uma verdade absoluta: ninguém aprende samba no colégio.

O álbum fecha em grande estilo, com “Terra”. Trata-se de uma das composições menos conhecidas do então jovem compositor – e parceiro de longa data de Wagner Tiso – Milton Nascimento. Como de hábito na obra de Bituca, é uma canção cheia de complexidade, com variações rítmico-harmônicas, mudanças súbitas de andamento, completamente inclassificável. Tiso e Moura percorrem o cosmo, tangenciam o free jazz, desafiam as fronteiras musicais. É samba. Mas não é. É jazz. Mas não é. É toada. Mas não é. É música. Grande música. E ponto final.

Nos anos 70, continuou a trabalhar em ritmo acelerado. Foi o regente da orquestra que acompanhou Milton Nascimento no show “Milagre dos Peixes”, em 1971, e que viraria o disco homônimo. Gravou o premiadíssimo “Confusão urbana, suburbana e rural”, que o levou a fazer shows pelo mundo todo. Em 1977, lançou o álbum “O fino da música”, acompanhado pelos veteranos Canhoto e Raul de Barros. No mesmo ano, o disco “Choro na Praça”, muito bem recebido pelo publico e pela crítica, mostra Paulo ao lado de verdadeiras lendas do samba e do choro Waldir Azevedo, Zé da Velha, Abel Ferreira, Copinha e Joel Nascimento.

Durante a década de 1980, Moura apresentou-se no Lincoln Center, em Nova Iorque, ao lado de Arthur Moreira Lima, Raphael Rabello e Joel Nascimento, e gravou alguns dos seus discos mais consagrados, como “Consertão”, de 1982, ao lado de Elomar, Arthur Moreira Lima e Heraldo do Monte, “Mistura e manda”, de 1983, e “Quarteto Negro”, de 1987, juntamente com Zezé Motta, Djalma Correia e Jorge Degas. No ano anterior, Moura havia composto a trilha sonora do filme “Parahyba mulher macho”, de Tizuka Yamazaki, e elaborado a direção musical do filme “O bom burguês”, de Oswaldo Caldeira.

Também vieram trabalhos ao lado de Ney Matogrosso, Marisa Monte, Clara Sverner, Turíbio Santos e Olívia Byington. No dia 13 de maio de 1988, durante as comemorações pelo centenário da abolição da escravatura, Moura regeu a Orquestra Sinfônica de Brasília, durante a apresentação do “Concerto da Abolição”, de sua autoria. O espetáculo viajou pelo país e o repertório era composto apenas por músicas de autoria de compositores brasileiros negros.

Nos anos noventa, vieram o disco tributo a Dorival Caymmi, além do incensado “Dois irmãos”, ao lado do virtuose Raphael Rabello (1992). No mesmo ano, recebeu o prêmio Sharp de Melhor Instrumentista Popular. Em 1991, gravou na Alemanha, para o selo Messidor, o disco “Rio Nocturne”, ao lado do contrabaixista Jorge Degas e do percussionista alemão Andréas Weiser, que lhe rendeu um convite para se apresentar no Festival de Jazz de Montreux. Também fez trabalhos ao lado de Nivaldo Ornelas, Wagner Tiso e com o pianista norte-americano Cliff Korman (a dupla mergulha nas composições de Duke Ellington e Pixinguinha, no disco “Mood Ingênuo”, de 1999).

Em 1997 fez uma ponta no filme “Navalha na Carne”, de Neville de interpretando um músico de rua. Em 1998 gravou o disco “Pixinguinha”, vencedor do Prêmio Sharp, nas categorias Melhor CD Instrumental e Melhor Grupo Instrumental, no ano seguinte, e do Grammy Latino, na categoria Melhor Disco de Música Regional, em 2000. Para completar, ainda presidiu, entre 1996 e 1998, a Fundação Museu da Imagem e do Som.

O século XXI encontrou Moura com a habitual disposição. Gravações antológicas com Yamandu Costa (no álbum “El negro del blanco”, de 2004, que valeu a Moura o Prêmio Tim de Melhor Solista Popular) e João Donato (“Dois panos para Manga”, de 2006, onde os velhos amigos revisitaram o repertório do Sinatra-Farney), apresentações ao lado de Marco Pereira, Mauricio Einhorn, Armandinho e Marcos Suzano, um disco dedicado à obra de George Gershwin e Tom Jobim (“Paulo Moura visita Gershwin & Jobim”, gravado ao vivo em 1998 mas lançado em cd apenas em 2001), releitura da obra do saxofonista K-Ximbinho (“K-Ximblues”, de 2001) e participação no premiado documentário Brasileirinho, do finlandês Mika Kaurismaki.

Em 2007, o álbum “Samba de Latada”, gravado ao lado do cantor e compositor Josildo Sá, fez um mergulho nas raízes africanas da música nordestina, especialmente o baião e o forró, merecendo rasgados elogios por parte da crítica. Em 2008, Paulo recebeu a Medalha de Honra ao Mérito Cultural, comenda da Presidência da República. Também empreendeu excursões pela América do Sul e pelo Oriente Médio, indo até a Tunísia e Israel . Desde 1997 a cidade de São José do Rio Preto presta homenagem ao filho ilustre, por meio do “Festival Internacional Paulo Moura”, onde já se apresentaram a Orquestra Sinfônica Brasileira, a Orquestra de Câmara de Genebra, Wagner Tiso, Djavan, Leny Andrade, Oscar Castro Neves, Paquito D’Rivera e muitos outros.

Para nossa felicidade, esse verdadeiro orgulho musical brasileiro continua em atividade, cada vez mais firme e mais forte. No jazz ou no choro, na liberdade do improviso ou no rigor da partitura, na música erudita ou na música popular, na gafieira ou no Teatro Municipal, no subúrbio carioca ou nos elegantes salões da elite paulistana, em qualquer tom ou ambiente, a música de Paulo Moura é perfeita para dançar, brindar, emocionar, refletir, celebrar. Como no poema de Drummond, ele faz música para “acordar os homens e adormecer as crianças”. E isso não é pouco.

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27 comentários:

pituco disse...

érico san,

sou o primeiro, tanto pelo avançado da hora, quanto pela postagem piramidal...

paulo moura é um baluarte da nossa música brasileira...além dos registros solos, participou de várias 'pérolas'...ney, donato, raphael rabello e bota música nisso que não me recordo agora...rs

parabéns, signore, por prestar tamanha homenagem aqui, entre os grandes do jazz, inclusive.

abraçsons

Érico Cordeiro disse...

Valeu Mestre Pituco,
O embaixador do jazz + bossa na Terra do Sol Nascente!
O Paulo Moura é um orgulho nacional, um dos nossos maiores embaixadores musicais! Prá fazer você lembrar um pouquinho desse Brasil que canta e é feliz!!!
Abração!

HotBeatJazz disse...

Ô¬Ô

Seu Érico,

um primor de músico e de resenha para esse baluarte da música universal. Mestre Paulo Moura e os três peso pesados da música instrumental brasileira fazem nosso Genialf sorrir lá de cima toda vez que alguém colocar para soar essa definitiva interpretação do Eu E A Brisa.

Golaço

Abraços

Ô¬Ô

APÓSTOLO disse...

Estimado ÉRICO:

Absolutamente perfeito, no texto e na escolha da gravação (que sómente conheço agora por seu intermédio).
PAULO MOURA é um ícone nacional, em termos de técnica, de feeling e de trabalho fecundo. Tive a felicidade de conhecê-lo em 1959 (cursava então o 4º ano de engenharia no Largo de São Francisco, Rio de Janeiro), já que meu avô materno, PEDRO LAURIA, era administrador do Teatro Municipal do Rio de Janeiro, em cuja orquestra PAULO era clarinetista. Não tive a felicidade de manter esse conhecimento, por uma série de desafios profissionais, mas permanecí admirador de um MÚSICO de exceção.
Sua resenha é mais que importante, para manter viva a chama desse patrimônio de todos nós.
Parabéns ! ! !

Salsa disse...

Possuo alguns bons discos do Paulo Moura. O mais recente, entre eles, é o dedicado à obra de K-chimbinho (ou será com x?). Os temas estão gravados de modo magistral, com aquela boa e velha pegada jazzy & bluesy.
O mestre merece.

José Domingos Raffaelli disse...

Prezado Érico,

A produção em massa do "homem que nunca dorme" concebeu um perfil mais que adequado de um dos nossos maiores músicos de todos os tempos.

Parabéns por mais essa resenha colocando em evidência a música e as grandes realizações de Paulo Moura.

Seu relato trouxe-me à lembrança do tempo em que atrevi-me a estudar sax-alto com Seu Pedro, o pai dos Moura. Antes disso eu já conhecia Paulo das jam sessions que se realizavam no Rio.
Embora faltava-me talento, esforcei-me para conseguir algum resultado positivo, mas o imponderável apareceu na minha vida e desisti de vez de tocar sax.

O imponderável ficou por conta do genial Charlie Parker, o maior improvisador da história do jazz. O choque emocional e auditivo que sofri ao ouví-lo ao vivo durante seis noites conscutivas, em minha primeira viagem a New York, trouxe-me à realidade que eu nada conseguiria no sax.
Assim, como talvez haja ocorrido com diversos aspirantes a saxofonistas, Charlie Parker fulminou minha ilusão de que poderia tocar sax-alto.

Bem que o Sr. Pedro, pai do Paulo, tentou convencer-me a não desistir, mas sem sucesso.
Imagine minha pretensão em querer tocar sax-alto depois de ouvir o fantástico e inimitável Charlie "Yardbird" Parker !!! Só se fosse louco....

Keep swinging,
Raffaelli

Érico Cordeiro disse...

Queridos Mauro, Apóstolo, Salsa e Raffaelli,
Sejam muito bem-vindos! É uma honra tê-los a bordo e todos concrdam que o Paulo Moura é um dos nossos craques! E a impressão que ele passa é a de que também é um super boa gente! Além de ser um incansável batalhador pelo melhor da nossa tradição musical, do choro, do maxixe, do samba, da bossa nova!
Estou em Matinha, numa maratona de audiências (205 em 5 dias) e por isso minha presença aqui esses dias vai ser meio rarefeita.
De qualquer forma, é muito bom contar com as excelsas presençs e generosas palavras de amigos tão queridos!
Grande abraço a todos!

Foquinha! disse...

Parabéns pela lembrança, Paulo Moura é da minha terra, querido de todos e de meu pai- que recebeu como um dos últimos presentes um CD do Paulo, que ainda guardo! Músico incrível. Quem conheceu sua história não esquece jamais. Gostei muito, voltei no tempo, mil bjos de foca...

PREDADOR.- disse...

É chover no molhado tecer mais comentários elogiosos a Paulo Moura. Me recordo ainda daquela memorável e famosa sessão no auditório de "O Globo", em novembro de 1958, quando deu um show de interpretação jazzística, com o seu sax-alto, integrando um quarteto com Dick Farney. Fantástico! Bela postagem mr.Cordeiro.

figbatera disse...

Gol de placa, Érico!
Ouvi o Paulo Moura pela primeira vez em uma jam-session no Beco das Garrafas, no Rio, em 1963.
Tive, depois, várias oportunidades de assistir a algumas apresentações dele e volta e meia ainda o encontro - tocando ou não - pelos lugares que lá frequento.
Músico genial, uma "instituição" nacional!

Érico Cordeiro disse...

Caros amigos Foquinha, Predador e Fig,
Bom recebê-los a bordo, embora esteja "exilado" na aprazível Matinha-MA, simpaticíssima cidade da baixada maranhense. Por isso, meus acessos à rede se limitam às lan houses.
Paulo Moura é, além de talentoso, muito querido e respeitado. E você, Foquinha, é conterrânea do homem e filha de um amigo dele? Que bacana!!!!
Lamentavelmente, não tenho esse disco da apresentação do Dick Farney no auditório de O Globo, salvo engano lançado num pacote da EMI ou da

Érico Cordeiro disse...

(cont. - não sei o que houve, acho que apertei um botão errado)
RGE (não recordo bem).
De qualquer modo, vou tentar encontrar, pois sei que é uma gravação histórica.
Um fraterno abraço aos três queridos amigos!!!!!

Sergio disse...

seria esse o disco?

http://elomusical.blogspot.com/2010/04/dick-farney-ao-vivo-no-auditorio-o.html

Sergio disse...

ou este?

http://loronix.blogspot.com/2006/11/dick-farney-dick-farney-e-seu-jazz.html

Sergio disse...

rs rs rs...

E não é q ainda tem esse aqui?

http://loronix.blogspot.com/2008/02/dick-farney-concerto-de-jazz-ao-vivo.html

Salsa disse...

Quanto ao Parker - evito ouvi-lo. Ouço de vez em quando para esvaziar um pouco o ego e recolher-me ao meu amadorismo.

Andre Tandeta disse...

Parabens ,Erico , como sempre excelentes texto e escolhas.
Quanto ao que o Raffaelli contou, e o Salsa completou,só posso dizer o seguinte: não sei se sou tão diferente assim de voces mas cada vez que vejo ou ouço algum baterista bom,muito bom ,excelente ou mesmo genial eu me sinto estimulado a avançar cada vez mais. Como dizia o saudoso Marcio Montarroyos : depois de ver um grande musico tocar voce ja chega em casa tocando melhor. Ja vi inumeros super musicos tocando na minha frente e sempre serviu como estimulo. Se eu aprendo até com os ruins com os bons então .....
Abraço

PREDADOR.- disse...

Mr.Cordeiro: o álbum a que me referí do Paulo Moura com Dick Farney no auditório de o Globo, é uma gravação ao vivo da Odeon, de Nov.1958, editada em LP sòmente em 1959 e depois de alguns anos foi relançado em CD com mais 99 títulos dos principais destaques da Gravadora, por ocasião da comemoração de 100 anos da Odeon(EMI). Tenho o CD original "Dick Farney e seu Jazz Moderno no Auditório de O Globo" e tenho-o incluido com todos os outros 99 títulos "Odeon 100 anos" em um DVD de músicas (cópia dos originais). Se você não conseguir encontrar o CD do Dick Farney/Paulo Moura posso te arranjar uma cópia do original ou do DVD onde ele acha-se incluído. Só não sei como fazer.

ESTHER disse...

Bom dia amigo Eric,

Paulo Moura como maravilhoso.

Algum dia você vai ter que publicar um livro com todos os seus posts, tão completo, tão interessante, tão poético.

Muitos beijos!

Érico Cordeiro disse...

Caros Sérgio, Tandeta, Predador e Esther,
De volta a São Luís, depois de uma semana inteira em Matinha!
Ao primeiro, agradeço pela garimpagem sonora. Vou dar uma checada.
Ao segundo, digo que assim é covardia (rs, rs, rs). Afinal, você não só aprende com esses monstros todos, você ensina a eles também (rs, rs, rs). Acho que estou mais pro lado do Mestre Raffaelli e do Salsa, não dá prá ouvir esses caras impunemente (rs, rs, rs)!
Predador, acho que os links que o garimpeiro Sérgio disponibilizou vão me ajudar na busca pelo disco, mas de qualquer forma, muito obrigado!
Esther (a fada com olhos de poeta), o projeto do livro está em andamento. Quem sabe não pinta até o fim do ano?
Um fraterno abraço a todos e muito obrigado pelas presenças!!!!

Sergio disse...

pois é. tava esperando herr Éric voltar da Matinha, pra avisar q esse título citado pelo predador está entre os links deixados aqui e, pra facilitar a busca é um dos 2 do loronix. De qualquer maneira são todos discos raros, sendo q o 1º é Dick Farney convida Lenny Andrade. Seu san, a pergunta q não quer calar, o q q her éric fazia na matinha???

Brincadeirinha, tbm respondi teu último emeio mas como lá (na matinha) não pegava nem AM e FM... tou só reforçando. Brincadeirinha 2.

Érico Cordeiro disse...

Valeu, Mr. San!

Andre Tandeta disse...

Erico,
talvez eu possa ensinar aos "monstros" como fazer cafe ou nadar,duas coisas que ,modestia a parte,faço bem.
Serio: não somos nos que escolhemos a musica ,é ela que escolhe.
Abraço

Érico Cordeiro disse...

Grande Tandeta,
Mestre das baquetas, pratos, escovinhas, piscinas e cafeteiras - isso é que é versatilidade!!!!
Mas essa frase diz tudo: "não somos nos que escolhemos a musica, é ela que escolhe".
No meu caso, fui escolhido para ouvi-la e admirá-la, mas não para executá-la (no meu caso executar uma música tem o sentido literal de um pelotão de fuzilamento quando executa um condenado - rs, rs, rs)!!!
Valeu!!!!

Andre Tandeta disse...

Erico,
alem do excepcional bom gosto musical,sensibilidade pessoal,cultura e talento para escrever voce tem uma das qualidades mais apreciaveis em um ser humano:o bom humor .
Só posso dizer : sou seu fã!
Abraço

Érico Cordeiro disse...

Mestre Tandeta,
A recíproca é mais do que verdadeira. Também sou seu fã de carteirinha!
Abração e obrigado pelas palavras generosas!!!!

Anônimo disse...

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