Amigos do jazz + bossa

domingo, 28 de março de 2010

O ELOGIO DA TESTOSTERONA


Eddie “Lockjaw” Davis pertence a uma categoria de, digamos, “cabras machos, sim senhor!” do jazz. A ela podemos relacionar portentos como Coleman Hawkins, Arnett Cobb, Don Byas, Gene Ammons, Illinois Jacquet, James Moody e mais alguns outros.


Davis, definitivamente, não se enquadra no perfil de “espírito sensível e angustiado” de um Bill Evans ou de um Keith Jarret, por exemplo. Tampouco consta que costumasse passar por crises existenciais e outras inquietudes espirituais assemelhadas. Afinal, o apelido – Lockjaw significa algo como “Mandíbula Cerrada” – não lhe foi dado à toa, tamanha a ferocidade do seu toque.


Como Sonny Stitt, cuja destreza intimidava os mais hábeis dentre os músicos, Davis também foi um emérito vencedor de incontáveis batalhas e desafios entre saxofonistas, prática comum entre os anos 40 e 50 e que fazia parte da própria mística do jazz. Mas, da mesma forma que também acontece com Stitt no sax alto, seu nome é pouco lembrado quando o assunto é sax tenor jazzístico.


De qualquer forma, o respeitado crítico Nat Hentoff assim descreve a volúpia de Lockjaw, ao vencer mais um desafio: “Após um dos seus excelentes solos, de um som incrível e de um swing trepidante, Eddie “Lockjaw” Davis erguia o seu saxofone tenor no ar, como um gladiador a brandir a sua arma no Coliseu, em Roma, celebrando a sua vitória contra o oponente”.


Edward Davis nasceu no dia 2 de março de 1922, em Nova Iorque. Autodidata, ainda na adolescência conseguiu comprar em sax tenor de segunda mão e daí em diante não parou mais. O garoto freqüentava as casas noturnas do Harlem, a fim de observar seus ídolos em ação, especialmente Coleman Hawkins e o precocemente falecido Herschel Evans.


Seu primeiro emprego foi na orquestra da boate Clark Monroe's Uptown House, no final dos anos 30. A partir do começo da década de 40, seguiram-se trabalhos com Jimmy Gorham, Cootie Williams, Lucky Millinder, Andy Kirk e Louis Armstrong. Também liderou seus próprios conjuntos, tocando em boates e casas noturnas da cidade natal e da Filadélfia.


Embora sua formação fosse o swing, Davis também soube absorver as inovações harmônicas trazidas pelo bebop, tanto é que em 1946 batizou sua banda de “Eddie Davis and His Beboppers”, que incluía Fats Navarro, Al Haig, Huey Long, Gene Ramey e Denzil Best, atração fixa do Minton’s Playhouse. Seu estilo, agressivo e cru, fez dele um dos precursores das correntes que aproximaram o jazz do R&B, como o soul jazz e o hard bop.


Em 1952 juntou-se à orquestra de Count Basie e ali permaneceria, com algumas interrupções, até a década de 70. Manteve, todavia, uma intensamente produtiva carreira solo e dentre as suas associações mais importantes, destacam-se a com Sonny Stitt (no início dos anos 50), com a organista Shirley Scott (de 1955 a 1960, cujos discos fizeram um grande sucesso comercial, para os padrões do mercado jazzístico) e com Johnny Griffin (um saxofonista tão competitivo e obstinado quanto Lockjaw, com quem co-liderou um quinteto entre 1960 e 1962).


Em sua anabolizada carreira, Davis acompanhou ou foi acompanhado por gente do quilate de Jimmy Cleveland, Al Grey, Eric Dolphy, Arthur Edgehill, J. J. Johnson, Harry "Sweets" Edison, Jack McDuff, Jerome Richardson, Horace Parlan, Red Garland, Oscar Peterson, Roy Haynes, Big Joe Turner, John Heard, Roy Eldridge, Clarence Johnston, Sam Jones, Milt Jackson, Ray Brown, Hugh Lawson, T-Bone Walker, Arthur Prysock, Melba Liston, Junior Mance, Oliver Nelson, Ray Barretto, Don Patterson, Carmen McRae, Ben Riley, George Duvivier, Jimmie Smith, Zoot Sims, Dinah Washington, Arthur Taylor, Benny Carter, Clark Terry, Paul Gonsalves, Richard Wyands, Quincy Jones e muitos outros. Sua longa discografia inclui trabalhos para a Prestige, Roullette, Savoy, Moodsville, MPS, Riverside, Pablo, RCA, SteepleChase, Enja e muitos outros selos.


Um dos seus melhores discos foi gravado no dia 18 de abril de 1962 e se chama "Jawbreakers". A seu lado, dividindo a liderança da sessão, o fabuloso trompetista Harry "Sweets" Edison, outro músico oriundo do swing e que passou boa parte de sua vida com a orquestra de Count Basie. A sessão rítmica era formada pelos competentes Hugh Lawson (piano), Ike Isaacs (baixo) e Clarence Johnston (bateria) e o álbum foi lançado pela Riverside.


A idéia do álbum surgiu casualmente. Sweets e Lockjaw conversavam no bar do Birdland e constataram que apesar das respectivas – e quilométricas – discografias, jamais haviam gravado juntos. A Riverside encampou a idéia e o big boss da gravadora, o lendário Orrin Keepnews, produziu o disco. Mostrando a que vieram, os líderes abrem o set com o blues “Oo-Ee!”, composição cheia de groove de Edison.


A sacolejante “Broadway”, de Henry Woode, Teddy McRae e Bill Bird, é uma homenagem da dupla ao ex-patrão Count Basie. A abordagem é completamente bopper, com Isaacs fazendo uma linha de baixo antológica e os líderes duelando como se estivessem em uma arena. Destaque também para o vigoroso solo de Lawson, que na época era o pianista oficial do exigente Yusef Lateef.


“Jawbreakers”, tema que dá nome ao disco, foi composta especialmente pó Edison para esta sessão. Firmemente assentada no blues, com uma leve tintura de soul jazz, sua abertura impressiona, com a alternância entre trompete encorpado de Edison e o fabuloso sax de Lockjaw. Grandioso trabalho da sessão rítmica, especialmente de Lawson. Mostrando que também estavam atentos ao jazz contemporâneo, os líderes entregam uma caudalosa versão de “Four”, de Miles Davis. A interação entre os líderes beira a telepatia e a bateria de Johnston é simplesmente devastadora.


Mostrando que machões também sabem ser românticos, a balada bluesy “Moolah”, também de Edison, dá uma aliviada no clima “hot” e permite que se perceba a diferença de estilos entre os dois líderes: Edison é sutil e delicado em sua abordagem, enquanto Davis exibe um lirismo rascante – é como se o primeiro sussurrasse uma melodia de amor no ouvido da amada e o segundo a gritasse a plenos pulmões, desesperadamente, como se implorasse pela sua volta. O romantismo continua na estupenda versão que o quinteto faz para “I’ve Got A Crush On You”, uma das composições mais refinadas dos irmãos Gershwin, onde Sweets soa mais doce que nunca, ao usar a surdina com muita classe.


Outro standard, “A Gal In Calico”, de Arthur Schwartz e Leo Robin, ganha um arranjo alegre e vivaz. O diálogo entre Sweets, novamente usando a surdina, e Lockjaw é fabuloso e o clima é de big band dos anos 30 – swing de primeira linha. Na mesma linha, uma exuberante versão de “Close Your Eyes”, com direito a solos arrojados dos líderes e de Lawson, encerra o álbum em altíssimo astral. Para completar, a capa, que reproduz diversos potinhos de guloseimas na estante de uma mercearia, é tão deliciosa quanto o seu conteúdo.


Entre 1963 e 1964, Davis interrompeu sua carreira musical para tentar estabelecer-se como editor. Não foi lá muito bem sucedido e voltou aos palcos e estúdios, retomando a parceria com Basie. Na Europa, onde passou alguns anos, integrou-se à Kenny Clarke-Francy Boland Big Band e excursionou com a caravana Jazz At The Philarmonic, de Norman Granz. Também acompanhou Ella Fitzgerald, podendo ser ouvido no álbum "Newport Jazz Festival: Live At The Carnegie Hall", de 1973.


Em 1977 fez uma das mais memoráveis performances do Festival de Montreux, liderando um quarteto all-star que contava com o soberbo Oscar Peterson no piano, e mais Ray Brown (baixo) e Jimmy Smith (bateria). Ele faleceu no dia 03 de novembro de 1986, em Culver City, Califórnia, em decorrência de um ataque cardíaco.


O crítico Stanley Dance resumiu com precisão o que Lockjaw e seu estilo representaram para o jazz: "Eddie possuía um estilo único e muita confiança e impetuosidade. Muito inteligente, desenvolveu uma presença de palco conjugada à música, e manuseava seu instrumento com tamanha confiança que o público já ficava fascinado antes que ele começasse a tocar".


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32 comentários:

HotBeatJazz disse...

Ô¬Ô

OOppaaa primeirão!

Lockjaw é daquela safra fantástica de tenoristas nascidos entre 1918 e 1925, meio swing, meio bebop. Eles formaram uma legião de ferozes improvisadores. Muito bem lembrado esta postagem do Lockjaw!
Recebeu o Pando macho?
Super!

Abraços

Ô¬Ô

Érico Cordeiro disse...

Valeu Mauro!
O Lockjaw não é muito lembrado, mas é um ótimo improvisador.
Problemas técnicos com o DivShare fizeram com que a radiola tocasse o Clark Terry, mas "já vamos estar solucionando" o problema.
Quanto ao Pando, infelizmente não recebi - vou checar o e-mail agora!
Abração!

Érico Cordeiro disse...

Complementando: chegou sim.
Vou ouvi-lo com gosto!
Valeu mesmo!

John Lester disse...

Prezado Mr. Cordeiro, sua resenha serviu para reflexão: ao que consta, os 'espíritos sensíveis e angustiados' do jazz são quase todos pianistas. Ou não? Claro que sempre haverá um Chet Baker ou um Lester Young para nos desviar do foco que, parece-me, são os pianistas.

Quanto ao 'chave de cadeia' ou 'mandíbula de aço', são memoráveis suas battles ao lado de outros grandes tenores, sobremodo Johnny Griffin.

Pena não ter conseguido ouvir a seleção. Depois tento novamente!

Grande abraço, JL.

Érico Cordeiro disse...

Mr. Lester,
Prazer tê-lo a bordo.
Quanto a essa questão dos "espíritos sensíveis e angustiados", o bom e velho Carlos Massaranduba diria que isso é algo impublicável.
Mas, de fato, parece que os pianistas são mais afeitos aos dilemas do espírito - e isso desde Chopin!
Já o som aqui está rolando "bacanudamente", como diria o grande embaixador Pituco!
Abração!

Valéria Martins disse...

Gostei da história e do som do cabra macho! Aliás, esse tipo está fazendo falta... Falaram tanto no homem feminino que, às vezes, acho que tudo ficou feminino demaaaais...

Beijos, querido Érico

Érico Cordeiro disse...

Pois é, minha querida Valéria.
Hoje é um tal de homem sensível prá cá, de lado feminino prá lá (e, afinal de contas, o que é e para que serve um "Emo"?)... Acho que a galera andou radicalizando demais (rs, rs, rs).
Com o bom e velho Eddie não tinha essa conversa não. Cabra macho, sim senhor!
Seja muito bem vinda, depois da tour pelo Velho Continente!!!!
Uma ótima semana e tudo de bom!!!

Andre Tandeta disse...

Erico,
otimos textos e seleção musical.
Quanto a sensibilidade acho que ela nada tem a ver com macheza ou falta de. É bastante obvio que tocar como "Lockjaw" exige sensibilidade e muita.
Quanto ao comentario da Valeria acho que o que elas sempre precisam na verdade é de alguem que saiba consertar a pia,trocar o pneu ,fixar os bocais das lampadas e etc. Isso realmente os chamados "sensiveis"(as vezes apenas gente que não quer pegar no batente) não fazem ,tem as mãos fininhas e sem calos. Tem que ter caixa de ferramentas e disposição pra ralar. Precisando é só chamar,estamos ai.
Abraço

Érico Cordeiro disse...

Grande Tandeta!
Concordo em GNG e assino embaixo!
Sensibilidade e macheza não se excluem - João Valentão, célebre personagem de Caymmi, taí prá provar!
Mas nada (ou quase nada) substitui o nosso velho talento doméstico prá trocar lâmpadas (rs, rs, rs).
Abração!

Sergio disse...

Adorei a breve discussão sugerida pela Valéria sobre macheza ou candura masculina, me fez lembrar um livro q adorei e é ou foi muito mal interpretado pela crítica. Chama-se “Os machões não dançam” do Norman Mailer. Outro livro totalmente no tema q não se deve morrer sem ler, chama-se Pilatus do Conny. Este, deixo até um endereço a quem interessar possa: http://biblioteca.folha.com.br/1/30/2001031001.html pra saber sobre.

Desta feita deu pra ler e ouvir o álbum indicado - tive tempo de baixar antes. Uma maravilha, seu san! A destacar, até onde ouvi enquanto escrevo, o tema milesiano “Four”, bacaníssimo.

Como já tenho alguns bons álbuns do mandíbula Davis, segui na trilha do pianistas e fui atrás de algum Hugh Lawson solo. O mesmo tem apenas - segundo o allmusic, como fonte, como sempre - 3 solos. Gostei muito da capa do Colour... Bem, a capa eu já conheço, já o disco... nem sinal. Mas estou na caça!

Sergio disse...

Uops... é PilatOs, não Pilatus.

Érico Cordeiro disse...

Mr. San,
Uma ótima pedida, o Lawson - de quem, aliás, só tenho material como sideman.
Quanto às dicas de leitura, admito minha ignorância em relação a ambos, embora já tenha ouvido falar muito bem deles, especialmente de Pilatos (um romance meio maluco do Cony).
Valeu e boa sorte na busca!

APÓSTOLO disse...

Estimado ÉRICO:

Na escala de 01 a 10, nota 11 !
02 cracaços, muito bem acompanhados, com belas citações !

Érico Cordeiro disse...

Mestre Apóstolo,
Prazer em tê-lo no barzinho - e muito obrigado pelas palavras generosas!
A idéia da postagem veio depois de assistir o dvd em Montreux, que é muito legal. Uma fera, literalmente, o Lockjaw (e peço logo vênia para usar seus alfarrábios na resenha que pretendo escrever sobre o Little Giant Johnny Griffin).
Abraços fraternos!

Paul Brasil (Paul Constantinides) disse...

Lockjaw!
o que dizer grande Érico.
q beleza de som "A Gal in Calico" é um convite ao deslumbre, a vida em si...beleza
abs
paul

APÓSTOLO disse...

Prezado ÉRICO:

Conforme conversamos aquí na "toca", material sobre JAZZ não é para guardar, já que se trata de cultura para todos nós.
Tudo o que escrevo (com todas as lacunas possíveis), é para ser partilhado, mais ainda com quem gosta da música e da sua história.
Sempre é bom lembrar de que tudo o que escrevo é resultado de 20% de vivência e 80% de pesquisa (e põe PARETO nisso).
Abraços, extensivos aos bons CELIJON e WASHINGTON...

Érico Cordeiro disse...

Queridos Paul e Apóstolo,
Obrigado aos dois: ao primeiro pelas palavras sempre gentis e ao segundo pelos copyrights (rs, rs, rs) - também uso a velha fórmula de 20% inspiração e 80% de transpiração, por isso prometo citar a fonte!!!!
Grande abraço aos dois (e transmito ao Celijon e ao Washington o seu abraço, Mestre!).

Andre Tandeta disse...

Erico,
nosso amigo Apostolo é com toda a certeza uma referencia nesse assunto, o jazz. E com sua ja conhecida generosidade vai divulgando conhecimentos acumulados por toda uma vida de amor e dedicação a aquilo que ele, muito apropriadamente ,chama de ARTE POPULAR MAIOR.
Pedro,meu caro,sou seu fã!!!!
Abraço

APÓSTOLO disse...

Prezado ANDRÉ TANDETA:

Você pode até ser meu fã, o que me envaidece pelo pouco que tento fazer pelo JAZZ, mas eu sou seu muito antes e, conforme documento que guardo com estima, desde a criação do quarteto "JADE", no programa "JAZZ + JAZZ", de nosso fraterno amigo ARLINDO COUTINHO.
Na noite de 24/março/1987 nos estúdios da Globo-FM, IDRISS BOUDRIOUA / sax.alto, DARIO GALANTE / piano (e põe BUD POWELL nisso), JORGINHO ELDER / baixo e você na bateria, brindaram a todos nós que estávamos no estúdio e aos ouvintes, pérolas do nivel de "Auttumn Leaves", "Nefertit", "I Remember Bud", "Badete" (um "tour-de-force" de IDRISS e de DARIO, com multiplicação de "choruses" e mil frases criativas), "All The Things You Are", "Jade" e "The Days Of Wine And Roses".
Bela "jam", com todos os ingredientes do melhor.
Grato TANDETA, decorridos 23 anos e "forever".

Érico Cordeiro disse...

Eu é que estou bem na parada, afinal, sou fã dos dois!
E da próxima vez que for a Sampa, faço questão de ouvir essa gravação, Mestre Apóstolo!
Um fraterno abraço aos dois!

Andre Tandeta disse...

Erico e Apostolo,
apesar de todo o uso superficial e até mesmo estupido da internet graças a ela estamos todos aqui curtindo e aprendendo juntos.Destaque-se sempre o juntos.
O grande Gonzaguinha ,que infelizmente nos deixou ha quase 20 anos ,tem uma musica que diz "se é pra ir vamos juntos,se não for eu não to nem ai". Creio que a contribuição de cada um dos que aqui vem é especial e importante. E o mesmo se da la no CJUB ou no Jazzseen ou tantos outros blogs, excelentes a maioria,dedicados ao jazz e a musica de qualidade artistica.
Tenho que dar os parabens a voce,Erico, pelo dinamismo inacreditavel,sempre postando e tornando esse nossso(ja me associei na mão grande)barzinho virtual um ponto obrigatorio pra quem gosta de jazz.
Apostolo essa fita do "Jazz + Jazz" é como se fosse um "retrato do artista quando jovem". Lembro bem que na epoca que fizemos o programa tanto eu como Idriss estavamos "gravidos". Nossos filhos nasceram poucos meses depois com apenas 15 dias de diferença. Obrigado pelo carinho.
Abraço

Érico Cordeiro disse...

É isso aí, meu caro Tandeta!
A internet pode ser pavorosa (pedofilia, culto às "celebridades", baboseiras, etc.) como pode ser maravilhosa (pesquisa, amizade, literatura, boa música, etc).
E o legal é que há uma integração muito grande entre os blogs irmãos (CJUB, Jazzseen, Hot Beat Jazz, Jazzona, Melobateromania, Jazz Backyard, Muza Música, Farofa Moderna, etc.).
Somos poucos, mas fazemos barulho, isto é, disseminamos a boa música, em especial o bom e velho jazz!!!!
E você é sócio remido, com direito a camarote VIP aqui no barzinho - e muito legal essa história da jam com o Idriss (cujo disco Bases & Brasses é fabuloso!!!!).
Valeu!

Edinho disse...

Érico ,
Parabéns por mais uma bela resenha / ótimo disco!
Também gosto muito dele tocando com o Johnny Griffin no disco "The Tenor Scene" entre outros . Se não tem é só pedir que pando !
Abraços ,

Érico Cordeiro disse...

Valeu, Edinho!
Gosto muito dessa dupla, e tenho diversos discos - além do citado The Tenor Scene, destaco o Pisces, o Tough Tenors, o Battle Stations e um disco dedicado à obra de Monk (Looking At Monk), que é muito bacana.
O Griffin em breve pinta por aqui!
Abração e obrigado pela generosidade!!!

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Érico Cordeiro disse...

Meu bom 沒有符合查詢的文章,
Desejo a você muito 顯示所有文章 您已經是會員嗎 青春一逝不復返事業一失難有成。.
Concordo plenamente com seus argumentos e digo mais: 顯示所有文章 您已經是會員嗎 青春一逝不復返事業一失難有成。 e 顯示所有文章 您已經是會員嗎 青春一逝不復返事業一失難有成。 e mais 顯示所有文章 您已經是會員嗎 青春一逝不復返事業一失難有成。!!!!
E tenho dito!

José Domingos Raffaelli disse...

Érico e demais companheiros,

Lembrei-me de um episódio interessante sobre Eddie Davis. Em 1967, ele estava em turnê pela Europa quando foi convidado pelo baterista Kenny Clarke para participar de uma faixa de um disco da excelente big Band que ele liderava com o pianista e arranjador Francy Boland.

Durante as gravações, Francy Boland, que também foi um dos melhores arranjadores de big bands, preparou uma surpresa para Eddie Davis. A surpresa consistiu na gravação de "Sax no End", de Boland, baseado nas harmonias de "Chinatown, My Chinatown. Boland explicou a Davis que a orquestra entraria tocando o arranjo em andamento médio e pediu que ele, ao seu sinal, improvisasse três choruses sobre os acordes de "Chinatown, My Chinatown"; após os três choruses, a orquestra tocaria outra parte do arranjo. Eddie assim fez. Atacou os 3 choruses sobre um fundo orquestral super suingado e, ao terminar seu solo, a seção de saxes atacou em uníssono a transposição do solo que Eddie Davis gravara 10 anos antes com a orquestra de Count Basie em "Chinatown, My Chinatown". Ao ouvir seu próprio solo tocado pela seção de saxes, Eddie chorou de emoção.
Essa passagem dos saxes em uníssono tocando o solo de Eddie Davis em "Chinatown, My Chinatown, com Count Basie, foi tão marcante que Oscar Peterson copiou-o nota por nota num dos seus discos gravados para a BASF na Alemanha.

Keep swinging,
Raffaelli

Andre Tandeta disse...

Grande Raffaelli!!!!
Uma historia bonita dessas era exatamente o que estava precisando ouvir.
Aproveito pra dar a ideia ao Erico de convida-lo para postar um texto seu ,com historias como essa por exemplo.Que tal?
Abraço

Érico Cordeiro disse...

Mestres Raffaelli e Tandeta,
Sejam muito bem-vindos! E que bela história, de fato! O jazz é recheado de grandes momentos como esse. No momento, em homenagem aos dois e a essa belíssima passagem, está rolando na vitrola nada menos que "Sax No End", com o Oscar Peterson Trio (cd Exclusively For My Friends, vol. 3, da MPS - fantástico: com ele, os fabulosos Sam Jones e Bobby Durham).
Lembrei de uma outra passagem, protagonizada por Duke Ellington, que, ao saber que seu amigo Tony Bennett estava sozinho e deprimido, em um hotel em NY, em pleno Natal, mandou até ele um coral de crianças do Harlem, que cantou "On A Clear Day You Can See Forever" e deixou o vocalista extremamente emocionado!!!
Quanto à participação do Mestre Raffaelli aqui no modestíssimo barzinho, só posso dizer uma coisa: seria uma honra e um enorme prazer!!!!! O convite está feito!!!
Grande abraço aos dois, aqui ao som de When Lights Are Low, com o grande Oscar Peterson!

José Domingos Raffaelli disse...

Caríssimos Érico e Tandeta,

Suas palavras me comoveram.
Tandeta, que considero o nosso Frank Butler, ao referir-se a mim como "grande" (um tremendo exagero, sem dúvida, mas agradeço), lembrei-me das palavras do editor do Segundo Caderno do Globo (Artur Xexéo, que odiava jazz e música instrumental brasileira) ao demitir-me. Perguntei-lhe o motivo da demissão e ele não se fez de rogado: "Porque essa porcaria que você gosta e escreve ninguém lê e ninguém gosta porque é uma grande porcaria" - no alto das suas tamancas, falou e disse.

TANDETA 2)

Com relação a esses episódios e encontros com músicos de jazz eventualmente relato, já narrei dezenas deles na minha coluna do jornal Folha da Estância nos últimos 3 anos.

Para satisfazê-lo, aí vai outro caso, mas esse não assisti, foi-me contado pelo trombonista Milt Bernhardt.
Certo dia, ele e Frank Rosolino foram pescar num lago nos arredores de Los Angeles. Alugaram um barco, foram para o meio do lago e arremessaram suas linhas. Após algumas horas, alguns peixes e muitos tragos, começaram a sentir fome. Foi quando Rosolino lembrou que vira um restaurante junto ao lugar onde alugaram o barco. Já haviam bebido muitas e boas e, bem altos, para lá rumaram, entregaram o barco e entraram no restaurante, onde um quinteto liderado por um trombonista tocava jazz (ou, um arremedo de jazz, segundo Bernhardt). Os dois compadres sentaram-se numa mesa em frente ao palco e continuaram enchendo a cara. Foi quando Rosolino começou a debochar do trombonista, gritando "olha Milt como ele errou na entrada do solo", ou Milt dizia "Frank, esse cara nunca vai aprender a tocar trombone", coisas desse tipo, ambos rindo alto e divertindo-se com o trombonista local. Este, bastante aborrecido porque outros fregueses também riam dos comentários de ambos, parou a música e pediu-lhes que fizessem silêncio. Pouco depois veio o intervalo e quando o conjunto recomeçou a tocar, ainda mais calibrados Frank e Milt se esbaldavam em caçoar e gritar: "Como é ruim", "Acho que hoje é o primeiro dia que ele toca trombone" e outros coisas. Enraivecido, o trombonista perdeu as estribeiras decidindo dar-lhes uma lição. Perguntou se eles tinham idéia de quantos anos ele estudou trombone para chegar ao ponto que conseguiu, ocasionando maiores e mais demoradas gargalhadas da dupla. Então o trombonista passou o instrumento para Rosolino e disse: "Se você acha que não sei tocar, mostra como é". Propositalmente, cada vez mais chumbado, Rosolino segurou o trombone ao contrário, metendo a cara na campana. Foi o suficiente para o ofendido dizer: "Viu, nem sabe de que lado se toca. tem de soprar no bocal", em seguida mnostrou qual era o bocal. Rosolino encheu as bochechas e soprou no bocal, mas não saiu som. O vitorioso trombonista disse-lhe para soprar e movimentar simultaneamente a vara; feito isso, após várias tentativas, subitamente Rosolino atacou uma daquelas frases impossíveis que ele tocava a todo vapor. O trombonista ficou assomnbrado, enquanto Rosolino dizia a Milt "É fácil, você sopra aqui (apontando o bocal) e mexe com a mão aqui para a frente e para trás (apontando a vara), passando o trombone para Bernhardt, que executou numa frase velocíssima, como fizera Rosolino. Mais que assombrado, o trombonista gaguejou: "Afinal, quem são vocês"? Às gargalhadas, Frank e MIlt identificaram-se e o atordoado trombonista pediu-lhes desculpas e seus respectivos autógrafos. Tudo terminou na maior confraternização. Os dois "maluquinhos" sairam do restaurante ciceronados pelo trombonista, que depois do entrevero não parou de bajulá-los.

Keep swinging,
Raffaelli

Érico Cordeiro disse...

Mestre Raffaelli,
Só você para nos brindar com estas histórias deliciosas.
Pois é, a dar ouvidos ao Sr. "Xexéu" (por onde andará tão "simpática" personalidade?) ninguém ouve jazz e nem quer ler nada a seu respeito.
Certamente esse cidadão deve ter sido um dos milhões de lobotomizados que ficaram assistindo ao infame BBB (pena que a minha "tradução" para esta sigla seja impublicável, mas tem a ver com excrementos sólidos) ou que ouvem os não menos constrangedores axés da vida.
Felizmente para nós, fregueses do barzinho, a opinião deste senhor é tão irrelevante quanto a sua presença no jornalismo cultural. Estamos aqui a nos deliciar com as histórias do grande Frank Rosolino, um gozador nato, segundo muitos que conviveram com ele.
Em sua homenagem, mestre, cercado por hordas de processos, ouço o "No Room For Squares", de Hank Mobley, disco que sei que goza de um lugar especial no rol de suas afeições!
Enquanto isso, mantenhamo-nos na trincheira contra a banalidade e a coprofagia cultural, mas sempre com muito bom humor!
Abraços fraternos!

Anônimo disse...

http://www.cafb29b24.org/docs/buyativan/#anxiety ativan reviews - did overdose ativan

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