Amigos do jazz + bossa

segunda-feira, 19 de setembro de 2011

O ENTORNO DO TEMPO



Eu havia estado ali
Anos, décadas, milênios antes...
Era o eu que não sou hoje
Um outro eu
Desassombrado e menino
O eu de agora, hesitante e ressentido, ardera completamente
Círio imperfeito, queimado na agonia do desencanto
Reflexo torto e fatigado
Um eu feito de cinza e memória
Sequer reconheci o lugar
Onde havia experimentado um arremedo de felicidade
O velho carrossel girava debilmente,
Quase não conseguia completar mais um ciclo
Rangia, cansado e deserto
As luzes de outrora jaziam apagadas
E as ocorrências de eternidade
Se resumiam a um guincho sombrio e mudo
Já ninguém se importava com aquele carrossel abandonado
Já ninguém se encantava com seus brilhos e adereços
Não havia filas à porta da bilheteria, nem sorrisos nos rostos
A vida do lugar esvaíra-se como uma hemorragia lenta
Não era só o tempo, o tempo de ferrugem nas juntas
Nem era só a ação do vento e da chuva
Era outra coisa
Algo que não mais estava ali
A existência faltante,
O temor que sobrepujou toda a esperança,
A dolorosa experiência de quase não ser
O olhar do menino era só encanto e arrebatamento
Entre o aleatório e o fortuito, não pensava nas em nada
Era apenas um menino...
Nem romântico nem cínico
Dono de ilusões por se concretizar
Não era como hoje
Quando as aspirações se viram malogradas,
O acolhimento transformou-se em renúncia
E o olhar reflete apenas a ausência e o rancor
Óleo e tinta não bastariam
Para reavivar o que se perdeu para sempre
Porcas e parafusos, lâmpadas e dosséis
Não trariam de volta
A espontaneidade das noites de domingo da infância usurpada
A alegria das brincadeiras
Os céus cheios de estrela
Os outubros sem chuva
O menino que tateava pelo escuro do futuro
E que cresceu sem poder moldá-lo
Envelheceu como o carrossel


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O trompetista norte-americano Jon Eardley nasceu no dia 30 de setembro de 1928 na cidade de Altoona, estado da Pensilvânia. A intimidade com a música vem de berço, pois seu pai, William Eardley, também era trompetista, tendo atuado nas bandas de Paul Whiteman e de Isham Jones. Graças à influência paterna, Jon iniciou-se no trompete aos 11 anos. O talento estava nos genes e com 15 anos ele já estava tocando nas bandas da escola, em festas populares, em circos e em reuniões familiares e de amigos.

Com 18 anos foi recrutado para o serviço militar, que cumpriu de 1946 até 1949, na Força Aérea, tendo servido na capital americana, Washington, D.C. Data desse período a aproximação mais forte do trompetista com o jazz, tocando na banda da Força Aérea.  Poucos meses antes de ser desligado das forças armadas, Eardley teve a oportunidade de tocar com Buddy Rich em sua big band.

Pouco antes de ser desligado do serviço militar e até algum depois de desmobilizado, entre 1949 e 1950, ele fez parte das orquestras do cantor e bandleader Gene Williams e do baterista Joe Timer. A bordo desta última, atração fixa do clube Kavacos, Eardley teve a honra de tocar com gênios como Charlie Parker e Bud Powell, em fevereiro e abril de 1953, respectivamente. Ainda em Washington e paralelamente a seus trabalhos com Williams e Timer, ele formou um quarteto que atuou no cenário local de 1950 a 1953, quando decidiu se estabelecer em Nova Iorque.

Na Meca do Jazz, Jon tocou com Phil Woods, com quem fez algumas gravações em 1954, Zoot Sims, Stan Getz, Red Mitchell, J. R. Monterose e Larry Bunker. Percorreu o circuito dos clubes e perambulou pelo “Greenwich Village” em seguidas “jam sessions”, principalmente no “Open Door”. Naquele mesmo ano, foi convidado para integrar a banda de Gerry Mulligan, substituindo ninguém menos que Chet Baker. O grupo contava com a presença do talentoso Bob Brookmeyer e a associação perduraria até 1957.

A parceria com Mulligan possivelmente foi a maior vitrine para Eardley, projetando-o no cenário da Big Apple, ainda que possamos dizer que isso de certa maneira foi prejudicial para sua sonoridade, até então “clássica”. De fato, ele teve que migrar de seu estilo para um som mais metálico, levando-o à improvisação não mais sobre a melodia, mas em paráfrases harmônicas. Se ouvirmos a sucessão de gravações que ele fez naquele período, podemos constatar que somente anos depois ele dominou inteiramente o som mais moderno. De qualquer forma, ele soube sintetizar o encontro entre o classicismo de Freddie Webster e a abordagem revolucionária de Fats Navarro, não por acaso seus ídolos e maiores influências musicais.

Durante sua atuação com Mulligan, ele teve a oportunidade de cumprir temporada na Europa, sendo que em Paris, onde gravou com Zoot Sims, ambos acompanhados por Henry Renaud (produtor da gravação do LP duplo “I Remember Bebop”, lançado em 1978 no Brasil  pelo selo “CBS”, uma feliz idéia reunindo 08 mestres do teclado, cada um deles lembrando um músico de JAZZ criador ou ligado às raízes do “bebop”).

Também nessa oportunidade ele gravou, na Suécia, o tema “Blues For Tiny”, juntamente com Gerry Mulligan, Red Mitchell e Chico Hamilton. Em 1956, quando ainda era membro da banda de Mulligan, Eardley tocou com o saxofonista Hal McIntyre. Em nova e mais longa temporada européia com Mulligan, Eardley fez parte de uma formação espetacular, que contava ainda com Zoot Sims, Bob Brokmeyer, Bill Crow e Specs Bailey. O grupo fez concorridas apresentações na Itália (Turim, Roma, Nápoles, Genova, Bolonha e Milão), França (Paris, Versalhes, Lion, Rouen e Roubaix), Suíça (Genebra) e Bélgica (Bruxelas).

A discografia de Eardley não chega a ser, pelo menos quantitativamente, de entusiasmar, mas em termos de qualidade ele nos deixou obra de grande mérito. Dentre as suas gravações como líder, destaca-se o formidável álbum “From Holywood To New York”, lançado em cd pela OJC. Trata-se, na verdade, da reunião de dois álbuns de 10 polegadas: “Jon Eardley In Hollywood”, gravado para o selo “New Jazz”, e “Hey There, Joe Eardley”, para a Prestige.

As gravações do primeiro disco foram feitas no dia 25 de dezembro de 1954, em Los Angeles, e os companheiros do trompetista na empreitada foram o pianista Pete Jolly, o contrabaixista Red Mitchell e o baterista Larry Bunker. Para o segundo, foram recrutados o saxofonista J.R. Monterose, o pianista George Syran, o contrabaixista Teddy Kotick e o baterista Nick Stabulas, que se reuniram no estúdio de Rudy Van Gelder, em Nova Jérsei, no dia 14 de março de 1955.

A disposição no cd obedece à ordem cronológica, ou seja, as quatro primeiras faixas pertencem ao “In Hollywood” e as quatro últimas ao “Hey There”. A faixa de abertura é a vulcânica “Late Leader” e, como todas as demais desse disco, é de autoria de Eardley. Conjugando a complexidade harmônica do bebop com a espontaneidade do swing, o tema paga tributo a trompetistas da primeira geração do bebop, como Fats Navarro, ao mesmo tempo em que evoca a opulência sonora da orquestra de Count Basie. O desempenho do líder é arrebatador e revela a influência que os estilos clássicos do jazz, como o swing e o dixieland tiveram em sua formação.

Na pungente “Indian Spring”, Eardley foi buscar inspiração em uma composição de Maurice Ravel, “Pavanne To A Dead Princess”. O trompetista sopra notas doloridas e constrói um clima de desamparo, reforçado pelo piano solene de Jolly. O quarteto retoma a atmosfera festiva na contagiante “Black”, bebop cadenciado onde se destaca o sensacional trabalho de Bunker. O tema é uma homenagem ao pianista Rudy Black, amigo do trompetista e seu parceiro musical de longa data.

Em seguida, outro petardo sonoro, a suntuosa “Gloss”. Com uma influência bastante visível do swing, a faixa permite ao líder e a Jolly uma impactante demonstração de virtuosismo. O pianista, inclusive, mostra um impressionante leque de referências, indo do ragtime ao bebop com absoluta autoridade. Atuações firmes e bastante sóbrias de Mitchell e Bunker garantem a cadência e o swing do tema.

A sacolejante “Hey There”, de autoria de Jerry Ross e Richard Adler, marca o encontro entre dois grandes mas pouco conhecidos virtuoses: Eardley e Monterose. O trompetista tem uma sonoridade límpida, ensolarada, que remete à escola californiana e faz um belo contraste com o som sujo e rascante do saxofonista, típico da escola novaiorquina. Inspirados, os dois cometem solos inventivos e tecnicamente complexos, destacando-se o apoio inflamado de Syran e a explosiva percussão de Stabulas.

Composta por Eardley, a opulenta “Demanton” é um bebop flamejante, executado em tempo ultra rápido. Destaque para o piano nervoso de Syran e para a energética atuação do líder, cujo sopro musculoso e viril tangencia a pegada vibrante de seu contemporâneo Clifford Brown. Os improvisos desconcertantes de Monterose e o vigoroso solo de Stabulas também merecem ser ouvidos com atenção redobrada.

Para encerrar, duas composições de Tadd Dameron: “Sid’s Delight” e “If You Could See Me Now”. Na primeira, a abordagem de Eardley é furiosa e essencialmente bopper, apresentando solos entusiasmados e muito bem construídos do ponto de vista técnico. O parceiro Monterose, igualmente  hábil, responde à altura as provocações do líder, atacando o saxofone com maestria, dando azo a solos inquietos e audaciosos. Na segunda, emerge o lado baladeiro do líder, que usa aqui uma sonoridade aveludada e tranqüila, muito bem escorado pelos acordes plácidos de Syran e pelo contrabaixo climático de Kotick. Um disco honesto, feito por músicos de alto gabarito, que demonstram em cada nota estarem se divertindo bastante nas sessões de gravação.

Embora não tenha deixado tantos registros, mesmo como sideman, Eardley pode ser ouvido em algumas gravações de Gerry Mulligan para os selos EmArcy e Jazz Band. Na companhia do líder e do trompetista, pontuam figuras de primeira linha, como Bob Brookmeyer, Zoot Sims, Peck Morrison, Bill Crow e Dave Bailey. Após sua atuação com Mulligan, Eardley retornou a Altoona, sua cidade natal, para cuidar de assuntos familiares atuando esporadicamente na cidade e nas suas cercanias até 1963, quando decidiu retomar a carreira musical.

Mudou-se para a Bélgica e passou a atuar regularmente em concertos, apresentações em clubes e em festivais, destacando-se o “Comblain-la-Tour”, realizado naquele país em 1964. Dignas de registro também são a sua colaboração com Benny Bailey e suas temporadas em países como Holanda, em 1969 e 1970, Inglaterra, em 1977, e na Alemanha, onde chegou a residir durante os anos 70, fixando-se em Colônia.

Em 1981, atuou ao lado de Chet Baker, tocando flugelhorn nos discos “Round Midnignt” e “I’ll Remember You” (ambos para a Circle). Também tocou com inúmeros músicos europeus, como o pianista alemão Joachin Kühn, o baterista suíço Daniel Humair, o trompetista sérvio Dusko Gojkovic, o pianista holandês Rein de Graaf e o arranjador e compositor alemão Harald Banter.

Em seus últimos anos de atuação Eardley tocou com grandes músicos como Al Haig, Mickey Rooker e J. R. Monterose, além de ter feito parte da “WDR Big Band” de Colônia. Infelizmente, o trompetista veio a falecer com pouco mais de 62 anos, no dia 01 de abril de 1991. Morava, então, no povoado de Lambermont, próximo à cidade de Verviers, na Bélgica.

Pedro "Apóstolo" Cardoso sintetiza a trajetória de Eardley: "pode-se afirmar com certeza que mesmo sem ser entusiástica e permanentemente reconhecimento em seu país, ele é muito respeitado na Europa, o que se justifica por seus quase 30 anos de atuação no velho continente. Mesmo sendo rotulado à escola do “West Coast Jazz”, face à sua atuação com Mulligan e outros, seu estilo é francamente mais próximo ao Jazz Clássico".

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34 comentários:

APÓSTOLO disse...

Estimado ÉRICO:

O cidadão é MUITO BOM e com PETE JOLLY nas "88" é uma covardia.
Beleza de resenha e grato, muito grato, pela música.
E dá-lhe "Gigante da Colina", ainda que seja muito cedo para comemorar o 5º.

Érico Cordeiro disse...

Mestre Apóstolo,
É sempre bom contar com sua presença - desnecessário dizer que essa resenha foi mais um presente seu para os amigos do jazzbarzinho.
Só tenho a dizer: muito obrigado!
Abração!

PREDADOR.- disse...

Excelente a sua escolha, mr.Cordeiro. Eardley sempre foi um dos meus trumpetistas favoritos, desde sua participação com Gerry Mulligan no famoso álbum "California Concerts vol.1",de 1954, onde ele simplesmente dá um show de interpretação, técnica, lirismo e o "escambau". Gosto muito também desse disco resenhado, assim como do "The Jon Eardly Seven", liderando um septeto com Milt Gold(trombone), Phil Woods (as).....de 1956(OJC) e de "Pot Pie", com Phil Woods. Parabéns pela resenha, belo poema e saudações vascaínas (estamos igual a "pinto no lixo", até quando não sei!)

Érico Cordeiro disse...

Mestre Predador,
Alvíssaras - sua presença, mesmo quando o detonador está ligado, é sempre muito enriquecedora.
Estava na dúvida, pois também tenho o Pot Pie (genial) e o Seven, mas optei por esse por causa do J. R. Monterose (que também já foi objeto de resenha por estas bandas).
Que o trem bala engrene de vez e que consigamos mais dois títuloe esse ano: Sul Americana e Brasileirão - já pensou?
Abração!!!!

магазинов disse...

Варез и нулл движка размещен не будет.
В сети и так полно
Что касаемо модулей и прочего, берется материал из открытых источников. Если интересный материал имеет какие-нибудь непосредственное авторство или права, то только с согласия автора!
Тематика форума: Обсуждение работы интернет магазинов на движке shop-script, обмен опытом, тестирование новых или уже известных модулей, участие в разработке новых решений и/или дополнений для shop-script, использующихся в интернет-продажах!

José Domingos Raffaelli disse...

Dear Gran Master Boss Érico,

Grande sacada sua selecionando esse excelente CD do baixinho John Eardley com material de 2 LPs que gravou para a extinta Prestige.

Tive a sorte de ouvir John Eardley ao vivo no quarteto de Gerry Mulligan, no extinto Basin Street em minha primeria viagem a New York. O homem era um azougue, movimentava-se sem parar enquanto solava e comportava-se com a fleugma de uma freira quando seus companheiros solavam. Os demais membros do quarteto eram Red Mitchell (baixo) e o lendário e underrated Denzil Best, cujos brilhantes acompanhamentos de ótimo gosto com as vassourinhas, tocando com George Shearing e depois com Mulligan, influenciaram uma legião de bateristas de jazz.

Como você realçou apropriadamente, John Eardley foi um discípulo do imortal e fantástico Fats Navarro, a meu ver um dos maiores trompetistas de jazz de todos os tempos. By the way, observe que o break que Eardley toca após o tema Sid's Delight É O MESMO QUE NAVARRO TOCOU NA GRAVAÇÃO ORIGINAL DOS ANOS 40!!

Keep swinging,
Raffaelli

Érico Cordeiro disse...

Caros Puttin e Raffaelli,
Tovarish, é o que eu sempre digo: Варез и нулл движка размещен не будет!!!!
Quanto a você, Mestre, é sempre muito bom tê-lo a bordo. Quando você passa um tempinho sem aparecer no barzinho, ficamos um pouco sem chão.
Tenho dois discos do Eardley como líder e mais o Pot Pie, onde ele divide a liderança com o Phil Woods. Realmente, é um trompetista brilhante, que trafega entre o swing e o bebop com tamanha naturalidade que permite que o ouvinte perceba a evolução histórica do jazz como uma conseqüência lógica e não como uma ruptura do bebop em relação aos estilos que o precederam.
Abração!

Malu disse...

Como já disse uma vez, novamente digo - sempre aprendo muito quando venho por aqui e encontro estas partilhas.
Sim, a música tem dessas coisas que transcende através do tempo e do espaço.
Abraços

Érico Cordeiro disse...

Prezada Malu,
Seja muito bem vinda e obrigado pelas palavras generosas. Já foi dito que "sem música, a vida seria um erro".
Concordo plenamente - isso é transcendência, não é mesmo?
Abraços fraternos!

renajazz disse...

estou chegando agora do show do idriss em breve posto os videos aqui... amanhã estarei indo a ouro preto ai la poderei pesquisar e ai vamos ver se consigo algum link sobre o artista postado boa noite a todos

Érico Cordeiro disse...

Valeu, Renato
O Idriss é fera e seu disco Base & Brass é formidável (foi um presente do querido Mestre Apóstolo).
Mas o Festival de Ouro Preto não foi adiado? Vai rolar alguma coisa por lá?
Abração.

Sergio disse...

Muito legal, seu mr. san, quando vc desencava gente lá do oco da toca. "O baixinho", segundo mestre Raffaelli, é da pesada mesmo. Consegui 2 discos dele com o Zoot Sims e geminei-os num só "THE JON EARDLEY SEVEN - 1956" que ficou muito bõ.

Mas mudando de assunto: cê conhece o Ray Bryant, mais precisamente o disco "Con Alma"?, monami, q discaço! Só a versão dele para a música título, justo a 1ª faixa, já se tem uma idéia do q o cara é capaz.

A outra descoberta q fiz essa semana foi um certo Ray Nance, e descobri-o, ao violino. Não ao trumpete no tempo da orquestra do Ellington. Cara, achei o Nance em dois álbuns ao violino, super-moderno e o cara é de 1913!

Depois fui fuçando, fuçando até descobrir, provavelmente por um erro do dono do arquivo (álbum), um dos melhores discos de jazz q ouvi este ano, sério. Chama-se, "It Don't Mean a Thing If It Ain't Got That Swing!" de Earl Hines e Paul Gonçalves. O engraçado é que esse disco, depois de encontrar a capa, descobri que o nome do Nance nem aparece lá).

Infim, no erro ou no acerto, si dei muito bem - 3 vez!

Érico Cordeiro disse...

Mr. Sérgio,
Ótimos ventos o trazem ao barzinho!
3 descobertas do garimpeiro são sempre muito relevantes. O Eardley é muito bom. Tenho o Seven e um disco do Phil Woods, Pot Pie, em que ele come a bola.
Esse disco do Ray Bryant eu não conheço, embora tenha uns cinco ou seis discos desse fabuloso pianista.
Também não conheço esse disco do Nance - dele só tenho o Body and Soul, que é mais ou menos (http://www.allmusic.com/album/body-and-soul-r69771). Não é dos meus álbuns preferidos, mas tem coisas interessantes.
Abração!

José Domingos Raffaelli disse...

Prezados amigos jazzófilos,

Peço milhões de desculpas pelo indesculpável erro de haver
grafado erroneamente o nome de Jon Eardley como JOHN Eardley.
Como dizia meu saudoso e sábio pai, "quando começamos a errar muito é porque ficamos gagá"....

Mas, o CD dele focalizado por nosso Gran Master Érico, merece toda a atenção dos verdadeiros cultores do jazz.
Keep swinging,
Raffaelli

Sergio disse...

Mr.Érico, pois não é que foi justo o Body and Soul o meu 1º contato com o Nance? Eu gostei muito desse álbum, o cara me pareceu moderno, daqueles músicos que surgiram nos 60’s, jamais imaginei, a 1ª ouvida, q ele fosse tão antigo. Daí q pesquisei o Nance - no wikipédia tem uma biografia mais ou menos abrangente - e descobri o passado dele, cheio de importância, como trompetista, na orquestra do Duke Ellington. Num dado momento da bio, está lá: “a Nance foi dado o solo de trompete sobre a primeira versão gravada de "Take the "Train", que se tornou um grande sucesso. O solo de Nance em Take the Train" é um dos solos mais copiado e admirados na história do jazz”. Mas me pareceu, nessa brevissima pesquisa – q não tem a autoridade das suas – q o cara deixou um pouco o trumpete de lado e se encantou pelo violino.

Já o disco “Paul Gonçalves meets Earl Hines” é um álbum fantástico! Indispensável em qualquer discoteca. Ocorre q foi lançado um outro com duas seções distintas de nome “It Don't Mean A Thing If It Ain't Got That Swing” 1970. Na capa está grafado: Paul Gonsalves-Earl Hines-Ray Nance. Só que deste (que baixei parte no soulseek), só apareceu a mesma seção que consta no Paul Gonçalves Meets Earl Hines do label Black Lion.

http://www.amazon.com/gp/product/B00005RRVX/ref=s9_simh_bw_p15_d0_g15_i2?pf_rd_m=ATVPDKIKX0DER&pf_rd_s=center-2&pf_rd_r=09Y0JR0MZTA3XZNZAYFD&pf_rd_t=101&pf_rd_p=1280261722&pf_rd_i=5174

Neste endereço acima (do Amazon) entendes melhor a história.

Ontem a noite encontrei um álbum com Gonçalves + Nance, sem Earl, "Just A-Sittin' And A-Rockin', onde Nance toca mais o trompete que o violino e tbm canta – aliás ele canta em todos os discos dele. O disco já está aqui me esperando para ser degustado.

Ah! o "Con Alma" (1961) do Ray Bryant, até onde sei, só saiu em LP, please me indique o melhor dos seus tantos do Bryant, preu tentar baixar aqui.

Abraços!

Érico Cordeiro disse...

Caríssimos Raffaelli e Sérgio,
Bem-vindos a bordo.
Ao primeiro, digo que esse errinho é tão pequenininha que acho que ninguém percebeu - seu crédito na casa é tão grande, mas tão grande que nem chega a arranhar seu prestígio.
E ao segundo, sugiro os discos Ray Bryant Trio e Here's Ray Bryant, ambos pela OJC.
Abração aos dois!

José Domingos Raffaelli disse...

Caro confrade Sérgio,

O histórico solo de Ray Nance em "Take de A Train" não é somente um dos "solos mais copiados da história do jazz", porque também MARCOU SUA ESTRÉIA NA ORQUESTRA DE ELLINGTON.

Falando em solos mais copiados da história do jazz, lembremos o solo de Illinois Jacquet em "Flying Home" com a orquestra de Lionel Hampton, o de Charlie Parker em "Now's the time", o de Lester Young em "Sometimes I'm Happy", o de Louis Armstrong em "West End Blues", o de Eddie Davis em "Chinatown, my Chinatown" e um monte de outros que agora não me ocorrem.

Desculpe uma pergunta indiscreta: É você quem vende CDs na calçada da Sala Baden Powell ? Caso seja, uma noite o vi lá quando esperava o início de um evento naquele local.
Keep swinging,

Raffaelli

Sergio disse...

Sim, mestre, Raffaelli, em osso, carne de pescoço e pedal – o último, a propulsão do negócio...

O vi lá tbm. Mas é aquilo, né: há a corrente dos entusiastas pela atitude "cds-fora-de-catálogo e/ou não à venda no território nacional, vendidos em cópias, as quais prefiro atribuir o título de “genéricas”" e a corrente daqueles que acreditam que a atitude é somente oportunista. Por exemplo, como recuperarias o prazer de ouvir e ter em espécie (genérica) o “Encuentro” de Villegas (com Paul Gonsalves e Willie Cook), sem que mestre Érico desse um empurrãozinho?

Por fim, ou melhor, pra encurtar, pq ainda é o assunto ainda é um terreno minado: em minha defesa, já que o mundo deixou de ser cristão, budista, muçulmano ou mesmo ateu, pra virar algo vago e sem substância regido pelo Mercado, devo dizer que “alguém tinha que fazer o que faço”...

Então, como não sabia de que lado estarias, fiquei lá, na minha.

José Domingos Raffaelli disse...

Caro Sérgio,

Como disse Steve Slagle quando reconheceu-me após a apresentação da Mingus Big band,em NY: "What a small world". Era o que diria caso soubesse que era você e me apresentaria. Naquela noite eu estava de pé com meu filho esperando o amigo que me daria carona após a homenagem que os músicos me prestaram na Sala Baden Powell. By the way, enquanto esperávamos ouvimos a reprodução de um CD de Chet Baker cantando, provavelmente o "Chet Baker Sings" e apreciava o movimento de clientes que conversavam com você.

Embora não tão perto, deu para observar que na "garupa" do seu veículo havia um apreciável estoque de matéria-prima.

Deverei comparecer numa das noites de autógrafos do Érico e, caso esteja no mesmo local, então me apresentarei, prometendo não atrapalhar seus negócios.

Até lá e keep swinging,
Raffaelli

Sergio disse...

Imagine, mestre. Só de apertar minha mão a boa parte da clientela passará a considerar melhor a iniciativa. Como assim, atrapalhar?

Mas, sempre soube q trabalho num terreno espinhoso, então... Fico na minha.

Com Chet Baker, que é disco de estoque na bike lojinha, tenho uma ótima história: num dos dias que parei na Baden, a fila de entrada passou, todos entraram pro show e essa é a hora do relax: ir para um barzinho e esperar a hora da saída pra vender mais uns cdzinhos. Neste dia fiquei parado ali mesmo, na porta da Baden, ouvindo música. E não é q de repente, passa uma menina de uns 7/8 anos no máximo, com a mãe e a garota quando ouve o Chet, aperta forte a mão da mãe e diz num suspiro, "que música linda!"? Prontamente, a mãe pára diante de mim e compra o disco pra filha, q fica exultante.

São momentos assim q me dão força pra continuar e me acenam com o positivo para a iniciativa.

Estarei lá, na noite de autógrafos do meu guru, Érico Cordeiro e será um prazer conhecê-lo.

Abraços!

Érico Cordeiro disse...

É por isso que eu sou fã do jazzbarzinho! Vou estar lá, presenciando esse encontro!

APÓSTOLO disse...

Estimado ÉRICO e prezado SÉRGIO:

Caso queiram "assistir" RAY BRYANT ao vivo, recomendo com louvor o DVD "RAY BRYANT '77" da coleção "Norman Granz Jazz In Montreux", em que esse mago das "88", em apresentação solo, nos desfila uma série de clássicos.
É conferir.

Sergio disse...

Grande dica, mestre Apóstolo! Então, me parece que Ray Bryant é quase uma unanimidade. De minha parte estou mergulhando de cabeça nos álbuns dele. Mas, mudando o foco pro mr. Érico: já que pretendo presentear-lhe com um álbum reco-records legítimo, o Ray Bryant, "Con Alma", só disponível em LP, tá no páreo.

Anônimo disse...

A long, long time ago...
I can still remember
How that music used to make me smile.
And I knew if I had my chance
That I could make those people dance
And, maybe, they’d be happy for a while.

But february made me shiver
With every paper I’d deliver.
Bad news on the doorstep;
I couldn’t take one more step.

I can’t remember if I cried
When I read about his widowed bride,
But something touched me deep inside
The day the music died.

So bye-bye, miss american pie.
Drove my chevy to the levee,
But the levee was dry.
And them good old boys were drinkin’ whiskey and rye
Singin’, "this’ll be the day that I die.
"this’ll be the day that I die."

Did you write the book of love,
And do you have faith in God above,
If the Bible tells you so?
Do you believe in rock ’n roll,
Can music save your mortal soul,
And can you teach me how to dance real slow?

Anônimo disse...

Well, I know that you’re in love with him
`cause I saw you dancin’ in the gym.
You both kicked off your shoes.
Man, I dig those rhythm and blues.

I was a lonely teenage broncin’ buck
With a pink carnation and a pickup truck,
But I knew I was out of luck
The day the music died.

I started singin’,
"bye-bye, miss american pie."
Drove my chevy to the levee,
But the levee was dry.
Them good old boys were drinkin’ whiskey and rye
And singin’, "this’ll be the day that I die.
"this’ll be the day that I die."

Now for ten years we’ve been on our own
And moss grows fat on a rollin’ stone,
But that’s not how it used to be.
When the jester sang for the king and queen,
In a coat he borrowed from james dean
And a voice that came from you and me,

Oh, and while the king was looking down,
The jester stole his thorny crown.
The courtroom was adjourned;
No verdict was returned.
And while lennon read a book of marx,
The quartet practiced in the park,
And we sang dirges in the dark
The day the music died.

We were singing,
"bye-bye, miss american pie."
Drove my chevy to the levee,
But the levee was dry.
Them good old boys were drinkin’ whiskey and rye
And singin’, "this’ll be the day that I die.
"this’ll be the day that I die."

Helter skelter in a summer swelter.
The birds flew off with a fallout shelter,
Eight miles high and falling fast.
It landed foul on the grass.
The players tried for a forward pass,
With the jester on the sidelines in a cast.

Now the half-time air was sweet perfume
While the sergeants played a marching tune.
We all got up to dance,
Oh, but we never got the chance!
`cause the players tried to take the field;
The marching band refused to yield.
Do you recall what was revealed
The day the music died?

We started singing,
"bye-bye, miss american pie."
Drove my chevy to the levee,
But the levee was dry.
Them good old boys were drinkin’ whiskey and rye
And singin’, "this’ll be the day that I die.
"this’ll be the day that I die."

Oh, and there we were all in one place,
A generation lost in space
With no time left to start again.
So come on: jack be nimble, jack be quick!
Jack flash sat on a candlestick
Cause fire is the devil’s only friend.

Oh, and as I watched him on the stage
My hands were clenched in fists of rage.
No angel born in hell
Could break that satan’s spell.
And as the flames climbed high into the night
To light the sacrificial rite,
I saw satan laughing with delight
The day the music died

He was singing,
"bye-bye, miss american pie."
Drove my chevy to the levee,
But the levee was dry.
Them good old boys were drinkin’ whiskey and rye
And singin’, "this’ll be the day that I die.
"this’ll be the day that I die."

I met a girl who sang the blues
And I asked her for some happy news,
But she just smiled and turned away.
I went down to the sacred store
Where I’d heard the music years before,
But the man there said the music wouldn’t play.

And in the streets: the children screamed,
The lovers cried, and the poets dreamed.
But not a word was spoken;
The church bells all were broken.
And the three men I admire most:
The father, son, and the holy ghost,
They caught the last train for the coast
The day the music died.

And they were singing,
"bye-bye, miss american pie."
Drove my chevy to the levee,
But the levee was dry.
And them good old boys were drinkin’ whiskey and rye
Singin’, "this’ll be the day that I die.
"this’ll be the day that I die."

They were singing,
"bye-bye, miss american pie."
Drove my chevy to the levee,
But the levee was dry.
Them good old boys were drinkin’ whiskey and rye
Singin’, "this’ll be the day that I die."

Anônimo disse...

Olá meu querido amigo! Há dias não passo por aqui (muito trabalho arghhh!!kkkk). Que poema lindo inicia sua resenha!! A música do Jon Eardley tem a alegria como digital. Trouxe uma das minhas como um presente pra você. Que seu final de semana seja assim... todinho musical. Beijão! Kátia.
http://www.youtube.com/user/kkcouto5#p/f/15/6WVkR8fdiCM

Érico Cordeiro disse...

Queridos Apóstolo, Sérgio, Anônimo e Kátia,
Sejam muito bem vindos e obrigado pela visita e pelas palavras generosas.
Mestre Apóstolo, confesso que não sou muito fã de discos de piano solo, mas essa apresentação realmente é empolgante. Tenho em cd, da Atlantic, e é muito bom.
Quanto ao presente, ficarei honrado, embora não tenha esquecido o Billy Bauer (esse, vai deixando um exemplar reservado pra mim, ok?).
American Pie realmente é uma grande música - Kiling Me Softly, outr hit dos anos 70, foi composta em homenagem a ela, que por sua vez já era uma homenagem a Buddy Holly (The day the music died se refere ao dia em que ele sofreu o acidente que o matou, juntamente com o Richie Valens).
Kátis, vou dar uma conferida - valeu a dica!
Grande abraço a todos!

Sergio disse...

Pra variar escreverei um longo texto, mas agora mais livre, já q temos nova postagem acima: o Ray Bryant (álbum "Con Alma"), do qual, até então eu tinha apenas um disco meio more-or-less de nome "In The Cut", me foi (re)apresentado (em pedido de cliente para reproduzi-lo). Então, Com Alma seria o 2º álbum do cara que consegui nas garimpagens. Daí sim, descobri o poder do pianista. O engraçado que o tal cliente, um argentino que me apareceu na lojinha, quando na praia, aos domingos, também não conhecia o Ray. Me contou que numa viagem com a esposa, em Saint Louis, entraram numa loja e foram recomendados pela dona a comprar o LP. Compraram e perderam, sem ouvir. Daí que o portenho, ficou com o nome do disco na cabeça. Outra grande curiosidade, é que quando entreguei o CD genérico, na casa do cliente, eu falei do Villegas (pronuncia-se Vidjega) o Hector, artista plástico e agora cliente de carteirinha, arregalou os olhos e emendou “é meu amigo de bar!”. Bom, enfim, ele tem estenso material de Villegas, inclusive uma rara entrevista em DVD, que me ofereceu para copiar. Voltando ao Ray, como dissestes que não é muito chegado a discos piano solo, eu li, numa resenha de Scott Yanow, ele dizendo que “ninguém toca melhor o blues em solo de piano do que Bryant”! Outra afirmação do mesmo: “ninguém tocou “After Hours” como Ray Bryant”! Bom, baixei e ainda busco baixar, tudo que encontrei do pianista. Há um disco “Plays The Blues” que o cara toca em trio, com a participação de um genuíno gaitista bluseiro, de nome, Hugh McCracken, que é fantástico! E ali, ouvindo este álbum, cheguei a uma conclusão que queria dividir consigo, v se não e? Todo o poder do jazz está na verdade todo baseado em blues. E, concordo: ninguém leva leva in jazz, o Blues como esse tal de Ray Bryant!

Por fim, a nota triste. O cara morreu justo em junho (acho q dia 2) deste ano, aos 79. Mas, vamos ser pra cima e avante: morreu, mas que obra danada de boa ele nos legou! Era isso.

Érico Cordeiro disse...

Pô, Mr. Sérgio, avisa o seu amigo portenho sobre o barzinho, especialmente a resenha sobre o amigo dele, o grande Villegas.
Quanto ao Ray Bryant, realmente o cara tem uma pegada tipicamente blueseira, muito robusta e muito assentada nos graves. Essa ligação do jazz com o blues é muito profunda - todos os grandes como Parker, Miles, Ellington, Mingus, etc. tem declarações no sentido de que o músico de jazz que quiser se sobressair tem que ter um profundo conhecimento do blues.
Até o Ornette Coleman afirmava que sua música era uma forma de retornar ao blues mais básico (não sei se ele conseguiu - rs, rs, rs).
Abração!

RENAJAZZ disse...

http://www.fileserve.com/file/4KAvR9y/Gerry Mulligan - Presenting the Gerry Mulligan Sextet (1955).part2.rar



http://www.fileserve.com/file/gk8AGN2/Gerry Mulligan - Presenting the Gerry Mulligan Sextet (1955).part1.rar

José Domingos Raffaelli disse...

Caro Sérgio,

Já ouviu o "After Hours" do Phineas Newborn dravado num CD em que ele é acompanhado por Paul Chambers e Roy Haynes ? Essa gravação é "out of this world", SENSACIONAL MESMO.
Mas, podemos esquecer a gravação original dessa jóia pelo seu autor, o pianista Avery Parish, com a big band do trompetista Erskine Hawkins.

Keep swinging,
Raffaelli

José Domingos Raffaelli disse...

Oi Sérgio,

Retificação urgente: NÃO PODEMOS ESQUECER a gravação original dessa jóia pelo seu autor, o pianista Avery Parish, com a big band do trompetista Erskine Hawkins.

e NÃO: PODEMOS ESQUECER.......

Desculpem o mau jeito e keep swinging,

Raffaelli

Érico Cordeiro disse...

Caros Renato e Raffaelli,
Ao primeiro, obrigado por compartilhar os links.
Ao segundo, digo que esse tema é sensacional - tá no We Three, realmente um disco pra levar pruma ilha deserta.
Abração!

Érico Cordeiro disse...

Um adendo: tão bom quanto e também da OJC, é o sensacional Just Us, do Roy Haynes Trio, com Richard Wyands no piano e Eddie De Haas no baixo, Excelente álbum!

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