
domingo, 23 de maio de 2010
MOMENTOS ROUBADOS

quinta-feira, 20 de maio de 2010
ÊXITO FUGAZ
Harold Floyd Brooks nasceu em Fayetteville, Carolina do Norte, no dia 07 de junho de 1932, juntamente com o irmão gêmeo, Harry. Juntavam-se a uma família já bastante numerosa e eram, respectivamente, o sétimo e o oitavo filhos de David e Cornelia Brooks. O porte físico franzino de Harold fez com que os colegas da escola o apelidassem de Tina (pronuncia-se “Teena”, uma corruptela de “tiny”, que significa muito pequeno).
Ainda na cidade natal, começou o aprendizado do saxofone e o seu primeiro instrumento foi um sax “C-melody”, bastante comum nos anos 30 e 40, mas que atualmente é muito pouco usado no jazz ou na música
Em
Em 1950, Bubba Brooks deixou a banda de Sonny Thompson e Tina o substituiu por alguns meses, tendo então participado de sua primeira gravação, em 1951. Em seguida, vieram trabalhos em diversas outras bandas de R&B, como as dos pianistas Charles Brown e Amos Milburn e a do trompetista Joe Morris. Nesse período, complementou sua educação musical com aulas de harmonia ministradas por Herbert Bourne, com quem estudou por cerca de um ano.
Em 1955 foi contratado por Lionel Hampton para uma excursão, mas não chegou a gravar com o vibrafonista. Em compensação, o convívio com outros músicos de jazz despertou-lhe o interesse pela música que Dexter Gordon, Sonny Rollins e outros tenoristas estavam fazendo. Contribuiu para incrementar esse interesse o trabalho como integrante da banda do Blue Morocco, um clube situado no Bronx. Ali, Tina conheceu e fez amizade com o pianista Elmo Hope e com o trompetista Benny Harris, que posteriormente o apresentaria a Alfred Lion.
O principal executivo da Blue Note ficou vivamente impressionado com os dotes musicais do jovem saxofonista e o incluiu entre os músicos que acompanhavam o organista Jimmy Smith – Lou Donaldson, Lee Morgan, Kenny Burrell e Art Blakey – na gravação de “House Party”, em 25 fevereiro de 1958. As sessões foram tão proveitosas que acabaram rendendo mais dois álbuns: “The Sermon” e “Confirmation”, sendo que em algumas faixas Smith lidera um combo com a seguinte formação: Lee Morgan, George Coleman, Curtis Fuller, Eddie McFadden, Kenny Burrell e Donald Bailey.
De qualquer forma, a semente estava plantada. Após as gravações com Jimmy Smith, Tina Brooks fez diversos trabalhos para a Blue Note, sob a liderança de Kenny Burrell, Freddie Hubbard (de quem se tornaria grande amigo epara quem compôs “Gypsy Blue” e “Open Sesame”), Freddie Redd e Jackie McLean. Infelizmente, o saxofonista já havia mergulhado no tenebroso mundo das drogas, o que o tornava pouco confiável para qualquer gravadora – mesmo a Blue Note, onde além do carrinho de Lion, também contava com a amizade e a proteção de Ike Quebec, então produtor da companhia.
Não que o mítico selo da Nota Azul fosse desprezar um talento colossal por conta de sua dependência química. Afinal de contas, ali pontuavam malucaços da estirpe de Lee Morgan, Sonny Clark e Art Blakey – curiosamente, três músicos que acompanhariam Brooks em um dos seus melhores álbuns. Portanto, a Blue Note não era nenhum convento de adoráveis freirinhas!
Exatamente por conta disso, o saxofonista acabou por gravar quatro discos como líder: “Minor Move” (de 1958), “True Blue” (de 1960, e que seria o único lançado durante sua vida), “Back To The Tracks” (também de 1960) e “The Waiting Game” (de 1961). Todos são de uma qualidade assombrosa, e entre os acompanhantes, músicos da estatura de Johnny Coles, Kenny Drew, Philly Joe Jones, Art Taylor, Paul Chambers, Sam Jones, Duke Jordan e outros luminares.
Difícil tarefa, a de destacar apenas um deles. Logo, a escolha do álbum resenhado se deu por métodos absolutamente científicos: “mamãe mandou eu escolher esse daqui...”. Felizmente, qualquer resultado redundaria em um disco esplendoroso e o vencedor dessa disputa foi... “Minor Move” – o primeiro álbum gravado por Brooks na qualidade de líder.
Exatamente o disco que contou com os pirados e talentosos Lee Morgan (trompete), Sonny Clark (piano) e Art Blakey (bateria), e mais o certinho e tão talentoso quanto Doug Watkins (baixo). Como se dizia antigamente, um quinteto do balacobaco! As gravações foram feitas no dia 16 de março de 1958, sob a batuta do mago Rudy Van Gelder, mas somente em 1980 essa jóia veria a luz do sol, graças a um lançamento da Blue Note japonesa. Para júbilo dos fãs de jazz do resto do planeta, o cd foi posteriormente lançado pela série Connoisseur, em 2000.
Exibindo uma potência sonora e uma vitalidade ímpares, o grupo abre os trabalhos com “Nutville”, composição epopéica de Brooks. Trata-se de um blues em tempo médio, irrigado com altas doses de histamina. O piano de Clark é energético e cheio de groove, com direito a solos sensacionais. A influência de Sonny Rollins, com sua vitalidade e criatividade incessantes, fica patente nos solos de Brooks e o “enfant terrible” Morgan, do alto dos seus 19 anos, incendeia a sessão.
“The Way You Look Tonight”, de Jerome Kern e Dorothy Fields, recebe um arranjo acelerado, mas que respeita as estruturas melódicas da canção e mantém o seu inato lirismo. O líder agrega fluência e inventividade ao tema, dando-lhe um frescor que enternece os ouvidos. Morgan, absoluto, é o retrato da exuberância: seus solos são complexos, ricos, sendo quase possível tocar o som que se espalha a partir das caixas acústicas e a inabalável dobradinha Watkins-Blakey é segura como poucas.
Mais um standard executado em tempo médio, “Star Eyes” era um dos temas preferidos de Charlie Parker e Brooks paga um soberbo tributo ao mestre de todos os mestres do sax alto, com solos de extremo bom gosto e elevada combustividade. Primorosa a intervenção de Clark, tanto no acompanhamento quanto nos solos, que pode mostrar o vigoroso improvisador que sempre foi. Morgan faz parecer fáceis as mais impressionantes peripécias ao trompete, tamanha a sua intimidade com o instrumento.
Brooks também é o autor da faixa que dá nome ao disco, outro petardo sonoro no qual os sopros do líder e de Morgan dão um sentido exponencial ao termo “em estado de ebulição”. Destaque para a forma como o baixo aveludado de Watkins, herdeiro direto de Oscar Pettiford, dialoga com o piano de Clark e a bateria de Blakey, numa demonstração de entrosamento e sincronismo impressionantes.
A versão do quinteto para “Everything Happens to Me” é nada menos que sublime. Uma balada altamente lírica, onde Brooks demonstra sua reverência ao genial Lester Young. O solo de Morgan é breve e desconcertante e Blakey parece ter forrado com veludo as suas baquetas, ttamanha a delicadeza dde sua percussão. Impossível não se emocionar com a atmosfera de três da madrugada, que remete a amantes insones, cigarros acesos e gelo se liquefazendo no copo de whisky. Discaço!
Apesar das circunstâncias favoráveis, a instabilidade emocional de Brooks devastou-lhe a possibilidade de uma carreira bem sucedida. No meio do ano em que gravou esse disco, por exemplo, ele simplesmente desapareceu da cena musical por quase um ano, somente vindo a dar as caras em agosto de 1959, para participar de algumas faixas do álbum “Swingin’”, de Kenny Burrell.
Em 1961 Tina gravou seu último disco para a Blue Note e passou a viver de forma errática, a reboque da dependência química que lhe roubava a carreira, a saúde e a dignidade. Chegou a participar de shows e jams na região do Bronx e a sua última performance conhecida foi ao lado de Ray Charles, em 1963. Depois disso, as notícias sobre sua vida são incertas. Sabe-se apenas que no dia 13 de agosto de 1974 Brooks faleceu, em virtude de falência dos rins e do fígado, e que há alguns anos já não conseguia tocar.
Uma grande perda para o jazz, não apenas pelo que efetivamente fez – e que, apesar da discografia rarefeita, foi muito do ponto de vista qualitativo – mas também pelo que poderia ter feito. Sobre o talento de Brooks e sua forma personalíssima de tocar, escreveu o crítico Eric Novod: “Suas improvisações inspiradas, fruto da combinação de linhas graciosas do blues com o mais complexo bebop, faziam dele um dos maiores nomes do sax tenor”.
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sexta-feira, 14 de maio de 2010
O ARISTOCRÁTICO ROLAND HANNA

segunda-feira, 10 de maio de 2010
O MELODIOSO SOM DO TROVÃO
Joseph Rudolph Jones nasceu no dia 15 de julho de 1923, em Filadélfia. A música fazia parte da família, pois sua avó materna era uma conceituada pianista e sua mãe era professora de piano. Com apenas quatro anos, recebeu da mãe os primeiros rudimentos do piano, sendo que aos nove se interessou pela bateria, dedicando-se ao instrumento pelo resto da vida.
Antes, porém, o garoto causava sensação exibindo uma outra habilidade: na infância, Jones era um hábil dançarino de sapateado e chegou a se apresentar algumas vezes em programas de auditório, como o popular The Kiddie Show. Todavia, a paixão pelo jazz falou mais alto e o garoto optou pela carreira de músico.
Embora no início fosse um autodidata, na adolescência teve aulas com James “Coatsville” Harris e Charles Wilcoxon e no final dos anos 40 estudou durante alguns anos com o lendário Cozy Cole, baterista das bandas e orquestras de Jelly Roll Morton, Benny Carter, Cab Calloway e Louis Armstrong. Suas maiores influências eram Big Sid Catlett, Art Blakey e, a partir de meados dos anos 40, o jovem Max Roach, um ano mais novo que Jones.
Ganhou o apelido Philly Joe para se diferenciar do grande “Papa” Jo Jones, um dos mais incensados bateristas do jazz e membro da orquestra de Count Basie. Sempre bem-humorado e dono de uma personalidade afável, Philly logo começou a engrenar sua carreira profissional, tocando em bandas de rhythm’n blues na região de Filadélfia, no início da década de quarenta. Também acompanhou grandes músicos de passagem pela cidade, como Charlie Parker, Dizzy Gillespie, Dexter Gordon e Fats Navarro.
Após um breve período no exército, em 1945, Jones arrumou um emprego como condutor de bonde. Todavia, a atividade não deu lá muito certo. Não que Philly não soubesse conduzir os simpáticos carrinhos que andam sobre trilhos. O problema era que, ao passar na porta de qualquer clube de jazz, o nosso simpático baterista parava o carro e, sem a menor cerimônia, ia participar das animadas jam sessions que estivessem rolando no local. Pena que os passageiros não gostassem muito da idéia e começaram a chover reclamações contra o desempenho do condutor. O resultado: demissão sumária.
Mas Philly não esmoreceu. Decidido a viver de sua música, em 1947, ele se mudou para Nova Iorque e seu primeiro emprego foi na banda do clube Café Society, liderada por Johnny Griffin e Joe Morris, onde também atuavam o trombonista Matthew Gee, o pianista Elmo Hope e o baixista Percy Heath. Com esse grupo, o baterista faria a sua primeira gravação. Em seguida, atuou algum tempo com a banda de Bull Moose Jackson, onde conheceu o saxofonista Benny Golson e o pianista Tadd Dameron.
Embora estivesse cercado de grandes músicos, Jones estava descontente com a orientação musical da banda de Jackson e resolveu atuar como freelancer, tocando com Billie Holiday, Clifford Brown, Dizzy Gillespie, Ben Webster, Lou Donaldson, Lee Konitz, Art Farmer, Zoot Sims, Betty Carter, Stan Getz, Serge Chaloff, Howard McGhee, Chet Baker, Duke Ellington, Jackie McLean, Kenny Drew, Tony Scott e o velho conhecido Tadd Dameron, que seria muito importante em sua formação musical e a quem Philly devotaria uma grande amizade.
Em 1955, foi convidado por Miles Davis para integrar o seu quinteto, que incluía também John Coltrane, Red Garland e Paul Chambers. A associação com Miles se deu de forma espontânea, pois desde 1953 os dois eram conhecidos e já tinham tocado e excursionado juntos centenas de vezes. Aliás, tanto Coltrane quanto Garland e Chambers foram contratados graças a indicações de Philly. O quinteto fez história e lançou alguns dos maiores álbuns de todos os tempos. A comunhão musical entre aqueles cinco gênios era quase telepática: um sabia exatamente o que o outro ia fazer em seguida.
Jones permaneceria ali até 1958, quando a banda já havia se transformado em um sexteto, com a adição de Julian Cannonball Adderley. A saída se deu em virtude de problemas do baterista com as drogas, especialmente a heroína, que comprometiam o seu desempenho e o faziam faltar a compromissos. Todavia, Davis sempre admitiu que Philly era o seu baterista preferido e a todos os bateristas que passavam por seus grupos, incluindo monstros como Jimmy Cobb e Tony Williams, Miles pedia: toque com a pegada de Philly. Os dois ainda voltariam a trabalhar juntos no álbum “Someday My Prince Will Come”, de 1961.
A partir de 1958, começou a liderar seus próprios conjuntos, gravando com regularidade para selos como Prestige, Riverside e Atlantic. Ao mesmo tempo, continuou sendo um dos mais requisitados bateristas de qualquer época, acompanhando gente do calibre de John Coltrane, Bill Evans, Art Pepper, Bud Powell, Milt Jackson, Hank Mobley, Sonny Clark, Thelonious Monk, Abbey Lincoln, Clark Terry, Benny Golson, Wynton Kelly, Blue Mitchell, Wes Montgomery, Sonny Rollins, Lee Morgan, Freddie Hubbard, Jack Wilson, Sonny Stitt, Ike Quebec, Phineas Newborn e outros.
O prestígio de Philly pode ser medido nas premiações de new star de 1957 (na categoria baterista) e baterista do ano de 1962, concedidos pela Downbeat Magazine. Seu primeiro disco como líder foi o bem-humorado “Blues For Dracula”, lançado pela Prestige em 1958, à frente de uma banda que contava com Nat Adderley, Julian Priester, Johnny Griffin, Tommy Flanagan e Jimmy Garrison.
Pela mesma gravadora, Philly gravou, entre novembro e dezembro de 1959, um dos seus álbuns mais badalados: “Showcase”. À frente de um septeto da pesada, o baterista engendra uma verdadeira aula de swing, ritmo, eletricidade e vigor. A seu lado, Blue Mitchell (trompete), Julian Priester (trombone), Bill Barron (sax tenor), Pepper Adams (sax barítono), Charles Coker (piano, sendo substituído, em duas faixas, por Sonny Clark e, em uma delas, pelo próprio Philly) e Jimmy Garrison (baixo).
Priester, então com 24 anos, contribui com a faixa de abertura, “Battery Blues”, na qual demonstra profunda intimidade com os cânones do hard bop, além de ser um solista notável. Mitchell, sempre competente e criativo, e um Adams em estado de graça executam solos empolgantes, mas o grande destaque é mesmo o líder, cujo solo é verdadeiramente extasiante, uma espécie de delírio polirrítmico.
A temperatura aumenta com “Minor Mode”, de Barron, um saxofonista de enormes recursos e bastante imaginativo, mas que jamais teve um átomo do reconhecimento merecido. Os sopros dialogam com enorme energia e intensidade, merecendo audição mais detida a maneira como os indomáveis Mitchell e Priester duelam. A exuberância técnica e a capacidade de surpreender são características indissociáveis à percussão de Philly que, mais uma vez, exibe um domínio absoluto do instrumento.
Um dos momentos mais emocionantes do álbum é “Gwen”, onde Philly, autor do tema, dobra no piano – relembrando os tempos de infância – e na bateria, graças às maravilhas da tecnologia sonora. Trata-se de uma balada delicada, executada com suavidade e uma boa dose de melancolia, que em algumas passagens remete a “Days Of Wine And Roses”, de Henry Mancini e Johnny Mercer.
A vibração retorna com “Joe’s Debut”, hard bop pululante de autoria do líder, na qual Priester rouba a cena. “Gone”, dos irmãos Gershwin e de DuBose Heyward, recebe um arranjo orquestral concebido por Philly que, para variar, executa um solo impossível. A presença mais que efusiva de Barron e o flerte com o jazz de vanguarda, que à época dava os seus primeiros passos – talvez por influência de Priester, que na década vindoura se consagraria como o mais importante trombonista do avant garde – fazem desta uma das mais instigantes faixas do álbum.
Outro tema do líder, “Joe’s Delight” tem uma estrutura melódica deliciosa, assobiável e leve. Feita para se ouvir estalando os dedos e balançando a cabeça, é o veículo perfeito para o subestimado Barron exibir sua maravilhosa capacidade de improvisador. Mais uma fabulosa contribuição de Priester, “Julia” é um bebop de ótima cepa, com direito a solos incandescentes de Barron, Priester e Mitchell. Impressionante a capacidade de articulação de Jones, cujo solo passa ao largo do exibicionismo gratuito.
O arranjo da elegante “I’ll Never Be The Same”, de Gus Kahn, Matty Malneck e Frank Signorelli, presta homenagem às big bands da era do swing, com direito a uma atuação magistral de Adams. Belíssimas intervenções de Coker e Mitchell, que unem delicadeza e intensidade, e uma condução bastante sóbria por parte de Garrison e de Jones.
Para encerrar, uma composição sensacional de Barron, tributária do idioma bop, onde Philly e o autor, mais uma vez, têm atuações não menos que soberbas. Clark substitui Coker com a usual competência, esbanjando vitalidade, e Mitchell comete um dos solos mais vibrantes do álbum. A lamentar apenas os seus curtíssimos 4 minutos, que deixam no ouvinte aquele famigerado gostinho de “quero mais”. Um disco verdadeiramente antológico e, certamente, um dos melhores momentos da bateria jazzística em qualquer época.
Mas nem tudo seriam flores no caminho do baterista. Por conta do agravamento dos problemas com as drogas e, sobretudo, com o aparecimento do explosivo Elvin Jones, Philly e seu estilo viveram momentos de verdadeiro ostracismo, a partir de meados da década de 60. Talvez essa tenha sido a principal razão para que ele saísse dos Estados Unidos e entre 1967 e 1972, decidisse se estabelecer na Europa.
Londres foi a primeira cidade onde Philly morou, onde dava aulas de música na Hampstead School. Contudo, o rigoroso Sindicato dos Músicos da Inglaterra não permitia que ele atuasse – fosse como músico de estúdio, fosse em apresentações ao vivo – circunstância que limitava bastante as suas possibilidades de trabalho, razão pela qual mudou-se para Paris, em 1969. Ocasionalmente, tocava com músicos norte-americanos residentes no Velho Continente, especialmente aqueles ligados ao jazz de vanguarda, como Mal Waldron e Archie Shepp.
Em 1973, de volta aos Estados Unidos e novamente instalado na cidade natal, fundou uma banda de fusion denominada Le Grand Prix, de curta existência. Continuou a atuar como freelancer, tendo excursionado ou acompanhado Bill Evans, Kenny Burrell, Red Garland, Duke Jordan, Red Garland, Bobby Hutcherson e outros. Ao mesmo tempo, lançou alguns álbuns, onde se destacam “Philly Mignon” (1977), no qual atua o grande Dexter Gordon, e “Advance!” (1978), que contou com a presença do trompetista Blue Mitchell.
Em 1981 fundou, juntamente com o trompetista Don Sickler, o grupo Dameronia, dedicado à preservação da obra do compositor Tadd Dameron e que gravou dois álbuns bastante elogiados: “To Tadd With Love” (1982) e “Look, Stop And Listen” (1984), ambos pelo selo Uptown. Pelo grupo passaram grandes nomes do jazz, como os saxofonistas Frank Wess, Charles Davis e Cecil Payne, o trompetista Johnny Coles, o trombonista Britt Woodman, o pianista Walter Davis Jr. e o baixista Larry Ridley.
Um ataque cardíaco abateu Philly no dia 30 de agosto de 1985, em sua própria casa, na Filadélfia. Deixou uma obra gigantesca, com mais de 500 gravações como sideman, diversos álbuns como líder e uma legião de bateristas que sofreram sua influência direta, como Frank Butler, Carl Allen, Andrew Cyrille, Jack DeJohnette, Billy Hart, Elvin Jones, Dave Bailey, Albert “Tootie” Heath, Jeff Hamilton, Joe Farnsworth, Louis Hayes, Billy Higgins, Tony Williams, Grady Tate e inúmeros outros.
Outro discípulo confesso, o hiperbaterista André Tandeta, explica, do ponto de vista técnico, a importância do trabalho de Jones para a evolução da bateria jazzística:
“Seus solos além de serem peças muito bem construídas musicalmente com começo, meio e fim, contém um fraseado super pessoal que trouxe de volta aquela característica "militar", os rudimentos predominante antes do bebop. Os tais rudimentos eram usados por ele de uma nova maneira, incorporando-os a linguagem rítmica do bebop. E usando silêncios, espaços, como respirações. A antiga linguagem se somando com a nova e apontando para a frente, o futuro.
Nas trocas de 4 ou 8 compassos com os outros músicos (os "trades"), ele também desponta como um dos mais importantes. Nesses trechos de 4 ou 8 compassos encontramos muito mais significado musical do que na maioria dos solos de bateria de maior tamanho. Uma de suas características principais era que ele pegava alguma idéia que tinha sido tocada por outro musico durante o trade e a desenvolvia criando uma sensação de fluxo musical ininterrupto. Seus trades são pra mim um dos maiores tesouros do jazz em termos de criatividade”.
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